A PRIMEIRA IGREJA DO MUNDO
DEDICADA AO CORAÇÃO DE JESUS
Lisboa 1789
Enquanto não chega Sanctus Johannes - com o cordeirinho e os seus caracóis louros -, sugerimos (o blogue e eu) uma nova reflexão sobre Jesus e o seu Santo Coração:
Ó generoso órgão
ardente de paixão e de amor pelos homens!
Ora pro nobis
ardente de paixão e de amor pelos homens!
Ora pro nobis
Em 1760 a beatissíma princesa D. Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, no dia do seu enlace matrimonial com seu tio D. Pedro de Bragança, certamente apoiada pela lembrança dos gestos de seu avô João, fizera um voto ao SS. Coração de Jesus de erigir um convento para as Religiosas descalças da ordem do Carmelo, como penhor da sua descendência na figura de um filho varão. No ano seguinte, nasceria o seu primogénito. Um rapaz, o infante D. José.
Porém o projecto só ganhará forma em 1777 quando a 13 de Maio, desse ano, a princesa Maria Francisca, ascende ao trono como a primeira rainha portuguesa de plenos poderes - ante as vozes de protesto, que ditavam que a princesa deveria renunciar em favor do seu varão.
Em cumprimento do tão adiado voto, entre o conflito de interesses Pombalinos e pessoais, o projecto de uma nova Igreja surge como uma das primeiras medidas do seu governo. Distante da cidade iluminista de Pombal, é escolhido um terreno da Casa do Infantado no casal da Estrela. Ao arquitecto Mateus Vicente é encomendado o trajecto do Convento e da Igreja, que em tudo seguiriam o exemplo de Mafra.
A primeira pedra será lançada em Outubro de 1779, tendo então as obras começado pela parte conventual. Em 1786, na altura em que as obras estavam concluídas até à cimalha real, o arquitecto Reynaldo Manuel sucede a Mateus Vicente transformando o atarracado plano da Igreja inicial, sobretudo nas torres e no zimbório, numa sumptuosa Basílica, ainda que condicionada pelos planos originais .
Em 1788, pouco antes da conclusão final da obra e da efémera pompa de sagração da Basílica, morre vitimado de varíola o príncipe D. José. Constituirá este facto o golpe decisivo à ferida aberta em 1786, com a morte do seu consorte D. Pedro, ao abatimento e demência mental crónica da Rainha.
Porém, em 1789 a corte sairá de Queluz para vir a Lisboa.
Nesse dia a cidade engalanou-se para ver a Rainha passar. No seu coche, percorrerá a cidade até ao sítio da Estrela onde grande multidão de populares e curiosos, por entre salvas continuas de morteiros, foguetes e fanfarras, dão vivas à Rainha e ao príncipe real D. João.
Altiva e de olhos brilhantes de nervos, a pia e assustadiça Rainha sabe que é necessário esconder o seu demente abatimento de tudo e de todos, e até de Deus a quem urge pedir perdão pelos seus fustigados mortos que crê arderem no inferno. O principe D. João, sempre pronto, colmatando o que já de si é evidente, apressa-se a concluir as formalidades iniciadas pelo breve gesto da sua soberana mãe, aos quais o poderoso Pina Manique cobre a retaguarda de sobrolho erguido, sorrindo em aparatosos e incontestados gestos.
A sagração faz-se com cerimónia pontifical na figura de Dom José Francisco de Mendonça - o Cardeal Patriarca -, acolitado pelo Confessor da Rainha, Bispos e Arcebispos, Cónegos, demais figuras do clero, Carmelitas e Jesuítas.
Na basílica, revestida de esplendorosas luzes soa o imponente Órgão acompanhado pela brilhante orquestra da corte - a maior da Europa, no dizer de Beckford. Musica certamente de David Perez e do maestro Sousa Carvalho, que provávelmente, como compositor-da-corte, dirigia a orquestra, os castrados e o Coro de crianças e homens reunidos para a grande Cerimónia.
Entronizados e imbuídos de espírito religioso, tomaram parte pois em imensa solenidade que deve ter durado uns bons 2 pares de horas, por sua vez rematadas com brilhante e espectacular Te Deum em louvor e acção de graças ao SS. Coração de Jesus naquela que foi a primeira Basílica do mundo consagrada a esta devoção.
Porém o projecto só ganhará forma em 1777 quando a 13 de Maio, desse ano, a princesa Maria Francisca, ascende ao trono como a primeira rainha portuguesa de plenos poderes - ante as vozes de protesto, que ditavam que a princesa deveria renunciar em favor do seu varão.
Em cumprimento do tão adiado voto, entre o conflito de interesses Pombalinos e pessoais, o projecto de uma nova Igreja surge como uma das primeiras medidas do seu governo. Distante da cidade iluminista de Pombal, é escolhido um terreno da Casa do Infantado no casal da Estrela. Ao arquitecto Mateus Vicente é encomendado o trajecto do Convento e da Igreja, que em tudo seguiriam o exemplo de Mafra.
A primeira pedra será lançada em Outubro de 1779, tendo então as obras começado pela parte conventual. Em 1786, na altura em que as obras estavam concluídas até à cimalha real, o arquitecto Reynaldo Manuel sucede a Mateus Vicente transformando o atarracado plano da Igreja inicial, sobretudo nas torres e no zimbório, numa sumptuosa Basílica, ainda que condicionada pelos planos originais .
Em 1788, pouco antes da conclusão final da obra e da efémera pompa de sagração da Basílica, morre vitimado de varíola o príncipe D. José. Constituirá este facto o golpe decisivo à ferida aberta em 1786, com a morte do seu consorte D. Pedro, ao abatimento e demência mental crónica da Rainha.
Porém, em 1789 a corte sairá de Queluz para vir a Lisboa.
Nesse dia a cidade engalanou-se para ver a Rainha passar. No seu coche, percorrerá a cidade até ao sítio da Estrela onde grande multidão de populares e curiosos, por entre salvas continuas de morteiros, foguetes e fanfarras, dão vivas à Rainha e ao príncipe real D. João.
Altiva e de olhos brilhantes de nervos, a pia e assustadiça Rainha sabe que é necessário esconder o seu demente abatimento de tudo e de todos, e até de Deus a quem urge pedir perdão pelos seus fustigados mortos que crê arderem no inferno. O principe D. João, sempre pronto, colmatando o que já de si é evidente, apressa-se a concluir as formalidades iniciadas pelo breve gesto da sua soberana mãe, aos quais o poderoso Pina Manique cobre a retaguarda de sobrolho erguido, sorrindo em aparatosos e incontestados gestos.
A sagração faz-se com cerimónia pontifical na figura de Dom José Francisco de Mendonça - o Cardeal Patriarca -, acolitado pelo Confessor da Rainha, Bispos e Arcebispos, Cónegos, demais figuras do clero, Carmelitas e Jesuítas.
Na basílica, revestida de esplendorosas luzes soa o imponente Órgão acompanhado pela brilhante orquestra da corte - a maior da Europa, no dizer de Beckford. Musica certamente de David Perez e do maestro Sousa Carvalho, que provávelmente, como compositor-da-corte, dirigia a orquestra, os castrados e o Coro de crianças e homens reunidos para a grande Cerimónia.
Entronizados e imbuídos de espírito religioso, tomaram parte pois em imensa solenidade que deve ter durado uns bons 2 pares de horas, por sua vez rematadas com brilhante e espectacular Te Deum em louvor e acção de graças ao SS. Coração de Jesus naquela que foi a primeira Basílica do mundo consagrada a esta devoção.





