Rapidamente se tomou conhecimento deste grande prodígio. De todo o país começaram a chegar curiosos na demanda e na esperança do avistamento das miraculosas aparições.
A Senhora, a Mãe do Redentor, apareceu sempre nos dias 16 de cada mês, entre Maio e Dezembro de 1954 e Janeiro de 1955.
A Carlos Alberto, a multidão cognominava-o como o "pastorinho da Asseiceira".
Factos mais espectaculares, daqueles que ocorreram em Fátima, começaram a ser observados: em todas as vésperas das aparições, observavam-se à noite estranhas luzes coloridas no céu, e no dia da aparição, logo muito cedo, o sol regozijante bailava no céu aspergindo luzes, afirmando o milagre.
O Estado Português, não querendo concorrências com Fátima, proibiu as manifestações, sobretudo por esta pequena localidade ficar precisamente na EN 1 - Lisboa, Alenquer, Rio Maior, Leiria, Coimbra, Porto - no caminho e encalço de Fátima. Então, sempre que se aproximavam as datas das aparições, o Estado enviava para a Asseiceira a G.N.R e o Exército português para impedir a chegada das gentes - patrulhando as estradas e barricando o lugar ou proibindo à força do bastão e da violência a aglomeração.
Os Peregrinos receosos, mas ávidos da sede do misticismo e do sobrenatural, começaram a trilhar os campos chegando ao lugar, ou cheios de pó ou de lama, defraudando as expectativas do Estado que miseraribilizava a situação.
A 15 e a 16 de Dezembro observar-se-iam os mais insólitos, fantásticos e deslumbrantes acontecimentos. Como sempre, de véspera, Carlos Alberto, preparava o altar para receber a Mãe do Redentor, com velas e figuras de Santos de papel, diante do qual ajoelhar-se-ia para conversar com a Senhora.
Nessa noite, para além das já habituais luzes que passeavam no céu, dar-se-há uma estranha "procissão de velas" na qual não participou nenhum ser físico. No céu, foram observadas centenas de luzes de velas, ou chamas ardentes na forma de línguas de fogo. Circundando o altar essas luzes sem cilindro de cera, pavio ou alguém que as segurasse ficariam em permanência.
No dia 16, a Asseiceira estava completamente barricada. O Estado determinado, preparou-se para impedir a aglomeração - enquanto o Sol alvoraçado chamando todos, bailava já garridamente, rodopiando em faíscas de mil cores que pintavam o ambiente. Os contingentes, separados entre si por 1 metro, faziam cordões e muralhas humanas agredindo a multidão de 40.000 pessoas, impedindo-a de chegar ao local. Porém, estes, impelidos pela mole humana, recuavam constantemente e cada vez menos cépticos tornavam-se igualmente ávidos de presenciar o que já era evidente.
Os agentes da G.N.R. estupefactos, junto ao altar, já vandalizado por estas autoridades, tentavam em vão apagar as línguas de fogo que se reacendiam velozmente, sem que ninguém as ateasse.
Os soldados, destacados para a guarda do altar, viram-se despojados das suas armas que se atiraram para o chão sem que para isso tivessem feito algo ou alguém por eles. Atónitos e perplexos pelo irracional entraram em debanda. Impávido, um dos soldados tendo-se justificado ao seu comandante, disse :
"Olhe, castigue-me
mas para ali é que eu não vou mais"
Havia medo. Havia temor. Havia no ar um ambiente incomum de sensações humanas constrangidas que contagiavam tudo e todos, aliado ás forças e energias de proveniências desconhecidas e misteriosas que açambarcavam o local e as gentes, contrariando a vontade de Salazar e operando o milagre.
Por fim a Senhora, a Mãe do Redentor, aparecia vencendo todos os contingentes anulando as vontades de decretos e ultimatos de Lisboa.
Serena e despreocupada, desceu ao altar acompanhada por um pequenino Anjo e sem segredo das suas presenças fizeram-se ver à multidão. A Senhora, agora caminhando sobre o altar de um lado ao outro, fazia acender e apagar as tais "velas" com o seu movimento. Falando com Carlos Alberto, fazia-se ouvir de modo imperceptível por aqueles que estavam nas imediações do altar. Muitos viram a Senhora ou o Anjo. Outros nada viram! - o avô que esteve lá nesse dia, contava sempre com grande comoção o que viu.
Enquanto isso o Sol, evidenciando ainda mais a sua luz, tornou todo o ambiente amarelo. As mulheres aterradas de surpresa, tagarelavam umas com as outras:
"Ai mulher, estás toda amarela!"
.
Finda a aparição o Sol voltou a rodopiar emitindo mil cores até voltar ao normal. A multidão imbuída de grande religiosidade fez então o seu regresso a casa sem sobressaltos e com grande paz de espírito e contentamento.
Depois desta haveria apenas mais uma aparição em Janeiro seguinte, em que nada de espectacular se observou.
Carlos Alberto, incluiria ao rol das aparições uma ocorrida no dia 15 de Maio de 1954, a qual presenciara da janela do seu quarto, na qual a Senhora passeava em cima de um telhado, vislumbrando apenas com clareza as mãos postas em oração e um terço caído nelas.
A mensagem deixada na Asseiceira assenta nos pedidos do cumprimento dos 10 mandamentos, na oração diária do terço e na oração diária do terço naquele local. Entre confidências, assuntos e profecias que se perderam, a Senhora disse a Carlos Alberto que iria morrer jovem na companhia do seu filho - por essa razão, após o nascimento do primeiro filho, disse à sua mulher:
"Iremos ter mais um filho,
um para ti e outro para mim"
De maiores dimensões ou cuidados, segundo dizia Carlos Alberto, a pequena Senhora confiou-lhe um "Segredo" que nunca chegou a ser revelado.