14 de março de 2009

PROCISSÃO DO TRIUNFO OU DOS SANTOS NUS



A procissão do Triunfo, também conhecida pela procissão dos Santos Nus (alcunhada seguramente pela denominação popular pelo uso avultado de imagens do Senhor despidas de roupa representativas dos diversos momentos da sua prisão, castigo e morte), está hoje esquecida da memória de todos. Proponho assim, neste período de reflexão, recuperar a sua lembrança e significado para enriquecer a nossa boa cultura.

Esta manifestação era organizada pelos irmãos Irmãos Terceiros do Carmo de Lisboa e tal como manda a Ordem em todo o mundo cristão pretendia evocar e meditar sobre a paixão e morte do Senhor Jesus. Sendo inicialmente celebrada no Domingo de Ramos, a ela chegava toda a cidade tornando-a numa das procissões mais concorridas de Lisboa daquela época, a par da ainda mais concorrida procissão do Senhor dos Passos da Graça, da Senhora da Saúde ou do Corpo-de-Deus.

Apesar de em 1722 ser fixada no Domingo antecedente ao Domingo de Ramos a sua popularidade e grande ocorrência nunca esmoreceram, nem mesmo quando o terremoto de 1755 destruiu a Igreja e todas as imagens - posteriormente recuperadas -, ou aquando da extinção das ordens religiosas em 1834 - que por alguns anos a interromperam. Em 1908 por ordem do Governo Civil de Lisboa, foi extinta não se registando até aos nossos dias qualquer intenção do seu ressurgimento.



Fachada da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo

O esquecimento desta procissão é ainda acentuada pela discreta Igreja da Ordem terceira do Carmo, que se confunde com os edifícios pombalinos que circundam o largo do Carmo. Após o terremoto, não houve dinheiro para erguer pomposamente uma Igreja que se visse, nem na nova-cidade houve espaço para ela.

Porém, ela lá
está e permanece! A um olhar de vista mais atento depressa a distinguimos. No topo do edifício, encontramos, encimado por uma cruz, um pequeno e discreto frontão de contornos barrocos decorado com simbologia mariana; na fachada uma larga porta e preenchendo as janelas vidraças multicolores losangulares, tipo vitral.


Anjinho dos "Santos Nus"


Ora então, no domingo convencionado, o povo de Lisboa atraído pelos mistérios da Paixão de Jesus Cristo, subia ao Chiado para ver... o passeio do Senhor em pouca roupa. Jamais o povo teve semelhante ideia de erotização. Porém a devoção popular chamar-lhe-ia, em caricata caricatura: os "Santos Nus" - já São Gonçalo de Amarante não teve melhor sorte. O seu imenso cordel, que servia para que todos os fiéis o pudessem tocar, teve na voz e na malícia do povo outros desígnios evoluindo de fálicos doces até aos "ordinarecos" bonecos das Caldas, que do bento frade evoluí até ao jogador de Futebol. É portanto a eterna alma portuguesa que implorando piedosamente reza, chora e suplica e na sua atitude sadia, como "piece de resistence", ainda graceja piadolas...

Na hora estipulada, a meio da tarde o solene cortejo tinha inicio e haveria de correr o Chiado. Confrades e Irmãos, vinham a rigor. Opas e capas eram o trajar dos que incorporavam o cortejo. Homens e mulheres dos diversos extractos sociais, com os mais diversos pretextos vinham com curiosidade ver e ser vistos. Só os mais desfavorecidos vinham com grande fervor chorar as dores do Senhor, por projecção das suas. Não obstantes murmuravam risotas, galhofavam, tagarelavam e por fim rindo desbragadamente uns com os outros calavam-se à passagem da sombra ou da vista das ameaçadoras imagens nuas do Senhor, que impunham silêncio e ordem.

Abrindo a procissão dando o carácter pesado e doloroso do cortejo, seguidas de um imponente guião e um pendão roxo de galões e berloques dourados, vinham a cruz e lanternas transportados pelos Irmãos da Ordem Terceira do Carmo. Posto isto, formava-se o cortejo processional na seguinte ordem:


- GUIÃO -




Na frente de cada andor vinha uma criança vestida de anjo empunhando as insígnias de cada representação iconográfica.


- SENHOR ORANDO NO HORTO -



Povo assistindo à procissão


Senhor Preso



Povo assistindo à procissão


- SENHOR AÇOITADO PRESO À COLUNA -



Senhor da Cana Verde


Povo assistindo à procissão


Senhor "Ecce Homo"


Povo assistindo à procissão


Senhor dos Passos


Senhor Crucificado


- SENHOR MORTO,
DEITADO NUM ESQUIFE COBERTO POR UM PALIO -



Senhora das Dores


Por fim, paramentados de roxo seguiam o pároco que presidia à procissão acolitado por outros dois sacerdotes acompanhados por diversos priores, padres, curas, ministros, religiosas e comissários de todas as Ordens Terceiras Carmelitas.

Concluindo o préstito seguia uma guarda de honra de 150 militares.

Ainda abrilhantando musicalmente o cortejo seguia uma Banda de Musica tocando majestosas e pesadas marchas graves e fúnebres,
de acordo com a dolorosa Solenidade da dolorosa Paixão do Senhor - pautadas pela imprevisibilidade e amadorismo, estas ou eram bem executas ou dissonantemente agonizavam ainda mais a triste solenidade na execução desasatrosa (cheias de notas ao lado, falsas entradas, fifias, notas partidas ou guinchadas dos instrumentos agudos; ou nos tropeços, falta de agilidade, fortissimos estridentes das pelas trompetes e trombones, numa gritante marcha de meter dó).

Fechando tudo caminhava o Povo lamecha, nos propositos já descritos, que se acumulava nas esperas da procissão percorrendo-a até ao seu término.




* * * * * * *


Fica assim a lembrança de uma tradição religiosa bem portuguesa autentificante da nossa religiosidade. Por todo o país, e cada vez mais, são recuperadas estas tradições de fé que de ano para ano se vao tornando sempre mais numerosas de devotos e confessos. Esperemos que em breve o mesmo aconteça com estas procissões do passado, e mais do que nunca com o processo da Nova Evangelização da Europa e recuperação das antigas práticas, patrocinadas e aplaudidas por Bento XVI, que este momento seja convenientemente restaurado.


SENHOR DOS PASSOS





7 de março de 2009

QUARESMA

É tempo de Quaresma!

É tempo de reflexão e de interiorização... é tempo de fazer um SPA... pela Alma e pelo Espírito!

26 de fevereiro de 2009

21 de fevereiro de 2009

20 de fevereiro de 2009

ANGELUS DIXIT:




Eu também tenho "Tapa-Pilinhas"!


QUIZZ SHOW!







O que é que estes Anjos têm a mais?


18 de fevereiro de 2009

17 de fevereiro de 2009

16 de fevereiro de 2009

CORES BONITAS NO CÉU!









O Pôr-do-Sol de Domingo sobre o mar.


AUSENTE MAS PRESENTE - AS APARIÇÕES DA ASSEICEIRA NÃO FINDARAM AINDA!


Temerosa que lhe arranquem os seus "Amores-Perfeitos", a Senhora deixou um recadito escrito à mão, numa "piquena" tabuleta de madeira:




Se fosse em Fátima...
seria em acrílico, com estudo de letra, encomendado numa agência de marketing & publicidade, com assinatura do designer e a custos de produção e realização em 5.000 € - por placa!


15 de fevereiro de 2009

N. SR. APARECEU NA ASSEICEIRA!


Contava o avô, que certa vez tinha visto Nossa Senhora em cima de uma árvore e que esta era muito pequenina! Eis a história:


As aparições de Asseiceira de Rio Maior

A VISITA DA MÃE DO REDENTOR

"REZAR MUITO E CUMPRIR OS 10 MANDAMENTOS"


Santuário da Asseiceira


A 16 de Maio de 1954 num lugar a 3 km de Rio Maior, Carlos Alberto - um menino de 11 anos - rezava ás escondidas na companhia do Carreira, um outro menino da sua idade.

A professora, esperando o sucesso escolar de todos os alunos, no seu mais profundo sentido religioso, pedira aos seus meninos que rezassem diariamente, junto ao crucifixo ostentado na parede da escola, para passarem de ano - o exame da 4ªClasse!

Carlos Alberto, envergonhado, por ser alvo de troça dos seus colegas, viu-se incapaz de rezar em conjunto com eles. Melindrado e choroso, veio rezar para o terreno junto ao recreio, bem debaixo de um Loureiro, próximo da retrete da escola. Porém, não se viu sozinho... um outro rapaz seguira o seu exemplo.


Então, no maior segredo, escondidos na sombra da ramagem da frondosa árvore, rezaram o terço contentes da sua sorte sem que para isso fossem mais alvo da troça dos seus cruéis coleguinhas. Porém, ouviram mexer na ramagem. Adivinhando a descoberta, por algum dos outros meninos, esgalgam-se a correr dali para fora antes que a denuncia e nova troça fosse feita. O segredo tinha sido descoberto...


"Ai Jesus, Maria, Credo"- pensaram!

Carlos Alberto, menos ligeiro, ouviu então com surpresa num tom e voz desconhecidas:

"Não fujas, não tenhas medo meu filho,
eu sou a Mãe do Redentor!"

Olhando para trás, deparou-se com uma estranha visão. Com pasmo, viu no Loureiro uma Senhora muito pequenina, com cerca de 70 cm de altura.

Aproximando-se, dialogaram. Carlos Alberto ficou então a saber que iria passar no exame, e a Senhora, finalmente deparando-se com um aparecendo instruído e inteligente, convida-o ainda a vir àquele lugar todos os meses acrescentando que é necessário rezar muito e cumprir com os 10 mandamentos.



Carlos Alberto



Carlos Alberto definiu a aparição como:

"Uma linda Senhora, com manto azul"

"Uma boneca de panos em ponto pequenino"

 

Rapidamente se tomou conhecimento deste grande prodígio. De todo o país começaram a chegar curiosos na demanda e na esperança do avistamento das miraculosas aparições.

A Senhora, a Mãe do Redentor, apareceu sempre nos dias 16 de cada mês, entre Maio e Dezembro de 1954 e Janeiro de 1955.


A Carlos Alberto, a multidão cognominava-o como o "pastorinho da Asseiceira".

Factos mais espectaculares, daqueles que ocorreram em Fátima, começaram a ser observados: em todas as vésperas das aparições, observavam-se à noite estranhas luzes coloridas no céu, e no dia da aparição, logo muito cedo, o sol regozijante bailava no céu aspergindo luzes, afirmando o milagre
.

O Estado Português, não querendo concorrências com Fátima, proibiu as manifestações, sobretudo por esta pequena localidade ficar precisamente na EN 1 - Lisboa, Alenquer, Rio Maior, Leiria, Coimbra, Porto - no caminho e encalço de Fátima. Então, sempre que se aproximavam as datas das aparições, o Estado enviava para a Asseiceira a G.N.R e o Exército português para impedir a chegada das gentes - patrulhando as estradas e barricando o lugar ou proibindo à força do bastão e da violência a aglomeração.

Os Peregrinos receosos, mas ávidos da sede do misticismo e do sobrenatural, começaram a trilhar os campos chegando ao lugar, ou cheios de pó ou de lama, defraudando as expectativas do Estado que miseraribilizava a situação.

A 15 e a 16 de Dezembro observar-se-iam os mais insólitos, fantásticos e deslumbrantes acontecimentos. Como sempre, de véspera, Carlos Alberto, preparava o altar para receber a Mãe do Redentor, com velas e figuras de Santos de papel, diante do qual ajoelhar-se-ia para conversar com a Senhora.

Nessa noite, para além das já habituais luzes que passeavam no céu, dar-se-há uma estranha "procissão de velas" na qual não participou nenhum ser físico. No céu, foram observadas centenas de luzes de velas, ou chamas ardentes na forma de línguas de fogo. Circundando o altar essas luzes
sem cilindro de cera, pavio ou alguém que as segurasse ficariam em permanência.

No dia 16, a Asseiceira estava completamente barricada.
O Estado determinado, preparou-se para impedir a aglomeração - enquanto o Sol alvoraçado chamando todos, bailava já garridamente, rodopiando em faíscas de mil cores que pintavam o ambiente. Os contingentes, separados entre si por 1 metro, faziam cordões e muralhas humanas agredindo a multidão de 40.000 pessoas, impedindo-a de chegar ao local. Porém, estes, impelidos pela mole humana, recuavam constantemente e cada vez menos cépticos tornavam-se igualmente ávidos de presenciar o que já era evidente.

Os agentes da G.N.R. estupefactos, junto ao altar, já vandalizado por estas autoridades, tentavam em vão apagar as línguas de fogo que se reacendiam velozmente, sem que ninguém as ateasse.

Os soldados, destacados para a guarda do altar, viram-se despojados das suas armas que se atiraram para o chão sem que para isso tivessem feito algo ou alguém por eles.
Atónitos e perplexos pelo irracional entraram em debanda. Impávido, um dos soldados tendo-se justificado ao seu comandante, disse :

"Olhe, castigue-me
mas para ali é que eu não vou mais"

Havia medo. Havia temor. Havia no ar um ambiente incomum de sensações humanas constrangidas que contagiavam tudo e todos, aliado ás forças e energias de proveniências desconhecidas e misteriosas que açambarcavam o local e as gentes, contrariando a vontade de Salazar e operando o milagre.

Por fim a Senhora, a Mãe do Redentor, aparecia vencendo todos os contingentes anulando as vontades de decretos e ultimatos de Lisboa.

Serena e despreocupada, desceu ao altar acompanhada por um pequenino Anjo e sem segredo das suas presenças fizeram-se ver à multidão. A Senhora, agora caminhando sobre
o altar de um lado ao outro, fazia acender e apagar as tais "velas" com o seu movimento. Falando com Carlos Alberto, fazia-se ouvir de modo imperceptível por aqueles que estavam nas imediações do altar. Muitos viram a Senhora ou o Anjo. Outros nada viram! - o avô que esteve lá nesse dia, contava sempre com grande comoção o que viu.



 

Enquanto isso o Sol, evidenciando ainda mais a sua luz, tornou todo o ambiente amarelo. As mulheres aterradas de surpresa, tagarelavam umas com as outras:

"Ai mulher, estás toda amarela!"
.
Finda a aparição o Sol voltou a rodopiar emitindo mil cores até voltar ao normal. A multidão imbuída de grande religiosidade fez então o seu regresso a casa sem sobressaltos e com grande paz de espírito e contentamento.

Depois desta haveria apenas mais uma aparição em Janeiro seguinte, em que nada de espectacular se observou.

Carlos Alberto, incluiria ao rol das aparições uma ocorrida no dia 15 de Maio de 1954, a qual presenciara da janela do seu quarto, na qual a Senhora passeava em cima de um telhado, vislumbrando apenas com clareza as mãos postas em oração e um terço
caído nelas.

A mensagem deixada na Asseiceira assenta nos pedidos do cumprimento dos 10 mandamentos, na oração diária do terço e na oração diária do terço naquele local. Entre confidências, assuntos e profecias que se perderam, a Senhora disse a Carlos Alberto que iria morrer jovem na companhia do seu filho - por essa razão, após o nascimento do primeiro filho, disse à sua mulher:

"Iremos ter mais um filho,
um para ti e outro para mim"

De maiores dimensões ou cuidados, segundo dizia Carlos Alberto, a pequena Senhora confiou-lhe um "Segredo" que nunca chegou a ser revelado.


Placa comemorativa das Aparições


A Igreja do Cardeal Cerejeira nunca se interessou por estes factos, repudiando-os até - factor pelo qual se perdeu a mensagem da Mãe do Redentor da Asseiceira de Rio Maior. Não obstantes os factos, milagres e curas saiu uma nota pastoral que proibia a prática do culto anunciada na excomunhão de todos quanto ali fossem rezar - curiosamente, a Igreja já levantou o ultimato e proibições, permitindo o culto (apesar de ter sido só após a entrega voluntária e piedosa do ouro dos fiéis ao Patriarcado).
 

Capela das Aparições da Asseiceira


Na capela entretanto erguida e melhorada, reza-se o terço diariamente desde então. Nos dias comemorativos das aparições, para além do terço, faz-se uma procissão. 
.

Carlos Alberto teve um vida normal. Foi confrontado diversas vezes com a retratação dos factos, impedindo-o de ter localmente uma vida religiosa normal, como qualquer cidadão de direito. Casou e teve 2 filhos. Morreu em 1980, vitimado por um acidente de automóvel.


Sem qualquer desenvolvimento urbano ou turístico religioso, esta pequena aldeia está quase como na época das aparições, sendo o terreiro e o santuário um local de grande simplicidade de gosto e cariz popular.


JÓIAS




Resplendor de imagem Português
séc. XVI



GREVE DE ZELO


Pois é!...

Já se deram conta da ausência da Brigadas de Transito, da G.N.R., por essas estradas fora? Não, pois não?

Desde o início do ano que senti espanto e admiração. Postas as operações de Natal e Ano Novo, é hábito iniciar-se uma feroz caça ás inspecções e regularizações, em operações auto-stop e na perseguição de viaturas obrigando-as a parar e pedindo de imediato o assunto objectivo - isto com informação cruzada, identificada a partir da chapa da matricula.

Pois é... estes rapazes e raparigas estão em greve. Quem diria! Também a crise lá chegou, segundo parece!?!? Sem entrar em muitos pormenores, face ás suas reivindicações, estão descontentes e em greve desde o início do ano na qual a ausência de zelo ou a despreocupação é o mote!

Resta saber se na ausência dos contingentes, tal como sucedeu na Alemanha, face a conduta cada vez mais rígida observada, imposta pelo anterior Presidente Sampaio, se neste período houve benefícios, mostrando o quanto é impraticável o sistema big-brother e afins das estradas - se é que ele funciona realmente.

Provou-se em diversos países da Europa que os hábitos dos condutores mudaram, na diminuição de sinistros e no aumento de cuidados preventivos de condução, quando a politica de vigilância se tornou mais tolerante. Resta saber se neste período mudou entre nós alguma coisa!



CREDO





12 de fevereiro de 2009

"TODOS SOMOS ESPIRITUALMENTE SEMITAS"


PAX CHRISTI, IN REGNO CHRISTI
Lema de Pio XI



Há 70 anos o mundo católico mergulhava num silêncio profundo.
O mergulho no abismo e nas trevas. A inversão moral de valores.
O principio da condescendência.

O fim da razão Católica de pensar, existir e de ser.

...............

A morte de Pio XI será devastadora para ordem mundial. Com ela o mundo entrará num grande colapso perdendo um moderador e um líder espiritual à altura. Postos os tempos de então, não voltarão mais a aparecer verdadeiros Príncipes de coragem e de espada em riste, como os antigos cavaleiros, fiéis guardiões da verdade.



Este homem Papa, um amortalhado em carne de Cristo, guardião da fé e da paz, seguia um pontificado apoiado na doutrina cheio de determinação e sem temor. Apostou na renovação e adaptação aos novos tempos num discurso e num gesto viril e directo pleno de certezas, discernimento e pragmatismo - sem beatice, teatralidade, dramatismos, jogos florais e arraiais (auspícios dos reinados dos tempos futuros).


Pio XI em Stª Maria Maior

Hábil diplomata, defrontou-se com tempos difíceis de conturbações ideológicas e politicas, e com o ressurgimento do paganismo. O mundo antigo deixara de existir. As monarquias, grande braço da Igreja de Roma, faliam. A Igreja Católica estava afastada definitivamente da ideologia primária de um estado, refazendo-se no mundo com novas concordatas.

Logo que foi coroado, reconciliou a Igreja com o Estado Italiano - desentendidos desde 1870 - ao abrir a varanda da Basílica de S. Pedro dando à população a bênção Urbi et Orbi. Este seu gesto, haveria de ser o seu maior triunfo - abrir destemidamente antigas portas e janelas, quer fossem materiais ou espirituais.


Pio XI em Stª Maria Maior

Em 1929, assinando com o governo de Mussolini o tratado de Latrão, no qual renuncia definitivamente de todos os antigos territórios constituintes dos estados pontifícios, usurpados pela unificação de Itália, aos quais se inclui também a cidade de Roma, Pio XI torna-se o primeiro chefe de estado do reconhecido estado soberano do Vaticano, desde 1870.


Pio XI e Benito Mussolini

Antevendo no Comunismo, no Fascismo e no Nazismo novos males ideológico-políticos que se alastravam no mundo, condenou-os sem pudor nas suas encíclicas. Opôs-se a Franco, Mussolini e Hitler. Sem temor e por vezes num estilo hostil e agressivo, falou e escreveu abertamente contra essas acções e práticas. Se no passado apoiou a ascensão de Mussolini, promovida nos púlpitos de Itália, estes agora são voz de oposição. Em 1931, escreve para Itália a encíclica: NON ABBIAMO BISOGNO. Posteriormente com as perseguições anti-semitas em prática em Itália, exclama:

"Mas porque razão a Itália se conduz
a imitar desgraçadamente a Alemanha?"


Publicamente Pio XI, afirma:



"O Anti-Semitismo é um movimento escandaloso
Todos somos espiritualmente Semitas"


Mussolini responde:

"Se o Papa continua a manifestar-se, perderei a paciência e serei obrigado a isola-lo"


Benito Mussolini

Porém dirá em privado:

"Espero mesmo que este Papa morra o mais rapidamente possível"

Em 1937, Pio XI envia secretamente à Alemanha a encíclica MIT BRENNENDER SORGE, exortando a comunidade católica alemã a resistir ao nazismo, numa acção de sucesso que viria a irritar Hitler.

A 12 de Fevereiro de 1931, inaugura as transmissões da Radio Vaticana. Nos últimos anos conhecerá a doença, que nunca será oposição à sua força e vontade, preparando e fortalecendo a Igreja para os difíceis tempos.


Marconi, Pio XI, Cardeal Pacelli

Envolto em mistérios estão o desaparecimento da sua ultima encíclica e um seu discurso incompleto. Ambos demolidores, a encíclica pretendia uma maior e mais clara condenação do nazismo e da sua religião neo-pagã. Preparada com o conhecimento do Cardeal Pacelli, o então Secretário de Estado do Vaticano, e futuro Pio XII, encontrava-se finalizada no final de 1938. A sua entrega foi conhecendo sucessivos atrasos evitando ser assim assinada. Por ordem do Papa, esta viria a aparecer por fim tarde demais. Pio XI morreria sem a ler, concordar, assinar e promulgar.



Sobre a sua morte, um ataque de cardíaco, levantaram-se infundadas questões. Pouco prováveis, dada a doença que já vinha padecendo, na realidade esta morte mostra-se realmente como uma morte conveniente, e mais conveniente ainda a próxima ascensão ao papado.



Convenientemente ainda foi o súbito arquivamento e desaparecimento da misteriosa encíclica pelo seu sucessor Pio XII - aquele que tinha sido preparado habilmente por Pio XI para ascender ao Papado, e que em sentida beatice, qual discípulo reconhecido pelo lugar que agora ocupará, se proclamará continuador da política do seu predecessor (Pacelli, é ainda formalmente feito responsável pelo isolamento que Pio XI foi conhecendo em vida, pelo ofuscamento da sua obra e a perca de esperança nas suas determinações, tomando posições e politicas em tudo contrárias a Pio XI). Sabemos pois que Pacelli, nunca esquecendo que foi ele o homem que anos antes tinha sido Núncio-Apostólico da Alemanha, temeroso com o nazismo, receoso de ver a sua bela basílica bombardeada, nunca arriscou afronta-lo. Surpreendendo com esta atitude o mundo, vê-se hoje envolto em causas pouco claras e esclarecedoras.



O ultimo Pedro que como Pedro
foi destemidamente um "mártir" pela fé e os propósitos em Cristo!



10 de fevereiro de 2009

PIUS XI





Ambrogio Damiano Achille Ratti

Bispo de Roma

31 Maio 1857
10 Fevereiro 1939



8 de fevereiro de 2009

COMPÊNDIO MUSICAL DE MAFRA




Compêndio musical com o acompanhamento de Órgão do ano litúrgico,
para ser executado na Basílica de Mafra,
da autoria do compositor Frei José de Santo António.

Impresso em 1751


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