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3 de fevereiro de 2009

AINDA POR AZEITONAS E OUTRAS FRITURAS:


Como um cena ingénua e burlesca
aterrorizou a mente do pequeno rapaz!



THE FEARLESS VAMPIRE KILLERS
ou
POR FAVOR NÃO ME MORDAS
NO PESCOÇO


Roman Polanski
1967





Não foi no dia de N. Sr.ª das Candeias,
mas num dia em que se escolhia Azeitona.


A mãe, cautelosa com a sugestiva sensibilidade do pequeno Bartolomeu, proibiu-o determinantemente de ver o filme, que era de terror. Obrigando-o a deitar mais cedo, em noite invernal, saiu para o serão do quintal onde se escolhia azeitona. O Pai, em frente ao televisor, condescendente deixou-o ver o filme, qual educador cultural sem tabus.

Frito de medo, sentia terror e tremia de ansiedade. Após esta cena, amedrontado, agarrou-se à mana que o foi denunciar à mãe. Bartolomeu, com os nervos em franja, desistiu de o ver
e correndo a todo o vapor enfiou-se debaixo dos lençóis, temeroso de outro horror maior - a mãe alvoraçada!

Cita-se neste filme ainda a hilariante cena do Baile, só vista anos mais tarde!


OS FRITOS DE N. SR.ª DAS CANDEIAS!


Manda uma antiga tradição
que no dia de N. Sr
.ª das Candeias se façam fritos!



N. Sr.ª das Candeias

Estes fritos, pretendiam atrair a abundância de azeite numa época em que a economia tradicional desta cultura ainda tinha grande força entre os ínfimos, pequenos e médios agricultores, burgueses e famílias de meios e parcos recursos, que dele subsistiam o ano inteiro.


Oliveira

Os tempos de então não se compadeciam das necessidades humanas. Na ausência de um produto comercial acessível ou barato, era muito comum recorrerem-se aos rituais que solicitavam protecção para que o Divino intercedesse no vegetal e o vegetal em obediência ao Divino oferecesse uma boa colheita ao seu beato produtor.

Era uma questão de fé:
quanto mais fervor, mais azeitona - fácil, não é?




A apanha da Azeitona

Assim, muitas famílias, com a finalidade de encherem a sua talha comodamente, ou que esta nunca chegasse ao fim, disponibilizavam-se prontamente a cumprir este abençoado ritual numa época em que o azeite tinha de servir para ir à mesa, para confeccionar alimentos e ainda alumiar as casas. Tempos difíceis, é certo! Mas tempos certos que levavam a um maior diálogo com o Divino.


Um dos Olivais do Avô

Houve um tempo em que o avô teve grandes e longos Olivais - hoje repartidos, dada a sua ausência terrena. Era um tempo feliz. O tempo da "apanha da azeitona". Bartolomeu brincava com os manos, primos e crianças filhas das mulheres que trabalhavam nos ranchos do avô - correndo as carreiras dos longos Olivais do avô ou brincando ás escondidas e jogos de aventuras nas ruínas do "Desembargador" e na cabana ou debaixo da Cerejeira da "Lameira". Vivia-se tal e qual o ditado:

"Correr Seca e Meca e Olivais de Santarém"


Talha de Azeite

Por fim era tão bom quando aos sábados se cozia pão e este, quando saído do forno, se abria quente para levar azeite e ser comido...



Azeite

Azeite não faltava nunca.
A avó, a mãe e a tia L... quando se juntavam

fritavam que se desunhavam!

......................


Tal como as suas avós, a mãe continua a seguir este ritual. É seu hábito fazer flores fritas que neste dia, e nos dias seguintes, são degustadas pelos seus gulosos familiares comensais.



A forma das flores

Este ano, ensinada pela madrinha, a mãe simplificou as flores para rodelas que se assemelham as Donuts esmagados:" Não dão tanto trabalho" - dizia!



Os fritos de 2009

Assistindo, Bartolomeu comeu cinco de enfiada: "Também não dá trabalho nenhum" - pensou!

......................

Hoje já não há estas preocupações! Também o diálogo com o Divino está ausente. Por esta razão as pessoas acham um motivo para a condescendência e para se proclamarem ou se dizerem Ateus, como se soubessem o que isso implica. Hoje em dia fritar massa para doces, em dia da Senhora das Candeias, é prenúncio para que haja abundância nos lares, reiterando o diálogo.


Assim quem não frita não dialoga.

E quem não dialoga... frita-se em dividas
e penhoras!

Porque será?



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