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12 de janeiro de 2011

CARNE PARA CANHÃO

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(c) Santos & Santinhos


do serviço privado ao serviço público...



NEWS

Policia afasta possibilidade de tentativa de suicídio de Renato Seabra , Namorada, familiares e amigos rejeitam a tese de homossexualidade , Carlos Castro morreu com a primeira pancada na cabeça , Carlos Castro: Cremação na quarta-feira, cinzas poderão ser espalhadas no rio Hudson (atualizada) , Procuradoria pode mudar a acusação contra Renato Seabra , Carlos Castro: cremação prevista para hoje, cinzas poderão ser espalhadas no rio Hudson , "O Carlos vivia o amor como um fantasista" , Renato Seabra já viu a mãe, diz advogada , Cremação do corpo de Carlos Castro adiada para quinta-feira , Carlos Castro: Cremação adiada para quinta-feira , Carlos Castro: Cerimónias fúnebres em Nova Iorque marcadas para sábado , Funeral de Carlos Castro agendado para sábado em New Jersey , Comentários homofóbicos no facebook podem dar prisão , Renato já recebeu a mãe e apoio consular. Continua num labirinto legal ,

OS ANJOS NÃO TÊM SEXO...

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(c) Santos & Santinhos



NEWS

Renato Seabra terá confessado o homicídio de Carlos Castro , Carlos Castro: Mãe de Renato Seabra em silêncio à chegada a Nova York , Renato Seabra detido no hospital e impossibilitado de receber visitas , Os demónios de Renato Seabra foram a perdição de Carlos Castro , Renato Seabra acusado de homicídio em segundo grau , Carlos Castro. Assassínio do cronista não abalou LGBT , Causa da morte de Carlos Castro: estrangulamento agressões , Carlos Castro. Alegado homicida arrisca prisão perpétua , Policia afasta premeditação no homicídio de Carlos Castro , Ex-procurador de Nova Iorque critica falta de assistência jurídica a Renato Seabra , Cronista falou à Pública horas antes de morrer , Morte de Carlos Castro: veja aqui as reacções , Renato Seabra, um rapaz normal, bom aluno e desportista que gosta de ver novelas acompanhado pelas irmãs , Carlos Castro morreu por agressão na cabeça e estrangulamento , Médicos decidem quando é que Renato Seabra está apto a comparecer perante juíz , Portugal sem casos de homicídio com castração , Portugal sem casos de homicídios com castração nos últimos 20 anos , Óbito/Carlos Castro: Media americanos destacam morte de "estrela da TV portuguesa , Morte de Carlos Castro: mãe de Renato em silêncio à chegada a Nova Iorque , Renato Seabra tinha namorada há dois meses , Crimes entre homossexuais "mais violentos" e com "muito sangue", explica criminologista , Ex-procurador em Nova Iorque critica falta de assistência jurídica a Renato  Seabra , Demónios e vírus: Renato pode estar já a preparar a sua defesa , Suspeito de homicídio de Carlos Castro vai continuar em observação psiquiátrica , "O mais famoso depois de Vera Lagoa"

11 de janeiro de 2011

R.I.P. CARLOS CASTRO

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É o São Luíz?... É a Gala dos Transformistas?... É o seu dinamizador encarnando uma Diva de lantejoulas?... Não! Não é a Amália... não, não é  a Maria Barroso e a Simone não canta assim... É a "Liza Minél" e a sua cançãozita preferida - dela e dele, dela... deles!

"I want to wake up that a City
That doesn't sleep" *



Bye, Bye Carlos Castro

(1945 - 2011)


* Acordar, só no dia do Juízo Final com o Camões ao lado fazendo o mais lindo par.
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23 de setembro de 2010

LES INTROUVABLES

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Ao fim de 3 dias na Faculdade encontrei o menino Tonecas... também cá anda!
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19 de setembro de 2010

UMA HISTÓRIA DE DINHEIRO





No tempo que o Escudo era dinheiro e os Contos eram a alegria  e a felicidade de muitas carteiras, no princípio dos idos anos 80 do século passado, o meu saudoso avô, que era entre muitas coisas negociante de vinhos, recebia na sua adega compradores de vinho. Clientes certos ou sugeridos por afinidade de relações vinham de diversos pontos da região, da Costa de Lisboa e da Costa de Prata - usando  termos da época -, já que de Leiria a Lisboa ou da Sarvinhos aos Vinhos de Colares tinha diversas relações comerciais. Dependendo do volume do negócio ou da simpatia o meu avô oferecia um petisco aos seus compradores: chouriços de sangue assados em aguardente vinica, provenientes da sua indústria de salsicharia e da sua caldeira de destilação.

Um dia recebeu um certo comprador que se fazia acompanhar de uma certa pasta preta (uma pasta de fecho eclair idêntica a tantas outras como uma que o meu avô tinha e que era exactamente igual). Cheios os garrafões de 5 litros e paga a compra achava-se a hora de sobre os tonéis da adega deitaram-se chouriços a arder  num prato de loiça até ao point de tal se tornar a esperada apetecível iguaria. Manjar de adegas celebrando negócios, caro leitor, com copos de vinho a acompanhar enchendo-se repetidamente levando todos a um certa boa disposição que o meu avô gostava de cultivar, cativando assim os seus clientes e assegurando o seu regresso daí a meses. Exposto todo ritual, voltemos a concentrarmo-nos no tal comprador: enlevado com os copos e distraído com o carregamento dos seus múltiplos garrafões, despediu-se e deixou sobre um dos tonéis a tal pasta preta, e tal como a deixou assim ficou.

O tempo passou e cerca de um ano depois regressou à nossa casa o tal homem. Com grande trato mostrando grande aflição e cuidado, sem grandes revelações, perguntou se se lembravam dele pois tinha estado na adega há cerca de um ano a comprar vinho. Respostas afirmativas, perguntou se tinham achado uma pasta preta fazendo a sua descrição. O meu avô, sem nunca se ter apercebido deste acontecimento, disse-lhe que não, que efectivamente nunca ali tinha visto nada. Sem insistências, resignado e certo da sua perca o homem despediu-se cortesmente. Nesta altura passou no quintal o meu pai que lhe perguntou:

Pai: O que queria este homem?
Avô: Veio aqui perguntar se tinhamos encontrado uma pasta preta que diz que deixou na adega pr'aí há um ano.
Pai: Uma pasta?! Nunca lá vi nada, só mesmo a pasta do pai que tem estado sempre lá!
Avô (sem hesitações): Vai lá buscá-la!
Pai (já regressado): Tome!
Avô (pegando na pasta): Esta não é a minha pasta!!!... Corre à rua depressa, e chama-me o homem!

Bem ordenado, bem feito. Chegado à rua o meu pai faz alto ao homem que no seu carro já a trabalhar se preparava para arrancar. Uma vez no quintal:

Avô: Temos aqui a sua pasta. Se não fosse o meu filho nem sabia que aí estava!
Homem (rejubilando): Muito obrigado! Muito obrigado, mesmo... Não sei como lhes agradecer. Há um ano que desesperadamente a procurava sem sucesso. Não imagina o alívio que é encontra-la, procurei-a por todo lado e já a dava como perdida (abrindo-a) pois nela tenho guardados 200 Contos!
Avô e Pai: Ah!
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A SÍNTESE DE UMA VIAGEM

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A viagem de Bento XVI ao Reino-Unido e toda a onda de crescente indignação, contestação e protesto mundial que fomenta a grave crise que Igreja actualmente vive em conjunto com recta e destemida postura de Ratzinger, face ameaças terroristas e outros perigos de grandeza, sugere cada vez mais  a lembrança das palavras do já revelado e interpretado Terceiro Segredo de Fátima, a tal mensagem deixada pela Virgem a três crianças de compreensão limitada, naquela passagem que diz o seguinte:

"/.../ um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros ..."
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27 de julho de 2010

CÚMULO DA SOFREGUIDÃO II

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Nos últimos dias, dois para ser mais concreto, descobri os prazeres do álcool como algo quotidiano. Hic... Passei de abafados para umas grappas italianas que por ali guardo como resquícios de uma vagabundagem à grande e à francesa por esse adorável país!

Serei eu um alcoólico?
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24 de julho de 2010

CÚMULO DA SOFREGUIDÃO

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Há pouco bebi um copinho de abafado... agora estou bêbado! hic...
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21 de junho de 2010

OS MILAGRES DO SOL... É VERÃO

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Hoje foi o dia maior do ano e um dia grande para nós! Assim se entrou no Verão e por este é bem verdade que as altas temperaturas provocam calores e esturricam as ideias. Calores levam ao mau-estar. O que não mata moi, e o que moi enlouquece. Ora vejamos:

Seis meses passaram desde que o corrente ano faz mossa e Portugal nunca esteve tão miserável e tão folião, ante as vozes que dizem que não. Que o diga eu na minha pelintrice!

Saramago está morto e na mercê de uma fornalha cremado. Da sua birrenta e amarga língua não restam se não cinzas ininteligíveis. Não deixando saudades, deixa uma vasta e nobelizada obra para trincarmos até ficarmos sem dentes, quase que por força da obrigação. 17 anos a fazer manguitos a Portugal e aos seus e reclamam a vénia e a hipocrisia do mais alto cargo do Estado? A memória é muita curta quando o povo quer festa ou quando se quer lhe quer dar festas fazendo deste uma mole tonta e ludibriada. Saramago, enquanto pessoa inanimada, na cordialidade de trato dos vivos teve o que mereceu e todas estas reclamações soam a uma onda de descredibilização esquerdista ao mais natural candidato da direita às próximas presidenciais. Não se deixem impressionar é só campanha política.

7 a 0 foi o milagre do dia! Tanti auguri aos rapazes que arrecadam 40 mil € só por participarem no Mundial, valor que seguramente nunca conseguirei juntar de uma só vez na vida. Muitas bençãos e sinais da cruz, é certo, se viram aos jogadores. Hoje, de certo agradada pelas obrigadas penitências, jejuns e abstinências lascívas, a Senhora de Fátima,
de Vuvuzela nas mãos vestida de encarnado e verde, sem qualquer indiferença à sua selecção na hora em que o Sol atingiu o seu Zénit baixou sobre o Estádio inspirando galopantemente remates certeiros um a um até somar o mágico número da mítica goleada que já faz história, na qual, Cristiano Ronaldo, aparentemente um dos não eleitos, quisesse assim antes a Divina Providência, demonstrou que se não fosse um jogador de Futebol teria optado por uma profissão anonimamente mais modesta certamente na arte circense - valha-me Deus o disparate e o amenizado eufemismo dos comentadores só porque tropeçando na bola com grande buffunerie marcou um golo... Em resumo, ou foi milagre ou foi acaso!

Eu por cá, envolvido nos meus dramas existênciais, acho-me em fadiga e cansaço intelectual. Sem Catitisse de fundo, diminuído das minhas capacidades, defendi hoje uma tese. Uma posição em prol do meu futuro, chegando à conclusão que só sei que nada sei. Pior, nada mereço. Entre Doutos e Catedráticos de alta estirpe senti-me um asno descendente sem asas. Um mísero atrasado convencido do contrário. Enfim, não encontro um sentido de ironia para gracejar com a trampa que fiz. Só me apetece chorar e desaparecer!

Sayonara!


News about:

Portugal - Coreia do Norte, 7-0 (Crónica) , Ronaldo: "O meu golo foi divertido" ,
Chuva de golos: Portugal atropela Corei do Norte (7-0 ) e faz história , O que o Presidente faz "é diferente do que deve ser feito pelos amigos" , Portugal - Coreia do Norte, 7-0 (Crónica) , Carlos Queiroz:"Estávamos a precisar de um momento destes" , Corridas às livrarias em busca de José Saramago

18 de junho de 2010

EM DEMANDA DE DEUS...


(revisto e pouco aumentado)



(c) Santos & Santinhos


Nem tudo é o que parece.
Provérbio



Podia ser o resumo da vida deste homem: Nem tudo é o que parece!

E o que parece afinal?

Mais que discorrer
louvores vespertinos numa composição panegírica , neste lusco-fusco do dia crepúscular do Nobel Português, relatarei um episódio opurtuno assaz revelador do carácter deste homem que só pela mesma indiferença de trato me digno a relata-lo, já que em comum temos a má disposição e o azedume Ribatejano - ele o da borda d'água eu o das terras do bairro.

Pois bem, longe das Lezírias - Toiros, Campinos, Cavalos da Golegã, Largada de Toiros em Santarém e Copos no Cartaxo -, tive a opurtunidade de me cruzar uma única vez na vida com o ilustre José Saramago. O livro autografado que ali guardo diz-me que foi no dia 18 de Março de 2006. Nessa noite estreava-se em Lisboa, em São Carlos, e em todo o mundo, a ópera do maestro Corghi com o título homónimo da sua peça de teatro
Don Giovanni ou O Dissoluto absolvido. Comprei-o à pressa numa superfície comercial, por falta de tempo, e sim... mesmo com tantas livrarias de nomeada ali à porta, no Chiado, animando assim a intenção de guardar uma tripla lembrança, entre um sem número de recordações caricatas e picarezcas, dessa noite e desses espectáculos.

Desengane-se já todo o leitor que pense que eu tenho algum fascínio pelo Saramago. Não tenho! Somente o reconhecimento e admiração do seu talento ciente do contributo e do peso da sua gesta na nossa literatura, da sua internacionalidade e da aval de que este fenómeno de escrita está a milhas de ser apenas uma curiosidade do escaparate das livrarias de todo o lado. Dele pouco li, se não mesmo o que consegui ler com agrado e em leituras esforçadas para de perto ter uma opinião, mesmo que pouco abonatória, para no mínimo me poupar a estar calado.

Música interessante mas azeda como o feitio do nosso Zé, que no seu termo lá se concluiu. No backstage do Teatro,
na penumbra que é característica a espaço, procurei então o Nobel que com ar altivo caminhava no seu snob porte e distinção marxista como um radiante sol invernal da meia-noite, na companhia do maestro Corghi e da sua Pilar. Com apurada sensibilidade, ligeiramente visível, por estar perante um tal vulto, eu um aspirante a aprendiz de intelectual de ranho no nariz (tal e qual ele quando não era ninguém aos 40 anos), com meia vénia e a máxima das delicadezas e cordialidades recheada de um cumprimento laudatório respondido pelo silêncio das orelhas moucas do tal ilustre vulto, pedi-lhe um autografo acedido com a maior insignificância e frieza. Assinando o livro agradeceu excusando-se a um natural aperto de mão tirado a ferros, porque assim o quis!

O que acho?

O que está à vista, ou seja: um homem vaidoso encapotado de repúdio, de mal com a vida e respondão, e, que se diz abnegado de crenças que deseja ardentemente. Fama e Glória, sim, muita! Para mim, a sua busca, a sua maior demanda, em cada passo da sua vida, em cada linha impressa dos seus livros foi a sua desprezada religiosidade por Deus - Aquele com mais disparatou e zombou.

Faço idéia do que lá vai por cima a esta hora, a menos que ambos, em majestade imortal, em conluio e na galhofa,
na maior fanfarronice, se estejam a rir de nós e desta nossa momentânea mediocridade.


News About:

A morte de José Saramago na imprensa internacional , A morte de Saramago lidera Twitter, com mais de 50 mensagens por minuto , Morreu José Saramago aos 87 anos , Morreu José Saramago , A morte de Saramago na imprensa internacional , José Socrates: o país orgulha-se da obra de Saramago , Jerónimo de Sousa quer dia de luto nacional por José Saramago , Morreu José Saramago , Urna de Saramago já está nos Paços do Concelho de Lisboa , Poucos populares e muitos jornalistas aguardam cortejo fúnebre de Saramago , Saramago: Avião com restos mortais do escritor a caminho de Lisboa , Saramago: nação portuguesa perdeu "filho ilustre", escreveu Lula da Silva , Depoimentos ao PÚBLICO sobre Saramago , O homem que Cunhal recusou para director de "O Diário" , Morreu Saramago: qual foi a sua melhor melhor frase, faça homenagem , Morreu Saramago: "Nem Fernando Pessoa atingiu este patamar" , "A mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença" , O dia em que o ponto final se lembrou de José Saramago

POR SARAMAGO

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Quem me dera ser um Querubim sorrateiro e estar agora no céu a ver a triunfal chegada do destemido Nobel Finado ao Paraíso... e esvoaçante vigiar o confronto das velhas Senhoras:

Saramago versus Deus

ou seja

O Juízo Final do Viandeiro Errante da Azinhaga à estalada de meia-noite!


Contas a prestar, contas a pagar!




7 de junho de 2010

O COPO DO SRº SAMPAIO

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Caro leitor, esta é a história de um copo. De um delicado copo de vidro do mais fino e sensível material, decorado de desenhados motivos e feições graciosas e que se guarda como uma relíquia física entre uma das recordações de família. Seria apenas um simples copo, um copo de beber água engraçado e bonito, se envolto a ele não estivesse uma história por contar: a história de um copo oferecido por um alto diplomata do Estado Português a uma remota avó.

Uma lembrança e um sinal de amizade, o qual, por respeito ao seu ofertor, era apenas usado nas suas visitas à casa desta minha bisavó onde procurava para além de conversas um copo da fresca água da "Fontinha", como se outra não houvesse neste mundo e arredores. Um gesto simples, para quem simplicidade procurava!


(c) Santos & Santinhos


Numa tarde quente de um Junho como este, no ido ano da graça de 1945, Luiz Teixeira de Sampayo, como assim se ainda escrevia nesse tempo, distinto Sr. Embaixador do Estado português, dirigia-se ao Hotel Aviz, em Lisboa.



Luís Teixeira de Sampaio


Era uma figura de proa do regime do sr. Presidente do Conselho. Um seu testa-de-ferro no hábil jogo diplomático operado no tempo da grande guerra na moderação dos conflitos de interesses com a Inglaterra e a Santa Sé. Um filho da Sr. Viscondessa do Cartaxo. Um homem curioso e ávido de documentar a história que deixou escrita, em diversos estilos de prosa, com rara fluência e discernimento, delineada na frescura da sombra do seu pequeno paraíso, local mágico e agradável, a sua quinta do Casal do Nobre, na antiga Vale da Pinta, nas imediações do Cartaxo, onde se deixava ficar largas temporadas na companhia da sua irmã Júlia.


(c) Santos & Santinhos

(no espaço assinalado o frondoso arvoredo da quinta)

Quem conheceu este espaço por certo recorda o rico e frondoso arvoredo que compunha esta ilha imensa de recortes paradisíacos que tanto inspirou o Sr. Sampaio, não se achando difícil de o imaginar entre ele. Por todo o lado árvores de frutos sumarentos e árvores de frutos secos, árvores de beleza diversa e rara e árvores de sombra ou de lazer que guardavam o eco das recordações e das ricas memórias que provinham dos pátios que ladeavam o solar térreo. Este recatado albergue, refúgio destes dois irmãos, quando não se encontravam em Lisboa, era o retiro de despreocupações do mester nos Negócios Estrangeiros. Aqui, folgados e bebendo o ar perfumado das formosas sombras, iluminados pelo bem estar requintado de profunda inspiração cristã, entregavam-se à prática da caridade  pelos desfavorecidos.


Júlia das Mercês, solteira como seu irmão, mulher ociosa, de convicções religiosas, como todas as "meninas" da sua condição, ocupava-se pelo seu olho de se certificar por si mesma  a gesta que faziam. Conhecedora das necessidades e privações dos "jorneiros" da aldeia, nos tempos em que com ou sem guerra a austeridade era algo concreto de dura e impiedosa sentença, enchendo uma carroça de mantimentos descia à aldeia acomodando de bens substanciais quem nas sortes fora privado de trabalho - a jorna, caro leitor, redundantemente paga ao dia era a única garantia da subsistência diária (sem ela a privação, a precariedade e outras benesses que só à intimidade dos lares diziam respeito e que de boas coisas não constam no seu resumo). Júlia não conheceu o fim da Guerra. Também não conheceu esta contenda mais do que as descrições da imprensa, das ralações do conflito que adivinhava nos olhos do seu único irmão Luís ou nas conversas que ouvia entre este e o Ditador, em Lisboa quer nos recantos do Casal do Nobre. Partindo, deixou só no mundo quem mais não tinha do que esta defunta companhia. Luís, homem de emoções fortes e gosto pelas tradições, mantendo acesso o espírito da caridade, tal como antes e tal como sempre praticara, continuava a receber de braços abertos a população da aldeia que por vezes, e em certos dias, se deslocava em êxodo à sua quinta onde ao som da Banda de Música se desenhavam bailaricos espelhando no olhar do senhor Embaixador um brilho emocionado.


(c) Santos & Santinhos

Recepção do grupo da 1ª Comunhão
(Junho de 1931)



Nesse ido 4 de Junho, longe desta paisagem bucólica, local a que agora aspirava recolher-se de vez já que em breve lhe seria promulgada a aposentação, mas não sem antes lhe ser concedida a maior das honras que poderia receber ainda em vida: reencontrar a sua rainha, que desde 1910 se encontrava no exílio.

Desde o final de Maio de 1945, a Sr. D. Amélia de Orleans e Bragança, a última Rainha de Portugal, encontrava-se em Lisboa deambulando em romagem pelos locais onde vivera. Há muito que Salazar acenava à antiga soberana de Portugal solicitando o seu regresso à pátria, mas esta, após a morte de D. Manuel, seu filho, declinando o asilo num local que agora só lhe poderiam trazer espectros e sombras nada mais guardava de Portugal se não a recordação do melhor tempo em que lá vivera, aquele que considerava de bom e cheio de sorrisos. Que poderia ela fazer neste país sem rei? A que se dedicaria? Que causas abraçaria? Onde moraria?... As suas sementes sociais há muito que tinham dado largo fruto e como é óbvio o seu papel diplomático estava consumado desde a manhã republicana. Anos antes, aquilo que se creu num projecto de devolução do estado ao seu soberano, definhou com a sua morte no exílio. Mesmo com a boa vontade do Sr. Presidente do Conselho, haveria sempre neste rosto a mágoa e o pesar da difamação de pendor republicano que a apelidava de cobarde. Cobarde, para aquela que no Terreiro do Paço se elevou acima de qualquer um para com um indefeso ramalhete de flores defender os seus da feroz caçada que lhe abatera o marido e um filho. E era esta uma rara mulher de perfil humano, transcendendo para mais do que um depositário de esperanças de infantes reais. Se escapou ilesa ás balas, não escapou à tortura de uma longa vida em que certamente recordou em todos os dias o dia do terror, que em época recente pode ser visto e comparado com os piores acontecimentos que teimam em deitar o mundo que conhecemos abaixo. Durante 40 anos chorou baixinho no silêncio da sua câmara. Cerrando os olhos, ignorando a dor e o desalento, elevava os braços protegendo-se da memória do eco dos estampidos ressoantes que ainda lhe tangiam os ouvidos. Trágicas recordações. Agora, peregrinando na sua Lisboa e nos seus locais sagrados, que o Tejo havia limpo do cheiro da morte e do ódio, certificava-se de que era a única testemunha desse passado: a mais fiel e leal guardiã de um mundo que já não existia e que a seu ver, com o pragmatismo da sua proveta idade, não se reerguerá do túmulo onde está sepultado.

Malgrado este acontecimento de Estado, apesar de não ter revisitado o seu Alentejo, quisera ir a Fátima para no confronto de soberanas, em oração sentida, delegar à Rainha do Céus o seu luso poder matriarcal. Tal como o primeiro Bragança reinante das sortes da nação se entregou à mercê e protecção da Virgem de Vila Viçosa, oferecendo-lhe o título de Rainha e a Coroa de Portugal, Amélia, a última Bragança de poder, certa de deixar o mundo em breve, pela força da idade, sem herdeiros de conta, reitera num semelhante voto a esta moderna e divina soberana a guarda do seu povo, certa de que este a acarinhará como elemento de união acima de qualquer força terrena.


Recepção em Fátima
(08 de Junho de 1945)


Conduzido pelo seu chauffeur, Teixeira de Sampaio, sobe agora a avenida. Pensa no quanto seria bom se a sua irmã Júlia, tantas vezes a figura feminina a seu lado nestas ocasiões, ali estivesse. O calor da tarde enfada-o particularmente neste dia. A sua comoção é grande e o seu coração palpita com velocidades nervosas. Afoito, desejava a brisa da calma e perfumada fragrância dos pinheiros da sua quinta, já que as Jacarandeiras da Avenida, reforçavam o abafado calor. Sequioso, saliva pela frescura dos seus espaços maiores... mas tudo isso está lá longe num recanto da província ribatejana. Atabalhoados pensamentos, recortes de mil coisas da política, de uma vida e do trauma do stress da guerra que há pouco assinara o armistício. Sente-se um amanuense descontrolado pela confusão que reina em si. O Calor provoca-lhe a ansiedade e maiores tonturas. Discorre nas suas palpitações aceleradas a emoção a que vai ao encontro, controlável pela experiência da sua agilidade mental à boa maneira de ser de matizada educação senhorial à inglesa. Assim acreditava e assim pensava ser, mas não neste dia.

No Hotel Aviz, o melhor da Lisboa fascista, hospedara-se a Sr. D. Amélia.

No dia 4 de Junho de 1945, em cerimónia casual, receberia numa das salas deste edifício os seus correligionários e simpatizantes da causa monárquica. Alguns dos que conhecera ainda estavam vivos. Outros, desaparecidos ou ausentes, faziam-se representar pelas gerações seguintes herdeiras de títulos e pergaminhos bacocos revigorados nessa tarde. Nas salas reinava uma nervosa e frenética expectativa. De toilettes a estrear, o chic e o elegante impunham-se neste suado beija mão à antiga. Com graça e descontracção, sentada num trono improvisado sem palanque e baldaquino, Amélia, rodeada pelos convivas, cumprimentava, trocando breves palavras de esperança em saudações elegíacas em sinal do passado.



Recepção no Hotel Aviz
(04 de Junho de 1945)




"O Sr. Embaixador Teixeira de Sampaio..." anuncia o cicerone.

Amélia serenamente agradada com este manifestado comité, procura reconhecer agora o rosto do anunciado esboçando um régio sorriso. Aproximando-se, em passos cuidados, com os olhos postos na anciã figura, atordoado pelas arritmias que o traem na solenidade de cada passo, Teixeira de Sampaio avança. Comovido, respira ainda mais fundo procurando aliviar o seu estado. Ruborizado, eleva a sua mão ao coração, antes de a estender cerimoniosamente à sua rainha. Num descontrole controlado, deixa-se cair. Para muitos não constitui admiração, perante tantos exaltados que antes haviam-se manifestado com tal paixão, na desculpa por tantos anos de ausência. Teixeira de Sampaio, ajoelhado como um cavaleiro, tentando manter a postura, agarrado à mão da régia senhora, julgando assim acalmar-se, diz-lhe:


"Perdoe-me minha senhora, mas estou a sentir-me mal!"



Dito isto, caiu no chão morto. Uma síncope cardíaca fulminara-o ali naquele exacto momento. D. Amélia, assombrada, rodeada de fantasmas e pânico, mais tarde lembraria: a morte, sempre a morte!

Posto este acontecimento que poucos hoje guardam, um copo de água foi religiosamente guardado para nas gerações seguintes testemunhar o apreço, a amizade, a lembrança, assim como o bom coração, do único homem que por ele bebeu.


News about:

27 de maio de 2010

A CABALA DAS CABALAS...

O CENOTÁFIO DA BUFARDA



O Cenotáfio de Santarém


"E aqueles, que por obras valerosas,
se vão da lei da morte libertando.
"


do insígne poeta de Os Lusíadas,


Por quem vivo ou morto se perdeu ou se desconhece o paradeiro


Conta-se nos anais da história dos gloriosos heróis portugueses que em 1464, Dom Duarte de Meneses, Conde de Viana, Capitão de Alcácer-Seguer e um destemido guerreiro, deu a sua vida por Portugal na serra de Benacofu, em África. Protegendo a retirada de El-Rei, D. Afonso V, numa feroz guerrilha, vè-se acercado pelos mouros. Golpeado, ferido e enfraquecido cai da sua montada e perante a ávida sede guerreira sarracena é esquartejado até à morte.

Sem um corpo recolhido e devolvido, a sua viúva, sua segunda mulher, que lhe professava um devoto e sincero amor, decide honrar-lhe a memória mandando erigir na Capela das Almas do Convento de São Francisco de Santarém um cenotáfio, para nele, com um nobre e respeitoso ritual de exéquias e pomposo funeral, depositar a única relíquia desta famigerada existência, um dente.

Assim, e, para sempre, abnegando-se do enlevo do conforto da sua alcova onde melhor poderia venerar tal objecto, com verdadeiro sentido pátrio, encheu o vazio da pedra intemporal com esta efémera parte do que foi um ser humano, e, enquanto a vida lhe permitiu viver, a triste viúva, junto a este memorial, chorou a ausência de quem tudo siginficava para ela.



News about:

23 de março de 2010

AO SOTERO, O LIBERTINO VIOLADOR DE TELHEIRAS!

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Henrique Sotero tornou-se o homem do momento.
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Qual Casanova coleccionou, num tempo sem predisposição e inclinação feminina a um tal ente desejado, num catálogo elaborado pela força da lei, uma plêiade de jovens fêmeas agraciadas pelo apetite voraz de um predador pronto a satisfazer a sua volúpia junto ao belo sexo, ou seja um tímido mas respeitoso séquito de donzelas abençoadas e aspergidas pelo seu precioso vigor.
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Fosse um nobre ou aristocrata de um século anterior ou remoto, e tais castas donzelas encheriam as ruas disputando lugares esperando a sorte de uma tal aparição. Os Numes já não participam nem protegem a antiga e briosa arte dos actos cavalheirescos de licenciosos arremessos, que no aliviar de penas esvaziavam pesadas bolsas oferecendo esmola de ponderada soma levantando sorridentes Igrejas e Conventos. Era bom, não era caro Nume-que-estás-sozinho-lá-em cima?
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Aditamos, caro leitor, que este sedutor foi apenas ele mesmo, igual a si de tal modo que com extrema exactidão nele se adivinhou Henrique Sotero. Vestido sem configurações, metamorfoses, máscaras, adereços, leis, pergaminhos ou argentes palavras de encantamento douradas de um conveniente "boa noite, cinderela", de alegada isenção de culpa, fez-se ritualmente passar de si próprio assumindo com a natureza do seu rosto o seu devaneio, o que ademais envergonharia um D. Juan, o mavioso burlão, que para as suas conquistas realizar, disfarçando-se de seus amantes dissimuladamente se fazia passar.
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Entre D. Juan, Casanova, Marialva, Mulherengo, Putanheiro, outro qualquer aforismo ou destacado cidadão anónimo de tal porte e fama, Sotero junta-se à lista dos devassos de uma velha guarda que na sua montada percorreram este mundo arrebatando moças ditas puras, na inocência dos seus desinteressantes passos dando por um momento graça e luz às suas pacatas existências.
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Lá diz uma máxima antiga, sentença de grande valor moral às castas virgens que se querem ver guardadas:
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se apanhou, foi porque se pôs a jeito.
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Sentenciado pelo harmonizado tempo de hoje, envergando o hábito da contrição, satisfazendo o prémio da sua caução, joga-se agora em entrega total em dura auto-comiseração à pena sacrificial, à humilhação e à indignidade da sua condição.
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Assim, e, lembrando que hoje adulamos com estima estas silhuetas do passado, que a uns fazem sorrir e outros sonhar ou inspirar pelo que não podem celebrar nem alcançar, com um certo excerto musical que reverencia o mítico e lendário D. Juan, neste exemplo imortalizado por Mozart, sem poder patrocinar outros admiráveis trechos de outros meritórios e habilidosos compositores de nomeada, recordando e advertindo por agora que o horror que a perversão que este assunto hoje nos causa no futuro elevará este audacioso homem à condição de herói.
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Lá daremos as mãos
E lá me dirás que sim!

Anda, não é longe,
Partamos já daqui
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NEWS 

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