17 de junho de 2011

AIDA DE ALFAMA

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(c) Santos & Santinhos


A Aida de Alfama tem cara farrusca mas não é africana, mulata ou pardacenta. Nasceu na Alfredo da Costa: é alfacinha de gema. Anafada e roliçona enverga bata comprada nos chineses que lhe evidencia os seus grossos braços. Por baixo desta preciosidade venusiana traz apenas lingerie e nas pernas gordas meia de vidro preta alçada até à coxa. Com voz de cordas-de-aço controla o seu negócio dando-o conta ao bairro inteiro. De abanico na mão vai aliviando o suor que lhe desce pelo enegrecido rosto abaixo até aos seios colocados em frente ao assador onde se empenha a despachar sardinhas em favor dos trocos que o cliente honrado se empenha a deixar por tão rara iguaria. Posto que todos se serviram e dali partiram, exalando a mulher do povo, de prato bem guarnecido e aviado, suspira agora na vinda do seu homem que há-de ali chegar para naqueles manjares se afundar.



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Mini, média e grande ópera. Com um olhar para a música portuguesa . 2011/2012: Dias de amor, traição e morte no São Carlos

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