IRLANDA: ABUSOS SEXUAIS A CRIANÇAS EM INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS
Depois de nove anos de investigações junto de centenas de escolas e instituições de acolhimento de crianças por toda a Irlanda e depois de mais de um milhar de vítimas entrevistadas, a comissão de inquérito, criada pelo governo irlandês em 2000, produziu um relatório de 2500 páginas que envergonha a igreja católica e as autoridades da educação no país.
"Os abusos sexuais eram 'endémicos' nas instituições para rapazes (...) enquanto que no caso das raparigas os abusos não tinham carácter tão sistemático", diz o relatório, que analisa um período entre 1936 e o final dos anos 90 e adianta que "as autoridades religiosas sabiam que os abusos sexuais eram um problema persistente nas instituições religiosas para rapazes".
De acordo com o relatório, a Igreja católica "não escutou as pessoas que se queixavam de abusos sexuais ou não acreditou nelas, apesar das provas recolhidas em investigações policiais".
"Quando os religiosos cometiam abusos, o problema era tratado através de procedimentos disciplinares internos e segundo a lei canónica", refere o relatório, salientando que "homens que já tinham cometido abusos sexuais quando eram membros de ordens religiosas continuaram a cometê-los enquanto professores".
O documento condena também o ministério da Educação irlandês, que "nas raras ocasiões em que teve conhecimento (dos abusos) tornou-se cúmplice do silêncio".
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