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I EPISÓDIO
Entre o maravilhoso pagão e o maravilhoso cristão
Nas faldas das colinas do rei Ábidis abre-se um pequeno vale coberto de milenares e densos olivais de perder a memória, testemunhos de correrias de divindades pagãs e círios e romarias religiosas cristãs, de bailados de ninfas e de bruxas em noites de Lua cheia, esperas de cobiça e encontros furtivos de esgalgados e ávidos amantes, sem distinção de sexo, desde tempos anteriores à fuga de Eneias de Tróia ou mesmo naquele em que dois irmãos chulavam as graças da caridade de uma loba demente, que se hoje no divã de um qualquer psicanalista, no efeito certo da terapia, teria-se refastelado trincando a tenra carne destes dois chupistas alterando de sobremaneira o curso da história da humanidade.
Caro leitor, o que vos vou contar é uma história passada num local longínquo do centro do mundo, a um longo tempo de distância contado pelo andar do pé humano, protagonizada bem para lá das colunas de Hércules e do tenebroso e ameaçador cabo Sacro, bem acima dos recortes do impressionante cabo Barbarion (onde uma vez uma burrinha gigante trepou temíveis escarpas com a mãe da divindade cristã a cavalo no seu lombo) no interior do vasto Tagos a montante das desenhadas enseadas que seduzem os navegantes a nele penetrarem... ou seja, para nós: bem próximo, mesmo aqui ao lado.
Ora bem, em breves linhas que darão instâncias de verdade, certo navegador errante, Ulisses, aliciado por este encantamento, subindo na sua barca o leito do dito Tagos, evitando numa morosa viagem por terra confrontos indesejados nos pinhais da Azambuja, quando este gozava de boa fama, arribou ao reino dos Cunetas e do rei "Melícola".
Num dia de Agosto como este, frequentando a amena frescura dos já citados olivais na companhia da bela princesa Calipso, aspergiu nela com helénica virilidade jactos de gotículas do seu vigor mediterrânico, apunhalando uma vez mais as crenças da pobre e casta Penélope, presa ao tear. Esquecido desta obrigação, dando azo ao seu viril sentir, no deleite de demorada fornicação, germinou no seio da princesa "arribategana" um malogrado fruto abandonado à mercê da força do rio. Amadrastado por uma Loba, tão "arribategana" quanto a sua mãe natural, e tão demente quanto a sua congénere romana, ergueu em sinal da sua sobrevivência miraculosa no alto de sete colinas adjacentes às praias fluviais onde encalhou, uma cidade que se quis logo tão importante e luminosa que hoje Ábidis o Flores, com o mesmo esforço titânico, e pozinhos de perlim-pim-pim, nada mais consegue do que nada para esta Scalabidis que a mitologia fundou entre arremessos plagiados daqui e dali, mantendo-se bucolicamente turvada e atraída pelo silêncio dos tempos em que nesses morros nada existia.
Caro leitor, o que vos vou contar é uma história passada num local longínquo do centro do mundo, a um longo tempo de distância contado pelo andar do pé humano, protagonizada bem para lá das colunas de Hércules e do tenebroso e ameaçador cabo Sacro, bem acima dos recortes do impressionante cabo Barbarion (onde uma vez uma burrinha gigante trepou temíveis escarpas com a mãe da divindade cristã a cavalo no seu lombo) no interior do vasto Tagos a montante das desenhadas enseadas que seduzem os navegantes a nele penetrarem... ou seja, para nós: bem próximo, mesmo aqui ao lado.
Ora bem, em breves linhas que darão instâncias de verdade, certo navegador errante, Ulisses, aliciado por este encantamento, subindo na sua barca o leito do dito Tagos, evitando numa morosa viagem por terra confrontos indesejados nos pinhais da Azambuja, quando este gozava de boa fama, arribou ao reino dos Cunetas e do rei "Melícola".
Num dia de Agosto como este, frequentando a amena frescura dos já citados olivais na companhia da bela princesa Calipso, aspergiu nela com helénica virilidade jactos de gotículas do seu vigor mediterrânico, apunhalando uma vez mais as crenças da pobre e casta Penélope, presa ao tear. Esquecido desta obrigação, dando azo ao seu viril sentir, no deleite de demorada fornicação, germinou no seio da princesa "arribategana" um malogrado fruto abandonado à mercê da força do rio. Amadrastado por uma Loba, tão "arribategana" quanto a sua mãe natural, e tão demente quanto a sua congénere romana, ergueu em sinal da sua sobrevivência miraculosa no alto de sete colinas adjacentes às praias fluviais onde encalhou, uma cidade que se quis logo tão importante e luminosa que hoje Ábidis o Flores, com o mesmo esforço titânico, e pozinhos de perlim-pim-pim, nada mais consegue do que nada para esta Scalabidis que a mitologia fundou entre arremessos plagiados daqui e dali, mantendo-se bucolicamente turvada e atraída pelo silêncio dos tempos em que nesses morros nada existia.
Aos romanescos acontecimentos muito tempo passou. O mundo fez-se o que hoje conhecemos e o Deus dos hebreus senhor dele.
Numa minuciosa viagem de reconhecimento pelas Espanhas, que só conhecia por umas leituras amiúde furtadas de esguelha sobre o ombro de Estrabão, ao chegar a esta urbe entendiou-se com a sua imoral origem de virtudes pagãs e preceitos duvidosos. Com indesejada contenção em lhe chutar um bíblico arremesso, para não perturbar a sua insípida popularidade por aquelas terras entendeu pelo conselho de um poderoso demónio local, cioso de propósitos obscuros, em chamar a este local para cristianizar este inoportuno Génesis uma afamada santa rapariga de nome Iria, que milagres operava pelas margens do Nabão.
Numa revelação, através de sonhos, Britaldo, um apessoado e garboso cavaleiro, como outro não havia naqueles termos, que até arrebatava o coração de donzelas quando por valentia e marialvice pegava toiros em Ulishbona, é determinado e escolhido para a escoltar subindo para isso até à Nabância.
Diante da beata-viva Iria, achando-a de beleza irresistível, pega 7 toiros de enfiada no dia da festa de S. Pedro só pelo gozo de a impressionar. Iria, indiferente, nada mais faz que o abençoar. Tocado no coração pelo demónio que o acompanhara escondido na sua sombra, aproveitando-se do seu despeito, Britaldo, já esquecido da sua missão, cego pelo incómodo de se deslocar a tão longe sem uma pequena "brincadeirinha", ardila um plano atraindo a jovem a um local discreto à conta de conversas mansas, cheias de água benta e pós de poeira de sacristia.
Convidando-a a uma oração conjunta Iria acede ajoelhando-se diante dele esperando-lhe o mesmo gesto. Porém, Britaldo, já ruborescido, assedia-a com a visão do seu pénis erecto forçando-o a Iria. Com as mãos no rosto, postas em defesa de tal visionamento, a jovem pede-lhe contenção e que se concentre no propósito a que ali foram. Britaldo, perante a dificuldade, encarniçando-se ainda mais pelo rubro de tanta tesão, esganado pelo gozo de satisfazer-se num acto de luxuria inestimável, fomentada pelo demónio que o invade, puxa-lhe pelos cabelos ameaçando-a com a lâmina da sua espada. Iria, interpritamente, recusa-o mostrando-lhe repugnante desdém. Britaldo, pouco habituado a recusas, passa-lhe a espada pelo pescoço, como acto piedoso de misericórdia Divina do Deus do hebreus ante o engodo em que se viu envolvido, pondo pelo fio da espada termo a esta pouca vergonha de inconsequentes medidas ao som dos uivos demoníacos da infernal entidade, frustrada no seu propósito de querer apenas possuir pelo toque da carne a casta filha do Nabão.
Uma vez só, sem Deus nem demónio, Britaldo, aturdido, com a pressa de um ladrão, atira o corpo ao rio desfazendo-se do inconveniente cadáver da inocente que agora perfila lá nos céus o exército das pobres mártires cristãs.
Tejo abaixo, caridosamente envolvida pelas ondas do fluviais, escoltada por cardumes de Sáveis e Lampreias, despojada de seu hábito, embadeirando de negritude os canaviais do largo rio, veio a encalhar nas mesmas praias onde Ábides havia também chegado enquanto criança recém nascida.
O povo, abismado, suspenso na visão da graça incorrupta e de desnudada beleza, com saber experimentado destes assuntos, cacarejando pormenores deste melodramático acontecimento que não lembram a ninguém, apressou-se a reiterar-lhe a santidade, fé e devoção de tão luziada popularidade que subindo por aquelas colinas acima ofuscaram o nome de Ábidis, ante a estupefacção do Divino.
Posto isto, Deus viu que era bom. Sobreveio a tarde e uma nova manhã... e fez-se a aurora dos nossos dias.
N.B - Caro leitor, esta singular narrativa composta liricamente com a astúcia e a brilhante sageza do seu bravo autor é baseada em lendas, personagens , locais, nomes históricos, míticos e actuais é usada e combinada a belo prazer do seu autor, como livre expressão da sua vontade.
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