7 de agosto de 2010

NOSSA SENHORA DA SAÚDE... DO VALE MOIROL I

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 I EPISÓDIO

Entre o maravilhoso pagão e o maravilhoso cristão


Nas faldas das colinas do rei Ábidis abre-se um pequeno vale coberto de milenares e densos olivais de perder a memória, testemunhos de correrias de divindades pagãs e círios e romarias religiosas cristãs, de bailados de ninfas e de bruxas em noites de Lua cheia, esperas de cobiça e encontros furtivos de esgalgados e ávidos amantes, sem distinção de sexo, desde tempos anteriores à fuga de Eneias de Tróia ou mesmo naquele em que dois irmãos chulavam as graças da caridade de uma loba demente, que se hoje no divã de um qualquer psicanalista, no efeito certo da terapia, teria-se refastelado trincando a tenra carne destes dois chupistas alterando de sobremaneira o curso da história da humanidade.

Caro leitor, o que vos vou contar é uma história passada num local longínquo do centro do mundo, a um longo tempo de distância contado pelo andar do pé humano, protagonizada bem para lá das colunas de Hércules e do tenebroso e ameaçador cabo Sacro, bem acima dos recortes do impressionante cabo Barbarion (onde uma vez uma burrinha gigante trepou temíveis escarpas com a mãe da divindade cristã a cavalo no seu lombo) no interior do vasto Tagos a montante das desenhadas enseadas que seduzem os navegantes a nele penetrarem... ou seja, para nós: bem próximo, mesmo aqui ao lado.

Ora bem, em breves linhas que darão instâncias de verdade, certo navegador errante,
Ulisses, aliciado por este encantamento, subindo na sua barca o leito do dito Tagos, evitando numa morosa viagem por terra confrontos indesejados nos pinhais da Azambuja, quando este gozava de boa fama, arribou ao reino dos Cunetas e do rei "Melícola".

Num dia de Agosto como este, frequentando a amena frescura dos já citados olivais na companhia da bela princesa Calipso, aspergiu nela com helénica virilidade jactos de gotículas do seu vigor mediterrânico, apunhalando uma vez mais as crenças da pobre e casta Penélope, presa ao tear. Esquecido desta obrigação, dando azo ao seu viril sentir, no deleite de demorada fornicação, germinou no seio da princesa "arribategana" um malogrado fruto abandonado à mercê da força do rio. Amadrastado por uma Loba, tão "arribategana" quanto a sua mãe natural, e tão demente quanto a sua congénere romana, ergueu em sinal da sua sobrevivência miraculosa no alto de sete colinas adjacentes às praias fluviais onde encalhou, uma cidade que se quis logo tão importante e luminosa que hoje Ábidis o Flores, com o mesmo esforço titânico, e pozinhos de perlim-pim-pim, nada mais consegue do que nada para esta Scalabidis que a mitologia fundou entre arremessos plagiados daqui e dali, mantendo-se bucolicamente turvada e atraída pelo silêncio dos tempos em que nesses morros nada existia.


(c) Santos & Santinhos


Aos romanescos acontecimentos muito tempo passou. O mundo fez-se o que hoje conhecemos e o Deus dos hebreus senhor dele.

Numa minuciosa viagem de reconhecimento pelas Espanhas, que só conhecia por umas leituras amiúde furtadas de esguelha sobre o ombro de Estrabão, ao chegar a esta urbe entendiou-se com a sua imoral origem de virtudes pagãs e preceitos duvidosos. Com indesejada contenção em lhe chutar um bíblico arremesso, para não perturbar a sua insípida popularidade por aquelas terras entendeu pelo conselho de um poderoso demónio local, cioso de propósitos obscuros, em chamar a este local para cristianizar este inoportuno Génesis uma afamada santa rapariga de nome Iria, que milagres operava pelas margens do Nabão.

Numa revelação, através de sonhos, Britaldo, um apessoado e garboso cavaleiro, como outro não havia naqueles termos, que até arrebatava o coração de donzelas quando por valentia e marialvice pegava toiros em Ulishbona, é determinado e escolhido para a escoltar subindo para isso até à Nabância.

Diante da beata-viva Iria, achando-a de beleza irresistível, pega 7 toiros de enfiada no dia da festa de S. Pedro só pelo gozo de a impressionar. Iria, indiferente, nada mais faz que o abençoar. Tocado no coração pelo demónio que o acompanhara escondido na sua sombra, aproveitando-se do seu despeito, Britaldo, já esquecido da sua missão, cego pelo incómodo de se deslocar a tão longe sem uma pequena "brincadeirinha", ardila um plano atraindo a jovem a um local discreto à conta de conversas mansas, cheias de água benta e pós de poeira de sacristia.

Convidando-a a uma oração conjunta Iria acede ajoelhando-se diante dele esperando-lhe o mesmo gesto. Porém, Britaldo, já ruborescido, assedia-a com a visão do seu pénis erecto forçando-o a Iria. Com as mãos no rosto, postas em defesa de tal visionamento, a jovem pede-lhe contenção e que se concentre no propósito a que ali foram. Britaldo, perante a dificuldade, encarniçando-se ainda mais pelo rubro de tanta tesão, esganado pelo gozo de satisfazer-se num acto de luxuria inestimável, fomentada pelo demónio que o invade, puxa-lhe pelos cabelos ameaçando-a com a lâmina da sua espada. Iria, interpritamente, recusa-o mostrando-lhe repugnante desdém. Britaldo, pouco habituado a recusas, passa-lhe a espada pelo pescoço, como acto
piedoso de misericórdia Divina do Deus do hebreus ante o engodo em que se viu envolvido, pondo pelo fio da espada termo a esta pouca vergonha de inconsequentes medidas ao som dos uivos demoníacos da infernal entidade, frustrada no seu propósito de querer apenas possuir pelo toque da carne a casta filha do Nabão.



(c) Santos & Santinhos


Uma vez só, sem Deus nem demónio, Britaldo, aturdido, com a pressa de um ladrão, atira o corpo ao rio desfazendo-se do inconveniente cadáver da inocente que agora perfila lá nos céus o exército das pobres mártires cristãs.

Tejo abaixo, caridosamente envolvida pelas ondas do fluviais, escoltada por cardumes de Sáveis e Lampreias, despojada de seu hábito, embadeirando de negritude os canaviais do largo rio, veio a encalhar nas mesmas praias onde Ábides havia também chegado enquanto criança recém nascida.

O povo,
abismado, suspenso na visão da graça incorrupta e de desnudada beleza, com saber experimentado destes assuntos, cacarejando pormenores deste melodramático acontecimento que não lembram a ninguém, apressou-se a reiterar-lhe a santidade, fé e devoção de tão luziada popularidade que subindo por aquelas colinas acima ofuscaram o nome de Ábidis, ante a estupefacção do Divino.


(c) Santos & Santinhos

Posto isto, Deus viu que era bom. Sobreveio a tarde e uma nova manhã... e fez-se a aurora dos nossos dias.



N.B - Caro leitor, esta singular narrativa composta liricamente com a astúcia e a brilhante sageza do seu bravo autor é baseada em lendas, personagens , locais, nomes históricos, míticos e actuais é usada e combinada a belo prazer do seu autor, como livre expressão da sua vontade.


News about:

Muçulmanos começam hoje o mês sagrado do Ramadão , Cinco crimes exemplares. Cinco mini-romances , Poluição: população de Santarém vai vigiar rio Alviela durante o mês de Setembro , Há um "sentido português" na construção de cidades "diversas e sensoriais"

1 de agosto de 2010

Ó DA FRUTA BOA...

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Chegou Agosto anunciado pelo calor que se tem feito sentir nas últimas semanas. Com eles amadurecem por fim nos campos sumarentos melões e frescas melancias para nos virem num anafado repasto melar a alma e a mente.

É verdade que é este o tempo da melhor fruta e este é o tempo em que esta corre por aí ao desmazelo. Muitas e muitas vezes vendida na beira das estradas, à causa do tanto milagroso e proibido excedente da fartura produtiva, caçando o viandante condutor pelo olhar, convidando-o a parar. No meio dela, perdido como no antro de Creta, sem norte, sem eira-nem-beira o apanhado sequioso, cheio de gula, já num acto de pura fornicação e luxuria, apalpa e certifica-se munindo-se epicamente nesta escolha mercantil por largas semanas como se fosse entrar ante um torrente gozo diluviano.

Caro leitor, é o regalo da fruta franca que mata o calor mas nunca a sede.

É o prazer adquirido de tantas formas e feitios apanhado à mão pelo gesto do homem, retiradas do pomar ou da terra... Em súmula, faça-se aqui agora, apenas hoje e com curta excepção, uma pequena vénia à sageza do ilustre poeta-cantor-acordeonista popular, de condão brejeiro e pernicioso:

Em Agosto tudo entra a gosto...

pois assim é com o deglutir da fruta boa, está claro. Porém, olhando em volta pergunta-se, ante um clamoroso brado emergente:

Onde está ela? Ó da fruta... ó da fruta boa!

É já sonho, é fantasia! A verdade que hoje nada disto já existe e esta promiscuidade de boa saúde é zelosamente vigiada por leis e outras minundências madrastas. Por cá, caro leitor, num gesto repetido, no abrir e fechar da boca, perdido neste bom pensamento, suspiro e vou esvaindo-me em saliva escorrente, ante a visão de um fausto passado suculento que só a memória guarda.
Que saudades da pêra rocha pequena, tão doce de sabor a mel, um dos maiores artefactos de confeitaria que Ceres nos dotou e que só a mãe natureza deste nosso solo pátrio sabe produzir, com tal espírito e requinte; e já agora, caro leitor que partilha esta saudade comigo, apesar de vast0, embora relacionado, 0nde andam os carapauzinhos para fritar, dádivas do sr. Neptuno para melhor acompanhar um arroz de tomate... eis-nos, caro leitor, na pertinente questão ou seja no ponto fulcral deste rosário: onde encontrar hoje tudo isto?

Dos cerejais, perais, meloais, melanciais, ameixiais, pessegais, figueirais ou qualquer outro pomar de fruta estival estas ganharam outros rumos que desconhecemos. De certo uma estima e caminho idêntico que levaram as Lusas, no mercado internacional: tudo desbaratado. Curioso que em Londres, no Harrods, se vende fruta portuguesa como produto gourmet a preços incomensuráveis, desde a pequenina à graúda.

Por cá nada se sabe dela, sendo o seu paradeiro
uma das maiores incógnitas dos nossos dias... De certo ganhou pernas e pôs-se a andar. Sabe-se somente que anda por aí, algures, de bom nome ou disfarçada!



(c) Santos&Santinhos


News about:


27 de julho de 2010

CÚMULO DA SOFREGUIDÃO II

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Nos últimos dias, dois para ser mais concreto, descobri os prazeres do álcool como algo quotidiano. Hic... Passei de abafados para umas grappas italianas que por ali guardo como resquícios de uma vagabundagem à grande e à francesa por esse adorável país!

Serei eu um alcoólico?
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24 de julho de 2010

CÚMULO DA SOFREGUIDÃO

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Há pouco bebi um copinho de abafado... agora estou bêbado! hic...
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22 de julho de 2010

AO SOM DE UM NOCTURNO DE CHOPIN

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Na noite que antecedeu o dia de ontem, nas descansadas horas do serão, enquanto milhares de portugueses vislumbraram avidamente o quotidiano rol de monótonas novelas de idioma português, despercebidamente na terra dos royais ingleses, sobre o firmamento Londrino, fez-se silêncio imperioso para ao piano se ouvir Maria João Pires. Toucou-se Chopin... ouviram-se os Nocturnos.


Passados catorze anos, tempo percorrido desde a saída dos Nocturnos até à actualidade, que esta pianista portuguesa até então conhecida e reconhecida mundialmente pelo seu delicado Mozart, se reputaria como a mais aclamada e preferida intérprete destas ternas e meladas pérolas Chopanianas. Não é exagero aqui defende-la como tal, sobretudo quando o mundo já a distinguiu assim permitindo-a de entrar em suas casas repetitivamente como uma ecoante obra de arte de mobilidade decorativa. Alvíssaras uma vez mais a este Portugal pusilâmine em tais vénias de envergonhar pergaminhos e indiferente em abraçar os seus mais honrados filhos já que Maria João Pires sempre foi do mundo e não da casa, portanto rapariga emancipada de contornantes atenções em prol da dinastia desses desbragados mediáticos Rómulos e Remos, alarvões chupistas de proporções asfixiantes, actuais senhores da nossa mísera cultura.

Em súmula, sem mais minudências de perder a vista, para não alongar este post, concluindo assim com espírito positivo, resta dizer que a BBC na edição 2010 dos seus Proms, nessa hora transcendente de sons sublimes resplandecendo sobre a cúpula do Royal Albert Hall, consagrou a nossa Maria João Pires ao mundo não só como uma das mais distintas pianistas que já a sabemos, mas também como intérprete viva de excepção destas obras do Maestro Chopin ao escolhe-la para um concerto que celebra a efeméride dos 200 anos do seu nascimento.

Numa cortesia da BBC RADIO 3, para quem não ouviu mas o deveria ter feito com o mesmo dever pátrio de quem vê futebol, fica aqui o link do BBC iPlayer
que nos dá a escutar todo o concerto.



Maria João Pires

Frederic Chopin
Nocturne Op. 9, Nº2



20 de julho de 2010

POR MORRER UMA ANDORINHA...

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Sempre que chega o Verão, o Sol, raiando convites à alegria e ao sorriso, saúda as Andorinhas com o seu calor levando-as a esvoaçar pelos céus nos seus esguios fatos de cor-de-luto vestidos. A Andorinha, a ave migratória rainha dos céus na época de Estio, sem fazer espécie a sua congénere divina, a mãe do nosso Salvador, Maria, de tantos nomes e graças, arriba às nossas paragens logo que a Primavera se faz desabrochar no florescimento da natureza emergida em flor.

Com arte e gesta, em mil cuidados de extrema sabedoria pensados, elaboram os seus ninhos esculpidos pelos seus frágeis bicos de avezinhas com o húmido barro invernal das terras e as águas das pocinhas regadas pelas chuvas. A sombra dos beirados é o poiso predilecto para suster tão engenhosas casitas, onde se cumpre na firmeza do barro seco, antro onde se irá gerar o fruto do amor dos engraçados passarinhos, a ordem de procriar dada por Deus Nosso Senhor.

Ei-los, então, pois, no ninho, no recanto mais alto de
uma qualquer alva parede caiada pela mão do homem, enfeitadas de rubras sardinheiras adornando a bênção de um beato azulado painel de azulejos. É neste maravilhoso e humilde contexto que os sabemos entrelaçados no seu cantinho, Macho e Fêmea, pois no mundo não há mais bela e tão natural perfeita condição, acomodadas no conforto de palhinhas e penas, expressando-se em carinhosas bicadas, guardando-se em pudor dos olhares que passam, a conceber os seus pequenos filhinhos.

Assim que os pequenos ovinhos se fazem saber no ninho, ante o cumprimento da comadre Cegonha,
como recompensa de tão laboriosa jornada, o pai Andorinho lança-se pelos céus num giro de alegria, enquanto a sua fêmea, no mais cândido e vigilante propósito maternal, se acerca calorosamente transformando os ovos em crias.

Nascidos os pequenos passarinhos reina a felicidade nos ninhos.

As crias, alimentadas pelo bico da sua mãezinha, crescem vistosamente de dia para dia, por força de comensais iguarias que só a estas avezinhas agradam. Fortalecidas, eis o derradeiro momento... e basta! Assim, por adiante seguiria ainda num ritmado rosário de pérolas hipócritas de deprimentes metáforas continuadas deste mavioso exercício de escrita em tom Salazarento, de acordo com aqueles livros por onde os nossos pais fizeram a sua instrução primária. Caro leitor, sigo já exausto e com pouca paciência para continuar, mesmo que tal fosse do seu interesse. Hoje não é com agrado que escrevo e é com pesados ferros que vou espremendo o que vai saindo, diante a ameaça: ou paro ou fico mais 2 semanas sem escrever nada.

Hoje morreu uma Andorinha, é verdade!

Espectáculo funesto este! Que crueldade de lei universal tive de presenciar num mundo que se diz de tolerante abundância como este em que vivemos.

Como podem tais aves serem desprovidas do sentimento de reunião familiar quando muitas vezes se agrupam em bandos que se protegem hermeticamente. Como podem as mais sapientes aves que conhecemos de tão próximo alcance capazes de impressionar Doutos e Catedráticos,
encerrando na sua minúscula meninge conhecimentos exactos e perfeitos, vindos sabe-se lá de onde, que reúnem faculdades apuradas de arquitectura e engenharia, de leis da química e da física que dispõem na concepção da estrutura de um ninho, colhidos quem sabe nos beirados dos templos e nas pirâmides no antigo Egipto ou na telha vã que cobriram os sábios helénicos enquanto ensaiavam conhecimentos para permanecer ad aeternum, abandonar as suas criaturas à mercê das suas incapacidades.

Hoje, vi no chão, diante do pneu do meu carro, uma pobre cria abandonada. Tinha asas, mas não voava. Tinha medo, pois só e abandonada desconhecia aquilo que pressentia. Sensível, vi o pobre pássaro e encomendei a alguém de o tentar fazer voar... Se voou, ao mesmo local regressou para fazer-se ver já sem vida.
Perguntar-me-ía o meu caro leitor a razão de não a ter acolhido. Pois bem, sem conhecimentos de Ornitologia, sei de memória desde criança a sentença destes pobres e condicionados bichinhos que em dois ou três dias morreriam num canto da minha casa, apesar dos maiores e melhores cuidados, que de certo não seriam os mais adequados.

É cruel esta prova, tanto para o passarinho que já jaz ali na esquina do prédio em frente, à mercê da decomposição e do acto piedoso da varredora de ruas que só amanhã o levará como lixo municipal, como para mim, alma pura e sensível, incomodado por ter de presenciar tão negra sorte.

Antes de adormecer e assim esquecer este facto, ficarei na certeza que a ausência de colorido no vestir destas avezinhas que dalmatizam negramente os céus, será sentença pelo peso deste gesto tão bárbaro e de impiedoso sentir.

Morreu uma Andorinha!



News about:

Morreu o judoca Tiago Alves
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17 de julho de 2010

15 de julho de 2010

AINDA SOBRE CR7

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Dois comentadores anónimos, quem sabe a mesma pessoa, vieram aqui insultar-me no âmbito do post anterior. Como é óbvio, não vou publicar os seus comments dado o teor radical das expressões usadas. Advirto-os com esta nota, como a todos que se acerquem de tal ímpeto, que não publico violência verbal gratuita e despropositada ao meu alter-ego, à minha pessoa, ao meu blog e a terceiros sem que a mesma esteja relacionada e seja fundamentada no contexto das dissertações aqui publicadas. Tal como acuso, também defendo e protejo, e como me exponho em tais propósitos também tenho o dever de aceitar a critica, mas a critica não verborreias da trampa.

Assim caros Anónimos, que se escondem para dar azo à perversidade e à demência, não dando para isso cara, nome, perfil ou blog, e que creio reincidentes na prevaricação, escrevam para aí até caírem para o lado de tantos calos nos dedos e até que a desidratação da radiação do vosso PC vos queime a meninge e o sistema binário e primário que vos impele a escrever tais pérolas. Palavreado e frases do teor que me enviaram não tem expressão nem visibilidade por aqui. Há formas inteligentes de o fazer e de o dizer escrevendo. Puxem pelo vosso córtex para não serem redundantemente vulgares e ordinários, se é que o vosso, tal como o vosso intelecto, é inteligentemente maleável. Aqui a linguagem de andaime e o gesto de atirar pedras por atirar não têm lugar. Refinem-se, portanto!

A propósito, já dizia a Paris Hilton que o moço é frouxo e como não inventei nada, resta-me acrescentar cada um é como cada qual e cada qual igual a si mesmo. Só não vê a verdade e o que é óbvio quem dela recusa o seu poder redentor.

Por fim, bem hajam pela vossa presença, mas esta será sempre invisível pela vossa mentecaptacidade e falta de modos.

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14 de julho de 2010

O NOVO MODO DE FAZER BEBÉS!

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Foi com surpresa e maior espanto que neste regresso à ribalta do quotidiano, no alheamento da sua azáfama ao qual me devotei para melhor diligenciar as minha obrigações, tomei entretanto conhecimento de um ou outro assunto que nos vamos por aqui a deixar uma impressão. Resumindo, por assim dizer, no dia que Portugal se deixou vencer pela Espanha - fatídico dia em que um incêndio levou a tal bela janela, ameaçando a boa ordem dos nossos trabalhos, numa maré de azares que nos foram boicotando a normalidade da nossa jornada até ao último minuto (mesmo o último, aquele em que por fim as luzes se apagaram antes da madrugada de pretas e ucranianas do Cacém, quais baratas em busca de detritos e agentes da reposição da mais antiga ordem no desaparecimento de vestígios de efémeras passagens, viessem varrer o pó deixado na passagem deste nosso circo louco e delirante) -, que mergulhei de apneia num oceano de esquecimento para melhor me concentrar na desorganização que a partir daí reinou como uma desbragada e temperamental Histrionica Domina Imperatrix Mundi, ao sabor do lado em que bate o vento.

Bem, acabado o joguinho das vuvuzelas para Portugal, que de bom tom perdemos em conformidade com os novos tempos para sem azedumes continuarmos em paz a dispender da cordial arrogância e ditadura da globalização vinda de além fronteiras, como deste nosso mais próximo vizinho que uma vez mais ganhou o mundo, desta pela força do jogo-da-bola! Pobretes mas alegretes, com uma consoladora e foliã medalha de cortiça sarapintada, eis-nos, é certo, mas sem aquele estigma do Teixeira de Pascoais que já ninguém sublima, felizmente para todos nós para que os nossos dentes não nos caiam de podres.

Mas, caro leitor, vamos ao que interessa:

CR7, ou seja, CR, o futebolista, fez um filho sem se encostar, roçar e fornicar num pele a pele uma fêmea reprodutora! É quase metafísico e uma estrela poderia ter passarinhado no céu. Mas não, nada disso aconteceu e na realidade provou-se que temos homem (o que faz o dinheiro). Macho, até, de condão chauvinista na medida em que usa e despreza o bel sexo como as descartáveis fraldas do seu recém-nascido - uma barriga de aluguer para gestar uma criança e modelos e manequins, que de certo, também alugadas a termo certo, na prestação de serviços pagas a troco de recibos verdes, para lhe fazerem companhia nas piscinas de N. York e nos Iates que se deixam fotografar em pictures que dão 7 voltas ao globo no espaço de micro segundos para convencer o mundo de alguma coisa de que não percebemos muito bem o quê. Assim sendo, e como português moralista que sou, ainda que falso, digo: CR, mas o que vem a ser isto? Não gosto de dar conselhos, mas hoje vou abrir uma excepção. Ei-lo! CR com a sua licença, deixo-lhe aqui esta mensagem: a vida não é só relvados, estádios e milhões de euros a comprar tudo. Aprenda isto depressa para não repetir erros, uma vez que sobre o que fez nada há mais a fazer, nem dá para emendar, uma vez que o Júnior irá viver sempre com o
complexado estigma e o espectro de um pai saudável pelo que parece só pela habilidade para dar uns chutos numa bola já que a vocação para agarrar as ancas de uma mulher, se assemelha de fraca, fracota! Rapazola, aprenda para felicidade dos seus meninos: os bebés não se fazem com dinheiro numa clínica como quem espera que eles venham de avião da França, nem muito menos se onananizam para um tubo. Um bebé, caro CR, passando a expressão, ejacula-se no tal sagrado recipiente feminino concebido com graça pela Divina Providência para esse efeito, para uso de machos viris ou de homens interessados, com o frenetismo e o anseio de um forte nirvana da planta dos pés à ponta dos cabelos galgado depois como um calafrio pela espinal medula abaixo aspergindo-se como uma torrente de chuva de uma forte monção de Verão.

Afinal onde está o homem?

Não c'e! E o que se vê: um puto mariquinhas menos chorão do que já foi, agora com ares de arrogante, perdulário dos seus MILHÕES, deixando-se fotografar ao lado de MULHERÕES sem qualquer empatia e simbiótica cumplicidade pelo objecto feminino... Basta, cada um que depreenda aquilo que achar! Não me compete ajuizar nada.

Em resumo e finalizando esta publicação viperina, CR, o futebolista, percebe imenso de chutos na bola (sem marcar grandes golos) mas de bebés: "tá quieto ó preto"! Rapaz da Bola, não tem importância que não seja um macho viril - pode ser o que quiser entre o normal, o débil ou até mesmo o impotente - mas encoste-se e sinta a efervescência carnal do sangue alheio a chamar por si!


News about:

Cristiano participa em campanha... de borla
, Cristiano Ronaldo no Algarve: "Deixem-me desfrutar" ,
Selecção dá trambolhão de cinco lugares no ranking FIFA , Federação Portuguesa pela Vida exige revisão "urgente" da lei do aborto , Queiroz espera novo prémio: a decisão final de CR sobre braçadeira
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12 de julho de 2010

BACK!

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Caro leitor: Ciao, good evening, ça va bien?

Espero que a (re) descoberta de tantas horas aqui materializadas em linhas, fotos, desenhos e afins tenham sido do vosso maior e agrado. Para mim foram, acreditem. Escrever cada post do passado, mas do passado remoto desta existência, foi um pedaço de mim exposto no meu estado mais puro. Razão pela qual optei por me chamar de Bartolomeu. Já tirei os óculos e um pouco me descobri, é certo, mas este nome de Santo ao qual já me habituei, perdurará como a minha mais fiel identidade já que por ela nada escondo ao mundo. Por isso, hoje escrever tais pérolas gotosas de fé não fariam nenhum sentido nalgumas dessas reuniões de palavras e de ideias que tanto zelei. O primeiro Santos & Santinhos era dedicado às beatitudes assemelhando-se a uma certa necessidade de fanatismo religioso interior, revivalista de uma infância e adolescência beata. Se na altura brincava aos altares, aos santos e às procissões - recrutando viva-almas da minha idade para acolitarem este galopante delírio que tal como incenso pretendia raiar os céus para com ingenuidade infantil agradar e obter dele o favor e a protecção divina - o aparecimento deste blog não foi mais que o retomar e o remontar de tais altares e recrutar um espectro muito mais alargado daquele que fiz antes da puberdade, e que aqui, mais do que companhia para brincadeiras (as minhas brincadeiras) serviram para ajudar a exorcizar medos e fobias das incertezas do amanhã. É verdade, caro leitor, aceite aquilo que está a pensar, neste sítio de tanto cá vir comungar desta prosápia de textos, tornou-se uma vítima dessa minha condição. Imagine-se agora um dos tais meninos e meninas, segundo a sua preferência, que fazia sentar numa Capela improvisada num canto do Quintal ou da Garagem a dizer Ámen nas Missas que organizava, prestando-se a dado momento, segundo o ritual, abrindo a boca para a comer das minhas mãos bolachas como hóstias, como garantia que as tais procissões não entravam em debanda e que passavam do portão lá de casa, para dar umas voltinhas pela rua.

Portanto, desse grito exasperante, assim como do homónimo distorcido de Munge, já se perdeu a feição e do eco ficaram as palavras que de certo leram e estimaram. Caro leitor, não acalente tal regresso, pois, caro leitor saudosista, seria desejar-me más coisas, sobretudo o retrocesso a um estádio que já não desejo. Hoje, nesta nova puberdade os interesses uma vez mais apontam para outros sentidos: Mundanices, politiquices, fanfarronices, putanhices e outros ices que tais... em que manter o vigor para as enfrentar a todas formas e feitios é a minha única preocupação.

Agora para si, caro leitor afoito-à-necessidade-de-fatalidades-e-afins lamento informar que nunca foi minha intenção de fechar o blog. Se bem que por uma questão de higiene mental, um espaço com dada personalidade hermética significante de um ente ou um alter ego ocupante de um espaço em que a necessidade de viver é tão grande quanto a de morrer, quando mais não se justifica, será sempre sempre mais salubre existir noutro espaço. Porém, não! Assumido que sou na minha personalidade activa, capaz de sofrer mutações numa existência de work in progress, para combater a mediocridade do menos bom ao aceitável, declaro que com todo o sofrimento de um up-grade este espaço perdurará em regime perpétuo com a esquizofrenia habitual.

Ainda noticiando os meus conflitos pessoais expressos, comunico-lhe, caro leitor, que não só entrei numa Licenciatura como entrei com a melhor nota e por conseguinte em primeiro lugar. É verdade que me entristeceu a minha incapacidade de não ter conseguido melhor nas provas que prestei, nem estar à altura das minhas capacidades. O meu habitual pessimismo, desta em tom melo-dramático, ocupou-se, por causa das minhas manias, de me reconfortar até ao momento em que a acérrima verdade foi revelada nas pautas.

Por fim: é tão difícil trabalhar com mentecaptos arvorados a licenciandos e mestrandos da minha área de trabalho. Exasperei! Fui castigado com horas perdidas a refazer o que fiz com mestria e garbo, pela incapacidade de quem só sabia dizer que era professor universitário, como se isso lhe valesse ali de muito, acrescentando que o que estava à sua guarda desaparecera misteriosamente. Os tomates-do-Padre-Inácio para esse Senhor, bah! Malgrado tantos conhecimentos e diplomas não sabe... não sabe numa leitura identificar algo que será equivalente como na linguagem visual de uma trivial costureira diplomada em corte-e-costura, já que se tratam de instrumentos do seu metier, a distinguir um alfinete-de-cabeça de um alfinete-de-dama. Basta, já fui má pessoa o suficiente a exorcizar por todo lado, a quem ouvidos me deu, este Diabo que não mereço e que vou ter de aturar no futuro... mais, que aparentemente se quer ocupar das minhas funções!
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1 de julho de 2010

NEWS

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Caro leitor, ando sobrecarregado de trabalho. De modo que enquanto não vem um novo post, sugiro a leitura dos meus 797 post. Para quem já leu, uma re-leitura nunca é demais e uma vez que todos os textos são susceptíveis a comentários, no desejo de um bom entretenimento, fico a aguardar as vossas impressões.

Até já!

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21 de junho de 2010

OS MILAGRES DO SOL... É VERÃO

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Hoje foi o dia maior do ano e um dia grande para nós! Assim se entrou no Verão e por este é bem verdade que as altas temperaturas provocam calores e esturricam as ideias. Calores levam ao mau-estar. O que não mata moi, e o que moi enlouquece. Ora vejamos:

Seis meses passaram desde que o corrente ano faz mossa e Portugal nunca esteve tão miserável e tão folião, ante as vozes que dizem que não. Que o diga eu na minha pelintrice!

Saramago está morto e na mercê de uma fornalha cremado. Da sua birrenta e amarga língua não restam se não cinzas ininteligíveis. Não deixando saudades, deixa uma vasta e nobelizada obra para trincarmos até ficarmos sem dentes, quase que por força da obrigação. 17 anos a fazer manguitos a Portugal e aos seus e reclamam a vénia e a hipocrisia do mais alto cargo do Estado? A memória é muita curta quando o povo quer festa ou quando se quer lhe quer dar festas fazendo deste uma mole tonta e ludibriada. Saramago, enquanto pessoa inanimada, na cordialidade de trato dos vivos teve o que mereceu e todas estas reclamações soam a uma onda de descredibilização esquerdista ao mais natural candidato da direita às próximas presidenciais. Não se deixem impressionar é só campanha política.

7 a 0 foi o milagre do dia! Tanti auguri aos rapazes que arrecadam 40 mil € só por participarem no Mundial, valor que seguramente nunca conseguirei juntar de uma só vez na vida. Muitas bençãos e sinais da cruz, é certo, se viram aos jogadores. Hoje, de certo agradada pelas obrigadas penitências, jejuns e abstinências lascívas, a Senhora de Fátima,
de Vuvuzela nas mãos vestida de encarnado e verde, sem qualquer indiferença à sua selecção na hora em que o Sol atingiu o seu Zénit baixou sobre o Estádio inspirando galopantemente remates certeiros um a um até somar o mágico número da mítica goleada que já faz história, na qual, Cristiano Ronaldo, aparentemente um dos não eleitos, quisesse assim antes a Divina Providência, demonstrou que se não fosse um jogador de Futebol teria optado por uma profissão anonimamente mais modesta certamente na arte circense - valha-me Deus o disparate e o amenizado eufemismo dos comentadores só porque tropeçando na bola com grande buffunerie marcou um golo... Em resumo, ou foi milagre ou foi acaso!

Eu por cá, envolvido nos meus dramas existênciais, acho-me em fadiga e cansaço intelectual. Sem Catitisse de fundo, diminuído das minhas capacidades, defendi hoje uma tese. Uma posição em prol do meu futuro, chegando à conclusão que só sei que nada sei. Pior, nada mereço. Entre Doutos e Catedráticos de alta estirpe senti-me um asno descendente sem asas. Um mísero atrasado convencido do contrário. Enfim, não encontro um sentido de ironia para gracejar com a trampa que fiz. Só me apetece chorar e desaparecer!

Sayonara!


News about:

Portugal - Coreia do Norte, 7-0 (Crónica) , Ronaldo: "O meu golo foi divertido" ,
Chuva de golos: Portugal atropela Corei do Norte (7-0 ) e faz história , O que o Presidente faz "é diferente do que deve ser feito pelos amigos" , Portugal - Coreia do Norte, 7-0 (Crónica) , Carlos Queiroz:"Estávamos a precisar de um momento destes" , Corridas às livrarias em busca de José Saramago

18 de junho de 2010

EM DEMANDA DE DEUS...


(revisto e pouco aumentado)



(c) Santos & Santinhos


Nem tudo é o que parece.
Provérbio



Podia ser o resumo da vida deste homem: Nem tudo é o que parece!

E o que parece afinal?

Mais que discorrer
louvores vespertinos numa composição panegírica , neste lusco-fusco do dia crepúscular do Nobel Português, relatarei um episódio opurtuno assaz revelador do carácter deste homem que só pela mesma indiferença de trato me digno a relata-lo, já que em comum temos a má disposição e o azedume Ribatejano - ele o da borda d'água eu o das terras do bairro.

Pois bem, longe das Lezírias - Toiros, Campinos, Cavalos da Golegã, Largada de Toiros em Santarém e Copos no Cartaxo -, tive a opurtunidade de me cruzar uma única vez na vida com o ilustre José Saramago. O livro autografado que ali guardo diz-me que foi no dia 18 de Março de 2006. Nessa noite estreava-se em Lisboa, em São Carlos, e em todo o mundo, a ópera do maestro Corghi com o título homónimo da sua peça de teatro
Don Giovanni ou O Dissoluto absolvido. Comprei-o à pressa numa superfície comercial, por falta de tempo, e sim... mesmo com tantas livrarias de nomeada ali à porta, no Chiado, animando assim a intenção de guardar uma tripla lembrança, entre um sem número de recordações caricatas e picarezcas, dessa noite e desses espectáculos.

Desengane-se já todo o leitor que pense que eu tenho algum fascínio pelo Saramago. Não tenho! Somente o reconhecimento e admiração do seu talento ciente do contributo e do peso da sua gesta na nossa literatura, da sua internacionalidade e da aval de que este fenómeno de escrita está a milhas de ser apenas uma curiosidade do escaparate das livrarias de todo o lado. Dele pouco li, se não mesmo o que consegui ler com agrado e em leituras esforçadas para de perto ter uma opinião, mesmo que pouco abonatória, para no mínimo me poupar a estar calado.

Música interessante mas azeda como o feitio do nosso Zé, que no seu termo lá se concluiu. No backstage do Teatro,
na penumbra que é característica a espaço, procurei então o Nobel que com ar altivo caminhava no seu snob porte e distinção marxista como um radiante sol invernal da meia-noite, na companhia do maestro Corghi e da sua Pilar. Com apurada sensibilidade, ligeiramente visível, por estar perante um tal vulto, eu um aspirante a aprendiz de intelectual de ranho no nariz (tal e qual ele quando não era ninguém aos 40 anos), com meia vénia e a máxima das delicadezas e cordialidades recheada de um cumprimento laudatório respondido pelo silêncio das orelhas moucas do tal ilustre vulto, pedi-lhe um autografo acedido com a maior insignificância e frieza. Assinando o livro agradeceu excusando-se a um natural aperto de mão tirado a ferros, porque assim o quis!

O que acho?

O que está à vista, ou seja: um homem vaidoso encapotado de repúdio, de mal com a vida e respondão, e, que se diz abnegado de crenças que deseja ardentemente. Fama e Glória, sim, muita! Para mim, a sua busca, a sua maior demanda, em cada passo da sua vida, em cada linha impressa dos seus livros foi a sua desprezada religiosidade por Deus - Aquele com mais disparatou e zombou.

Faço idéia do que lá vai por cima a esta hora, a menos que ambos, em majestade imortal, em conluio e na galhofa,
na maior fanfarronice, se estejam a rir de nós e desta nossa momentânea mediocridade.


News About:

A morte de José Saramago na imprensa internacional , A morte de Saramago lidera Twitter, com mais de 50 mensagens por minuto , Morreu José Saramago aos 87 anos , Morreu José Saramago , A morte de Saramago na imprensa internacional , José Socrates: o país orgulha-se da obra de Saramago , Jerónimo de Sousa quer dia de luto nacional por José Saramago , Morreu José Saramago , Urna de Saramago já está nos Paços do Concelho de Lisboa , Poucos populares e muitos jornalistas aguardam cortejo fúnebre de Saramago , Saramago: Avião com restos mortais do escritor a caminho de Lisboa , Saramago: nação portuguesa perdeu "filho ilustre", escreveu Lula da Silva , Depoimentos ao PÚBLICO sobre Saramago , O homem que Cunhal recusou para director de "O Diário" , Morreu Saramago: qual foi a sua melhor melhor frase, faça homenagem , Morreu Saramago: "Nem Fernando Pessoa atingiu este patamar" , "A mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença" , O dia em que o ponto final se lembrou de José Saramago

POR SARAMAGO

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Quem me dera ser um Querubim sorrateiro e estar agora no céu a ver a triunfal chegada do destemido Nobel Finado ao Paraíso... e esvoaçante vigiar o confronto das velhas Senhoras:

Saramago versus Deus

ou seja

O Juízo Final do Viandeiro Errante da Azinhaga à estalada de meia-noite!


Contas a prestar, contas a pagar!




14 de junho de 2010

OLHANDO PELA TARDE DE ONTEM



(c) Santos & Santinhos

Ainda há locais que nos transmitem a paz pelo bem estar.
Esta janela é mágica ou então estava para o sensível!



SANTO ANTÓNIO JÁ SE ACABOU...



(c) Santos & Santinhos


Não fui ao Santo António!

Malgrado qualquer intenção subjacente, nem sequer queimei um ramo de rosmaninho que colhera e guardara religiosamente para oferecer, em suaves e ascendentes nuvens de fumo, a este herói português lembrado e distinguido à conta de despeito de pertença, só porque os Patovinos o fizeram na fábrica de Roma um Santo de distinção.


Oportunamente visitei num ano anterior a este dia de 2010 o túmulo do Santo. Vi as suas relíquias e pasmei perante a visão daquele órgão emissor de vocábulos que aos peixinhos do mar soube ser isco à retórica. Também vi, num outro precioso relicário, as suas cordas vocais, o aparelho pelo qual vibrou o ar que produziu tais eloquentes discernimentos, enquanto por cá, acolhido com honras de estado, apenas se guarda um dedo tão magro quanto um osso de galinha ou palito de ir aos dentes.

Não comi sardinhas, não fui a um arraial da cidade, nem muito menos avistei marchas sofridas pela tirania de Alfama. Somente uns carapaus fritos com arroz de tomate, um suculento manjar que desde a aurora da razão me faz sentir enlevado e aturdido de satisfações. Não saltei fogueiras, nem muito menos sacrifiquei uma alcachofra na demarche de um oráculo venusiano.

Entregue à ara de Morfeu, refreando ânimos das devassas do passado, recolhi-me e dormi porque não fui ao Santo António!


News about:

Marcha de Alfama vence concurso
, Marchas de Lisboa: Alfama vencedora da edição deste ano , No casal Ventoso também se plantam manjericos , Marcha de Alfama convenceu o público pelo segundo ano consecutivo

10 de junho de 2010

UMAS QUADRAS AO CAMÕES

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Não são novas!

Sem inspiração para mais, relembro um post feito publicado há um ano atrás, que visto e lido por alguns, dou a agora a conhecer a outros. Portanto, um desenho e umas ácidas quadras ao senhor que está na génese deste feriado.



(c) Santos & Santinhos



Que fizeste tu, ó Luís Vaz?...

De um poema de grandeza
A miséria de um povo geraste.
De uma grã vontade
Icarizaste um país que se afoga
Num mar de alheias vontades.
Não te bastou naufragares?...

Queimasse-te o sol a meninge,
Fosses tu privado de membros
Ou de ambas as vistas,
E outros não menos talentosos
A glória teriam dado
Em vez da orgulhosa ruína
De que Portugal é hoje feita.


Que fizeste tu, ó Luís Vaz?

Não te bastavam galanteios
Em eloquentes Sonetos
Cortejando nobres Damas
E, nos becos, esbeltos donzéis?
Audaz cobiça em ser grande!
Feriste de luxúria,
Minaste de paixão
O coração de um jovem rei,
Príncipe demente
De sonhos e quimeras sem instinto!

Mataste um Império!
Foste esquecido.
Foste relembrado por essa corja
Da qual Portugal é hoje feito
Que enchendo o peito às novas gentes,
Que em vão jeito te sublimaram,
Em sonhos de grandeza,
O refeito Império deixaram matar.


Que fizeste tu, LUÍS VAZ!!!!

Entregaste-nos aos grilhões da Europa
- Madrasta sem amor
Compaixão e misericórdia -
Qual inimigo da pátria lusa
Que por Camões hoje,
SÓ PORTUGAL SE FESTEJA!
(Ouviste! Só Portugal...)
O Portugal atormentado
Sem eira, nem beira!

Vil, Célere, Facínora!
És o anti-herói que a cega gente
Não distingue nem discerne,
E se alva em mais valia!
Por bem que vais de retirada,
Ficam-se os galanteios
E de ti o tal nobre canto
Que tanta má influência
A tantos, e inocente gente, suscitou.
Por eles te clamo:
Morras!

Vai!



7 de junho de 2010

O COPO DO SRº SAMPAIO

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Caro leitor, esta é a história de um copo. De um delicado copo de vidro do mais fino e sensível material, decorado de desenhados motivos e feições graciosas e que se guarda como uma relíquia física entre uma das recordações de família. Seria apenas um simples copo, um copo de beber água engraçado e bonito, se envolto a ele não estivesse uma história por contar: a história de um copo oferecido por um alto diplomata do Estado Português a uma remota avó.

Uma lembrança e um sinal de amizade, o qual, por respeito ao seu ofertor, era apenas usado nas suas visitas à casa desta minha bisavó onde procurava para além de conversas um copo da fresca água da "Fontinha", como se outra não houvesse neste mundo e arredores. Um gesto simples, para quem simplicidade procurava!


(c) Santos & Santinhos


Numa tarde quente de um Junho como este, no ido ano da graça de 1945, Luiz Teixeira de Sampayo, como assim se ainda escrevia nesse tempo, distinto Sr. Embaixador do Estado português, dirigia-se ao Hotel Aviz, em Lisboa.



Luís Teixeira de Sampaio


Era uma figura de proa do regime do sr. Presidente do Conselho. Um seu testa-de-ferro no hábil jogo diplomático operado no tempo da grande guerra na moderação dos conflitos de interesses com a Inglaterra e a Santa Sé. Um filho da Sr. Viscondessa do Cartaxo. Um homem curioso e ávido de documentar a história que deixou escrita, em diversos estilos de prosa, com rara fluência e discernimento, delineada na frescura da sombra do seu pequeno paraíso, local mágico e agradável, a sua quinta do Casal do Nobre, na antiga Vale da Pinta, nas imediações do Cartaxo, onde se deixava ficar largas temporadas na companhia da sua irmã Júlia.


(c) Santos & Santinhos

(no espaço assinalado o frondoso arvoredo da quinta)

Quem conheceu este espaço por certo recorda o rico e frondoso arvoredo que compunha esta ilha imensa de recortes paradisíacos que tanto inspirou o Sr. Sampaio, não se achando difícil de o imaginar entre ele. Por todo o lado árvores de frutos sumarentos e árvores de frutos secos, árvores de beleza diversa e rara e árvores de sombra ou de lazer que guardavam o eco das recordações e das ricas memórias que provinham dos pátios que ladeavam o solar térreo. Este recatado albergue, refúgio destes dois irmãos, quando não se encontravam em Lisboa, era o retiro de despreocupações do mester nos Negócios Estrangeiros. Aqui, folgados e bebendo o ar perfumado das formosas sombras, iluminados pelo bem estar requintado de profunda inspiração cristã, entregavam-se à prática da caridade  pelos desfavorecidos.


Júlia das Mercês, solteira como seu irmão, mulher ociosa, de convicções religiosas, como todas as "meninas" da sua condição, ocupava-se pelo seu olho de se certificar por si mesma  a gesta que faziam. Conhecedora das necessidades e privações dos "jorneiros" da aldeia, nos tempos em que com ou sem guerra a austeridade era algo concreto de dura e impiedosa sentença, enchendo uma carroça de mantimentos descia à aldeia acomodando de bens substanciais quem nas sortes fora privado de trabalho - a jorna, caro leitor, redundantemente paga ao dia era a única garantia da subsistência diária (sem ela a privação, a precariedade e outras benesses que só à intimidade dos lares diziam respeito e que de boas coisas não constam no seu resumo). Júlia não conheceu o fim da Guerra. Também não conheceu esta contenda mais do que as descrições da imprensa, das ralações do conflito que adivinhava nos olhos do seu único irmão Luís ou nas conversas que ouvia entre este e o Ditador, em Lisboa quer nos recantos do Casal do Nobre. Partindo, deixou só no mundo quem mais não tinha do que esta defunta companhia. Luís, homem de emoções fortes e gosto pelas tradições, mantendo acesso o espírito da caridade, tal como antes e tal como sempre praticara, continuava a receber de braços abertos a população da aldeia que por vezes, e em certos dias, se deslocava em êxodo à sua quinta onde ao som da Banda de Música se desenhavam bailaricos espelhando no olhar do senhor Embaixador um brilho emocionado.


(c) Santos & Santinhos

Recepção do grupo da 1ª Comunhão
(Junho de 1931)



Nesse ido 4 de Junho, longe desta paisagem bucólica, local a que agora aspirava recolher-se de vez já que em breve lhe seria promulgada a aposentação, mas não sem antes lhe ser concedida a maior das honras que poderia receber ainda em vida: reencontrar a sua rainha, que desde 1910 se encontrava no exílio.

Desde o final de Maio de 1945, a Sr. D. Amélia de Orleans e Bragança, a última Rainha de Portugal, encontrava-se em Lisboa deambulando em romagem pelos locais onde vivera. Há muito que Salazar acenava à antiga soberana de Portugal solicitando o seu regresso à pátria, mas esta, após a morte de D. Manuel, seu filho, declinando o asilo num local que agora só lhe poderiam trazer espectros e sombras nada mais guardava de Portugal se não a recordação do melhor tempo em que lá vivera, aquele que considerava de bom e cheio de sorrisos. Que poderia ela fazer neste país sem rei? A que se dedicaria? Que causas abraçaria? Onde moraria?... As suas sementes sociais há muito que tinham dado largo fruto e como é óbvio o seu papel diplomático estava consumado desde a manhã republicana. Anos antes, aquilo que se creu num projecto de devolução do estado ao seu soberano, definhou com a sua morte no exílio. Mesmo com a boa vontade do Sr. Presidente do Conselho, haveria sempre neste rosto a mágoa e o pesar da difamação de pendor republicano que a apelidava de cobarde. Cobarde, para aquela que no Terreiro do Paço se elevou acima de qualquer um para com um indefeso ramalhete de flores defender os seus da feroz caçada que lhe abatera o marido e um filho. E era esta uma rara mulher de perfil humano, transcendendo para mais do que um depositário de esperanças de infantes reais. Se escapou ilesa ás balas, não escapou à tortura de uma longa vida em que certamente recordou em todos os dias o dia do terror, que em época recente pode ser visto e comparado com os piores acontecimentos que teimam em deitar o mundo que conhecemos abaixo. Durante 40 anos chorou baixinho no silêncio da sua câmara. Cerrando os olhos, ignorando a dor e o desalento, elevava os braços protegendo-se da memória do eco dos estampidos ressoantes que ainda lhe tangiam os ouvidos. Trágicas recordações. Agora, peregrinando na sua Lisboa e nos seus locais sagrados, que o Tejo havia limpo do cheiro da morte e do ódio, certificava-se de que era a única testemunha desse passado: a mais fiel e leal guardiã de um mundo que já não existia e que a seu ver, com o pragmatismo da sua proveta idade, não se reerguerá do túmulo onde está sepultado.

Malgrado este acontecimento de Estado, apesar de não ter revisitado o seu Alentejo, quisera ir a Fátima para no confronto de soberanas, em oração sentida, delegar à Rainha do Céus o seu luso poder matriarcal. Tal como o primeiro Bragança reinante das sortes da nação se entregou à mercê e protecção da Virgem de Vila Viçosa, oferecendo-lhe o título de Rainha e a Coroa de Portugal, Amélia, a última Bragança de poder, certa de deixar o mundo em breve, pela força da idade, sem herdeiros de conta, reitera num semelhante voto a esta moderna e divina soberana a guarda do seu povo, certa de que este a acarinhará como elemento de união acima de qualquer força terrena.


Recepção em Fátima
(08 de Junho de 1945)


Conduzido pelo seu chauffeur, Teixeira de Sampaio, sobe agora a avenida. Pensa no quanto seria bom se a sua irmã Júlia, tantas vezes a figura feminina a seu lado nestas ocasiões, ali estivesse. O calor da tarde enfada-o particularmente neste dia. A sua comoção é grande e o seu coração palpita com velocidades nervosas. Afoito, desejava a brisa da calma e perfumada fragrância dos pinheiros da sua quinta, já que as Jacarandeiras da Avenida, reforçavam o abafado calor. Sequioso, saliva pela frescura dos seus espaços maiores... mas tudo isso está lá longe num recanto da província ribatejana. Atabalhoados pensamentos, recortes de mil coisas da política, de uma vida e do trauma do stress da guerra que há pouco assinara o armistício. Sente-se um amanuense descontrolado pela confusão que reina em si. O Calor provoca-lhe a ansiedade e maiores tonturas. Discorre nas suas palpitações aceleradas a emoção a que vai ao encontro, controlável pela experiência da sua agilidade mental à boa maneira de ser de matizada educação senhorial à inglesa. Assim acreditava e assim pensava ser, mas não neste dia.

No Hotel Aviz, o melhor da Lisboa fascista, hospedara-se a Sr. D. Amélia.

No dia 4 de Junho de 1945, em cerimónia casual, receberia numa das salas deste edifício os seus correligionários e simpatizantes da causa monárquica. Alguns dos que conhecera ainda estavam vivos. Outros, desaparecidos ou ausentes, faziam-se representar pelas gerações seguintes herdeiras de títulos e pergaminhos bacocos revigorados nessa tarde. Nas salas reinava uma nervosa e frenética expectativa. De toilettes a estrear, o chic e o elegante impunham-se neste suado beija mão à antiga. Com graça e descontracção, sentada num trono improvisado sem palanque e baldaquino, Amélia, rodeada pelos convivas, cumprimentava, trocando breves palavras de esperança em saudações elegíacas em sinal do passado.



Recepção no Hotel Aviz
(04 de Junho de 1945)




"O Sr. Embaixador Teixeira de Sampaio..." anuncia o cicerone.

Amélia serenamente agradada com este manifestado comité, procura reconhecer agora o rosto do anunciado esboçando um régio sorriso. Aproximando-se, em passos cuidados, com os olhos postos na anciã figura, atordoado pelas arritmias que o traem na solenidade de cada passo, Teixeira de Sampaio avança. Comovido, respira ainda mais fundo procurando aliviar o seu estado. Ruborizado, eleva a sua mão ao coração, antes de a estender cerimoniosamente à sua rainha. Num descontrole controlado, deixa-se cair. Para muitos não constitui admiração, perante tantos exaltados que antes haviam-se manifestado com tal paixão, na desculpa por tantos anos de ausência. Teixeira de Sampaio, ajoelhado como um cavaleiro, tentando manter a postura, agarrado à mão da régia senhora, julgando assim acalmar-se, diz-lhe:


"Perdoe-me minha senhora, mas estou a sentir-me mal!"



Dito isto, caiu no chão morto. Uma síncope cardíaca fulminara-o ali naquele exacto momento. D. Amélia, assombrada, rodeada de fantasmas e pânico, mais tarde lembraria: a morte, sempre a morte!

Posto este acontecimento que poucos hoje guardam, um copo de água foi religiosamente guardado para nas gerações seguintes testemunhar o apreço, a amizade, a lembrança, assim como o bom coração, do único homem que por ele bebeu.


News about:

A PROPÔS...

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Assim como os maviosos insectos voadores opurtunistas de uma janela aberta, entrando de rompante pela casa adentro, acomodando-se ao conforto do espaço pleno de argencia efémera sonora, cito agora o ilustre poeta de haxen inglês do tempo da grande royal Victoria, lembrado por um distinto e inteligente seguidor:

"o público é muitíssimo tolerante, tolera tudo... menos o génio"

Oscar Wilde
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6 de junho de 2010

BEETHOVEN PARA UM FIM DE TARDE

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Já que a música que se difunde pela minha janela não chega mais longe do que ao eco desta rua:


Rondó em Dó Maior
Op.51 Nº1

Pianista:
Alfred Brendel
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