Com pompa e circunstância anunciou-se hoje em São Carlos, em conferência de imprensa, a nova temporada lírica nacional num momento presidido pelo actual Director do Teatro, o maestro Martin André, ajudado pela presença da Ministra da Cultura, a conhecida pianista Sr. Gabriela Canavilhas, e pelos Prf.. Jorge Salavisa e o Sr. César Viana, representantes da administração da OPART, e uma mão cheia de curiosos e insdiscretos que a quiseram escutar. Assegura-se assim que Lisboa, não obstante o caos financeiro lançado pelo Sr. Damman, não será privada de uma temporada de ópera. Afinal, de esperanças no ar e cheio de novidades, revitalizado, o teatro de ópera ainda vive na sua sobrevivência.
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Descortinando o cozinhado do novo director entre ajudas, mais valias e conselhos de antigos e esquecidos recursos, conseguiu-se o milagre da multiplicação das produções a apresentar sem que isso signifique uma gorda temporada. Aliás, e sem ilusões, será magra, light e sem sal desprovida de
stars pecando pelos experimentalismos que nela se irão realizar com a presença de cantores, encenadores e compositores portugueses em grande número sem que isso signifique brilhantismo e que será sobretudo sinónimo de imaturidade, inconsciência e hedonismo. É necessário observar, caro leitor, que a ópera enquanto teatro e espectáculo não tem os mesmos
timings do teatro declamado, do musical, da revista do parque mayer e muito menos dessas perfomances que por aí se vendem e se comem como espectáculos de luxo à conta do barulho das luzes; e que o público pagante não se pode compadecer de favoritismos e facilitismos. Antes pouco e inesquecível, com o melhor dos dois mundos, do que muito e sem graça... Assim, à esboçada temporada do anterior director, que não assegurava mais do que 3 ou 4 óperas, de certo com a qualidade duvidosa que nos andava a brindar, aparecem agora 10. Serão elas:
Dona Branca do Keil (que vergonhosamente sofreu as maiores misérias quando do seu cancelamento. Factos coroados, como se sabe, por suspeitas difamações, processos jurídicos e motivos de afastamentos/despedimentos);
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Cavalleria Rusticana, de P. Mascagni, em versão de concerto;
Hansel und Gretel de E. Humperdinck, assegurado pelo Estúdio de Ópera deste Teatro;
Paint me do Luís Tinoco,
em inglês,
em estreia mundial;
Kátìa Kabanová de L. Janácek;
Gianni Schicchi de G. Puccini, no formato de ópera encenada e em versão de concerto comentado, pela conhecida apresentadora de programas de televisão a Sr. Barbara Guimarães;
Blue Monday de G. Gershiwn, a partilhar a mesma noite de
Gianni Schicchi;
Banksters de Nuno Côrte-Real, com libreto de Vasco Graça Moura, em estreia mundial;
Il Capello di paglia di Firenze de Nino Rota, o conhecido autor das bandas sonoras de L.Visconti e F. Fellini;
Carmen de G. Bizet.
Será de salientar: o regresso de uma ópera de Alfredo Keil, Giacomo Puccini e de Leos Janacek há muito ausentes e carentes de audição; e a presença de Marco Vinco, Carlos Guilherme, José Fardilha e de Jorge Vaz de Carvalho como os melhores valores vocais a serem apresentados.
Nos concertos sinfónicos e corais sinfónicos, melhor estruturados, os grandes ausentes são os compositores portugueses de maior valor que continuam votados à discriminação. Onde ouvir Vianna da Motta, Freitas Branco, Frederico de Freitas ou Jolly Braga Santos? Só mesmo na Fnac, ao adquirir um disco de uma qualquer gravação datada e ausente da melhor qualidade.
O concerto inaugural, que decorrerá como festa de gala, será já no próximo dia 25 de Setembro com início marcado ás 19h30m e com acontecimentos musicais alargados às arcadas, à varanda e ao salão nobre do teatro precedendo o único momento verdiano de toda a temporada.
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São Carlos: Vinte espectáculos integran a nova temporada , Ministra alerta que "colapso do estado" exige alternativas de financiamento da Cultura