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14 de julho de 2009

TOSCA - II ACTO


II Acto


Apartamento de Scarpia no andar superior do Palácio Farnese


Na sala está uma mesa preparada.
Uma grande janela para o pátio do Palácio. Várias portas.
É noite.


Envolto ainda em pensamentos, que lhe interrompem o jantar, Scarpia, em traje de grande gala olha inquieto para o relógio, vendo as horas passar - ansioso pois por saber novas da demanda pois não vê hora de punir os dois Volterianos, o indesejado pintor e o fugitivo Angelotti. Chamando Sciarrone, pergunta-lhe sobre Tosca e dado o avançado da hora pede-lhe que abra a janela - por esta chegam até àqueles apartamentos os sons das Gavottas e Minuetos, tocados pela orquestra que abrilhanta a festa. Festa de gala, como se disse, oferecida pela Rainha Maria Carolina de Nápoles em honra do General Melas. Porém, a cantora, a Diva, ainda não está no Palácio e todos aguardam a sua presença para o início da cantata. Scarpia escreve um bilhete destinando-o a esta. Entregando-o a Sciarrone, ordena-lhe a entrega imediata logo que esta entre no Palácio.



Scarpia, certo da infalibilidade do seu gesto exclama que ela virá por amor do pintor, e por amor a este se renderá aos seus perversos caprichos.



"O galantumo come andò la caccia?"

Spoletta chega ao Palácio. Com temor, relata que fez tudo quanto lhe mandara. Porém nada encontrara na Villa a não ser o pintor, que com ironia troçava dele. Irado, Scarpia ameaça Spoletta. Este acrescenta que lhe trouxera preso o pintor, pelo seu suspeito comportamento.



"Ah canne! Ah traditore!..."

Perante Scarpia, Mario Cavaradossi nega qualquer acusação. Ouve-se a voz de Tosca, executando a cantata. O pintor desconcentra-se, e, Scarpia insiste no inquérito ao qual o pintor com grande ironia e revolta responde em constantes negações. Enraivecido, Scarpia fecha abruptamente a janela, insistindo na verdade.



"Nego! Nego!"

Tosca, em resposta à missiva contida no bilhete, vem até ao apartamento de Scarpia. Sem nada saber, surpreende-se com o que encontra. O pintor adverte-lhe todo o silêncio pelo que viu. Sem continuar a obter respostas, Scarpia manda torturar o pintor. Tosca, dissimulando, não consegue esconder a sua indignação e incómodo.

Uma vez a sós, Scarpia, estimulando-lhe os nervos, pergunta-lhe sobre o que viu e se realmente lá estava a Marquesa. Esta nega, dizendo que nada encontrou a não ser o pintor, declarando-lhe que sendo uma mulher ciumenta é normal a sua inquietação. Como nada obtém, manipula-a com a ameaça de tortura do pintor.



"Quanto foco! Par che abbiate paura di tradirvi"

Tosca não se contém, e começa a ficar ansiosa e descontrolada. Scarpia incita-a a falar, enervando-a e coagindo-a a tal com as tais ameaças que agora se vêem concretizadas nos gritos do pintor.



Tosca enfraquece e vacila. Dirigindo-se ao pintor, pedindo ajuda, este recomenda-lhe coragem. Scarpia volta ao ataque, e Tosca não resiste e entrega-lhe a confissão:

"Nel pozzo del giardino"

Scarpia realizado, ordena o fim da tortura. A pedido de Tosca trazem o pintor para a sala. Aconchegando-o e reconfortando-o, esta nega que tenha entrege a verdade. Porém, Scarpia com malícia brada impiodosamente:

"Nel pozzo... del giardino. Va, Spoletta"

Irado, o pintor amaldiçoa-a, acusando-a de traição. Subitamente entra Sciarrone portador de novas notícias, sobre vitórias de Napoleão. Exultante o pintor, eleva-se na sua fraqueza, clamando Vitórias ao General. Irritado, Scarpia envia-o para o cárcere, dando com este gesto a ordem de execução do pintor.



Tosca fica atónita. Perdida, e, no auge da sua demência, pede o preço do resgate do pintor. Scarpia, com falsa admiração, diz-lhe que a uma mulher bela não se deixa comprar por dinheiro, mas sim por favores sexuais. Rejubilante de vir a possuir Tosca, obtém ainda mais o desprezo desta. Sentido-lhe o cheiro do ódio, Scarpia enlouquece na sua determinante vontade. Coagindo-a a maior ódio diz-lhe que caso não aceite, apenas conseguirá dele ou da Rainha o perdão para um cadáver. Tosca, desesperada dirige-se a Deus, dizendo-lhe: porquê isto Senhor, se sempre fui tão dedicada aos altares. É assim que me pagas?



Sem compaixão, Scarpia abraça-a declarando-a prémio seu. Tosca enojada, tenta desembaraçar-se. Surpreendidos por Spoletta, este diz a Scarpia que à chegada ao esconderijo Angellotti se suicidara. Revoltado, ordena que o cadáver seja exposto na forca. Sobre o pintor, Spoletta diz-lhe que está tudo pronto para a execução. Tosca, em apnenante coragem, com um gesto de cabeça, acede ao negócio. Ordena então que o pintor seja libertado de imediato e que seja passado um salvo-conduto para dali fugirem. Scarpia acede, dizendo-lhe porém que não pode fazer graça aberta ao perdão, tendo que dissimular a execução. Um fuzilamento simulado, diz, ordenando-o a Spoletta, lembrando-lhe o caso de um tal de Palmieri... que nunca existiu. Tosca acede. Scarpia, cumprindo a sua parte elabora um salvo-conduto enquanto Tosca bebe um cálice de vinho, que lhe tinha sido anteriormente oferecido. Sem raciovinar, depara-se com uma faca que se apressa a esconder. Scarpia, vindo ao seu encontro, abraçando-a, exclama:

"Tosca, finalmente mia!"

Ao abraço, Tosca espeta-lhe a faca transformando o tom voluptuoso num exasperante grito. Tosca grita-lhe:

"Questo è il bacio di Tosca!"

Scarpia agonizante, amaldiçoa-a. Caindo, grita por ajuda. Tosca amaldiçoando-o, vocifera. Por fim, vendo o corpo imóvel, exclama:



"E avanti a lui tremava tutta Roma"

Sem deixar de olhar o cadáver aproxima-se da mesa, limpa-se do sangue e retoca o cabelo. Depois procura o salvo-conduto na secretária, não o encontrando encontra-o na mão do morto. Com estremecimento arranca-o dos seus dedos e esconde-o no seu seio. Apaga o candelabro e dirige-se à saída. Vendo ainda um castiçal aceso, acende um outro. Com gestos teatrais colaca um à direita e outro à esquerda da cabeça do morto. Descobrindo um crucifixo tira-o da parede e colaca-o sobre o peito do defunto. Um rufo de tambores, indicativo do aproximar da execução, faz-se ouvir. Fechando atrás de si a porta, Tosca, abandona a sala.


FIM DO II ACTO


(em cena)

Tito Gobbi
Renato Cioni
Maria Callas


11 de julho de 2009

TOSCA - I ACTO (CONTINUAÇÃO)



I Acto

Igreja Sant'Andrea nella Valle

(Continuação)


Portador de boas-novas, entra o Sacristão alvoraçado pela Igreja desejoso de informar o pintor. Porém já não o encontra. Mario Cavaradossi, acompanhando Cesare Angellotti, saíra no mesmo instante da Igreja pela porta dos fundos da capela. Admirado, o Sacristão convoca de imediato o Coro da Igreja. Por entre jovens e rapazes pequenos, fleumando assim a sua ansiedade, o Sacristão conta o que sabe. Portanto: Festa de gala, no Palazzo Farnese, uma nova Cantata com a celebérrima cantora Floria Tosca - ao nome da qual todos suspiram embevecidos. Á ordem para se irem vestir para o Te-Deum, que dentro de momentos se irá executar naquela Igreja, em celebração da vitória sobre Napoleão, presidido pela Sua santidade, demasiado episcopado e clero, ao qual se vem juntar a população de Roma, inebriados e com contangiante espírito - puro e infantil - todos exultam e rejubilam em estridente histeria dando vivas e glórias, em torno do ingénuo e caricato Sacristão.



No auge do momento, acompnahdo por Spoletta e seus esbirros, entra impulsivamente na Igreja o Barão Scarpia:

"Un tal Baccano in Chiesa, bel rispeto!"

Aflito e apavorado, o Sacristão diz-lhe com nervosos salamaleques e copiosas vénias, que estão apenas a ensaiar para o Te-Deum.

Scarpia, o chefe da polícia romana, servo da Igreja e dos Papas, é um homem temido por todos. Por meio do seu poder, e sobre alçada da Igreja age em seu próprio proveito. É cruel, dissimulado e implacável nas suas determinações e decisões. Nunca erra, e o seu olhar e ouvidos chegam a todo o lado. Todos tem terror da sua presença, pois a todos Scarpia parece ler a mente. Na realidade, Scarpia é só um hábil estratega de ágil perspicácia e de grande astúcia, que a todos domina pelo terror.


Todos, saem cheios de pavor. Scarpia, ordena ao Sacristão que fique, enquanto isso dá ordens a Spoletta - o seu braço direito, espião e pau-mandado -, que com precaução procure em todos os recantos da Igreja o fugitivo. O Barão Scarpia, começa então a interrogar o Sacristão que parece nada saber... e nada sabe. Porém, a capela dos Attavanti encontra-se aberta sem que nenhum destes aristocratas lá se encontre. À ordem de entrada e revista da capela, aparece um leque perdido com o Brasão dos Attavanti, deixado para trás por Angellotti. Scarpia, junta os indícios mas quando se depara com o retrato de Maria Madalena, reconhecendo nela o rosto da Marquesa, percebe tudo... - fora ela quem engrenara tudo. O Sacristão novamente interrogado, diz-lhe ter sido o pintor Mario Cavaradossi a fazer a pintura. Scarpia, exclama o seu mal-estar com o pintor por este ter ideias revolucinárias. Entretando na capela é achado o cesto do almoço do pintor. O Sacristão aflito, diz que o pintor não tinha fome nem tinha a chave da capela. A Scarpia, tudo fica claro - o pintor encobrira a fuga da Igreja.

Tosca, chega novamente à Igreja. Ao saber que o pintor não está lá, fica insegura de qualquer presságio e enche-se d ciúmes. Scarpia, que entretanto se escondera, e conhecendo o feitio de Tosca, exclama que lhe fará com o leque o mesmo sentimento que Iago desfiára em Otello com um lenço. Tosca, sempre confusa, crê então que o pintor fugira dali com a Marquesa, e amaldiçoa-os naquele instante. Cambaleando, e aturdida naqueles pensamento sai da Igreja.






Scarpia, agora só ordena a Spoletta que a siga e que mais tarde venha ter com ele ao Palazzo Farnese onde vai decorrer a gala.

"Tre sbirri, una carroza... Presto, seguila /.../"

Na Igreja começam a juntar-se o povo para o Te-Deum, assim como a organizar-se o cortejo. Scarpia envolto ainda no que fizera sentir em Tosca, deleita-se agora na sua figura feminina e revela o seu sentimento lascivo e fetiche, enquanto a celebração atinge o seu auge com a benção do Corpus-Christi e o Coro entoando o Te-Deum:

"Tosca, mi fai dimenticar Iddio!..."

Caindo por terra, benze-se e reza com a multidão.



FIM DO I ACTO


(em cena)

Plácido Domingo
Maria Callas
Renato Cioni
Angela Gheorghiu
Roberto Alagna
Ruggero Raimondi
Cornel MacNeil



8 de julho de 2009

TOSCA - I ACTO


Roma
Junho de 1800



I Acto

Igreja Sant'Andrea nella Valle

Cesare Angelloti, antigo cônsul da Republica Romana, preso político no Castelo de Sant'Angelo, evade-se da prisão, com a ajuda de sua irmã - a Marquesa Attavanti -, e vai refugiar-se na Igreja de Sant'Andrea, onde fica a capela da sua família. Uma vez neste espaço, seguindo as escrupulosas indicações de sua irmã, procura a chave do gradeamento da capela, afim de nela entrar e refugiar-se, até poder fugir. Na capela foram deixadas pela Marquesa roupas femininas, afim de Angellotti se disfarçar, e incógnito sair da Igreja ao escurecer.

Porém é surpreendido pelo Sacristão, e foge. O Sacristão, que vagueia pelas naves da Igreja, vem em busca do pintor Mario Cavaradossi, que está a elaborar uma enorme tela de Maria Madalena. Toca o Angellus, e enquanto se entretém nas orações, é surpreendido pela chegada do pintor que inicia de súbito o seu trabalho. O Sacristão, ao ver a tela fica apavorado, reconhecendo nela o retrato da mulher que ultimamente tem vindo rezar àquela Igreja. O pintor exclama que se deixou enternecer pela fé da tal mulher, e por isso decidiu imprimi-la dada a sua beleza.

Então, Mario olhando para um retrato-miniatura que trás consigo, apaixonado, entoa inspirado pela visão da sua amante Floria Tosca a seguinte portentosa ária, entre as advertências supersticiosas do Sacristão:



Recondita armonia
Di bellezze diverse!
É bruna Floria,
L'ardente amante mia...

E te, beltade ignota...
Cinta di chiome bionde,
Tu azzurro hai l'occhio,
Tosca ha l'occhio nero!

L'arte nel suo mistero
Le diverse bellezze insiem confonde;
Ma nel ritrar costei
Il mio solo pensiero, Tosca, sei tu!

Posto isto, o Sacristão parte, avisando o pintor que num cesto está o seu almoço. O pintor mostra-se indiferente, dizendo-lhe que não tem fome. Após a saída deste, o pintor houve um rumor na capela dos Attavanti e precipitando-se nela, encontra Angellotti. Como partilham de ideais políticos comuns, o pintor dispõe-se de imediato a ajudar o foragido político. Ouve-se então a voz de Tosca ecoando na Igreja, chamando pelo pintor:



"Mario, Mario, Mario..."

O pintor pede a Angellotti que se volte a esconder permanecendo em silêncio. Tosca é uma mulher ciumenta e poderia não compreender bem o assunto, sem uma longa e prévia explicação. Angellotti acede.



Tosca entrando de rompante, diz que ouviu um diálogo e questiona o pintor perguntando-lhe com estava a falar. Este diz que com ninguém. Ninguém está na Igreja, por determinações do Sacristão.



Tosca mais confiante, depõe as flores que trás consigo no altar de Nossa Senhora, fazendo uma breve oração. Voltando ao pintor, diz-lhe que essa noite irá cantar para a Rainha e que se espera encontrar com ele depois da gala, na casa que este tem fora de Roma a qual é o ninho de amor destes amantes, e que faz Tosca sonhar.



O pintor tenta abreviar a conversa e despachar Tosca, para melhor ajudar Angellotti. Tosca, quase de saída depara-se com a pintura e reconhece nela a Attavanti. Cheia de ciúmes, acusa o pintor. Este desculpa-se tal como tinha feito com o sacristão.



Então o pintor, evoca a beleza dos olhos de Tosca e apaixonadamente fala-lhe de amor. Tosca, apaixonada, e com grande deslumbramento, deixa-se levar dizendo-lhe que lhe pinte os olhos de negro, tal como são os dela.



Tosca parte. O pintor vai ao encontro de Angellotti, e este põe-no ao corrente de tudo. Uma vez ajudado pela sua irmã, fugiu da prisão e veio refugiar-se, ali, na capela onde ela tinha preparado tudo para a fuga. O pintor admirado, exclama pela amizade dos dois, e mais solicito informa-o da sua casa fora de Roma onde este se poderá esconder. Ouve-se então um tiro de canhão. É o canhão do Castelo anunciando que alguém fugira. O pintor ainda mais determinado, decide partir subitamente com este, já que aquele não é mais um local seguro para Angellotti. Ambos partem.


(continua)




TOSCA - OPERA




Com a famosa ópera de Puccini sobre a comédia de Sardou, inauguramos a primeira temporada de ópera de Verão deste blogue. Será um percurso pelo resumo sinopsial das histórias, ornadas de fotos de emblemáticos cantores e encenações, exemplificadas com vídeos com os trechos das principais árias e momentos musicais.
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