23 de junho de 2009

SE TU VIESSES VER-ME...

.
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca
[Charneca em Flor, 1930]


...

.
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti,
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora!
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti!
.
.

22 de junho de 2009

O VIGÁRIO


O VIGÁRIO


Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II

(Continuação)


Riccardo: O que pretende de mim, afinal?
Doutor: A minha oferta foi séria; senão sabe verdadeiramente o que o espera?

Entram em casa. O Doutor mexe numa caixa de "pronto-socorro" doméstica. Riccardo sobe as escadas e deixa-se cair na primeira cadeira que encontra.

Doutor (falando com duvidosa seriedade, enquanto lhe faz um curativo): Há pouco tempo, essas bestas tiveram a alegria de torturar durante dez dias um Padre Polaco, enfiando-o no porão da fome. Isso porque ele, tal como o senhor, também era voluntário e queria morrer no lugar de um detido que tinha família. No fim, chegaram a coroa-lo com uma coroa de arame farpado. Bem... teve o que queria, o que vocês todos querem: O martírio de Cristo. E mais tarde ou mais cedo, não nos restam dúvidas que Roma irá canoniza-lo. Foi uma morte muito peculiar - um bom martírio à moda antiga. Mas o senhor, meu caro amigo, será apenas gaseado. Pura e simplesmente gaseado, sem que nenhum outro homem, nem o Papa, nem Deus, venha jamais a saber. Na melhor das hipóteses, será dado como desaparecido, como um Cabo na frente do Volga ou um tripulante de um submarino no Atlântico. Se persistir nessa atitude, morrerá aqui... morrerá como um caracol esmagado pelo pneu de um automóvel, morrerá como os heróis de hoje, anónimos e aniquilados por forças que nem sequer conhecem, e muito menos ainda que poderiam combater. Por outras palavras, sem finalidade.
Riccardo (com desdém): Crê que Deus não assinala as vítimas senão quando são mortas com fausto e espectacularidade? As suas ideias não podem ser assim tão primitivas!
Doutor: Ah, ah! Então Deus assinala as vítimas! A sério? No fundo, todo o meu trabalho repousa nessa questão... É verdade, faço tudo o melhor que posso. Desde Julho de 1942, faz uns quinze meses, todos os dias úteis e santificados, envio homens a Deus. O senhor crê que ele já me mostrou o seu reconhecimento? Nem sequer me fulminou com um raio. Como explica isso? O senhor deve saber... Ultimamente, num só dia, foram nove mil pessoas.
Riccardo (gemendo contra a sua própria opinião): Não é verdade, não pode ser...
Doutor: Nove mil num dia. E criaturas tão encantadoras como a menina que o senhor trazia ao colo... mesmo assim, no espaço de uma hora estavam inconscientes ou mortas. Em qualquer um dos casos, prontas para o forno... As crianças mais pequenas muitas vezes vão para o forno desmaiadas, sobretudo as crianças de peito. É um fenómeno interessante. Por estranho que pareça, o gás nem sempre as mata.

Riccardo esconde a sua face nas mãos. Refeito precipita-se para a porta, mas o Doutor rindo puxa-o para trás.

Doutor: Ora, o senhor não pode viver fazendo sempre o bem! Pare de tremer assim. Palavra de honra que o manterei vivo... Que diabo de diferença pode ter para mim mandar uma peça a mais ou menos pela chaminé?
Riccardo (grita): Viver... para ser seu prisioneiro!
Doutor: Meu prisioneiro, não: meu sócio.
Riccardo: Pensa pois que abandonar um mundo onde o senhor e Auschwitz são possíveis, é mais difícil do que viver nele?
Doutor: O mártir prefere sempre morrer a raciocinar. Valéry tinha razão. Dizia ele: "O anjo - e talvez o senhor seja um anjo - (ri) "distingue-se de mim, do Diabo, somente pela reflexão, que ainda lhe é falha". Vou entrega-lo a essa faculdade que é o raciocínio da mesma forma como se lança um nadador no imenso oceano. Se a sotaina se mantiver à tona, então deixar-me-ei arrastar pelo senhor ao seio da Igreja de Cristo. (Ri alto). Quem sabe, quem sabe? Mas primeiro o senhor tem de se exercitar na celebrada tolerância dos agnósticos. Primeiro, o senhor tem de me observar aqui durante um ano, realizando a experiência mais audaciosa que o senhor jamais ousou empreender. Somente uma natureza teológica como eu... (dá um cauduço no pescoço de Riccardo)... ouve um tempo em que usei cabeção... somente uma natureza teológica como eu, se arriscaria a assumir o peso de tão grande culpa...
Riccardo (bate na fronte em desespero e grita): Mas porquê... porquê... Porquê faz isso?
Doutor: Eu queria uma resposta - uma resposta! E assim, arrisquei o que mais ninguém arriscou ainda desde que o mundo começou a girar... Jurei que havia de provocar o velho Deus tão desmedidamente, tão para além de todos os limites, que ele teria que dar uma resposta. Mesmo que fosse apenas negativa, que é a única capaz de desculpa-lo, no dizer de Sthendal: que Ele não existe.
Riccardo (sarcástico): Uma píada de consultório... que milhões de seres pagam com a vida. Então o senhor não é... sequer... um criminoso? É apenas um tolo, um idiota? Tão primitivo como Virchow, quando dizia ter dissecado dez mil cadáveres e neles não ter encontrado vestígios da alma...
Doutor (ferido): Alma! Não é isso um pouco primitivo? Não é uma leviandade monstruosa estar sempre a recorrer a tais figuras de retórica? (imita um sacerdote em oração): Credo quia absurdum est. Sempre o mesmo? (Sério): Escute a resposta: nem um suspiro veio do Céu, nem um único suspiro em quinze meses, desde que comecei a enviar turistas para essa Ascensão.
Riccardo (irónico): Tamanha selvageria... e só para conseguir o que qualquer mestre-escola inofensivo consegue com o menor preço, se este for bastante limitado para testa-lo: querer demonstrar o incompreensível...
Doutor: Então o senhor acha mais consolador que Deus em pessoa toste o homem na grelha da História? A História será a Teodicéia, acha realmente? (com uma risada de verdugo): O que é a História? Pó e altares, miséria e violações. E a glória é sempre o escárnio das suas vítimas. Na realidade, Auschwitz nega o Criador, a Criação e a Criatura. A vida como idéia está morta. Isso poderia ser o início de uma grande conversão, a redenção da dor. Depois dessa instituição, só restará um pecado: maldito seja quem cria a vida. Eu suprimo a vida, o que é a forma actual de ser humano, a única salvação para o futuro. Digo isto com inteira seriedade, mesmo no íntimo. Em bondosa piedade, eu próprio sepultei os meus filhos em preservativos.

Silêncio


(continua)


REFLEXÃO:




Olhar a Estrela é contemplar o Coração de Jesus!


LA TOSCA - LUIGI MAGNI


LA TOSCA

(1973)

LUIGI MAGNI

(a partir de Victorien Sardou)


CORO DEGLI STORPI





21 de junho de 2009

O VIGÁRIO


O VIGÁRIO

Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II


(Riccardo Fontana, padre Jesuíta - filho do conselheiro papal Conde Fontana -, enquanto adido do Núncio de Berlim presencia à denuncia por Gerstein - Tenente das SS Hitlerianas -, sobre as atrocidades feitas aos Judeus nos campos de concentração polacos. Regressado a Roma alerta a seu pai e a um Cardeal os factos que ouviu narrar, com ímpeto e paixão. O Cardeal aconselha prudência, e como o jovem não se retrata em obediência envia-o para Lisboa - o ostracismo. Em Outubro de 1943 os Judeus de Roma começam a ser enviados para os campo de concentração. Riccardo Fontana, regressado a Roma, encontra-se em conjunto com Gerstein, o Cardeal e o Abade Geral, onde sugerem um plano que obrigue a Pio XII, perante o seu silêncio sobre os Judeus, a denunciar os factos publicamente com o intuito de fazer recuar Hitler. Em audiência Papal, Fontana e o Cardeal informam da presença de Riccardo. Uma vez na presença do Papa, Riccardo impele a este que se apresse, mas Pio XII reitera a sua posição de silêncio e neutralidade - para si basta-lhe esconder os refugiados nos Conventos e Igrejas romanas. Riccardo, enfia-se então nos vagões das deportações e chega a Auschwitz).


Oficial: Sturmbannführer, uma informação!

Prende o cão às pernas do banco.

Fritsche: Tão de madrugada? Que houve?
Oficial: Uma grande surpresa na plataforma da estação externa, Sturmbannführer. O Papa mandou-nos pessoalmente um padre...
Fritshe: O Papa fez o quê?
Oficial: O Papa mandou um padre acompanhar os Judeus baptizados. Esses Judeus vêm de Roma, afinal! Vinha com eles como director espiritual, claro. E vai...
Fritshe: E vai o quê?
Oficial: E vai daí, algum idiota embarcou o homem em Roma como se fosse um desses porcos. Amontoado junto com eles, lá no vagão, de sotaina, claro... E não é judeu, é italiano... e além disso dizem que é amigo do Pacelli.
Fritsche: Maldito! Que merda!!



/.../




(Helga e o Doutor - médico do campo que dá ordem de execução -, são amantes apesar de esta estar noiva. Passam a vida em encontros furtivos. Cheia de ciúmes, por este ter usar de uma Judia como sua amante, protesta-lhe ameaçando não mais voltar num ciclo de amor-ódio paradoxal).

Helga: Olha! Olha lá no fundo! O Padre!
Doutor: (afastando-se /.../): Ora... Vai, vai dormir, Helga.
Helga: Não, escuta... Fritsche deu ordem para que o Padre - acho que deve ser esse - não entrasse no campo! Foi deportado por engano!
Doutor (voltando-se): Aqui é tudo igual para todos, todos são obrigados a entrar!
Helga: Parece que ele não é Judeu!
Doutor: Eu decido quem é Judeu - dizia Goering. Não te preocupes, já estou a par do assunto.


/.../



(Riccardo acompanhando uma família de Judeus)

Doutor: Tu aí! Vossa santidade! Ó de preto, vem cá um pouco. Vamos, vem cá!

/.../

Júlia: Não vá! Fique aqui, fique connosco!
Doutor (ameaçador, como se falasse a um cão): Vem cá, já disse!

Riccardo avança um pouco mais. Agora ele e o Doutor estão frente a frente /.../. Riccardo tem sangue na cabeça e no rosto. Foi espancado.


Doutor: Foste tu que fizeste esses bonitos arranhões?
Riccardo (maldoso): Os alemães mataram o pai dela com pancadas, porque acharam graça ao facto de ele usar óculos.
Doutor: Gente terrível, esses alemães. (Com pingalim, dá uma pequena pancada quase amistosa no peito de Riccardo) . Que é da tua estrela de David?
Riccardo: Tirei-a porque queria fugir...
Doutor: Ouvi dizer que não eras Judeu? E contaste ao pessoal na plataforma que o Papa te enviou para cuidar dos Judeus.
Riccardo: Disse isso apenas para escapar. Acreditaram e deixaram-me em liberdade. Mas eu sou judeu como os outros.
Doutor: Os meus respeitos! Aí está uma peça digna de um jesuíta! Mas, então... como é que voltaram a agarrar-te?
Riccardo: Ninguém me agarrou. Eu mesmo me enfiei novamente no meio dos outros.
Doutor (sarcástico): Olhem bem para isto, quanta nobreza! Estamos com falta de voluntários e padres. Pode ser que algum morra por aqui de vez em quando. O clima em Auschwitz tem dessas coisas. Mas é claro que tu não és judeu... (Riccardo cala-se. O Doutor senta-se num banco e contínua, com ironia profunda): Um mártir, será?... Mas, então, porque resolveste fugir?
Riccardo: O senhor não ficaria assustado se o trouxessem para aqui?
Doutor: Assustado? Porque razão? É um campo de internamento. E quando se está tão perto de Deus como tu!...
Riccardo (muito incisivo): Aqui queimam-se seres humanos... o cheiro de carne e cabelos queimados...
Doutor (agora trata-o por "senhor"): O senhor não sabe o que diz. O que vê são apenas fábricas de lubrificantes e crina de cavalo, medicamentos, azôto, borracha, granadas de mão... Aqui está a nascer uma nova Bacia do Ruhr. A IG Farben e a Buna têm aqui filiais, e a Krupp irá tê-las num futuros breve. Os ataques aéreos não nos alcançam e a mão-de-obra é barata.
Riccardo: Já vai para um ano que sei o que se passa aqui. Mas a minha imaginação não era superior. E hoje, de repente, não tive mais coragem... para continuar.
Doutor: A sério! O senhor já está ao corrente de tudo! Muito bem... Compreendo o seu desejo de ser crucificado, mas vou dar-me ao prazer de esvaziar a sua soberba em nome de Deus, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Tenho outros projectos para o senhor.

/.../

Riccardo (a voz rouca de horror): Seja breve.

/.../

Doutor: Vejo que o senhor está muito cansado. Sente-se...
Riccardo: O senhor é... é o Diabo!
Doutor: Diabo?... Fabuloso! Eu sou o Diabo, o senhor o capelão da minha casa. Façamos um trato: salve a minha alma. /.../



(continua)


20 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES V - UM TRECHO DE LUCREZIA BORGIA ... (PARA ACOMPANHAR)


INFELICE...

Musica:
Gaetano Donizetti

Soprano:
Joan Sutherland

Tenor:

Alfredo Kraus




Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...


19 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES IV - BEBIDA PARA ARREFECER O CALOR NUMA NOITE QUENTE!




4 Limões
4 folhas de Hortelã verdes
acabadas de colher no canteiro do seu vasto quintal;

Tanta Água quanto possa comportar o seu jarro;
Açúcar Louro a gosto;



1 Espremedeira manual
(antiga, de preferência de vidro);

1 Jarro e 1 copo de loiça de Alcobaça;
Lucrézia Borgia de Donizetti,
com a sua cantora favorita;

Muito Calor;
Muita Sede.



Corte os limões ao meio e esprema-os impiedosamente, como se a sua vida dependesse disso - afim de obter o melhor e maior sumo. Junte o sumo apurado à água num jarro de loiça de Alcobaça. Sobre a água, deite as folhas de hortelã verdes. Aproveite as cascas de limão e corte-as em pequenos pedaços pequenos, jazendo-as na água. Posto isto, ponha sem exageros açucar louro (QB) na água por cima das cascas e folhas. Mexa tudo muito bem. Use para beber os copos do mesmo serviço e coloque a música escolhida na sua aparelhagem (ou se não possuir uma preciosa gravação, procure no Youtube). Sente-se onde entender, e com muita calma beba a limonada sem a sorver, procurando nela a tranquilidade e a elevação da alma.




18 de junho de 2009

A JOSÉ CALVÁRIO


ADEUS A JOSÉ CALVÁRIO


(1951 - 2009)



E DEPOIS DO ADEUS
...

Música,
Orquestração e Direcção:
José Calvário

o resto dispensa apresentações
(letra: José Niza; intérprete: Paulo de Carvalho)




Até breve
José Calvário

Obrigado pelos sons da liberdade!

Requiem aeternam dona eis, Domini.


BASÍLICA REAL DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


A PRIMEIRA IGREJA DO MUNDO
DEDICADA AO CORAÇÃO DE JESUS


Lisboa 1789


Enquanto não chega Sanctus Johannes - com o cordeirinho e os seus caracóis louros -, sugerimos (o blogue e eu) uma nova reflexão sobre Jesus e o seu Santo Coração:

Ó generoso órgão
ardente de paixão e de amor pelos homens!

Ora pro nobis


Alto-relevo da Fachada da Basílica

Em 1760 a beatissíma princesa D. Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, no dia do seu enlace matrimonial com seu tio D. Pedro de Bragança, certamente apoiada pela lembrança dos gestos de seu avô João, fizera um voto ao SS. Coração de Jesus de erigir um convento para as Religiosas descalças da ordem do Carmelo, como penhor da sua descendência na figura de um filho varão. No ano seguinte, nasceria o seu primogénito. Um rapaz, o infante D. José.


D. Maria I e D. Pedro III

Porém o projecto só ganhará forma em 1777 quando a 13 de Maio, desse ano, a princesa Maria Francisca, ascende ao trono como a primeira rainha portuguesa de plenos poderes - ante as vozes de protesto, que ditavam que a princesa deveria renunciar em favor do seu varão.


Príncipe D. José

Em cumprimento do tão adiado voto, entre o conflito de interesses Pombalinos e pessoais, o projecto de uma nova Igreja surge como uma das primeiras medidas do seu governo. Distante da cidade iluminista de Pombal, é escolhido um terreno da Casa do Infantado no casal da Estrela. Ao arquitecto Mateus Vicente é encomendado o trajecto do Convento e da Igreja, que em tudo seguiriam o exemplo de Mafra.

A primeira pedra será lançada em Outubro de 1779, tendo então as obras começado pela parte conventual. Em 1786, na altura em que as obras estavam concluídas até à cimalha real, o arquitecto Reynaldo Manuel sucede a Mateus Vicente transformando o atarracado plano da Igreja inicial,
sobretudo nas torres e no zimbório, numa sumptuosa Basílica, ainda que condicionada pelos planos originais .


Basílica Real do SS. Coração de Jesus da Estrela
em 1859


Em 1788, pouco antes da conclusão final da obra e da efémera pompa de sagração da Basílica, morre vitimado de varíola o príncipe D. José. Constituirá este facto o golpe decisivo à ferida aberta em 1786, com a morte do seu consorte D. Pedro, ao abatimento e demência mental crónica da Rainha.


Alegoria à inauguração da Basílica

Porém, em 1789 a corte sairá de Queluz para vir a Lisboa.

Nesse dia a cidade engalanou-se para ver a Rainha passar. No seu coche, percorrerá a cidade até ao sítio da Estrela onde grande multidão de populares e curiosos, por entre salvas continuas de morteiros, foguetes e fanfarras, dão vivas à Rainha e ao príncipe real D. João.

Altiva e de olhos brilhantes de nervos, a pia e assustadiça Rainha sabe que é necessário esconder o seu demente abatimento de tudo e de todos, e até de Deus a quem urge pedir perdão pelos seus fustigados mortos que crê arderem no inferno. O principe D. João, sempre pronto, colmatando o que já de si é evidente, apressa-se a concluir as formalidades iniciadas pelo breve gesto da sua soberana mãe, aos quais o poderoso Pina Manique cobre a retaguarda de sobrolho erguido, sorrindo em aparatosos e incontestados gestos.

A sagração faz-se com cerimónia pontifical na figura de Dom José Francisco de Mendonça - o Cardeal Patriarca -, acolitado pelo Confessor da Rainha, Bispos e Arcebispos, Cónegos, demais figuras do clero, Carmelitas e Jesuítas.

Na basílica, revestida de esplendorosas luzes soa o imponente Órgão acompanhado pela brilhante orquestra da corte - a maior da Europa, no dizer de Beckford. Musica certamente de David Perez e do maestro Sousa Carvalho, que provávelmente, como compositor-da-corte, dirigia a orquestra, os castrados e o Coro de crianças e homens reunidos para a grande Cerimónia.



Imagem do Coração de Jesus
que se venera na Basílica da Estrela


Entronizados e imbuídos de espírito religioso, tomaram parte pois em imensa solenidade que deve ter durado uns bons 2 pares de horas, por sua vez rematadas com brilhante e espectacular Te Deum em louvor e acção de graças ao SS. Coração de Jesus naquela que foi a primeira Basílica do mundo consagrada a esta devoção.


17 de junho de 2009

BEATICES




"Scherza coi fanti
E lascia stare i Santi"


by Luigi Illica&Giuseppe Giacosa
in Tosca


15 de junho de 2009

O DIA DE SANTO ANTÓNIO...


Inspirado em famoso Sermão
Fui à praia pôr-me ao Sol
Soube-me tão bem dia:
Bendito sejais St. António!




Então vi peixes e peixinhos
Baleias, tubarões e carapaus
Que deitados ao sol, em coro, diziam:
Bendito sejais St. António!




Em pacata esplanada sentado
Um quente café tomei
Contemplando os passeantes, pensei:
Bendito sejais St. António!




Ainda me lambuzei
Num fresco gelado tão bom!
Em êxtase efémero, exclamei:
Bendito sejais St. António!




Já no crepúsculo da praia
Na alta noite adiantada
Uma prece lhe enviei:
- Nunca me esqueceis, bom Santo!


NOITE DE SANTO ANTÓNIO - HÁBITOS E COSTUMES




O Balão folião!


O Manjerico brejeiro!



A Sardinha (coitadinha) no pão!


As Gentes cima a baixo!



O Balão esvoaçando ao fumo das Sardinhas
exasperado do cheiro a
"xixi"!


"CHEIRA BEM, CHEIRA A LISBOAAAAAAAAA!"


13 de junho de 2009

SANCTUS ANTONIUS IN OLISSIPO




SANTO ANTÓNIO

FERNANDO DE BULHÕES


Por entre Sardinhas e Manjericos em 15 de Agosto de 1195
Onde nós sabemos em 13 de Junho de 1241


12 de junho de 2009

EM LOUVOR DE SANTO ANTÓNIO


Bendito e louvado seja
Santo António, Sol brilhante,
Que em Lisboa, França e Itália,
Deu luz a mais rutilante.

Quis a vontade divina
Que nascesse em Portugal
E fosse, da sua terra,
Um arauto sem igual.

Lisboa foi o seu berço,
E seus pais nobres Bulhões;
Desde a sua meninice
Atraiu os corações.

Logo no seu nascimento
Dos Céus foi abençoado;
Para uma vida divina
Desde logo foi talhado.

Correspondendo ao convite
E à graça do Senhor,
Para Ele encaminhou
Seus passos cheios de amor.

Na Sé menino de Coro
Dava luz tão refulgente,
Que já os seus resplendores
De assombro eram à gente.

Aqui tanto se abrasava.
No fogo do amor divino,
Que era já nestes incêndios
Gigante, sendo menino.

Querendo que só Deus visse
A sua luz permanente,
Foi de Quinze anos de idade
Recolher-se em S. Vicente.

Desprezando os bens terrenos,
Só os bens do céu buscou,
Porque dentro da clausura
Todo a Deus se consagrou.

Temendo que em S. Vicente
Alguém lhe apagasse a luz,
Daqui, para conserva-la,
Foi meter-se em Santa Cruz.

Cinco luzes Franciscanas,
Que com martírio morreram
Em Marrocos, o desejo,
Do martírio lhe acenderam.

Com este ardente desejo,
Procurou logo burel
Franciscano, pois queria
Morrer por Cristo em Argel.

Deixando uma cruz por outra,
Se alistou novo soldado
Na milícia instituída
Pelo Serafim chagado.

Trocou burel a murça,
E fez do nome mudança,
Porque de seu sangue ilustre
Não queria ter lembrança.

O Santo com esta troca
Do seu nome esclarecido,
Deu mostras de que o seu gosto
Era não ser conhecido.

Mostrou no mudar do nome
Abatimento profundo,
Como quem só procurava
O não ter nome no mundo.

Tomar o nome de António
Foi de Deus toque bendito,
Por ser nome, que fez muitos
Prodígios em todo o Egipto.

Tendo conseguido a nova
Milícia que desejava,
Somente dar sua vida
Por Jesus Cristo faltava.

Ja do seu burel vestido
Este sol resplandecente,
Foi logo por mar buscando
No martírio o seu Poente.

Assim buscou o seu Ocaso
No martírio glorioso,
Mas Deus lhe deu noutra casta
De martírio fim ditoso.

O mar vendo o Sol de António
O quis em si sepultar,
Porem foi achar em Pádua
Sepulcro mais singular.

Subiu do seu Oriente
Tao depressa ao Meio-dia,
Que com luzes mais brilhantes
Ja por Itália luzia.

Quis no burel Franciscano
A sua luz esconder
Mas neste burel sagrado
Se viu mais resplandecer.

Da sua luz portentosa
Não só homens se admiraram,
Mas também brutos e peixes
Da luz de António pasmaram.

Esta luz com tanta força
Vibrava os seus esplendores,
Que mudou em penitentes
Milhares de pecadores.

Hereges quase infinitos
Tanto desta luz tiraram
Que já com ela ilustrados.
Os seus erros detestaram.

Fez com esta luz divina
Tao repetidos portentos,
Que depois da sua morte
Obra milagres aos centos.

No muito amor que a Deus tinha
Tanto se abrasava enfim,
Que abrasado nestas chamas,
Era humano Serafim.

Morreu seu sagrado corpo;
Mas a luz não se apagou.
Pois sendo o corpo desfeito,
Inteira a língua ficou.

Era do céu esta língua;
Por isso sem corrupção
Ainda das maravilhas
De Deus nos da relação.

Língua, que das corrupções
A muita gente livrou,
Com razão ainda morta
Da corrupção triunfou.

Tendo-se empenhado tanto
Em salvar as criaturas,
Teve por prémio salvar-se
Inteira na sepultura.

Louvou a Deus altamente
Esta língua portentosa.
Era justo que ficasse
No sepulcro gloriosa.

Se viva tirou dos corpos
Enfermos a podridão,
Não devia nela morta
Ter poder a corrupção.

Língua, que tantos deu vida
Mereceu a feliz sorte,
De se ver sem horrores,
Que causa a terrível morte.

Se por ser língua tão santa
Nela habitou a pureza,
Que muito que de incorrupta
Deus lhe fizesse a fineza!

Ó língua prodigiosa,
Ficaste como imortal,
Pois incorrupto pregais
Um sermão celestial.

Julgo que a todos dizeis,
O língua sempre bendita,
Que no amor de Deus busquemos
Ter como Vos tanta dita.

Já que tiveste a glória
De morta resplandecer,
Fazei que nossas línguas
Não se deixem corromper.

E pois tanto mereceste
Por louvor ao Sumo Bem,
Alcançai que as nossas línguas
O louvem na glória. Ámen.


11 de junho de 2009

EIS O PÃO DOS ANJOS FEITO PÃO DOS HOMENS DADO DOS CÉUS...


PANIS ANGELICUS

Musica:
Cesár Franck

Coro:
Saint Philip Solists & Coir Boys




Panis Angelicus
Fit Panis Hominum
Dat Panis Caelicus
Figuris Terminum

Ores Miraculis
Manducat Dominum
Pauper servus et humilis


CORPUS CHRISTI





AVE VERUM - CORPUS CHRISTI


AVE VERUM


Musica:
W. A. Mozart

Coro:

Oxford Cathedral Coir




Ave verum corpus
Natum de Maria Virgine
Vere passum immolatum
In Cruce pro homine

Cujus latus perforatum
Fluxit aqua et sanguine
Esto nobis pregustatum
In mortis examine


CORPUS CHRISTI 1908 - LISBOA















TANTUM ERGO


TANTUM ERGO


Musica:
Canto Gregoriano

Cantor:
Wassim Sarweh




Tantum ergo Sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.

Genitori, Genitoque
Laus et jubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio.
Amen.


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