29 de junho de 2011

28 de junho de 2011

R.I.P. ANGÉLICO VIEIRA

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(c) Santos & Santinhos


Um vulto de aparência jovem extinguiu-se na mercê de um episódio brutal quanto às suas consequências sem que no fim da dramatização se tivesse ouvido: CORTA!... Cai o pano e fecham-se as luzes para o actor que com mais fortuna do que talento percorreu num meio abrir-e-fechar de olhos a passerelle da fama. Privado agora de honras ou de ser vaiado pelas misérias que o futuro de certo lhe reservaria ficará cristalizado na imagem do fulgor daquilo que toda a gente lhe conheceu ou lhe apreciou.


NEWS

Morreu o actor e cantor Angélico Vieira , Angélico morreu. Óbito foi declarado esta noite  , Certidão de óbito de Angélico Vieira ao início da noite , Angélico mantém prognóstico muito reservado, amigos preparam vigília , Angélico Vieira em morte cerebral , Fãs de Angélico Vieira fazem corrente em frente ao hospital à espera de um “milagre” , Angélico. Óbito deverá ser declarado nas próximas horas , Estado de saúde de Angélico agravou-se , Hospital desmente "morte cerebral" de Angélico , Ministério Público vai decidir sobre realização da autópsia de Angélico , Acidente como o de Angélico Vieira pode chocar mas “não tem efeito educativo duradouro nos jovens” , Da televisão para os palcos, Angélico era um ídolo juvenil ,

17 de junho de 2011

CURA PARA TODOS OS MALES

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Com a cabeça em água
De mil tormentos que a vida assim guarda,
Em água me deito a apaziguá-la.
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AIDA DE ALFAMA

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(c) Santos & Santinhos


A Aida de Alfama tem cara farrusca mas não é africana, mulata ou pardacenta. Nasceu na Alfredo da Costa: é alfacinha de gema. Anafada e roliçona enverga bata comprada nos chineses que lhe evidencia os seus grossos braços. Por baixo desta preciosidade venusiana traz apenas lingerie e nas pernas gordas meia de vidro preta alçada até à coxa. Com voz de cordas-de-aço controla o seu negócio dando-o conta ao bairro inteiro. De abanico na mão vai aliviando o suor que lhe desce pelo enegrecido rosto abaixo até aos seios colocados em frente ao assador onde se empenha a despachar sardinhas em favor dos trocos que o cliente honrado se empenha a deixar por tão rara iguaria. Posto que todos se serviram e dali partiram, exalando a mulher do povo, de prato bem guarnecido e aviado, suspira agora na vinda do seu homem que há-de ali chegar para naqueles manjares se afundar.



News
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Mini, média e grande ópera. Com um olhar para a música portuguesa . 2011/2012: Dias de amor, traição e morte no São Carlos

16 de junho de 2011

A MUSICA QUE SE OUVE:

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"Como tantos outros artistas portugueses dos maiores, Viana da Mota foi uma vítima da incompreensão, da maldade e da pequenez de um meio com o qual a sua invulgar estatura não podia ter medida comum."

Lopes Graça


Vianna da Motta, aqui, caro leitor, foi talvez um dos compositores portugueses mais sublimes do seu tempo e que com largo sentido pátrio, numa inteligente combinação de conhecimentos, sons e estilos, dotou a sua época e o seu país de um original repertório musical e de uma obra reformadora onde nunca negou a sua essência.

Poucos foram como ele. Do seu tempo chegaram-nos com distinção apenas ecos e rasgos dos nomes ou da musica de Augusto Machado (o Cruges dos Maias queirosiano), aqui, Alfredo Keil (o autor do actual hino nacional), aqui, ou de Rey Colaço (de quem lembramos com saudade a memória da sua filha e da sua neta), aqui.  
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Filho do romantismo tardio e do saudosismo Vianna da Motta foi um pianista de renome internacional.  Educou-se na Alemanha, a expensas do senhor D. Fernando, quer nas aulas que a Liszt tomou como na leitura de Schopenhauer e tantos outros pensadores de que o nome em Portugal eram então apenas palavrões de difícil pronunciação. Durante o primeiro conflito mundial regressou estrategicamente ao seu país. Reformou o ensino da musica e educou e condicionou toda a geração de pianistas que de Portugal partiram para o mundo como virtuosos deste instrumento e que nos seus nomes lembramos Sequeira Costa, aqui; António Vitorino de Almeida, aqui, e Maria João Pires, aqui, (alunos de Campos Coelho); ou Artur Pizarro, aqui, (aluno de Campos Coelho e Sequeira Costa).

Para além de peças de piano de grande feição, sempre tocadas e lembradas pelos seus discípulos ainda vivos e pelos discípulos dos seus discípulos (aqui em evidência), compôs obras orquestrais  de grande envergadura que compreendem a sinfonia, o poema sinfónico ou o concerto para piano assim como géneros de salão como a canção e eventualmente algo que me escapa. Hoje permanece esquecido e pouco tocado nas salas de concertos sendo que só com frequência o podemos audicionar nas gravações existentes que sem vida corrente e actualidade de execução ficam infelizmente presas à museologia discográfica, para glória da nossa memória, em detrimento da vergonha em se ser português.
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A SARDINHA CÁ DA CASA

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(c) Santos & Santinhos

Na Sardinha não há beleza...
Há somente a graça de cuspir as espinhas!
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14 de junho de 2011

QUADRAS

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@Santos & Santinhos
 
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Santo António de Lisboa
De língua e cordas de oiro
Valha-nos a eloquência, que tesoiro,
Rica benção, tão boa!
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SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

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@Santos&Santinhos
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Quem não conhece a procissão de Santo António de Lisboa não adivinha o que nela vai, o que nela se presencia e o que dela na pele se sente.

A fama da laicidade do povo de Lisboa não chega para apagar dos seus corações a devoção a este vulto. Afinal quem se soleniza nesse momento não é um qualquer beato da cristandade como Vicente, o diácono estrangeiro que da cidade é senhor, mas o "Nandinho", o filho do Bulhões da Sé, que em criança viva vivinha como um pardal-dos-telhados percorrera aquelas mesmas ruas gritando para os céus como qualquer criança estroina fruto daqueles bairros que a Alfama convergem. Degenerando à raça das suas gentes não foi fadista mas santo.

Começa a procissão. O povo que já é muito cerca o "santo" aplaudindo a passagem da sua eloquente e erudita imagem de traços assim talhados. Rosto jovem e inocente adivinhando-se nele tanto para dar e tanto ainda para dar, malgrado tantos anos passados. Hábito franciscano de rendilhados dourados assim o adornam. No braço Jesus petiz e na mão uma cruz florida. Coroado de prata caminha sobre um andor pousado num jeep de bombeiros disposto para acavalar a ocasião.

Avança a marcha. De todo lado junta-se o povo vindo sabe-se lá de onde fazendo esperas nas ruas mais largas ou amontoando-se atrás da banda de música que por entre marchas graves em tons menores e pesados nos faz pensar nisso mesmo: o fado e o fardo que é a nossa insignificante vida medíocre sem eco e brilho, contrária à daquele a quem se faz honras no andor. A lágrima surge facilmente. A pele sente-se e enruga. O povo que é imenso e imponente reza e canta. Canta o "Avé de Fátima" trazendo à memória essa outra grandeza espiritual portuguesa que a 13 de Junho também se assinala - acrescento ao meu caro leitor atento nestas palavras que o senhor D. João V de Portugal nos idos anos do seu século ergueu em Mafra uma basílica dedicada a Santo António e a Nossa Senhora. De facto, de um pomposo acontecimento particular hoje vemos esta feliz conjunção consagrada e popularizada espontaneamente a todo um Portugal do século XX que neste dia 13 parece que nada esquece.

Caminha-se por ruas estreitas. Ruas onde se adivinha a longa vigília antoniana. Momentos nos quais a sardinha vestida de prata e de lua foi rainha e a cerveja na sua cor solar rei fulgurante portador de alegrias. Deles agora apenas o vestígio. Exalam-se das paredes o odor gordo do fumo negro saído do sacrifício e dos cantos o fedor do fulgor da noite inteira. É por aqui que corre Santo António perfumado por nuvens de incenso impostas pela força do turiblo arremessado ao ar. Vêem-se colchas nas janelas. Tocam sinos que ecoam  aqui e ali num tímido repique. Chovem pétalas de flores. Desfilam autoridades, irmandades, padres, acólitos, diáconos e franciscanos da ordem terceira. Escuteiros e polícias velam pela ordem de um povo crente com o terço, flores e velas nas mãos como de um outro de mirones de máquina fotográfica em riste. Eixo de toda a procissão com o Santo marcham  pendões, São Tiago, São Miguel, Santo Estêvão, São Vicente, São João Baptista e uma sua relíquia exposta pelas mãos de um arcebispo cobertos por um dourado palio. Todos compondo a famosa procissão acrescentam em cada passo para o seu termo cor, beleza e majestade matizados pelo brilho esplendoroso do luminoso astro rei que lá do alto consente a esta festa honra e graça sorrindo a esta cidade que assim se parece mais bonita.

É esta a procissão e é este o santo de Lisboa. A memória da criança que em tenra idade se distinguiu pela sua voz argente que o fez receber na Sé. Menino do coro cresceu. No canto, na música e na lições do chantre e dos mestres da Sé amadureceu e dali saiu para não mais voltar a Lisboa - somente para embarcar rumo ao destino que o imortalizou. Pela sua voz aos sermões se fez e neles eloquentes discursos elaborou para fama do seu órgão vocal e da sua língua de oiro que em oiro se guardam e lá longe, em Pádua, se veneram.


NEWS:

PSP deteve 135 pessoas no fim-de-semana prolongado , Alto do Pina vence Marchas Populares de Lisboa , Alto do Pina venceu as Marchas Populares de Lisboa , As noivas de Santo António já não vão ao médico. Veja como tudo mudou , Santo António. Monte o seu estaminé, porque o santo da casa não faz todos os milagres , Depois do Santo António e S. João... chegou o S. Pedro , E as sardinhas vencedoras são… Festas de Lisboa têm novos símbolos , Festas da cidade de Lisboa arrancam hoje com espectáculo na Baixa , Sant'António quase a acabar , CP com comboios especiais na madrugada dos Santos em Lisboa

3 de junho de 2011

MACAQUICES - LIÇÃO DA SEMANA

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Há um certo tipo de pessoas que pela sua esmerada e polida postura, vulgo educação - forjada e martelada na aurora dos tempos idade do conhecimento -, revestida de mansidão e sentimentalismo, não merecem preocupação, conversa e resposta ante isso mesmo: a má criação e falta de civismo com que se dirigem arrogantemente defendendo causas fracas fraquinhas, que sem força de intelecto e artes de rebuscada oratória, se reforçam na flor da arte do grito e da presunção. De facto:

"Lá porque a macaca se veste de seda não deixa de ser macaca!"*
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* do domínio popular das terras para lá de Barrancos e afins.
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MATTINATA

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Sacudido de embrenhados deveres, eis-nos publicando:
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