14 de setembro de 2009
12 de setembro de 2009
11 de setembro de 2009
8 de setembro de 2009
7 de setembro de 2009
4 de setembro de 2009
MUSICA PROIBITA
Ogni sera di sotto al mio Balcone
Sento cantar una canzone d'amore
Più volte la ripete un bel garzonne
E battere mi sento forte il Core.
Oh quanto è dolce quella melodia
Oh quanto bella quanto m'è gradita!
Ch'io la canti non vuol la mamma mia:
Vorrei saper perchè me l'ha proibita?
Ella non c'è ed io la vo' cantare
La frase che m'a fatto palpitare:
[Vorrei baciare i tuoi cappelli neri,
Le labbre tue i gli occhi tuoi severi!
Vorrei morire con te angel di Dio
Oh bella innamorata tesor mio.]
[Qui sotto il vidi ieri a passeggiare
E lo sentiva al solito cantar:]
Vorrei baciare i tuoi cappelli neri,
Le labbre tue i gli occhi tuoi severi!
Stringimi, o cara, stringimi al tuo core
Fammi provar l'ebbrezza dell'amor.
Stanislao Gastaldon
3 de setembro de 2009
O DIA DA PADROEIRA
Nossa Senhora da Graça
Até ver... como que sugados em espiral, mas pelo próprio pé pela gruta de Averno, ressurgimos miraculosamente do maçador e escuro antro de Hades.
Regressados então à Lusa terra, a tempo de ver o polémico debate de José Sócrates e Paulo Portas, depois da estrondosa vitória do Benfica sobre o "Vitórrria" de Setúbal, em cordial homenagem decidimos retomar para assinalar o dia da padroeira deste blogue que decorreu no passado domingo.
Sugiro uma vista de olhos pelo passeio da Senhora, e a leitura deste post/link sobre uma história aqui já publicada, assaz pertinente a este motivo, tendo como protagonistas a Senhora, o Bartolomeu e a avó do Bartolomeu.
Regressados então à Lusa terra, a tempo de ver o polémico debate de José Sócrates e Paulo Portas, depois da estrondosa vitória do Benfica sobre o "Vitórrria" de Setúbal, em cordial homenagem decidimos retomar para assinalar o dia da padroeira deste blogue que decorreu no passado domingo.
Sugiro uma vista de olhos pelo passeio da Senhora, e a leitura deste post/link sobre uma história aqui já publicada, assaz pertinente a este motivo, tendo como protagonistas a Senhora, o Bartolomeu e a avó do Bartolomeu.
5 de agosto de 2009
BARTOLOMEU AUX ENFERS
Pelo Styx Caronte remou
Sua fatal barcaça imunda,
Pelas escuras e brandas águas
Transporte infectado
De centúrias nauseabundas
De conformados viandantes.
A negra barca dos espíritos
Corre lentamente e com vagar
Para o mundo inferior
Num moto perpetuo
Ondulante e sem movimento
Dos sopros dos Zéfiros ausentes.
No Erebro, na Casa do grande Senhor Hades,
Às sombras tristes sombrias,
Ei-lo chegado para nelas se redimir
E no indistinto maravilhoso mundo,
De espectros sem fim dos confins,
Mergulhar nas tristes e lúgubres águas.
Ei-lo nadando!
Ei-lo lado a lado com eles, elas, eles... whatever
Entrecruzando-se no longo bailado
Na valsa espectral
Extravagante e desprovida
De orientações e sentidos.
(Centrifuga vontade esta
Criada pelo Senhor Hades
De roubar aos seus hóspedes
Histórias, Memórias, Lembranças
Para uma homogénea vivência
Agrilhoada à eternidade.)
Perde o Norte e a Razão.
Ébrio, cai na confusão
Espiral, novelo, embrulho.
Colado e enrolado,
Revira os olhos enfeitiçados,
No majestoso turbilhão.
Mas antes que tudo fosse
Numa rocha embateu, helás:
TRÀZZZZZZZ - (que choque este! eheheheh).
"Que boas maneiras, tem este Senhor Hades"
Ocorreu-lhe num lampejo
Antes de cair para o lado.
Azamboado, é certo, ficou,
E à rocha de pedra lapado.
Despregou-se do turbilhão
Da maldita valsa danada
Que não era da sua toda vontade
Memoriando-se aos poucos e poucos.
Já consciente, combalido, subiu e trepou
A este lugar mais alto que o rio
Olhando-o, para trás, seu reflexo sentiu
Fugir-lhe para a sua dextra
Recuperando-lhe o brilho
Que a Hades já não irá.
Sentado no topo
Com a meninge agora a funcionar
Lembrou-se, e assim se interrogou:
"Que horas serão?
Deve ser tarde, e a casa devo voltar
Pois ao jantar, não quero faltar!"
Enxergando-se, denota, valerosamente:
"Onde estão as minhas vestes... as minhas griffes! -bradou.
Estou sem ela... (com espanto) que vergonha!
Porque estou eu assim? Agora, daqui não posso ir!
Mas... é certo que aqui é escuro
E na penumbra, ninguém a sua ausência notará!"
Olho em volta: "- NÃO VEJO NADA!"
E já me maço de aqui estar
Ao rio não voltarei, não quero lá estar.
E ali... parece... é mesmo... há um carreiro
Uma estrada certamente
E para algum lado, não sei onde, é seguro de me levar!
Caminho, passo a passo!
Está escuro: "- NÃO VEJO NADA!"
(Ninguém merece!)
Porém, não sei como faço ou por onde ando
Também nunca cá estive, é verdade!
E esta estrada parece-me familiar.
Ao fundo não há luz
Tudo é negro como o breu
Aqui... "- NÃO VEJO NADA!"
Nada e ninguém para passar o tempo,
Distrair-me ou conversar
Ou lúdicamente... me socializar!
Vou gritar a ver se alguém responde:
- Oh Haaaaades... des... des... des... des...
Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
...
Nada!
Uma vez mais:
- Haaaaades... des... des... des... des...
Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
...
Não haverá mesmo mesmo aqui ninguém!
Replico só mais uma vez:
- Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
Ninguém!
Hades nada... afinal já nem sombras ou espectros!
Oh, raios e coriscos me iluminem
Este Inferno é uma treva!
Se estar morto é assim ser
Vou-me já daqui embora!
Mas... sons... que música é esta?
Conheço-a?!?! Parece-me... pois, escutemos!
(Galop Infernal - Casa de Hades - Orpheé aux Enfers - J. Offenbach)
Sua fatal barcaça imunda,
Pelas escuras e brandas águas
Transporte infectado
De centúrias nauseabundas
De conformados viandantes.
A negra barca dos espíritos
Corre lentamente e com vagar
Para o mundo inferior
Num moto perpetuo
Ondulante e sem movimento
Dos sopros dos Zéfiros ausentes.
No Erebro, na Casa do grande Senhor Hades,
Às sombras tristes sombrias,
Ei-lo chegado para nelas se redimir
E no indistinto maravilhoso mundo,
De espectros sem fim dos confins,
Mergulhar nas tristes e lúgubres águas.
Ei-lo nadando!
Ei-lo lado a lado com eles, elas, eles... whatever
Entrecruzando-se no longo bailado
Na valsa espectral
Extravagante e desprovida
De orientações e sentidos.
(Centrifuga vontade esta
Criada pelo Senhor Hades
De roubar aos seus hóspedes
Histórias, Memórias, Lembranças
Para uma homogénea vivência
Agrilhoada à eternidade.)
Perde o Norte e a Razão.
Ébrio, cai na confusão
Espiral, novelo, embrulho.
Colado e enrolado,
Revira os olhos enfeitiçados,
No majestoso turbilhão.
Mas antes que tudo fosse
Numa rocha embateu, helás:
TRÀZZZZZZZ - (que choque este! eheheheh).
"Que boas maneiras, tem este Senhor Hades"
Ocorreu-lhe num lampejo
Antes de cair para o lado.
Azamboado, é certo, ficou,
E à rocha de pedra lapado.
Despregou-se do turbilhão
Da maldita valsa danada
Que não era da sua toda vontade
Memoriando-se aos poucos e poucos.
Já consciente, combalido, subiu e trepou
A este lugar mais alto que o rio
Olhando-o, para trás, seu reflexo sentiu
Fugir-lhe para a sua dextra
Recuperando-lhe o brilho
Que a Hades já não irá.
Sentado no topo
Com a meninge agora a funcionar
Lembrou-se, e assim se interrogou:
"Que horas serão?
Deve ser tarde, e a casa devo voltar
Pois ao jantar, não quero faltar!"
Enxergando-se, denota, valerosamente:
"Onde estão as minhas vestes... as minhas griffes! -bradou.
Estou sem ela... (com espanto) que vergonha!
Porque estou eu assim? Agora, daqui não posso ir!
Mas... é certo que aqui é escuro
E na penumbra, ninguém a sua ausência notará!"
Olho em volta: "- NÃO VEJO NADA!"
E já me maço de aqui estar
Ao rio não voltarei, não quero lá estar.
E ali... parece... é mesmo... há um carreiro
Uma estrada certamente
E para algum lado, não sei onde, é seguro de me levar!
Caminho, passo a passo!
Está escuro: "- NÃO VEJO NADA!"
(Ninguém merece!)
Porém, não sei como faço ou por onde ando
Também nunca cá estive, é verdade!
E esta estrada parece-me familiar.
Ao fundo não há luz
Tudo é negro como o breu
Aqui... "- NÃO VEJO NADA!"
Nada e ninguém para passar o tempo,
Distrair-me ou conversar
Ou lúdicamente... me socializar!
Vou gritar a ver se alguém responde:
- Oh Haaaaades... des... des... des... des...
Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
...
Nada!
Uma vez mais:
- Haaaaades... des... des... des... des...
Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
...
Não haverá mesmo mesmo aqui ninguém!
Replico só mais uma vez:
- Alguééééém... alguéééém... guéééém... éééém...
...
Espero!
Ninguém!
Hades nada... afinal já nem sombras ou espectros!
Oh, raios e coriscos me iluminem
Este Inferno é uma treva!
Se estar morto é assim ser
Vou-me já daqui embora!
Mas... sons... que música é esta?
Conheço-a?!?! Parece-me... pois, escutemos!
(Galop Infernal - Casa de Hades - Orpheé aux Enfers - J. Offenbach)
4 de agosto de 2009
MORREU O BARTOLOMEU

ALEGORIA À MORTE DE BARTOLOMEU
Quando este post sair
O seu criador já não vive
A sua existência finou.
De amargura ei-lo caído
Esquecido e pouco compreendido
De um mundo às avessas e deturpado.
Jaz laico numa tumba enegrecida
A 7 chaves fechada a 7 chaves perdidas
Por sua vontade, daí não mais sair.
Horror se sair de lá
Vil e Cruel será
Demolidor de tudo quanto há.
Jaz num buraco frio e lúgubre
Verde de fleuma e de paz
Tranquilo de tristezas e mágoas.
Apodrece o corpo imundo
De uma famigerada alma
Que de sorte nada conheceu.
Já não vive Bartolomeu
Já não vive mais no mundo
Post-mortem, ei-o celebrando este post.
Memorial de uma existência
Do intimo de um ser patético
Se olhos de ver os teve, quem leu, o conheceu.
Beatices:
Bartolomeu,
Desenho,
Morte,
Poema
21 de julho de 2009
NOVOS PADRES...

Dolce&Gabbana
à crise de vocações ou à crise dos tempos?
Um destes dias somos trucidados qual:
Sodoma&Gomorra
18 de julho de 2009
HARRY POTTER - REVISTO E AUMENTADO
Era um rapaz que foi ao cinema com dois amigos:
Era então... uma tarde de Sol, aquela que pautou a parte diurna deste dia, e os três rapazes, por combinação prévia, encontram-se numa esplanada onde tomam Cafés e Gelados. Em conversa, dizem:
Depois um passeio pelo piso superior por entre aromas, pós e sons. Desceram para adquirir aquelas tiras de papel - vulgo bilhetes de cinema, para quem não sabe - que dão acesso à zona das salas. Porém, a missiva Real falharia:
Após ter explicado, porque jamais em tempo algum iria ver Ice Age. Diz um:
Consenso geral! Ninguém se tinha lembrado que a sequela, que se tornaria para estes quatro amigos quase famigerada, já estava em exibição. (Até é um filme de Sexta-feira à noite, convenhamos. Mas The Young Victoria era mesmo mesmo de Sexta-feira, enquanto o "Harry" podia ser visto ao Domingo. Já o contrário, enfim.).
Ficou tudo em haxen, é verdade! Mas agora a "poor Vikky" vai para o dia das sobras - Segunda-Feira!
Neste filme o "Love" e as feremonas pairam no ar - paixonetas juvenis e marmelada entre os meninos e as meninas de Hoggart, que já frequentam Pub's, bebem cerveja de Manteiga e trocam osculos de amor, vulgo beijos, entre lábios alheios e línguas perversas de se enrolarem, não temendo a possibilidade de contraírem Gripe A, provando que tal não se apanha nas reais ou imagéticas terras de Sua Majestade Britânica, apesar do Sr. Blair já a ter contraído, e que os bruxos e bruxas também têm outros interesses para além das hereges "simpatias" que aprendem nas aulas - a actividade lúdica experimental de fazer bebés (esse feitiço, até os muggles sabem fazer!)
Tudo na maior castidade e pureza, comme il faut, - bem ao género de Sense and Sensibity e Pride and Prejudice -, porém em cândidos jogos do amor - Vanity Fair (não fossem o seus actores reciclados de lá. Ai, estes ingleses! Siiiiiiiiiir!!!!!!!).
Se querem saber mais.... vão lá ver o filme... Bah!... Contar, não tem graça (não é, Princesa?).
Segunda-feira é mais barato!
A propósito... recomenda-se que neste filme, excepcionalmente, escolham uma sala de cinemas que faça intervalo! Não é por nada, mas a cadeira pode tornar-se rija e desconfortável.
Cafés, Gelados, Jantar, Cigarros e Cinema
(eu não fumo, mas ontem foram só três - PECADO... Bué mesmo!!!).
Era então... uma tarde de Sol, aquela que pautou a parte diurna deste dia, e os três rapazes, por combinação prévia, encontram-se numa esplanada onde tomam Cafés e Gelados. Em conversa, dizem:
- Vamos ver The Young Victoria? - disse.Lá foram. Encontrando um terceiro amigo, que de tabuleiro na mão, também por lá fazia um Snack - no El Corte Inglês jantar é como quem diz... um Snack (só mesmo Snack, Snack, Snack). Então, fizeram:
- Sim, sim... - responderam os outros!
- El Corte Inglês?
- Sim, sim...
Jantar, Gelados, Cafés, Cigarros e Cinema
(eu não fumo, mas ontem foram só três - PECADO... Bué mesmo!!!).
- Ice Age, vamos ver? - disse o quarto elemento.
- Sim, sim... - o coro.
- NÃO! - disse logo, em tom apressado defendendo a minha determinação.
Após ter explicado, porque jamais em tempo algum iria ver Ice Age. Diz um:
- Harry Potter, então!
Consenso geral! Ninguém se tinha lembrado que a sequela, que se tornaria para estes quatro amigos quase famigerada, já estava em exibição. (Até é um filme de Sexta-feira à noite, convenhamos. Mas The Young Victoria era mesmo mesmo de Sexta-feira, enquanto o "Harry" podia ser visto ao Domingo. Já o contrário, enfim.).
- Sala 12, à direita - disse o empregado magricela, enfiado numa farda larga sem elegância naquele azul de meter medo.
Ficou tudo em haxen, é verdade! Mas agora a "poor Vikky" vai para o dia das sobras - Segunda-Feira!
00h10m...
00h15m...
00h25m...
Entraram na sala.
Lugares à escolha.
3ª fila, a contar da tela.
- "Ai, ai, ai... que me vão doer os olhos durante uma semana inteira"- exclamou um dos rapazes, aquele chamado de Bartolomeu!
00h15m...
Anúncios.
Publicidade.
Traillers.
00h25m...
Pato embatendo no soglan do UCI.
Filme começa:
Então...
Era uma vez um menino chamado Harry Potter, que de filme para filme, cresceu e ganhou pêlos no corpo. Harry Potter, de cara imberbe, e de olho nas meninas, que não apareceu com o seu Cavalo.
Neste filme o "Love" e as feremonas pairam no ar - paixonetas juvenis e marmelada entre os meninos e as meninas de Hoggart, que já frequentam Pub's, bebem cerveja de Manteiga e trocam osculos de amor, vulgo beijos, entre lábios alheios e línguas perversas de se enrolarem, não temendo a possibilidade de contraírem Gripe A, provando que tal não se apanha nas reais ou imagéticas terras de Sua Majestade Britânica, apesar do Sr. Blair já a ter contraído, e que os bruxos e bruxas também têm outros interesses para além das hereges "simpatias" que aprendem nas aulas - a actividade lúdica experimental de fazer bebés (esse feitiço, até os muggles sabem fazer!)
Tudo na maior castidade e pureza, comme il faut, - bem ao género de Sense and Sensibity e Pride and Prejudice -, porém em cândidos jogos do amor - Vanity Fair (não fossem o seus actores reciclados de lá. Ai, estes ingleses! Siiiiiiiiiir!!!!!!!).
Se querem saber mais.... vão lá ver o filme... Bah!... Contar, não tem graça (não é, Princesa?).
Segunda-feira é mais barato!
A propósito... recomenda-se que neste filme, excepcionalmente, escolham uma sala de cinemas que faça intervalo! Não é por nada, mas a cadeira pode tornar-se rija e desconfortável.
Depois venham contar por aqui as vossas impressões.
15 de julho de 2009
O VIGÁRIO
O VIGÁRIO
Rolf Hochhuth
5º Acto
Auschwitz ou a pergunta feita a Deus
Cena II
(Continuação)
Riccardo: Não tenho a menor intenção de ser o seu bobo de corte, para alegrar as horas em que estiver entregue a si mesmo. Jamais vi um homem num sofrimento tão profundo; porque o senhor sabe o que faz...
Doutor (desagradavelmente tocado): Vou ter de o decepcionar uma vez mais: toda a sua fé, como a esperança de que eu esteja entregue ao sofrimento, constitui uma desesperada ilusão com que o senhor se conforta. É certo que me aborreço com facilidade. É só por isso que me distrai o nosso debate, única razão pela qual o senhor continuará vivo. Mas, sentir-me em tormento? Não. Estou a estudar a fundo o homo sapiens. Ainda ontem observava um trabalhador dos fornos crematórios: à medida que ele ia retalhando os cadáveres para que caibam pela porta fornos, deu de caras com o cadáver da esposa. Qual seria a reacção dele?
Riccardo: Não me parece que esse estudo o alegre particularmente... O senhor mesmo não é mais feliz do que o tal trabalhador.
Doutor: Não? Eu também tenho lido os meus livros. Agora estou mesmo ocupado em averiguar quanto tempo foi necessário, após a morte desse patife chamado Napoleão - que certa vez disse a Metternich "estar-se nas tintas para a morte de um milhão de homens" -, quanto tempo foi necessário para se converter no ídolo da posterioridade. É uma questão muito interessante no que respeita a Hitler... É claro que este enjoativo vegetariano não seduziu todas as irmãs, como o fez Napoleão. Esses rasgos tão bonitos faltam-lhe por completo. Mas, de todas as formas, é mais simpático (pega num livro intitulado "Hegel") que os filósofos, que fazem passar por circunvalações cerebrais todos os horrores da História Universal, até que se possam encarar como aceitáveis. Não faz muito, relia eu Nietzsche, o eterno caloiro de escola primária, pois um colega tinha de levar a Mussolini, como presente de Hitler no seu sexagésimo aniversário, as suas obras completas impressas em papel bíblia!... (Ri sem graça).
Riccardo: Que culpa tem Nietzsche se os fanáticos, as bestas e os assassinos entraram no seu jardim? Só os loucos o tomariam à letra...
Doutor: Exacto, só mesmo os loucos, os homens de acção. A estes agrada-lhes que Nietzsche tivesse medido as virtudes do homem pela escala das feras. Provavelmente, porque sentia em si tão pouco de animalesco que nem conseguia encantar uma rapariga. Grotesco: a Besta Loura ou a Consequência da Timidez Vitalícia. Resultado: o massacre de milhões de seres. (Ri como se lhe fizessem cócegas). Não, a crítica mais refinada da Europa não foi o que fascinou Hitler. O que o excitou foi a besta-fera, o belo animal feroz, porque o inventor desse monstro escrevia num alemão tão sonoro, tão principesco e arrogante que parecia molhar a pena em Champanhe e mulheres. Hoje ao meio-dia, enquanto essa família que veio consigo desaparecer no crematório, eu também desaparecerei, mas por entre as pernas de uma qualquer rapariga de dezanove anos. É um consolo melhor do que a sua fé, porque realmente o "temos" com o coração, a boca e as mãos. E o temos na terra, quando faz falta. Mas o senhor conhece tudo isso...
Riccardo (em tom distraído): Claro, é um belo consolo - mas que não dura muito...
Doutor (calçando as luvas, quase triunfante): Entendemos-nos maravilhosamente. Terá no laboratório duas belas rapariguinhas, mas o senhor achará mais interessantes os últimos livros... Habent sua fata divini... os santos caem de nariz. A luz da razão cai sobre os Evangelhos. No ano passado fiz uma peregrinação a Marburg, para ouvir Bultmann. É algo muito audaz para um teólogo a sua forma de dissecar o Novo Testamento. Já nem sequer a Anunciação requer que o homem tome por verdadeira a imagem mítica do mundo...
Durante as últimas frases voltou a soar lá fora o zumbido do misturador de concreto. Não se vêem ainda deportados, mas ao fundo, à extrema direita, o reflexo do resplendor de um fogo imenso brilha de novo, poderoso e ameaçador. Ouve-se o ruído de dois camiões. Apitos estridentes. Riccardo levanta-se de um salto, escancara a porta, aponta para a luz do mundo subterrâneo e grita com desprezo, enquanto o Doutor se aproxima lentamente dele:
Riccardo: Lá... lá em baixo... eu estou lá, eu estou no meio deles! Que necessidade tenho eu agora de crer no Céu ou no Inferno? (Fleumático, mais próximo ao Doutor): O senhor sabe, já sabe por São João, que o Juízo Final não será nenhum acontecimento cósmico. (Forte, destacando as palavras): O seus esgares instintivos, imundos e idiotas, põem de lado todas as dúvidas... todas! Se o Diabo existe, é porque Deus também existe - se não, há muito que o senhor o teria vencido!
Doutor (toma-o pelo braço, rindo às gargalhadas): Aí está como gosto de o ver, na fanática dança de São Vito.
Retém Riccardo por ambos os braços, pois Riccardo quer precipitar-se para o fundo, onde aparece um novo grupo de deportados, esperando em silêncio. /.../ Riccardo, sem oferecer resistência, é impelido pelo Doutor a sentar-se forçadamente. Uma vez sentado, oculta o rosto nas mãos, apoiando os braços nos joelhos.
Doutor (apoiado com um pé no banco, em tom de camaradagem): Esgotamento total. O senhor está a tremer, não é? Tem tanto medo que nem consegue manter-se em pé.
Riccardo (retrocede porque o Doutor aproximou demais o seu rosto, e diz com tranquilidade): Nunca disse que não tinha. A coragem, no fundo, não passa de uma questão de vaidade.
Doutor (Riccardo comtempa as vítimas que esperam, mal o escuta a princípio): Dei-lhe a minha palavra de que nada lhe acontecerá. Tenho outros projectos para o senhor... A guerra está perdida, os Aliados vão enforcar-me. Arranje um esconderijo em Roma, num convento. O comandante também ficará agradecido por tirar do campo o enviado do Santo Padre, que não está aqui precisamente a convite. Certo?
/.../
Riccardo: Não... jamais! Tudo o que o senhor quer é que eu fuja outra vez. Mas não andaria cem metros. Seria abatido por tentar fugir...
Doutor (tira uma carteira e mostra-lhe um passaporte): Compreendo perfeitamente que duvide da minha oferta. Mas, veja aqui: não é um passaporte da Santa Sé? Só lhe faltam as datas... Ponho-as quando for necessário... Agora, vamos ao nosso acordo: o senhor descobre-me um esconderijo em Roma, até que eu possa fugir para a América do Sul.
Riccardo: Como imagina poder desertar? Roma está ocupada de alemães!
Doutor: Por isso me seria tão fácil ir lá em peregrinação. Com uma ordem de viagem perfeitamente legal. Dentro de uma semana estou lá. Depois desapareço... com a sua ajuda. Certo?
Doutor (impaciente, insistente, aliciante): Sim... pense apenas na sua pessoa, então... e na sua alma ou seja lá o que o senhor chame. Chega a Roma e pendura a sua mensagem nos sinos de São Pedro...
Riccardo (hesitante): Que diria ao Papa que ele ainda não saiba? Pormenores, claro. Mas que na Polónia os Judeus são mortos em câmaras de gás... já se sabe há mais de um ano.
Doutor: Sim... mas o Vigário de Cristo deve falar! Porque se cala?
Riccardo: Já pedi ao Papa para fazer um protesto, mas ele só faz politica.
Doutor (com uma gargalhada infernal): Política!... Claro, se não serve para outra coisa, esse prega sermões!
Riccardo: Não o julguemos.
Doutor (desagradavelmente tocado): Vou ter de o decepcionar uma vez mais: toda a sua fé, como a esperança de que eu esteja entregue ao sofrimento, constitui uma desesperada ilusão com que o senhor se conforta. É certo que me aborreço com facilidade. É só por isso que me distrai o nosso debate, única razão pela qual o senhor continuará vivo. Mas, sentir-me em tormento? Não. Estou a estudar a fundo o homo sapiens. Ainda ontem observava um trabalhador dos fornos crematórios: à medida que ele ia retalhando os cadáveres para que caibam pela porta fornos, deu de caras com o cadáver da esposa. Qual seria a reacção dele?
Riccardo: Não me parece que esse estudo o alegre particularmente... O senhor mesmo não é mais feliz do que o tal trabalhador.
Doutor: Não? Eu também tenho lido os meus livros. Agora estou mesmo ocupado em averiguar quanto tempo foi necessário, após a morte desse patife chamado Napoleão - que certa vez disse a Metternich "estar-se nas tintas para a morte de um milhão de homens" -, quanto tempo foi necessário para se converter no ídolo da posterioridade. É uma questão muito interessante no que respeita a Hitler... É claro que este enjoativo vegetariano não seduziu todas as irmãs, como o fez Napoleão. Esses rasgos tão bonitos faltam-lhe por completo. Mas, de todas as formas, é mais simpático (pega num livro intitulado "Hegel") que os filósofos, que fazem passar por circunvalações cerebrais todos os horrores da História Universal, até que se possam encarar como aceitáveis. Não faz muito, relia eu Nietzsche, o eterno caloiro de escola primária, pois um colega tinha de levar a Mussolini, como presente de Hitler no seu sexagésimo aniversário, as suas obras completas impressas em papel bíblia!... (Ri sem graça).
Riccardo: Que culpa tem Nietzsche se os fanáticos, as bestas e os assassinos entraram no seu jardim? Só os loucos o tomariam à letra...
Doutor: Exacto, só mesmo os loucos, os homens de acção. A estes agrada-lhes que Nietzsche tivesse medido as virtudes do homem pela escala das feras. Provavelmente, porque sentia em si tão pouco de animalesco que nem conseguia encantar uma rapariga. Grotesco: a Besta Loura ou a Consequência da Timidez Vitalícia. Resultado: o massacre de milhões de seres. (Ri como se lhe fizessem cócegas). Não, a crítica mais refinada da Europa não foi o que fascinou Hitler. O que o excitou foi a besta-fera, o belo animal feroz, porque o inventor desse monstro escrevia num alemão tão sonoro, tão principesco e arrogante que parecia molhar a pena em Champanhe e mulheres. Hoje ao meio-dia, enquanto essa família que veio consigo desaparecer no crematório, eu também desaparecerei, mas por entre as pernas de uma qualquer rapariga de dezanove anos. É um consolo melhor do que a sua fé, porque realmente o "temos" com o coração, a boca e as mãos. E o temos na terra, quando faz falta. Mas o senhor conhece tudo isso...
Riccardo (em tom distraído): Claro, é um belo consolo - mas que não dura muito...
Doutor (calçando as luvas, quase triunfante): Entendemos-nos maravilhosamente. Terá no laboratório duas belas rapariguinhas, mas o senhor achará mais interessantes os últimos livros... Habent sua fata divini... os santos caem de nariz. A luz da razão cai sobre os Evangelhos. No ano passado fiz uma peregrinação a Marburg, para ouvir Bultmann. É algo muito audaz para um teólogo a sua forma de dissecar o Novo Testamento. Já nem sequer a Anunciação requer que o homem tome por verdadeira a imagem mítica do mundo...
Durante as últimas frases voltou a soar lá fora o zumbido do misturador de concreto. Não se vêem ainda deportados, mas ao fundo, à extrema direita, o reflexo do resplendor de um fogo imenso brilha de novo, poderoso e ameaçador. Ouve-se o ruído de dois camiões. Apitos estridentes. Riccardo levanta-se de um salto, escancara a porta, aponta para a luz do mundo subterrâneo e grita com desprezo, enquanto o Doutor se aproxima lentamente dele:
Riccardo: Lá... lá em baixo... eu estou lá, eu estou no meio deles! Que necessidade tenho eu agora de crer no Céu ou no Inferno? (Fleumático, mais próximo ao Doutor): O senhor sabe, já sabe por São João, que o Juízo Final não será nenhum acontecimento cósmico. (Forte, destacando as palavras): O seus esgares instintivos, imundos e idiotas, põem de lado todas as dúvidas... todas! Se o Diabo existe, é porque Deus também existe - se não, há muito que o senhor o teria vencido!
Doutor (toma-o pelo braço, rindo às gargalhadas): Aí está como gosto de o ver, na fanática dança de São Vito.
Retém Riccardo por ambos os braços, pois Riccardo quer precipitar-se para o fundo, onde aparece um novo grupo de deportados, esperando em silêncio. /.../ Riccardo, sem oferecer resistência, é impelido pelo Doutor a sentar-se forçadamente. Uma vez sentado, oculta o rosto nas mãos, apoiando os braços nos joelhos.
Doutor (apoiado com um pé no banco, em tom de camaradagem): Esgotamento total. O senhor está a tremer, não é? Tem tanto medo que nem consegue manter-se em pé.
Riccardo (retrocede porque o Doutor aproximou demais o seu rosto, e diz com tranquilidade): Nunca disse que não tinha. A coragem, no fundo, não passa de uma questão de vaidade.
Doutor (Riccardo comtempa as vítimas que esperam, mal o escuta a princípio): Dei-lhe a minha palavra de que nada lhe acontecerá. Tenho outros projectos para o senhor... A guerra está perdida, os Aliados vão enforcar-me. Arranje um esconderijo em Roma, num convento. O comandante também ficará agradecido por tirar do campo o enviado do Santo Padre, que não está aqui precisamente a convite. Certo?
/.../
Riccardo: Não... jamais! Tudo o que o senhor quer é que eu fuja outra vez. Mas não andaria cem metros. Seria abatido por tentar fugir...
Doutor (tira uma carteira e mostra-lhe um passaporte): Compreendo perfeitamente que duvide da minha oferta. Mas, veja aqui: não é um passaporte da Santa Sé? Só lhe faltam as datas... Ponho-as quando for necessário... Agora, vamos ao nosso acordo: o senhor descobre-me um esconderijo em Roma, até que eu possa fugir para a América do Sul.
Riccardo: Como imagina poder desertar? Roma está ocupada de alemães!
Doutor: Por isso me seria tão fácil ir lá em peregrinação. Com uma ordem de viagem perfeitamente legal. Dentro de uma semana estou lá. Depois desapareço... com a sua ajuda. Certo?
Riccardo mantém silêncio.
Doutor (impaciente, insistente, aliciante): Sim... pense apenas na sua pessoa, então... e na sua alma ou seja lá o que o senhor chame. Chega a Roma e pendura a sua mensagem nos sinos de São Pedro...
Riccardo (hesitante): Que diria ao Papa que ele ainda não saiba? Pormenores, claro. Mas que na Polónia os Judeus são mortos em câmaras de gás... já se sabe há mais de um ano.
Doutor: Sim... mas o Vigário de Cristo deve falar! Porque se cala?
Riccardo: Já pedi ao Papa para fazer um protesto, mas ele só faz politica.
Doutor (com uma gargalhada infernal): Política!... Claro, se não serve para outra coisa, esse prega sermões!
Riccardo: Não o julguemos.
Durante a última frase o misturador de concreto silencia. Ouvem-se toques de apitos, vindo do lado das fogueiras. O "kapo" empurra as vítimas expectantes. O Doutor chama o "kapo" com um toque de apito. Os deportados desaparecem, descendo a rampa. O fogo alcança extraordinário resplendor.
- Fim -
14 de julho de 2009
VELVETIIN
A um amiguinho!
Verso
Siis kui valguskiir varjudeks muutub
eemale teistest sa jääd
ja ütled et keegi ei muutu
Kuid nii segaseid tundeid ei peida
ja rahu sa nendest ei saa
võid sõpru ja vaenlasi leida
kui tagasi ei vaata
Refrão
Mustal sametisel ööl sa läed
linna tulesid veel kaugel näed
usud maailm muutub nüüd ja siin
sinuga koos velvetiin
Murtud südamete puiesteel
läbi vihmasaju seikled veel
usud maailm muutub nüüd ja siin
sinuga koos velvetiin
Verso
Nii teeb huulepulk peeglile jälgi
kirjutad et minema pead
et palun ärge käige mu järgi
sest olen eksinud ma
See mürgina halvab kõik meeled
kõik tundub liigagi hea
nii lähed veelkordki teele
ja tagasi ei vaata
TOSCA - II ACTO
II Acto
Apartamento de Scarpia no andar superior do Palácio Farnese
Na sala está uma mesa preparada.
Uma grande janela para o pátio do Palácio. Várias portas.
É noite.
Envolto ainda em pensamentos, que lhe interrompem o jantar, Scarpia, em traje de grande gala olha inquieto para o relógio, vendo as horas passar - ansioso pois por saber novas da demanda pois não vê hora de punir os dois Volterianos, o indesejado pintor e o fugitivo Angelotti. Chamando Sciarrone, pergunta-lhe sobre Tosca e dado o avançado da hora pede-lhe que abra a janela - por esta chegam até àqueles apartamentos os sons das Gavottas e Minuetos, tocados pela orquestra que abrilhanta a festa. Festa de gala, como se disse, oferecida pela Rainha Maria Carolina de Nápoles em honra do General Melas. Porém, a cantora, a Diva, ainda não está no Palácio e todos aguardam a sua presença para o início da cantata. Scarpia escreve um bilhete destinando-o a esta. Entregando-o a Sciarrone, ordena-lhe a entrega imediata logo que esta entre no Palácio.
Scarpia, certo da infalibilidade do seu gesto exclama que ela virá por amor do pintor, e por amor a este se renderá aos seus perversos caprichos.
Spoletta chega ao Palácio. Com temor, relata que fez tudo quanto lhe mandara. Porém nada encontrara na Villa a não ser o pintor, que com ironia troçava dele. Irado, Scarpia ameaça Spoletta. Este acrescenta que lhe trouxera preso o pintor, pelo seu suspeito comportamento.
Perante Scarpia, Mario Cavaradossi nega qualquer acusação. Ouve-se a voz de Tosca, executando a cantata. O pintor desconcentra-se, e, Scarpia insiste no inquérito ao qual o pintor com grande ironia e revolta responde em constantes negações. Enraivecido, Scarpia fecha abruptamente a janela, insistindo na verdade.
Tosca, em resposta à missiva contida no bilhete, vem até ao apartamento de Scarpia. Sem nada saber, surpreende-se com o que encontra. O pintor adverte-lhe todo o silêncio pelo que viu. Sem continuar a obter respostas, Scarpia manda torturar o pintor. Tosca, dissimulando, não consegue esconder a sua indignação e incómodo.
Uma vez a sós, Scarpia, estimulando-lhe os nervos, pergunta-lhe sobre o que viu e se realmente lá estava a Marquesa. Esta nega, dizendo que nada encontrou a não ser o pintor, declarando-lhe que sendo uma mulher ciumenta é normal a sua inquietação. Como nada obtém, manipula-a com a ameaça de tortura do pintor.
Tosca não se contém, e começa a ficar ansiosa e descontrolada. Scarpia incita-a a falar, enervando-a e coagindo-a a tal com as tais ameaças que agora se vêem concretizadas nos gritos do pintor.
"Nel pozzo del giardino"
"Nel pozzo... del giardino. Va, Spoletta"
Scarpia, certo da infalibilidade do seu gesto exclama que ela virá por amor do pintor, e por amor a este se renderá aos seus perversos caprichos.
Spoletta chega ao Palácio. Com temor, relata que fez tudo quanto lhe mandara. Porém nada encontrara na Villa a não ser o pintor, que com ironia troçava dele. Irado, Scarpia ameaça Spoletta. Este acrescenta que lhe trouxera preso o pintor, pelo seu suspeito comportamento.
Perante Scarpia, Mario Cavaradossi nega qualquer acusação. Ouve-se a voz de Tosca, executando a cantata. O pintor desconcentra-se, e, Scarpia insiste no inquérito ao qual o pintor com grande ironia e revolta responde em constantes negações. Enraivecido, Scarpia fecha abruptamente a janela, insistindo na verdade.
Tosca, em resposta à missiva contida no bilhete, vem até ao apartamento de Scarpia. Sem nada saber, surpreende-se com o que encontra. O pintor adverte-lhe todo o silêncio pelo que viu. Sem continuar a obter respostas, Scarpia manda torturar o pintor. Tosca, dissimulando, não consegue esconder a sua indignação e incómodo.
Uma vez a sós, Scarpia, estimulando-lhe os nervos, pergunta-lhe sobre o que viu e se realmente lá estava a Marquesa. Esta nega, dizendo que nada encontrou a não ser o pintor, declarando-lhe que sendo uma mulher ciumenta é normal a sua inquietação. Como nada obtém, manipula-a com a ameaça de tortura do pintor.
Tosca não se contém, e começa a ficar ansiosa e descontrolada. Scarpia incita-a a falar, enervando-a e coagindo-a a tal com as tais ameaças que agora se vêem concretizadas nos gritos do pintor.
Tosca enfraquece e vacila. Dirigindo-se ao pintor, pedindo ajuda, este recomenda-lhe coragem. Scarpia volta ao ataque, e Tosca não resiste e entrega-lhe a confissão:
"Nel pozzo del giardino"
Scarpia realizado, ordena o fim da tortura. A pedido de Tosca trazem o pintor para a sala. Aconchegando-o e reconfortando-o, esta nega que tenha entrege a verdade. Porém, Scarpia com malícia brada impiodosamente:
"Nel pozzo... del giardino. Va, Spoletta"
Irado, o pintor amaldiçoa-a, acusando-a de traição. Subitamente entra Sciarrone portador de novas notícias, sobre vitórias de Napoleão. Exultante o pintor, eleva-se na sua fraqueza, clamando Vitórias ao General. Irritado, Scarpia envia-o para o cárcere, dando com este gesto a ordem de execução do pintor.
Tosca fica atónita. Perdida, e, no auge da sua demência, pede o preço do resgate do pintor. Scarpia, com falsa admiração, diz-lhe que a uma mulher bela não se deixa comprar por dinheiro, mas sim por favores sexuais. Rejubilante de vir a possuir Tosca, obtém ainda mais o desprezo desta. Sentido-lhe o cheiro do ódio, Scarpia enlouquece na sua determinante vontade. Coagindo-a a maior ódio diz-lhe que caso não aceite, apenas conseguirá dele ou da Rainha o perdão para um cadáver. Tosca, desesperada dirige-se a Deus, dizendo-lhe: porquê isto Senhor, se sempre fui tão dedicada aos altares. É assim que me pagas?
Sem compaixão, Scarpia abraça-a declarando-a prémio seu. Tosca enojada, tenta desembaraçar-se. Surpreendidos por Spoletta, este diz a Scarpia que à chegada ao esconderijo Angellotti se suicidara. Revoltado, ordena que o cadáver seja exposto na forca. Sobre o pintor, Spoletta diz-lhe que está tudo pronto para a execução. Tosca, em apnenante coragem, com um gesto de cabeça, acede ao negócio. Ordena então que o pintor seja libertado de imediato e que seja passado um salvo-conduto para dali fugirem. Scarpia acede, dizendo-lhe porém que não pode fazer graça aberta ao perdão, tendo que dissimular a execução. Um fuzilamento simulado, diz, ordenando-o a Spoletta, lembrando-lhe o caso de um tal de Palmieri... que nunca existiu. Tosca acede. Scarpia, cumprindo a sua parte elabora um salvo-conduto enquanto Tosca bebe um cálice de vinho, que lhe tinha sido anteriormente oferecido. Sem raciovinar, depara-se com uma faca que se apressa a esconder. Scarpia, vindo ao seu encontro, abraçando-a, exclama:
"Tosca, finalmente mia!"
"Questo è il bacio di Tosca!"

"E avanti a lui tremava tutta Roma"
FIM DO II ACTO
(em cena)
Tito Gobbi
Renato Cioni
Maria Callas
Ao abraço, Tosca espeta-lhe a faca transformando o tom voluptuoso num exasperante grito. Tosca grita-lhe:
"Questo è il bacio di Tosca!"
Scarpia agonizante, amaldiçoa-a. Caindo, grita por ajuda. Tosca amaldiçoando-o, vocifera. Por fim, vendo o corpo imóvel, exclama:

"E avanti a lui tremava tutta Roma"
Sem deixar de olhar o cadáver aproxima-se da mesa, limpa-se do sangue e retoca o cabelo. Depois procura o salvo-conduto na secretária, não o encontrando encontra-o na mão do morto. Com estremecimento arranca-o dos seus dedos e esconde-o no seu seio. Apaga o candelabro e dirige-se à saída. Vendo ainda um castiçal aceso, acende um outro. Com gestos teatrais colaca um à direita e outro à esquerda da cabeça do morto. Descobrindo um crucifixo tira-o da parede e colaca-o sobre o peito do defunto. Um rufo de tambores, indicativo do aproximar da execução, faz-se ouvir. Fechando atrás de si a porta, Tosca, abandona a sala.
FIM DO II ACTO
(em cena)
Tito Gobbi
Renato Cioni
Maria Callas
Beatices:
G. Puccini,
M. Callas,
Opera,
R. Cioni,
Tito Gobbi,
Tosca
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















