Manda uma antiga tradição
que no dia de N. Sr.ª das Candeias se façam fritos!
N. Sr.ª das Candeias
Estes fritos, pretendiam atrair a abundância de azeite numa época em que a economia tradicional desta cultura ainda tinha grande força entre os ínfimos, pequenos e médios agricultores, burgueses e famílias de meios e parcos recursos, que dele subsistiam o ano inteiro.
Oliveira
Os tempos de então não se compadeciam das necessidades humanas. Na ausência de um produto comercial acessível ou barato, era muito comum recorrerem-se aos rituais que solicitavam protecção para que o Divino intercedesse no vegetal e o vegetal em obediência ao Divino oferecesse uma boa colheita ao seu beato produtor.
Era uma questão de fé:
quanto mais fervor, mais azeitona - fácil, não é?
A apanha da Azeitona
Assim, muitas famílias, com a finalidade de encherem a sua talha comodamente, ou que esta nunca chegasse ao fim, disponibilizavam-se prontamente a cumprir este abençoado ritual numa época em que o azeite tinha de servir para ir à mesa, para confeccionar alimentos e ainda alumiar as casas. Tempos difíceis, é certo! Mas tempos certos que levavam a um maior diálogo com o Divino.
Um dos Olivais do Avô
Houve um tempo em que o avô teve grandes e longos Olivais - hoje repartidos, dada a sua ausência terrena. Era um tempo feliz. O tempo da "apanha da azeitona". Bartolomeu brincava com os manos, primos e crianças filhas das mulheres que trabalhavam nos ranchos do avô - correndo as carreiras dos longos Olivais do avô ou brincando ás escondidas e jogos de aventuras nas ruínas do "Desembargador" e na cabana ou debaixo da Cerejeira da "Lameira". Vivia-se tal e qual o ditado:
"Correr Seca e Meca e Olivais de Santarém"
Talha de Azeite
Por fim era tão bom quando aos sábados se cozia pão e este, quando saído do forno, se abria quente para levar azeite e ser comido...
Azeite
Azeite não faltava nunca.
A avó, a mãe e a tia L... quando se juntavam
fritavam que se desunhavam!
Tal como as suas avós, a mãe continua a seguir este ritual. É seu hábito fazer flores fritas que neste dia, e nos dias seguintes, são degustadas pelos seus gulosos familiares comensais.
A forma das flores
Este ano, ensinada pela madrinha, a mãe simplificou as flores para rodelas que se assemelham as Donuts esmagados:" Não dão tanto trabalho" - dizia!
Os fritos de 2009
Assistindo, Bartolomeu comeu cinco de enfiada: "Também não dá trabalho nenhum" - pensou!
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Hoje já não há estas preocupações! Também o diálogo com o Divino está ausente. Por esta razão as pessoas acham um motivo para a condescendência e para se proclamarem ou se dizerem Ateus, como se soubessem o que isso implica. Hoje em dia fritar massa para doces, em dia da Senhora das Candeias, é prenúncio para que haja abundância nos lares, reiterando o diálogo.
Assim quem não frita não dialoga.
E quem não dialoga... frita-se em dividas e penhoras!
Porque será?