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16 de junho de 2011

A MUSICA QUE SE OUVE:

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"Como tantos outros artistas portugueses dos maiores, Viana da Mota foi uma vítima da incompreensão, da maldade e da pequenez de um meio com o qual a sua invulgar estatura não podia ter medida comum."

Lopes Graça


Vianna da Motta, aqui, caro leitor, foi talvez um dos compositores portugueses mais sublimes do seu tempo e que com largo sentido pátrio, numa inteligente combinação de conhecimentos, sons e estilos, dotou a sua época e o seu país de um original repertório musical e de uma obra reformadora onde nunca negou a sua essência.

Poucos foram como ele. Do seu tempo chegaram-nos com distinção apenas ecos e rasgos dos nomes ou da musica de Augusto Machado (o Cruges dos Maias queirosiano), aqui, Alfredo Keil (o autor do actual hino nacional), aqui, ou de Rey Colaço (de quem lembramos com saudade a memória da sua filha e da sua neta), aqui.  
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Filho do romantismo tardio e do saudosismo Vianna da Motta foi um pianista de renome internacional.  Educou-se na Alemanha, a expensas do senhor D. Fernando, quer nas aulas que a Liszt tomou como na leitura de Schopenhauer e tantos outros pensadores de que o nome em Portugal eram então apenas palavrões de difícil pronunciação. Durante o primeiro conflito mundial regressou estrategicamente ao seu país. Reformou o ensino da musica e educou e condicionou toda a geração de pianistas que de Portugal partiram para o mundo como virtuosos deste instrumento e que nos seus nomes lembramos Sequeira Costa, aqui; António Vitorino de Almeida, aqui, e Maria João Pires, aqui, (alunos de Campos Coelho); ou Artur Pizarro, aqui, (aluno de Campos Coelho e Sequeira Costa).

Para além de peças de piano de grande feição, sempre tocadas e lembradas pelos seus discípulos ainda vivos e pelos discípulos dos seus discípulos (aqui em evidência), compôs obras orquestrais  de grande envergadura que compreendem a sinfonia, o poema sinfónico ou o concerto para piano assim como géneros de salão como a canção e eventualmente algo que me escapa. Hoje permanece esquecido e pouco tocado nas salas de concertos sendo que só com frequência o podemos audicionar nas gravações existentes que sem vida corrente e actualidade de execução ficam infelizmente presas à museologia discográfica, para glória da nossa memória, em detrimento da vergonha em se ser português.
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3 de junho de 2011

MATTINATA

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Sacudido de embrenhados deveres, eis-nos publicando:
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27 de março de 2011

NOVAS HORAS

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Eis-nos no no horário de Verão. Agora só falta mesmo que o tempo aqueça e nos convide a deitar na praia e a esquecer que as horas existem!
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20 de março de 2011

LUCIA, LUA E LOUCURA

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Sobre o mar-da-palha, pelas vidraças do que do Estúdio 19 se deixa alcançar, uma bola cor-de-fogo vi nascer com tal esplendor que não tardei a chamar a atenção do meu interlocutor, que, no ar, conjugando palavras que se difundiam por este elemento, tal como as minhas ali reunidas num dueto conversado, se emolduravam pelas largas janelas diante o espectáculo visual que ali se punha ao som daquele que de além-atlântico nos chegava.

Nascia assim a Lua. Lucia, demente, esvaia-se em loucura por entre malabarismos vocais, escalas e gorjeios balbuciando os bei momenti que a lembrança à voz lhe trazia. A Lua crescia. Lucia, ante o seu termo, cadencia as suas últimas notas que a lucidez lhe permite pela medida do seu criador. Empalidecendo o mundo com seus raios ondulantes o finto astro níveo nocturno mostrou-se por fim soberano coroando-se com o aigú com que esta mortal de glória se encheu.

Lucia jaz louca. Silenciada descansa na mente dos que a escutaram, a doce e repousante tumba de afectos, sepultura de perpétua lembrança, até que o sipario se abra de novo e por entre aplausos a sua trágica história se venha a contar. A Lua, caprichosa da sua vaidade, só daqui por uns anos se voltará a mostrar como ontem aos olhos do mundo se deixou ver. Talhada pelo tempo que passa exibe-se ainda de esplendor pelo firmamento enfeitiçando aqueles que no seu brilho sucumbem.
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19 de março de 2011

O ESTADO DAS COISAS...

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Lucia canta... Eu encanto!

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7 de março de 2011

ASSALTO À MÃO ARMADA!

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Armida, ultrajada, traída pelo seu dileto amante, irada, esbaforindo encómios entre gritos dilacerados pela dor do abandono, entre uivos e maldições, voa no seu carro alado de dragões fumegantes, prenúncio de  maior desgraça, a ecológica, metamorfose do errar humano, das verborreias que nos nossos luzentes dias encobrem e enublam de negro o mundo de enganos e confusões. Se a sua arte, a pagã magia que a Circe ou Medeia fez fama, não lhe foi forte, que dizer do rol de expectativas apregoadas na verdade catolicizada pelas classes que governam e submetem e vergam a alegria à dura cruz das leis escravizadas pelo poder e cobiça do argent e da mania em querer, diz-se mandar... onde não há ouro ou prata há alquimistas, fazedores, sombras de má indole, parasitas e traidores e ainda portadores de desgraças suavizadas por tormentos: aquelas que se agarram, dilaceram e destroem.

News

"Governo vai ter de prestar contas", diz Jerónimo de Sousa , Os mais novos do mais velho partido português , Redes sociais são combustível para a infedilidade? 

24 de novembro de 2010

DANÇAR... MESMO QUANDO NÃO HÁ MUSICA

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a metodologia da sobrevivência
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22 de novembro de 2010

E NA AURORA DESTE DIA SE COMEÇA MAIS UMA JORNADA

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É com a impressionante e gaia overture do Candide de Bernstein, com o insigne maestro dirigindo este feliz momento, para o qual fez gala de se deslocar desde o além até a este sitio da net para desta forma nos brindar nesta partilha com a sua excelsa musica, inaugurando o novo ano con moto.
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4 de novembro de 2010

DE LA MUSIQUE

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Tudo ou nada?


J'suis snob... J'suis snob
C'est vraiment l'seul défaut que j'gobe
Ça demande des mois d'turbin
C'est une vie de galérien
Mais lorsque je sors à son bras
Je suis fier du résultat
J'suis snob... Foutrement snob
Tous mes amis le sont
On est snobs et c'est bon

Chemises d'organdi, chaussures de zébu
Cravate d'Italie et méchant complet vermoulu
Un rubis au doigt... de pied, pas çui-là
Les ongles tout noirs et un tres joli p'tit mouchoir
J'vais au cinéma voir des films suédois
Et j'entre au bistro pour boire du whisky à gogo
J'ai pas mal au foie, personne fait plus ça
J'ai un ulcère, c'est moins banal et plus cher


J'suis snob... J'suis snob
J'm'appelle Patrick, mais on dit Bob
Je fais du ch'val tous les matins
Car j'ador' l'odeur du crottin
Je ne fréquente que des baronnes
Aux noms comme des trombones
J'suis snob... Excessivement snob
Et quand j'parle d'amour
C'est tout nu dans la cour


On se réunit avec les amis
Tous les vendredis, pour faire des snobisme-parties
Il y a du coca, on deteste ça
Et du camembert qu'on mange à la petite cuiller
Mon appartement est vraiment charmant
J'me chauffe au diamant, on n'peut rien rêver d'plus fumant
J'avais la télé, mais ça m'ennuyait
Je l'ai r'tournée... d'l'aut' côté c'est passionnant

J'suis snob... J'suis snob
J'suis ravagé par ce microbe
J'ai des accidents en Jaguar
Je passe le mois d'août au plumard
C'est dans les p'tits détails comme ça
Que l'on est snob ou pas
J'suis snob... Encor plus snob que tout à l'heure
Et quand je serai mort
J'veux un suaire de chez Dior!


Boris Vian
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4 de outubro de 2010

DONA BRANCA SUMIU-SE!

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Caro leitor que espera o nosso comentário à ópera: ontem ao terminar o precioso rascunho que com tanto cuidado elaborava, próximo de ver a luz, nefasto acidente arrebatou o longo texto para a alva transparência do vazio da caixa de mensagens.

Não sei se tenho coragem de o refazer, estou realmente frustrado sobretudo pelo desaparecimento de algumas ideias bem construídas buriladas com tanto espírito e sageza.

A sair, sai hoje, já que é um meticuloso testemunho de uma premiere que merece esta perpetuação.
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30 de setembro de 2010

D. BRANCA EM SÃO CARLOS

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Primeiro estranha-se, depois entranha-se!

Fica aqui a nota que fui e que ouvi em presença este momento histórico de cultura portuguesa. Fui com grande expectativa que fui e vim de lá cheio com a beleza desta ópera de Alfredo Keil. Recomenda-se! Vá, caro leitor, é mesmo imperdível já que nesta forma portuguesa de ser só daqui por uns 100 anos voltará a ser reposta. Repete dia 1, 3 e 5 de Outubro.

Amanhã teço o meu comentário.
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26 de setembro de 2010

GATO POR LEBRE

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Há quem acredite ainda em contos infantis e histórias de um tal viandante lendário vestido de encarnado. A realidade é sempre uma história de saloios ingénuos e saloios aldrabões tentando manter a ordem.
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16 de setembro de 2010

33 ANOS SEM LA DIVINA

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Maria Callas

2 de Dezembro de 1923
16 de Setembro de 1977

A NOVA TEMPORADA DE ÓPERA

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(C) Santos & Santinhos


Annina: Como está ela, doutor?
Dottore: A tisica não lhe dará mais que umas horas!


 
La Traviata, III acto
G. Verdi/Francesco Maria Piave


Com pompa e circunstância anunciou-se hoje em São Carlos, em conferência de imprensa, a nova temporada lírica nacional num momento presidido pelo actual Director do Teatro, o maestro Martin André, ajudado pela presença da Ministra da Cultura, a conhecida pianista Sr. Gabriela Canavilhas, e pelos Prf.. Jorge Salavisa e o Sr. César Viana, representantes da administração da OPART, e uma mão cheia de curiosos e insdiscretos que a quiseram escutar. Assegura-se assim que Lisboa, não obstante o caos financeiro lançado pelo Sr. Damman, não será privada de uma temporada de ópera. Afinal, de esperanças no ar e cheio de novidades, revitalizado, o teatro de ópera ainda vive na sua sobrevivência.
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Descortinando o cozinhado do novo director entre ajudas, mais valias e conselhos de antigos e esquecidos recursos, conseguiu-se o milagre da multiplicação das produções a apresentar sem que isso signifique uma gorda temporada. Aliás, e sem ilusões, será magra, light e sem sal desprovida de stars pecando pelos experimentalismos que nela se irão realizar com a presença de cantores, encenadores e compositores portugueses em grande número sem que isso signifique brilhantismo e que será sobretudo sinónimo de  imaturidade, inconsciência e hedonismo. É necessário observar, caro leitor, que a ópera enquanto teatro e espectáculo não tem os mesmos timings do teatro declamado, do musical, da revista do parque mayer e muito menos dessas perfomances que por aí se vendem e se comem como espectáculos de luxo à conta do barulho das luzes; e que o público pagante não se pode compadecer de favoritismos e facilitismos. Antes pouco e inesquecível, com o melhor dos dois mundos, do que muito e sem graça... Assim, à esboçada temporada do anterior director, que não assegurava mais do que 3 ou 4 óperas, de certo com  a qualidade duvidosa que nos andava a brindar, aparecem agora 10. Serão elas:

Dona Branca do Keil (que vergonhosamente sofreu as maiores misérias quando do seu cancelamento. Factos coroados, como se sabe, por suspeitas difamações, processos jurídicos e motivos de afastamentos/despedimentos);
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Cavalleria Rusticana, de P. Mascagni, em versão de concerto;

Hansel und Gretel de E. Humperdinck, assegurado pelo Estúdio de Ópera deste Teatro;

Paint me do Luís Tinoco, em inglês, em estreia mundial;

Kátìa Kabanová de L. Janácek;

Gianni Schicchi de G. Puccini, no formato de ópera encenada e em versão de concerto comentado, pela conhecida apresentadora de programas de televisão a Sr. Barbara Guimarães;

Blue Monday de G. Gershiwn, a partilhar a mesma noite de Gianni Schicchi;

Banksters de Nuno Côrte-Real, com libreto de Vasco Graça Moura, em estreia mundial;

Il Capello di paglia di Firenze de Nino Rota, o conhecido autor das bandas sonoras de L.Visconti e F. Fellini;

Carmen de G. Bizet.


Será de salientar: o regresso de uma ópera de Alfredo Keil, Giacomo Puccini e de Leos Janacek há muito ausentes e carentes de audição; e a presença de Marco Vinco, Carlos Guilherme, José Fardilha e de Jorge Vaz de Carvalho como os melhores valores vocais a serem apresentados.

Nos concertos sinfónicos e corais sinfónicos, melhor estruturados, os grandes ausentes são os compositores portugueses de maior valor que continuam votados à discriminação. Onde ouvir Vianna da Motta, Freitas Branco, Frederico de Freitas ou Jolly Braga Santos? Só mesmo na Fnac, ao adquirir um disco de uma qualquer gravação datada e ausente da melhor qualidade.

O concerto inaugural, que decorrerá como festa de gala, será já no próximo dia 25 de Setembro com início marcado ás 19h30m e com acontecimentos musicais alargados às arcadas, à varanda e ao salão nobre do teatro precedendo o único momento verdiano de toda a temporada.


NEWS SWEN NEWS


São Carlos: Vinte espectáculos integran a nova temporada , Ministra alerta que "colapso do estado" exige alternativas de financiamento da Cultura

23 de agosto de 2010

SÃO ROSAS, SENHOR! AH, POIS SÃO...

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 retirado daqui


É Verão, sim de facto... e as festas abundam por aí! Festas tão antigas que se perdem na memória. Festas cada vez mais exigentes carregadas de populares, petiscos, procissões, foguetes, bandas de musicas, artistas e a Rosinha! Sim, a Rosinha.

A Rosinha, caro leitor, é a nova coqueluche da brejeirice nacional. A emancipação do trocadilho de cariz sexual no seu género cançonetista, que agora, sem bigodes ou postiços, ganha contornos no feminino sem a robustez de uma penugem mediterrânica que melhor suporte de dignidade dariam ao conjunto, face a quantidade de pérolas  barrocas diluvianamente largadas por esta distinta menina de esmerada educação.

Assim à pornochachada estival das marcas promotoras de mini cerveja (quando cerveja é sinónimo de excelência da virilidade de uma grande caneca como crisma de qualquer homem certo das suas convicções) materializa-se agora este miraculoso sex symbol andante capaz de fazer arrebatar aquele assobio apaneleirado a um pneu de um camião. Bebe-se, vê-se e crê-se! Rosinha, a nova "Virgem" milagreira!

Rosinha lá vai! De ar urbano assaloiado, porte sensual, com uma musette às costas e de óculos escuros, clichés mais que vistos no género musical (Eugénia Lima e Stevie Wonder, está claro, ou será Quim Barreiros e Pedro Abrunhosa), mostra-se  assim disponível e para as curvas - aquelas que lhe levarão a muitos palcos e lhe darão muito dinheiro, explorado à conta de facilitismos verbais.

Por fim, como uma jovem civilizada e  bem estudada, propósitos tão caros às modernas raparigas portuguesas, como a algumas experimentadas nos cursos nocturnos do INP (por exemplo, de guia turística de locais recônditos) nesta cantarolada oralidade compete na erudição, lá tão bem aprendida, com as poetizas nacionais em palavras de grande profundidade, emprestadas aos seus melhores temas. Ora, analizemos:

Eu chupo, eu chupo
E vou rodando para ele não pingar
Eu chupo, eu chupo
E no fim fico com o pau a brincar

ou
Eu levo no pacote
Eu levo sim senhor
Eu levo no pacote
Tem outro sabor

Eu levo no pacote
Eu levo sim senhor
Eu levo no pacote
P'ra gosto do meu amor!

Por meros momentos que sejam, efémeros mesmo, este sol e dó de arremessos fáceis um homem desprevenido esboça um sorriso purgatório e atira para atrás das costas a má disposição habitual, já que com tanta desgraça junta este verão não seria verão sem a Rosinha e as suas engraçadas bailarinas. O povo gosta, nós aceitamos!

Ei-la desfilando, cantando e dançando com a mini-saia esvoaçante inspirando às gentes ditos populares:

Rosa
Rosinha
Roseta... ai!!!... o bálsamo para todos os homens de todas as idades pós-puberdade. 

Veremos entretanto como se safa esta cigarra no Inverno e como chega ao próximo Verão...

Por agora, e como o arraial é só na sexta-feira, enquanto nada acontece, ficarei na Beatrice di Tenda sem que seja caso para dizer, como nunca será e como jamais será: volta Leyla Gencer, estás perdoada!




NEWS SWEN NEWS:


6 de junho de 2010

BEETHOVEN PARA UM FIM DE TARDE

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Já que a música que se difunde pela minha janela não chega mais longe do que ao eco desta rua:


Rondó em Dó Maior
Op.51 Nº1

Pianista:
Alfred Brendel
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30 de maio de 2010

EUROVISION

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É ponto assente, caro leitor: não sou um fã do Eurovisão da Canção nem muito me sensibiliza este certame.

Hoje, enquanto tal decorria, senti-me atraído por uma canção. Por momentos o desinteresse afastou-se, e, atento, num renovado festival de luz e cor, fixei a minha atenção na continuação da exibição da canção da terra dos royais ingleses.

Bonita, graciosa, erudita e de grande bom gosto na tradição britânica, a sua qualidade transparecia ainda mais na inteligente voz de um jovem-grande-cantor-a-ver-e-a-trilhar-o-seu-caminho.

Não venceu mas ganhou a minha predilecção e quanto mais a oiço mais gosto, por me fazer sentir tão bem. Por ironia o título da canção é isso mesmo:
"That sounds goods to me".




News about:


21 de maio de 2010

TANGO OU TANGA POLÍTICA







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15 de maio de 2010

EM RESUMO DA ÚLTIMA SEMANA...




Toccata e Fuga

Toccata está para o passado como Fuga está para o futuro.

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14 de maio de 2010

EM DESPEDIDA A BENEDICTUS XVI, UMAS PALAVRAS DE APREÇO


Santo Padre,

em agradecimento à sua passagem por Portugal, permita-me, uma vez que em comum temos o gosto de tocar piano, e na bela arte de passar as mãos num teclado partilhamos o mesmo grau de virtuosismo, em que errar é humano e a correcção a terapia das nossas imperfeições, sem que nunca venhamos a atingir a perfeição dessa prática ou aspirar a uma glória conhecida enquanto tal, permita-me pois, oferecer-Lhe um belíssimo trecho das célebres variações de Bach, que, tal como eu, de certo apreciará e é por isso o objecto desta preferência.

Escolhi para o executar o insigne pianista Daniel Barenboim, um dos meus preferidos, já que nada idêntico encontrei por um pianista português de envergadura, até mesmo da nossa ministra da cultura, a quem teve o prazer de cumprimentar (essa sim uma grande virtuouse du piano em acompanhar alguém, como várias vezes tive o privilégio, uma vez que por essa e outras artes frequentei as melhores classes das melhores escolas do país), já que eu, por vergonha, por ser apenas um medíocre tocador, constantemente vaiado pelo seu vizinho, nunca coloquei um vídeo meu no Youtube, em virtude de se poder ouvir a marcação de compasso que em certos dias este meu ouvinte insiste em me acompanhar vigorosamente, batendo na parede.

Quero agradecer-Lhe também por ter honrado a mãe que sentiu o avião que o transportava passar-lhe por cima, já com este baixo a não muitos minutos da aterragem. Era Sua Santidade, não era? Ela diz que sim, e creio que não vale a pena contrariar este seu dogma pessoal, uma vez que Vos identificou pela escolta aérea. Sublinho que esta é já uma habitual benesse papal que nos é concedida, uma vez que já o seu predecessor, em 1991, passou por cima da nossa casa - episódio que o pai gosta sempre de lembrar com ênfase quando à mesa se fala de Suas Santidades. Ainda a propósito de histórias familiares, gostaria de lembrar um outro episódio, este apenas protagonizado por mim. Lembrei-me dele quando vi Sua Santidade receber o belo terço oficial do Santuário. Pois bem, em 1982, com a bonita idade de 6 anos, e já um grande fanático por assuntos da religião, ganhei um terço dourado oferecido pela avó - a senhora de quem já aqui contei algumas histórias. A avó,
Santo Padre, que foi zeladora de N. Sr. da Graça, a Padroeira deste blog, incumbiu-me dias antes com mil recomendações de o estrear no dia 12 de Maio desse ano, na novena da igreja paroquial, uma vez que ausente encontrava-se nesse dia em Fátima a saudar o seu predecessor, e, de onde nos haveria de trazer uns lindos postais comemorativos da ocasião. E já que falamos dele, do saudoso Woytila, o João Paulo II de venerada memória, declaro aqui que o avô, também de venerada memória, era um seu sósia tão perfeito nesses anos 80 que impressionava. Mas, lembro-me muito bem de toda essa visita e muito particularmente do dia 12 de Maio e da novena diária das 18 horas. Como criança beata que era, fanática até, estava rejubilante com a estreia do tal terço no dia em que Papa rezava em Fátima. Aliás, era o meu primeiro terço, já que os anteriores eram relíquias de contas desfalcadas, de umas outras avós do tempo do seu predecessor Leão XIII, que serviam sempre em brincadeiras. Lembre-se, Santo Padre, que eu fui o tal menino que queria ser santo. Retomando, nesse dia sentia-me um privilegiado. Depois de me ter enrolado em espiral nos cortinados da sala, como era hábito sempre que me sentia alvoraçadamente feliz, saí de casa e dirigi-me à igreja. Rua abaixo, em comportamentos típicos de um rapaz da minha idade, dando largos passos intercalados por saltos de agilidade caprina, exclamava baixinho, dizendo, em louca ansiedade: Vou rezar com um terço de oiro! Vou rezar com um terço de oiro, vou rezar com... Santo Padre, bem sei que me estou alongar, mas lá estava eu nos meus 6 anos em louca histeria religiosa correndo ao encontro da Virgem (que sempre sorridente lá me esperava para o terço) encontrando-me de repente, no continuado comportamento, num muro desnivelado e de considerada altura que fica por de trás da igreja. De repente, em grande arrebatamento, exclamando cada vez mais alto: VOU REZAR COM UM TERÇO DE OIRO, raiando o delírio em estado de alucinação pareceu-me sentir voar. Ascendia. O chão desaparecera debaixo dos meus pés... e ao invés de Teresa d'Ávila, suspensa no éter, senti-me sugado num precipício de um metro e meio de altura tendo um arrombo contra um chão. Quando caí em mim, surpreso e incredível da perca da percepção do real, estava estatelado na calçada com a minha cabeça de 6 anos aberta a esvair-se em sangue. Por certo, sinal de reprimenda da loucura que me invadia. Levantei-me. Emudecido e a chorar, com o terço quebrado por entre as mãos ensanguentadas, voltei cambaleando para casa, tentando esconder a abençoada "coroa" que trazia na cabeça. Hoje agradeço à Senhora de Fátima por não ter sido pior, se é que ela, tal como ao seu predecessor, interveio com a sua mão de divina embaixadora, segurando o meu pescoço para que de um pequeno golpe na cabeça se tratasse o resultado de tal acidente, assim como do caso não menos grave de me ter salvo nesse Verão, pelas mãos de uma fluente nadadora, de um afogamento numa piscina. Dou graças a Deus e a Ela por esses dois casos e um outro ainda mais melindroso que me sucedeu uns anos a seguir, e já agora outros tantos, que por vezes em tempos recentes me apanham e dos quais tenho saído sempre milagrosamente ileso e sem um arranhão, ainda que com danos materiais.

Aceite então na hora de partida, como aconchego de viagem, esta minha desinteressada oferta, ainda que me desse um certo jeito receber um daqueles cálices. Sim, Santo Padre, um daqueles tão bonitos igual aos que foi retribuindo aos generosos presentes que recebeu. Sabe, Santo Padre, é que já que não vai haver amnistia e eu, pobre de mim em matéria terrena, mas rico em espírito, a desesperar cada vez mais, com lágriams no rosto, vou ficar apertado e asfixiado de contas com umas certas obrigações, coimas, ajustes e a subida dos impostos. Mas sem isso, ou o Euro-Milhões, que não quer nada comigo... corações ao alto! Não há-de ser nada e não importa estar perante sua Santidade a rogar-me de mais misérias e penas... Dou-lhe somente com o coração aberto em troca de nada, já que nestes dias retirei tanto das suas palavras para a minha vida que neste transbordar me fazem, neste gesto e nesta escolha, retribuir.

Eis então, de J. S. Bach, a ária das variações Goldberg:





News about:


Papa agradece "carinho" que recebeu em Fátima

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