20 de março de 2011

LUCIA, LUA E LOUCURA

.
Sobre o mar-da-palha, pelas vidraças do que do Estúdio 19 se deixa alcançar, uma bola cor-de-fogo vi nascer com tal esplendor que não tardei a chamar a atenção do meu interlocutor, que, no ar, conjugando palavras que se difundiam por este elemento, tal como as minhas ali reunidas num dueto conversado, se emolduravam pelas largas janelas diante o espectáculo visual que ali se punha ao som daquele que de além-atlântico nos chegava.

Nascia assim a Lua. Lucia, demente, esvaia-se em loucura por entre malabarismos vocais, escalas e gorjeios balbuciando os bei momenti que a lembrança à voz lhe trazia. A Lua crescia. Lucia, ante o seu termo, cadencia as suas últimas notas que a lucidez lhe permite pela medida do seu criador. Empalidecendo o mundo com seus raios ondulantes o finto astro níveo nocturno mostrou-se por fim soberano coroando-se com o aigú com que esta mortal de glória se encheu.

Lucia jaz louca. Silenciada descansa na mente dos que a escutaram, a doce e repousante tumba de afectos, sepultura de perpétua lembrança, até que o sipario se abra de novo e por entre aplausos a sua trágica história se venha a contar. A Lua, caprichosa da sua vaidade, só daqui por uns anos se voltará a mostrar como ontem aos olhos do mundo se deixou ver. Talhada pelo tempo que passa exibe-se ainda de esplendor pelo firmamento enfeitiçando aqueles que no seu brilho sucumbem.
.
.
.

Sem comentários:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails