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Caro leitor: Ciao, good evening, ça va bien?
Espero que a (re) descoberta de tantas horas aqui materializadas em linhas, fotos, desenhos e afins tenham sido do vosso maior e agrado. Para mim foram, acreditem. Escrever cada post do passado, mas do passado remoto desta existência, foi um pedaço de mim exposto no meu estado mais puro. Razão pela qual optei por me chamar de Bartolomeu. Já tirei os óculos e um pouco me descobri, é certo, mas este nome de Santo ao qual já me habituei, perdurará como a minha mais fiel identidade já que por ela nada escondo ao mundo. Por isso, hoje escrever tais pérolas gotosas de fé não fariam nenhum sentido nalgumas dessas reuniões de palavras e de ideias que tanto zelei. O primeiro Santos & Santinhos era dedicado às beatitudes assemelhando-se a uma certa necessidade de fanatismo religioso interior, revivalista de uma infância e adolescência beata. Se na altura brincava aos altares, aos santos e às procissões - recrutando viva-almas da minha idade para acolitarem este galopante delírio que tal como incenso pretendia raiar os céus para com ingenuidade infantil agradar e obter dele o favor e a protecção divina - o aparecimento deste blog não foi mais que o retomar e o remontar de tais altares e recrutar um espectro muito mais alargado daquele que fiz antes da puberdade, e que aqui, mais do que companhia para brincadeiras (as minhas brincadeiras) serviram para ajudar a exorcizar medos e fobias das incertezas do amanhã. É verdade, caro leitor, aceite aquilo que está a pensar, neste sítio de tanto cá vir comungar desta prosápia de textos, tornou-se uma vítima dessa minha condição. Imagine-se agora um dos tais meninos e meninas, segundo a sua preferência, que fazia sentar numa Capela improvisada num canto do Quintal ou da Garagem a dizer Ámen nas Missas que organizava, prestando-se a dado momento, segundo o ritual, abrindo a boca para a comer das minhas mãos bolachas como hóstias, como garantia que as tais procissões não entravam em debanda e que passavam do portão lá de casa, para dar umas voltinhas pela rua.
Portanto, desse grito exasperante, assim como do homónimo distorcido de Munge, já se perdeu a feição e do eco ficaram as palavras que de certo leram e estimaram. Caro leitor, não acalente tal regresso, pois, caro leitor saudosista, seria desejar-me más coisas, sobretudo o retrocesso a um estádio que já não desejo. Hoje, nesta nova puberdade os interesses uma vez mais apontam para outros sentidos: Mundanices, politiquices, fanfarronices, putanhices e outros ices que tais... em que manter o vigor para as enfrentar a todas formas e feitios é a minha única preocupação.
Agora para si, caro leitor afoito-à-necessidade-de-fatalidades-e-afins lamento informar que nunca foi minha intenção de fechar o blog. Se bem que por uma questão de higiene mental, um espaço com dada personalidade hermética significante de um ente ou um alter ego ocupante de um espaço em que a necessidade de viver é tão grande quanto a de morrer, quando mais não se justifica, será sempre sempre mais salubre existir noutro espaço. Porém, não! Assumido que sou na minha personalidade activa, capaz de sofrer mutações numa existência de work in progress, para combater a mediocridade do menos bom ao aceitável, declaro que com todo o sofrimento de um up-grade este espaço perdurará em regime perpétuo com a esquizofrenia habitual.
Ainda noticiando os meus conflitos pessoais expressos, comunico-lhe, caro leitor, que não só entrei numa Licenciatura como entrei com a melhor nota e por conseguinte em primeiro lugar. É verdade que me entristeceu a minha incapacidade de não ter conseguido melhor nas provas que prestei, nem estar à altura das minhas capacidades. O meu habitual pessimismo, desta em tom melo-dramático, ocupou-se, por causa das minhas manias, de me reconfortar até ao momento em que a acérrima verdade foi revelada nas pautas.
Por fim: é tão difícil trabalhar com mentecaptos arvorados a licenciandos e mestrandos da minha área de trabalho. Exasperei! Fui castigado com horas perdidas a refazer o que fiz com mestria e garbo, pela incapacidade de quem só sabia dizer que era professor universitário, como se isso lhe valesse ali de muito, acrescentando que o que estava à sua guarda desaparecera misteriosamente. Os tomates-do-Padre-Inácio para esse Senhor, bah! Malgrado tantos conhecimentos e diplomas não sabe... não sabe numa leitura identificar algo que será equivalente como na linguagem visual de uma trivial costureira diplomada em corte-e-costura, já que se tratam de instrumentos do seu metier, a distinguir um alfinete-de-cabeça de um alfinete-de-dama. Basta, já fui má pessoa o suficiente a exorcizar por todo lado, a quem ouvidos me deu, este Diabo que não mereço e que vou ter de aturar no futuro... mais, que aparentemente se quer ocupar das minhas funções!
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