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23 de maio de 2010

SANTA QUITÉRIA EM MECA

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(texto revisto e aumentado)


Meca, caro leitor, não é só a cidade santa do Islão ou a Hollywood cinematográfica. Meca é também uma pequena aldeia do concelho de Alenquer, a 30 Km de Lisboa, e tal como a sua homónima islâmica é também um local de fé e de crença, desta de pendor cristão e católico.


(c) Santos & Santinhos


Por qualquer lado que se chegue a esta Meca portuguesa, o avistar da Basílica, sobranceira ás baixas casas locais, vinhas e arvoredo frondoso ou de fruto, tem o seu impacto à vista, dado a espectacularidade arquitéctonica do edifício que surpreende um olhar desprevenido, sobretudo pelo seu achamento num local tão invulgar como este. Na realidade, a Basílica, erguida numa encosta dos extensos vales e terras da Casa da Rainha, é apenas um rico ermitério que assim se manteve até 1847, ano que foi instituída como igreja matriz. Assim, este templo, a casa da nobre Santa Quitéria, na sua magnificência, não era mais que um ponto de romagem anual que abria em todo o seu esplendor apenas no mês de Maio, quando se verificava o maior afluxo de peregrinos. Hoje, em que um tal culto visivelmente esmorecido sem as afluências e folclore do passado, apesar da reafirmação anual dos festejos a esta devoção, como propriedade genética da antropologia local afirmada pelas vizinhanças, confirmado as sábias palavras de Paulo VI: "É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja" (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153), este complexo sobressai para todos nós como uma admirável peça museológica a qual necessita de um urgente olhar ante a sua acelerada degradação.


(c) Santos & Santinhos


Conta uma antiga tradição que em 1238 perto da Quinta de São Brás foi encontrada numa árvore uma imagem na qual se reconheceu a virgem e mártir Santa Quitéria. Acolhida na Igreja Várzea aí permaneceu até à criação de um templo condigno no século XVIII. Ao que parece, no local onde a imagem tinha sido encontrada fora construída uma ermida, sensivelmente no local onde hoje se encontra a Basílica, à qual chegavam muitos peregrinos e promessas de curas fazendo-se festa, procissão e bênção do gado desde tempos de perder a memória.



(c) Santos & Santinhos


A fama deste local foi crescendo e com ela as afluências de gentes e de povo agrupado em círios oriundos dos mais diversos pontos do país. Formou-se então uma Confraria que chegando a ser uma das mais ricas e abastadas do país, que na zona centro portuguesa concorria como um dos pontos de maior afluxo de peregrinos, a par dos santuários de Nossa Senhora do Cabo e de Nossa Senhora da Nazaré, ganhando notoriedade na famosa máxima popular, que nem Garret soube compreender, naqueles que a relacionam com os círios desta romaria: "correr de Seca a Meca e olivais de Santarém", que assim ser deambulavam até aqui desde esse lugar na serra algarvia.



(c) Santos & Santinhos



Santa Quitéria é a advogada da hidrofobia, ou seja a doença da raiva. Controlado este mal, graças ao avanço da ciência e medicina veterinária, nos séculos anteriores à fleuma que hoje se assiste, a raiva era um mal temido aos animais e ás pessoas que por eles fossem mordidos, nomeadamente os cães. Doença infecto-contagiosa, é ainda hoje considerada como de rápido efeito mortal e uma das mais fatais, mesmo em comparação ás mais temidas doenças do século XX. Vale a pena ler este opúsculo sobre a raiva para melhor perceber o que foi esse flagelo e a importância de Santa Quitéria de Meca para a medicina empírica seus remédios, mezinhas, tratamentos e esperanças. Dele retiro apenas a menção do processo de cauterização usado na cura contra pessoas com hidrofobia, aplicando o pároco local nos enfermos, por entre rezas contra os males, um ferro em brasa nas feridas; os célebres pãezinhos ou merendeiras de Santa Quitéria para serem dados aos animais prevenindo-os contra a moléstia; e as fitas escarlate benzidas nesta Basílica, que de norte a sul de Portugal, como amuleto, protegiam as gentes contra as mordidelas dos animais danados.


(c) Santos & Santinhos



Em 1757, a Confraria decide empreende a construção de um novo edifício para o culto dado o anterior se encontrar ainda em estado de ruína em consequência do cataclisma de 1755. À certamente modesta ermida, surge agora pelo desenho de Mateus Vicente, o arquitecto da casa real, um esplendoroso edifício de linguagem moderna. Em estilo neo-clássico, acha semelhanças como traçado da Basílica de Mafra, e outras suas congéneres lisboetas, traçadas também por este arquitecto. Porém, no reinado de D. Maria I, como as obras estavam demoradas, a Confraria, no benefício de esmola real, obtém o favor régio no patrocínio do empreedimento, quem sabe se num apelo ao divino pela cura da demência psiquiátrica da rainha, verificando-se a rápida conclusão do edifício em 1799. Inaugurada então com pompa e circunstância, foi dedicada e consagrada à Basílica de São João de Latrão.


(c) Santos & Santinhos



A riqueza desta Basílica é de tal forma tão exuberante que facilmente um seu visitante, no seu interior, perde a noção que se encontra no campo, podendo-se pasmar na saída por não se encontrar no Chiado ou qualquer outro recanto da Baixa Pombalina. De facto, o interior deste templo impressiona, sobretudo nas pinturas de Pedro Alexandrino, conhecido como o pintor dos frades, e, entre outros tantos da capital, o mesmo que foi responsável pelo tecto da Basílica dos Mártires. Vale a pena observar com calma este harmonioso firmamento de formas e cores de gente posando teatralmente envolta de medalhões, florões, motivos vegetais, simbologias e outras delicadezas, do qual hoje, desgraçadamente, se encontra ausente um grande lanço, que ameaçando cair, foi habilmente retirado para que no seu restauro e futura reposição não defraude a sequência dos episódios da vida de Quitéria. No coruchéu, estão representados em proporções colossais os quatro evangelistas, também do mesmo autor. Este conjunto de pinturas é sem dúvida uma obra ímpar na história da arte portuguesa, que não sendo uma habitual alegoria centralizada num único momento, estado ou moral, segundo a tradição, acha uma equivalência sistiniana pela descontinuidade do assunto agrupado em quadros e pelas decorações que completam os temas. Vale ainda a pena referir, como obras de grande valor, as telas que decoram os braços laterais, nomeadamente a Ceia de Cristo e A pregação de São João Baptista.

(c) Santos & Santinhos


Em súmula desta explanação: A Basílica de Santa Quitéria de Meca, que aqui tentei ilustrar por palavras e fotos, merece a nossa máxima atenção. É parte da nossa história. É parte da nossa crença que ali está depositada. É a nossa cultura. É a nossa arte. Hoje o sumptuoso templo está num visível estado de decadência mantido sabe-se lá como e com que esforços. Certo de não poder fazer mais do que isto, lanço aqui um apelo e olhar como o meu contributo para a sua consciencialização e esperança do apoio necessário para que não se desfaça até à ruína.



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30 de junho de 2009

NA PEÚGADA DO CORAÇÃO DE JESUS... - ÚLTIMA DEMARCHE!


BASÍLICA DE SANTA LUZIA

E DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS





Construída no monte da Santa das Luzes... Lucía de Siracusa - a virgem martirizada que de entre as múltiplas torturas que sofreu, a mais célebre foi a remoção dos seus próprios olhos; Lúcia, termo italiano que deriva da palavra Luce (Luz), que conhece a corrupção do termo para Lúcia e que encontra em português a denominação traduzida para Lúcia ou Luzia; Luce, luci, luz ou luzes é ainda um termo que designa a visão, a luz que se vê aos olhos, o olhar que cerca a vista. Decaído o seu uso regular na linguagem quotidiana, é ainda muito comum encontra-lo nas formas poéticas clássicas, e anteriores a esta época.

Construída no monte da Santa das Luzes... esta Basílica viu-se inspirada na já famosa Basílica da "Cidade das Luzes" - O Sacré Coeur -, e mais do que uma inspiração de fervor foi também uma inspiração de formas e novas modas introduzidas e adaptadas a um novo Portugal, influenciado por tantos francesismos culturais e políticos.

Assim, no monte da Santa das Luzes... sobre esplendoroso miradouro natural de perder a vista num longínquo horizonte, foi construída uma Basílica dedicada a Santa Luzia e ao Coração de Jesus.

Incrementado o projecto pelo padre António Martins Carneiro, certamente lembrando-se dos Santuários e Basílicas que povoam a região de Braga e Guimarães, dotando assim Viana do Castelo de um espaço religioso que no mínimo rivalizava com os já citados, o moderno traço da Basílica foi encomendado ao então grande arquitecto Ventura Terra,
responsável por numerosas obras de intervenção e outras de grande envergadura em Portugal, e distinguido anos antes pelo Rei Dom Carlos com compasso que antes pertencera ao grande Ludovice.

As obras iniciaram então em 1903 e foram concluídas em 1943,
no contexto de todo o complexo religioso, sendo que o local já se encontrava aberto ao culto desde 1926.



A fachada da Basílica ostenta então uma preciosa estátua do Coração de Jesus, em bronze, do escultor Aleixo Queirós Ribeiro, que encontra uma réplica no interior (desta em mármore de Vila Viçosa).

Completa-se assim o segundo monumento português ao Santo Coração de Jesus, fruto de uma devoção que conhece todo o país.



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Por todas as cidades, vilas, aldeias e lugares portugueses encontram-se em quase todas as Igrejas ou Capelas uma imagem desta devoção. Imagem, que vem repor a figura de Jesus Cristo num acto longe do seu martírio. Imagem de Cristo Redentor, que lembrando o martírio, não sofre nem se humilha. Pelo contrário, em posse e vestes majestáticas ornadas de ouro, sereno e de sorriso tranquilo e com meigo e discreto gesto, exibe o seu Coração convidando-nos a adora-lo.

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MONUMENTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA





Em 1917 na Serra d'Aire, numa cova no cimo da Serra, Maria, a mãe de Jesus deixa-se aparecer a três meninos. Na terceira aparição, a Senhora, sempre entristecida, mostra aos pequenos os horrores do "dito" inferno e mostra-lhes o Seu coração dilacerado pela dor dos pecadores.

Em 1932, já no crescente e desorganizado Santuário de então, é colocado bem em frente da capelinha das aparições uma estátua do Coração de Jesus, a qual encima o chafariz que oferece água aos ardentes e sequiosos peregrinos de Fátima.

Esta imagem de Bronze, de autor desconhecido, foi na altura oferecida ao Santuário por um devoto, e nela, Jesus de braços ligeiramente abertos parece abraçar todos quantos a seus pés bebem da água, que é água de fonte de renovação que brota do seu coração.



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Jesus é assim lembrado, mesmo no centro do Santuário, que é o principio e o fim, e, que na sua radical mensagem nos declara que ninguém chega ao Pai se não for por Ele. É Ele a nova aliança entre Deus e os homens, e também a nova aliança religiosa portuguesa iniciada pela Rainha D. Maria de Portugal na já referida Basílica da Estrela.

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SANTUÁRIO DE CRISTO REI




Em 1934, numa visita ao Rio de Janeiro, o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira, fica impressionado com a monumental imagem de Cristo Redentor do Corcovado - o guardião espiritual da nação brasileira, em detrimento dos guardiões maçónicos e de outras confissões obscuras, que se foram impondo nas principais cidades do mundo (o Cristo Redentor, era uma ideia acalentada desde os meados do séc. XIX. O projecto ganhou forma sendo que foi lançada a primeira pedra em 1922, nas comemorações do primeiro centenário do Brasil, como marco espiritual e religioso dessa efeméride. Foi inaugurado a 12 de Outubro de 1931, no dia de Nossa Senhora Aparecida - a quem se dedica uma capela nesse santuário).

Em 1934, depois de uma visita ao morro do Corcovado, o Cardeal Patriarca trouxe aninhado no seu coração a ideia de reproduzir no seu
beato Portugal semelhante monumento. Um monumento novo. Um monumento construído de raiz. Um monumento moderno, aristocrata e grandioso que rasgasse a monotonia empoeirada a que Portugal estava votado em tradicionalismos seculares, que se renovavam em cada ano, mesmo nas novas e modernas devoções. Um monumento arrojado e inovador que Salazar não gostou!

Porém a sua iniciativa não se ficava apenas por erguer um monumento físico e circunspecto somente ao local onde fosse erguido. Em 1937, depois de reunidos os Bispos portugueses, este objecto será proclamado como monumento de consciência religiosa da nação portuguesa.

Em 1940, em Fátima, já no decorrer da II Guerra Mundial, esta ideia converte-se num piedoso voto que revigorará a mensagem passada aos fiéis nos púlpitos. Será então símbolo de paz no voto manifestado pelos Bispos:

"Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ía sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade".

O arranque das obras terão início em 1949.

Escolhido o local, o santuário erguer-se-á nas colinas de Almada, bem defronte de Lisboa, para que nesta cidade pudesse ser alcançado nos seus mais diversos pontos e localizações. Intenção que achou eco nas palavras de D. José Policarpo, por ocasião dos cinquenta anos do monumento, na seguinte exclamação:

“Os habitantes da grande Lisboa têm essa particularidade: não precisam de entrar numa Igreja para rezarem diante de uma imagem do Coração de Jesus. Toda a cidade se transformou num templo, onde só não sente o amor de Cristo quem não quer".

A estátua de Cristo-Rei, assumidamente de braços abertos e com um enorme coração, foi da autoria do Mestre Francisco Franco, e o projecto do monumento do arquitecto António Lino e Eng. D. Francisco de Mello e Castro. O enorme monumento de betão, material esse cheio de simbologia modernista, foi custeado pela esmola do povo português na subscrição contribuída nos ofertórios Dominicais.

Inaugurado em 1959, com pompa e circunstância, a cerimónia contou com a presença do Estado Português, o Cardeal-Patriarca de Lisboa,
o Núncio Apostólico, os Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques, os Bispos Portugueses, centenas de fiéis, a imagem de Nossa Senhora de Fátima e até do próprio Papa João XXIII através de uma mensagem de Rádio.




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Esta última consagração renova bem a importância de Jesus Cristo no centro da sua Igreja, por vezes remetido exclusivamente para a Eucaristia.

Relembrando-nos a Sua presença quotidiana, nos passos das nossas vidas, Jesus não tem problemas em abrir os seus braços até à sua extensão máxima, pois neles, mais do que a lembrança da Cruz, reside o incondicional abraço fraterno que está disponível a todos. Neles, o convite!... O convite, a que por imitação o abracemos de coração exposto, de coração aberto!



O coração de Jesus é amor,
e o nosso assim será se assim o quisermos!


22 de junho de 2009

REFLEXÃO:




Olhar a Estrela é contemplar o Coração de Jesus!


20 de fevereiro de 2009

QUIZZ SHOW!







O que é que estes Anjos têm a mais?


18 de fevereiro de 2009

18 de janeiro de 2009

UM PASSEIO POR MECA...














BASÍLICA DE SANTA QUITÉRIA DE MECA
- Alenquer -


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