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24 de maio de 2010

SANTA QUITÉRIA - O FIM DO DIA



(c) Santos & Santinhos
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ARGOLAS E CAVACAS DE SANTA QUITÉRIA

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Para adoçar a boca, enquanto não passa o andor, ou para mais tarde em casa recordar o dia, a nobre arte da Cavaca e seus aparentados são ainda possíveis encontrar nestas festas de romarias tal como uma variada doçaria tradicional de venda livre, à antiga portuguesa.



(c) Santos & Santinhos


Em Meca são tradicionais as Argolas-de-Santa-Quitéria enlaçadas por fitas encarnadas que tal como nos pãezinhos de Santa Quitéria (que não os vi por nenhum lado), serviam para que depois de ingeridos fossem usados como amuletos - atados ao pescoço ou cozidos na roupa -, preservativos contra a raiva (revista lusitana pág.110).


(c) Santos & Santinhos


Mas nas bancas há de tudo: Cavacas, Cavaquinhas, Argolas de Santa-Quitéria, Beijinhos, Suspiros, Ferraduras, Pão doce, Queijadas, Amendoim caramelizado, etecetera e tantos que aqui ficam por lembrar, entre a pevide, o amendoim, o caju, o pistáchio e o tremoço!

Portugal que ainda sobrevive nas suas tradições populares, e enquanto houver lembrança há esperança!



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SANTA QUITÉRIA DE MECA - A PROCISSÃO

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A BASÍLICA DE SANTA QUITÉRIA DE MECA



(c) Santos & Santinhos


Mateus Vicente,
Arquitecto


A SANTA QUITÉRIA DE MECA



(c) Santos & Santinhos

A imagem que se venera desde o seu encontro.


Santa Quitéria de Meca,
Ora pro nobis


23 de maio de 2010

SANTA QUITÉRIA EM MECA

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(texto revisto e aumentado)


Meca, caro leitor, não é só a cidade santa do Islão ou a Hollywood cinematográfica. Meca é também uma pequena aldeia do concelho de Alenquer, a 30 Km de Lisboa, e tal como a sua homónima islâmica é também um local de fé e de crença, desta de pendor cristão e católico.


(c) Santos & Santinhos


Por qualquer lado que se chegue a esta Meca portuguesa, o avistar da Basílica, sobranceira ás baixas casas locais, vinhas e arvoredo frondoso ou de fruto, tem o seu impacto à vista, dado a espectacularidade arquitéctonica do edifício que surpreende um olhar desprevenido, sobretudo pelo seu achamento num local tão invulgar como este. Na realidade, a Basílica, erguida numa encosta dos extensos vales e terras da Casa da Rainha, é apenas um rico ermitério que assim se manteve até 1847, ano que foi instituída como igreja matriz. Assim, este templo, a casa da nobre Santa Quitéria, na sua magnificência, não era mais que um ponto de romagem anual que abria em todo o seu esplendor apenas no mês de Maio, quando se verificava o maior afluxo de peregrinos. Hoje, em que um tal culto visivelmente esmorecido sem as afluências e folclore do passado, apesar da reafirmação anual dos festejos a esta devoção, como propriedade genética da antropologia local afirmada pelas vizinhanças, confirmado as sábias palavras de Paulo VI: "É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja" (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153), este complexo sobressai para todos nós como uma admirável peça museológica a qual necessita de um urgente olhar ante a sua acelerada degradação.


(c) Santos & Santinhos


Conta uma antiga tradição que em 1238 perto da Quinta de São Brás foi encontrada numa árvore uma imagem na qual se reconheceu a virgem e mártir Santa Quitéria. Acolhida na Igreja Várzea aí permaneceu até à criação de um templo condigno no século XVIII. Ao que parece, no local onde a imagem tinha sido encontrada fora construída uma ermida, sensivelmente no local onde hoje se encontra a Basílica, à qual chegavam muitos peregrinos e promessas de curas fazendo-se festa, procissão e bênção do gado desde tempos de perder a memória.



(c) Santos & Santinhos


A fama deste local foi crescendo e com ela as afluências de gentes e de povo agrupado em círios oriundos dos mais diversos pontos do país. Formou-se então uma Confraria que chegando a ser uma das mais ricas e abastadas do país, que na zona centro portuguesa concorria como um dos pontos de maior afluxo de peregrinos, a par dos santuários de Nossa Senhora do Cabo e de Nossa Senhora da Nazaré, ganhando notoriedade na famosa máxima popular, que nem Garret soube compreender, naqueles que a relacionam com os círios desta romaria: "correr de Seca a Meca e olivais de Santarém", que assim ser deambulavam até aqui desde esse lugar na serra algarvia.



(c) Santos & Santinhos



Santa Quitéria é a advogada da hidrofobia, ou seja a doença da raiva. Controlado este mal, graças ao avanço da ciência e medicina veterinária, nos séculos anteriores à fleuma que hoje se assiste, a raiva era um mal temido aos animais e ás pessoas que por eles fossem mordidos, nomeadamente os cães. Doença infecto-contagiosa, é ainda hoje considerada como de rápido efeito mortal e uma das mais fatais, mesmo em comparação ás mais temidas doenças do século XX. Vale a pena ler este opúsculo sobre a raiva para melhor perceber o que foi esse flagelo e a importância de Santa Quitéria de Meca para a medicina empírica seus remédios, mezinhas, tratamentos e esperanças. Dele retiro apenas a menção do processo de cauterização usado na cura contra pessoas com hidrofobia, aplicando o pároco local nos enfermos, por entre rezas contra os males, um ferro em brasa nas feridas; os célebres pãezinhos ou merendeiras de Santa Quitéria para serem dados aos animais prevenindo-os contra a moléstia; e as fitas escarlate benzidas nesta Basílica, que de norte a sul de Portugal, como amuleto, protegiam as gentes contra as mordidelas dos animais danados.


(c) Santos & Santinhos



Em 1757, a Confraria decide empreende a construção de um novo edifício para o culto dado o anterior se encontrar ainda em estado de ruína em consequência do cataclisma de 1755. À certamente modesta ermida, surge agora pelo desenho de Mateus Vicente, o arquitecto da casa real, um esplendoroso edifício de linguagem moderna. Em estilo neo-clássico, acha semelhanças como traçado da Basílica de Mafra, e outras suas congéneres lisboetas, traçadas também por este arquitecto. Porém, no reinado de D. Maria I, como as obras estavam demoradas, a Confraria, no benefício de esmola real, obtém o favor régio no patrocínio do empreedimento, quem sabe se num apelo ao divino pela cura da demência psiquiátrica da rainha, verificando-se a rápida conclusão do edifício em 1799. Inaugurada então com pompa e circunstância, foi dedicada e consagrada à Basílica de São João de Latrão.


(c) Santos & Santinhos



A riqueza desta Basílica é de tal forma tão exuberante que facilmente um seu visitante, no seu interior, perde a noção que se encontra no campo, podendo-se pasmar na saída por não se encontrar no Chiado ou qualquer outro recanto da Baixa Pombalina. De facto, o interior deste templo impressiona, sobretudo nas pinturas de Pedro Alexandrino, conhecido como o pintor dos frades, e, entre outros tantos da capital, o mesmo que foi responsável pelo tecto da Basílica dos Mártires. Vale a pena observar com calma este harmonioso firmamento de formas e cores de gente posando teatralmente envolta de medalhões, florões, motivos vegetais, simbologias e outras delicadezas, do qual hoje, desgraçadamente, se encontra ausente um grande lanço, que ameaçando cair, foi habilmente retirado para que no seu restauro e futura reposição não defraude a sequência dos episódios da vida de Quitéria. No coruchéu, estão representados em proporções colossais os quatro evangelistas, também do mesmo autor. Este conjunto de pinturas é sem dúvida uma obra ímpar na história da arte portuguesa, que não sendo uma habitual alegoria centralizada num único momento, estado ou moral, segundo a tradição, acha uma equivalência sistiniana pela descontinuidade do assunto agrupado em quadros e pelas decorações que completam os temas. Vale ainda a pena referir, como obras de grande valor, as telas que decoram os braços laterais, nomeadamente a Ceia de Cristo e A pregação de São João Baptista.

(c) Santos & Santinhos


Em súmula desta explanação: A Basílica de Santa Quitéria de Meca, que aqui tentei ilustrar por palavras e fotos, merece a nossa máxima atenção. É parte da nossa história. É parte da nossa crença que ali está depositada. É a nossa cultura. É a nossa arte. Hoje o sumptuoso templo está num visível estado de decadência mantido sabe-se lá como e com que esforços. Certo de não poder fazer mais do que isto, lanço aqui um apelo e olhar como o meu contributo para a sua consciencialização e esperança do apoio necessário para que não se desfaça até à ruína.



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O martírio de Quitéria
Pedro Alexandrino

Basílica de Santa Quitéria de Meca
Alenquer




O seu nascimento, a par das suas oito irmãs gémeas, em 120, na cidade de Bracara Augusta, touxe-lhe o repúdio maternal no assombro do considerado acto de terrifico macabro que a mente humana por não saber explicar assim julgou.

Cálcia Lúcia, a mulher do governador romano Lúcio Caío Atílio Severo, que administrava o convento romano da Lusitânia correspondente à actual zona norte de Portugal e da Galiza, estando de esperanças entrou em trabalho de parto. Surpreendendo a parteira e as assistentes do parto deu à luz, não uma ou duas crianças, como seria comum, mas nove, sendo todas elas perfeitas e do sexo feminino. Número que não lhe inspirou bons augúrios neste fenómeno que natureza considerou no seu ventre, e, que a seu ver, era aberrante. Cheia de temor e superstição, receando ter colocado no mundo alguma monstruosidade, pelas consequências invariáveis que esta gesta lhe pudesse vir causar, sobretudo pelo rigor do seu marido, incube a parteira que lhe assistiu de com a maior descrição matar as crianças, afogando-as num rio não muito distante. A parteira, de nome Cilía, mulher boa e cristã, com um olhar de maior simplicidade não vê nas meninas mais do que bebés desprotegidos. Comiserada e incapaz de prosseguir com a obrigação, entrega secretamente as meninas ao cuidado de Ovídio, o lendário Bispo de Braga.

As nove meninas enjeitadas, apressadamente baptizadas com a graça e nomes cristãos, passaram a ficar sob a protecção deste santo homem, que as entregando ao cuidado de diversas famílias cristãs da sua confiança, para melhor as educarem e guardarem, as vigiou sempre de perto com grande paternidade e o melhor zelo. Com a idade de 10 anos, as meninas, agora unidas e i
nspiradas na fé cristã, decidem viver num espaço patrocinado por Ovídio, onde levariam um vida dedicada à causa cristã.

Lúcio Caío Atílio Severo, desconhecedor de todo o assunto, encontrando-se
na altura do parto acompanhando o Imperador Romano, Adriano, em viagem pelas Espanhas, só anos mais tarde viria a tomar conhecimento do ocorrido quando por uma invectiva imperial contra os cristãos as meninas, agora com 15 anos, vieram à sua presença como prisioneiras. Conhecedoras da sua origem, colocando-se à mercê do destino, contam ao governador a história do seu malogrado nascimento. Perplexo, e uma vez certo da veracidade da narração, acolhe-as, dignificando-as com o seu nome e as regalias de nobres da sua condição. Porém, um único requisito para a salvação oferecida: renunciar à vida e à causa cristã, prestando doravante tributo aos Deuses romanos.

A Quitéria, Severo, propõe-lhe um imediato casamento com
um tal de Germano, um nobre e cortesão da sua casa. Quitéria, tal como as irmãs, pedem tempo para ponderarem as suas decisões. Uma vez sozinhas difundem-se, fugindo por montes e vales. Quando Severo se apercebe do engodo, ordena ás suas hostes uma perseguição em demanda das meninas. Quitéria, sem a sorte das irmãs, é capturada. De novo na presença do pai, este ainda com largo benefício, pede-lhe que pense melhor, sobretudo nas promessas de casamento, aliciando-a com o garboso e rico noivo. Ganhando tempo, foge novamente, desta em conjunto com 38 prisioneiras da invectiva imperial.


(c) Santos & Santinhos

A conversão de Sentinelas no Cárcere
Pedro Alexandrino

Basílica de Santa Quitéria de Meca
Alenquer



Refugiadas no monte Pombeiro, na zona de Felgueiras, este indiscreto grupo de cristãs foragidas em pouco tempo vêm-se novamente capturadas e prisioneiras no seu próprio refúgio. No monte, as jovens impressionam os sentinelas pelas suas convicções maiores levando alguns à conversão. Por fim, e uma vez mais interrogada, agora por emissário de Severo, Quitéria, avança dizendo, ser noiva mística de Jesus Cristo, e por essa ligação não pode aceitar um outro compromisso nupcial. Então, Severo, inclemente por esta recusa, em sinal do seu poder, dita a sua morte e para se certificar da execução ordena que seja o próprio Germano a perpetra-la.

Sem que conste na sua hagiografia que tivesse sido torturada, mais do que a pressão psicológica já narrada, em oposição aos procedimentos físicos que antecedem o martírio de tantas jovens ou virgens de convicção cristã inabalável, consta apenas que não ofereceu qualquer resistência.


Subindo ao monte de espada erguida, Germano, acompanhado por um bando de carrascos acercam as jovens desferindo-as de morte. Uma vez decepada, numa sentença que acusa a sua nobreza, e, jorrada pela cor do martírio, Quitéria, levantou-se perante o pasmo de todos. Pegando na sua cabeça, numa pantomina espectacular de maravilhoso macabro, atenta pelos olhares incrédulos e alvos de horror, encenou uma caminhada até à vila mais próxima enquanto os carrascos, perplexos, sentenciados pela injustiça cometida, caíam por terra com a vista turva e cheia de escuridão.

Chegada ás portas do tal lugar, Quitéria, desfalecendo sem vida ou qualquer outro impulso, foi acolhida e sepultada com grande dignidade e sentimento de piedade.
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