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22 de maio de 2009

A JOÃO BENARD DA COSTA


Ontem faleceu O João Pedro Benard da Costa - Requiem eaternam!

Desde há uns 15 anos que o seu nome me passou a ser familiar. Conhecedor do seu trabalho na Cinemateca, confesso nunca ter sentido afinidade com esta figura. Seguia muitas vezes no Canal 2 da RTP as suas rubricas de cinema, porém, confesso uma vez mais, sem qualquer empatia com o seu discurso e presença, e no decorrer destes anos
pouco interesse mostrei e pouca informação juntei sobre este vulto.

Há uns quatro anos, talvez com maior disponibilidade de compreensão, embirrava com o seu universo pelas manias de um "colega" de trabalho que achava a Cinemateca como o supra-sumo da cultura portuguesa, anulando com maledicência todas as outras vertentes culturais portuguesas
- exceptuando a poesia -, incluindo até aquela onde ele diariamente se exprimia. Este colega, foi a pessoa com mais limitações que alguma vez conheci num meio intelectual pautado pelo culto da meninge (limitações de inteligência, de compreensão e aceitação das ideias e opinião dos outros). Vaidoso que nem um pavão, achava-se e mostrava-se como a antítese dessas mesmas limitações. Porém, só ele assim achava e ninguém corroborava com isso. Pela frente faziam-lhe copiosas vénias, dizendo: "hã, hã!" dando ao pobre roupagens de rico, enquanto que pelas costas riam-se fazendo-lhe copiosos manguitos. Todos excepto eu! Sem penas e com sinceridade de trato consegui ganhar dele a seguinte exclamação:

"O Bartolomeu, tem a mania que é melhor que eu. Fala sempre comigo como se eu fosse uma criança pequena!"
.

Retomando. Ontem faleceu O João Pedro Benard da Costa - Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua, luceat eis.

Ontem ao assistir a um documentário, assinalando o seu desaparecimento, dei-me conta que afinal tinha mais afinidades com esta figura do que julgava. Choquei contra um gigante e descobri um mundo novo que me passou ao lado, cheio afinidades de gostos e princípios comuns. Com pasmo sincero perante tal vulto, enalteço assim o seu sentido de adaptador de modelos de sucesso estrangeiros, com amplo sucesso nacional; o seu sentido ideológico, inovador, empreendedor e comunicador; o seu sentido melómano; o seu principio católico e a sua veia e gosto exacerbado pelas artes - que não tendo sido artista nem professado o virtuosismo de um executante distinguiu-se como um inteligente conjugador da 7ª arte.

Reconhecido da minha limitação, lamentarei aqui o desinteresse e negligência durante tanto tempo.

Rendendo-lhe justa homenagem deixo aqui um trecho de um filme de Syberberger, que o vi apresentar no Canal 2 da RTP há uns anos atrás. É a melhor recordação que tenho de um programa dele assistido "in temporis". Mais do que lhe honrar com um trecho sacro, sacado a um Requiem, fica então, para aquele que foi um Wagneriano convicto, um excerto da mística ópera Parsifal.



Finalizando. Ontem faleceu O João Pedro Benard da Costa - Pie Jesus Domine, dona eis requiem. Amen.


PRELUDIO
Parsifal




Musica:
Richard Wagner

Filme:
Hans Jürgen Syberberger


10 de maio de 2009

AOS PEREGRINOS - TO PILGRIM'S


BEGLÜCKT DARF NUN DICH,
O HEIMAT

(Coro dos Peregrinos)

Tannhäuser


Musica:
Richard Wagner




Beglückt darf nun dich, o Heimat, ich schauen
und grüssen froh deine lieblichen Auen;
nun lass' ich ruhn den Wanderstab,
weil Gott getreu ich gepilgert hab'.

Durch Sühn' und Buss' hab' ich versöhnt
den Herren, dem mein Herze frönt,
der meine Reu' mit Segen krönt,
den Herren, dem mein Lied ertönt.
Der Gnade Heil ist dem Büsser beschieden,
er geht einst ein in der Seligen Frieden!
Vor Höll' und Tod ist ihm nicht bang,
drum preis' ich Gott mein Lebenlang.

Halleluja!
Halleluja in Ewigkeit!
In Ewigkeit!



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