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23 de março de 2011

CAIU O GOVERNO!

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Portugal não precisa de falsa eloquência nem de falsos profetas de punhos rendilhados e de falas mansas. Precisa de um trolha, CARALHO! Um trolha que meta as mãos na massa.

 

19 de maio de 2010

O FALSO PROFETA - CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

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Presságio de males, mortes e mudanças, há 100 anos Halley, o cometa, varreu os céus com tal magnificência que se acreditou que por fim, o mundo, antes do alvorecer do dia 19 de Maio de 1910, iria passar à história.

Por cá, como por todo o lado, tomaram-se notáveis pastilhas anti-Halley e outros fármacos de charlatanice que asseguravam proteger as gentes contra a ameaça dos nocivos gazes libertados pela cauda do cometa, que afinal eram só vapor de água, antes de se ir bailar ou festejar o fim do mundo desde os locais mais chiques aos mais pitorescos, enquanto dos púlpitos se pregava a rápida remissão dos pecados pela confissão. Em litanias e jaculatórias, ditas de amiúde em ladaínhas contra os males da moda, rezava-se:


"Do Cometa e dos Republicanos,
Libera nos Domine
!
"




Retirado do blog: Rua dos dias que voam


Curiosa analogia e semelhança a este 2010, assustadora até. O mundo, ordeiro e harmonioso, tal como conhecemos abre falência ou está para acabar sem que expire fatalmente. Uma outra crise na qual para afastar misérias festeja-se tudo por tudo e por nada, com aglomerados grupais para lá de multidões com deslocações massivas a roçar o êxodo. Nem de propósito, no seguimento da entrevista a Passos Coelho, pela Constança Cunha e Sá, ante a descodificação fleumatizada e bem pensada do seu emocionado e frio pedido de desculpas, fui parar por acaso ao canal 2 da RTP onde assisti a um entretenimento sobre a influência do cometa na sociedade portuguesa de então. Um documentário sincero e pragmático. Uma análise histórica com a assinatura do Centenário da República, helás!... Num rosário inerente de evidências supersticiosas, diluídas numa apresentação de ritmo jocoserio, eis-nos apresentado o fenómeno que sacralizou a república laica portuguesa, perfilando-se à força o tal mistério da natureza como o mais forte dos seus jacobinos, confirmando na sua pressagiada aparição novo fenómeno messiânico, que fará aparecer numa outra Belém novos líderes e chefes políticos de uma nação.

100 anos depois, numa época de descrença promovida pela mesma República, na sua terceira forma, a mesma apresenta-nos agora, de forma escamoteada, o avistamento de Halley como um dos seus ícones máximos. Não é um capricho meu arrogar esta tese, caro leitor. De outra forma, para quê foi a Comissão do Centenário aceitar tal proposta, lembrando esta curiosidade histórica de um comportamento pluralizadamente fanático e anárquico, de vestes e expressões picarescas de garrido sensacional, portanto folclore, gastando-se um pingo de fortuna do orçamento das comemorações com uma recordação assaz tão trivial e tão pouco racional quanto é a coluna de astrologia de qualquer magazine ou jornal?(*) Quando, a título de lembrança, a Cantata Patrie, de Alfredo Keil, essa sim, um precioso monumento de arquitectura musical de verdadeiro condão histórico republicano permanece esquecida, vendo-se preterida à composta sinfonia de pout pourri cósmico pós-moderna sobre Halley, sem o brilho e a graça com que o mesmo rasgou nesse 1910 os céus da imaculada Lisboa e do ingénuo Portugal. Mal empregadas meninges, convocadas a uma comissão, que desconhecendo a sua própria história negligenciam património que a tantos inflamou e ligou no verdadeiro e puro espírito republicano. Portanto, Halley, é a deificação do ateísmo, à boa maneira Volteriana, adaptada ao desinteresse cultural português. Halley, o Redentor. Halley, o prenúncio Sebastianista. Halley, o Garibaldi português de barrete frígio. Halley, o novo astro e a nova esperança coroada de pedreiros e carvoeiros. Halley, a arma secreta. Halley, o protector da República, que incapaz de a destronar - como em Inglaterra haveria de fazer na sua passagem sucumbir o então senhor e imperador do mundo, o royal inglês, Eduardo VII - pôs-se postumamente na razão directa da sua instauração como um aliado mercenário, que, actuando pela calada, se viu servidor do intuito de uma ideologia reaccionária. Na realidade assim se acreditou: Halley, o libertador. E é a isto que estamos entregues!

Durante o tempo em que sorriu pelo espaço foi usado e abusado por todos os quadrantes pessoais, sociais, religiosos e políticos. Foi louvado, agraciado, atemorizado e zombado por todos aqueles que puxando a brasa à sua sardinha se entretiveram desde o dolce far niente à usurpação de bens alheios. Houve no temor, quem projectasse o melhor de si para com os seus e com os próximos, como quem o usasse para catequizar pervertidamente o republicanismo assente no mito milenar do presságio de mudança, como augúrios de oráculos-de-vão-de-escada, levando o influenciável, supersticioso e analfabeto Zé Povinho "Bordaleiro", "que não se governa nem se deixa governar", pela arte de bem falantes e letradas mentalidades iletradas, a apoiar-se na falsa fé e em crendices que o colectivo heterogéneo conduziu levando um regime político ao seu termo.

Se a história, seja ela qual for, nos serve de algo então é bom quanto antes aprender com ela, já que hoje em frente ao espelho não se sabe de que lado se está!



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(*) No dia de ontem, a Bertrand apresentou O Cometa da República do professor Joaquim Fernandes, o autor responsável por este documentário e o mesmo que há anos acerca a sua credibilidade, em conjunto com a distinta Fina D'Armada, na perseguição de Fátima, acusando o objecto da aparição de uma natureza que não a divina, dando ao conjunto e seu conteúdo soluções tão imaginosas quanto a criatividade de Dan Brown. E entre estes, enquanto que o romancista escreve um bom e inteligente livro, esta excêntrica parelha escreve teses do arco da velha que num serão inspirariam boas gargalhadas.

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News about:

Passos Coelho: "Se Sócrates mentiu, não tem condições para continuar"
Passos Coelho acusa Sócrates de fazer leitura irrealista do país

2 de maio de 2009

VERGONHA OU MEDO?




"É agora... É agora... É agora o momento..."


O que é isto?



Será algum problema de consciência

ou

será temor por alguma circunstância idêntica

à

da pobre Rainha Holandesa,
não por um desempregado mas por centenas deles?


* * * * * *

Afinal a crise parece ser um problema nacional!


13 de abril de 2009

EQUADOR - A SÉRIE (O)!


Já algum tempo que está no ar a série portuguesa Equador. Fruto da obra literária de Miguel Sousa Tavares, adaptada à televisão pela TVI e anunciada como a melhor e mais cara produção de sempre! - há quem diga que a obras são dois Contos inacabados da sua saudosa mãe, a grande Sophia, laboriosamente truncados e resolvidos no estilo agressivo e abrupto que Miguel Sousa Tavares nos tem habituado. À fina flor da pena e punhados de renda eruditos maternos, a amarga e violenta dissonância do eloquente filho.

Postos estes pareceres: Uma produção de luxo - assim parece. Dinheiro esbanjado. Produto vendido como se fosse o melhor da Globo ou Hollywood - estes com menos fariam mais e melhor, é certo! Visualmente assim se assemelha, no que se joga e no que se mostra, raramente conjugando-se o género e a perfeição: perucas forçadas e mal colocadas, algumas vestes femininas mal talhadas aos corpos que as desfilam, anacronismos de hábitos e moda, demasiada sumptuosidade para ambientes internos simples e coloniais - quando a obra literária contrasta e enaltece a beleza natural de S. Tomé em oposição ao "caos" e "lu (i) xos" dos ocupadores - que em termos de produção seguem no encalço do estilo da fraquíssima"Terra Nostra" e das melhores produções brasileiras, onde tudo já foi ensaiado e experimentado em 30 anos de trabalho - aqui redundados em semanas numa amálgama fraca, fraquinha.

Fica a nota ao portuguesismo enaltecido nesta série. A limpeza de imagem da enegrecida Monarquia e da dinastia Bragantina, pós ultimato. Os esforços diplomáticos de D. Carlos contra a absorção e usurpação europeia de Portugal - para os menos esclarecidos, foi nesta época que se demarcou e concretizou o Império Colonial Português caído no 25 de Abril de 1974.

Assim o Equador, ao invés do presente, mostra-nos Portugal no seu esplendor lutando emergentemente contra as esmagadoras e tenazes frentes europeias.

... ... ... ...

Ontem pela primeira vez, porque estava ao serão com a família, no repasto de um típico e opípero jantar Pascal, fui honrado com um episódio que se asobremeseou em surpresa, admiração e esboçados sorrisos. Alertado dos aforismos, anacronismos e outras boas doses incomensuráveis de qualquer espécie sobre um espalhafato chamado Equador, deixei-me levar por todo um episódio!

Cores bonitas. Planos jeitosos. Caras bonitas. Interpretações entre a excelência, o bom, a naturalidade do "metier", o forçado, o muito forçado, o escolástico, o mal-preparado, o pouco à vontade, o "caído do céu", o "robertiano", o apalhaçado circense e os que sem mais... faziam de si mesmos - como aquele que passava a vida a anunciar Cavalos, Anões e Mulheres nuas e aqui aparentava ter tomado doses cavalares de calmantes para "não se levantar e rir".

Alvissaras ao Nicolau Breyner, Alexandra Lencastre e José Wallenstein!

Um bom Nuno Melo, Ana Bustorff e Manuela Couto limitados pela extensão dos seus papéis! Menção aos actores negros, que se fazem ver muito bem! De resto tudo condimentado ao acaso, mas... nada de chocante. O trivial de sempre, só que desta vez em época - porém numa série em época qualquer erro, qualquer deslize, qualquer imprudência num gesto, num passo ou numa palavra são demolidores e devastadores da credibilidade de todo o trabalho.


E assim, lá fui apreciando o Equador assistindo ás interpretações de papéis entre o muito bom e o medíocre - sendo a mediocridade o registo dos papéis principais e a excelência o registo dos papéis menores - o típico dos erros de casting portugueses, e, uma geração Morangos-com-Açúcar com pseudo-actores a trepar por aí que nem ervas-daninhas, aparentadas de "Eras".

Mas vamos ao que interessa. Como dizia: "lá fui apreciando o Equador" até que se ouve a celebre ária "La Donna é mobile" tocada na grafonola do excêntrico Governador, Luis Bernardo. Seguindo o rasto do som, João Forjaz, chega à casa de banho. Com admiração, vendo o seu amigo banhar-se entre charutos e musica, pergunta:

- Verdi na casa de banho?

Esclarecidas as exclamações, começam:

- Opera: Rigoletto. I acto. A festa cheia de mulheres, o Duque exalta as suas belezas cantando esta ária...

... E não é preciso ir mais longe... Erro Crasso, que nem Crasso erraria! Escândalo, horror! Como será possível - pensei pasmado e incrédulo pulando no meu sofá, uma vez que nem tudo estava a ir mal e até já achava algo exagerado os comentários escutados e o que por aí lera sobre o assunto - por quem já vira!

Tal como a diferença do sabor do açúcar para o sal, um conhecedor de ópera saberá logo, mas logo mesmo, que a ária
executada no momento acima descrito é o "Questo o Quella" - que Alfredo Kraus elevou, em conjunto com todo o papel, aos píncaros da ópera com uma característica e estridente gargalhada jogada a meio da ária, e que Pavarotti lhe arremessou com tanta robustez e assombrosa vocalidade, que reina post-mortem como o melhor "Duca" de sempre - qualquer CD de Highlights de ópera, vendido nos super-mercados a 3.90 €, o atestam - procurem!

Mas não se fica por aqui: Estamos numa época anterior a 1908. O cantor de então era o lendário Enrico Caruso de quem se fizeram, em 78 rotações, as primeiras gravações de árias de ópera de tenor em conjunto com outros... mas a voz que se ouvia não era de nenhum destes lendários que conheceram e beijaram a mão a Verdi. Em 1908, Caruso ou qualquer outro já a gravara. Portanto um erro histórico incompreendido, e, só tolerado se tal registo não existisse ainda! Não obstante, o som não era o ruidoso vibrando a lata de uma verdadeira e característica grafonola, mas na realidade algo cheio de eco e de efeitos inverossímeis. Bah!

"La Donna é mobile" é executada no IV acto de Rigoletto. É o enaltecimento chauvinista e machista masculino desclassificando a mulher a mero objecto de prazer - o objecto de fornicação sexual. Compreendendo a intenção do argumentista/guionista, assaz infeliz, sugere-se neste pretexto a trivialidade da conversa masculina sobre a volúpia feminina aqui tratada puerilmente, sem picante e sem a cumplicidade de dois amigos daquele gabarito. Duvido mesmo que até as mais conservadoras e octagenárias senhoras, da melhor sociedade, se tenham inflamado ou sentido algum rubor - expectantes de um maior atrevimento, sem mais, adormeceram novamente em frente ao televisor!

Neste argumento adivinháva-se ainda uma comparação próxima dos dois personagens... O efeminizado Luís Bernardo não se assemelha a um "Don Juan" ou um "Marialva" das colónias portuguesas e pouco ou nada tem em comum com o "Duca di Mantua" - mais depressa o Duca, um Don Juan ou um Marialva tomariam banho ouvindo os seus cavalos relinchar... do que escutando uma ária trinada por um gordo cantor espiando a masculinidade alheia!

Erro Crasso! - reitero e afirmo - nos diálogos e na falta de cultura dos guionistas e na equipa de sonoplastia - os quais se encarregam nestas produções de fazer as pesquisas musicais.


Eis portanto o triunfo da estuporização, da arrogância e da usurpação dos lugares que não lhes são devidos e a quem de direito são privados de serem ocupados - a Wikipédia, não substitui anos e anos de estudo e conhecimento acumulado!

Uma recomendação a estes Senhores, se tal me é permitido: - Mes amis, gosto muito do vosso trabalho mas há que distinguir o sério do cómico! Pedir conselhos e copiar os modelos dos outros não é feio nem é plágio. A isso chama-se adaptar e quando é bem feito é andar para a frente, achando-se o caminho para a glória. Orgulho e altivez quando não se sabe, pensando que se sabe tudo, é fazer algo muito feio designado por ... (Valha-me Deus, pelo que vou dizer) ... "Trampa" - que passo a expressão e peço mil perdões, ainda que usando o termo erudito português, por sua vez mais suave que o francesismo vulgarmente utilizado que corre habitualmente a boca, o pensamento e a postura do ser e de ser português, como "piéce de resistance".

É o efeito Socrates - o Socrates português!

AIQUEDOR


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