Música:
Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida
(1826 - 1898)
Poema:
Francisco Duarte de Almeida Araújo
e
Francisco Joaquim da Costa Braga
O dia da da redempção
Caem do pulso as algemas
Ressurge livre a nação
O Deus de Affonso, em Ourique
Dos livres nos deu a lei:
Nossos braços a sustentem
Pela pátria, pelo rei
Ás armas, ás armas
O ferro empunhar;
A pátria nos chama
Convida a lidar.
Excelsa Casa, Bragança
Remiu captiva nação;
Pois nos trouxe a liberdade
Devemos-lhe o coração.
Bragança diz hoje ao povo:
"Sempre, sempre te amarei"
O povo diz a Bragança
"Sempre fiel te serei"
Ás armas, ás armas
etc, etc...
Esta c´roa portugueza
Que por Deus te foi doada
Foi por mão de valerosos
De mil jóias engastada.
Este sceptro que hoje empunhas,
É do mundo respeitado,
Porque em ambos hemispherios
Tem mil povos dominado!
Ás armas, ás armas
etc, etc...
Nunca pode ser subjeita
Esta nação valerosa,
Que do Tejo até ao Ganges
Tem a história tão famosa.
Ama-a pois, qual o merece;
Ama-a, sim, nosso bom rei
Dos inimigos a defende,
Escuda-a na paz, e lei.
Ás armas, ás armas
etc, etc...
Ai! Se houver quem já se atreva
Contra os lusos a tentar,
O valor de um povo heróico
Hade os ímpios debellar.
Viva a Pátria, a liberdade,
Viva o regime da lei,
A família real viva,
Viva, viva o nosso rei.
etc, etc...
A cena final, a coroação de D. João de Bragança como rei de Portugal, é recriada seguindo os protocolos, juramentos, vivas tal como o descrevem os escritos da época e conforme os quadros que se encontram no Palácio Nacional da Ajuda. Entre cada par de estrofes seguem-se em cenas faladas a dramatização das tais recriações, que constituíram a única coroação em cerimónia pública de um soberano português perante o entusiasmo do povo.
Sendo música de carácter marcial, apropriado por isso ao registo das bandas militares e filarmónicas, foi adaptado pela então recém-criada Sociedade Histórica da Independência de Portugal, como hino oficial das comemorações das festas da Restauração, para a execução em conjunto com o Hino Nacional vigente, na inauguração do monumento que esta sociedade fez erguer na praça que se passou a designar de Restauradores.
A partir de então, e por imitação a estas celebrações que se passaram a ser assinaladas anualmente por todo o país como festa regimental civil, a sua divulgação tornou esta peça musical num dos mais estimados Hinos populares portugueses (ao lado do Hino do Minho, vulgo Maria da Fonte, do maestro Frondoni - criado em circunstâncias semelhantes, e adaptado na altura dos motins).
Durante o Estado-Novo, em consequência de alguns procedimentos herdados da 1ª República, no cessar ou transformação de acontecimentos, instituições, edifícios públicos, religiosos e civis e formas e agentes culturais populares e eruditos associadas à monarquia, com o foi o caso da festa da Restauração para a festa para da Bandeira Nacional, já que este era uma celebração incontornável dada a popularidade que se atingiu com este acontecimento, sobretudo na criação no imagético português (como ainda nos anos oitenta do século anterior se arreigava às crianças e estudantes nas aulas académicas de história) do eterno Lusitano a pontapetar o Castelhano na alusão do pequeno mas valente. Assim, quando na criação da Mocidade-Portuguesa este hino foi adoptado por este ideário como um dos seus hinos/cânticos, a antiga letra viu-se convenientemente alterada, perdendo-se daí em diante o carácter e a memória da intenção dos versos originais.
Só mesmo aqui aqui é que hoje não se ouviu o "1º Dezembro". Por todo o lado, como tive notícias, houve execuções populares do hino de mais ou menos carácter - graças a Deus e aos sentido patriótico que ainda parece existir, e, que ontem lastimava como ausente. Na certeza do silêncio da noite de ontem acabei por me deixar dominar pelos sentidos abandonando a razão. Afinal, parece que ainda existe esperança!







