Saindo da Igreja da Graça, onde se guardava a venerada imagem do mais afamado Sr. dos Passos lisboeta, vulgo "Alfacinha", pelos Irmãos de Vera Cruz e dos Passos de Cristo, esta era levada, ricamente vestida em roxo e dourado, na 2ª Quinta-Feira da Quaresma, até à Igreja de São Roque, no Chiado.
Aqui os fiéis de Lisboa, promiscuamente cheios de fé, vinham ao encontro da miraculosa imagem para reverencia-la beijando-lhe os seus já tão desgastados pés.
Na tarde de Sexta-feira, vinham até esta Igreja janotamente engalanadas, com mantilhas negras e trajar de luto, as autoridades e os mais ilustres da boa sociedade, presididos tradicionalmente pelas régias figuras reinantes, e pelas altas autoridades eclesiasticas, para orarem, assistirem e presidirem à Missa Solene do acontecimento.
Posto isto, sempre cabisbaixos com ar grave arroxeado - dos roxos de Opas, Guiões, Pendões e dourados e pesados galões - contrastando com as risonhas e galhofeiras multi-coloridas colchas garridas, penduradas pelas janelas, a procissão descendo a Rua da Misericórdia ao Chiado, e consecutivamente ao Rossio, procurava por ruas e vielas ascender à calçada de St. André para ao lusco-fusco e no brilho iminente das guardiãs lanternas processionais, retornar à Igreja da Graça - depois de algures, em algures no caminho, se cruzar com a Imagem da Senhora das Dores da Graça, que muito chorosa a todos no encalço seguia.