28 de dezembro de 2010

SOBRE O AMOR:

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É preciso tocar a fímbria do bom senso. O amor é bom, porque o amor é difícil. O amor de uma pessoa por outra, é, talvez, essa a maior dificuldade que conhecemos. A última prova e teste do trabalho que todos os outros trabalhos apenas preparam. É por isso, que a juventude, que é principiante em tudo, não pode ainda amar. Amar não tem de inicio nada que ver com abrir-se, entregar-se, e unir-se a outra pessoa. É antes uma ocasião sublime concedida ao individuo para que ele possa amadurecer tornar-se qualquer coisa dentro de si; tornar-se mundo para si em nome de um outro. Mas nisto os jovens, impacientes por natureza, erram tantas vezes e tão gravemente lançando o corpo contra outro corpo, quando conhecem o amor. e dispersam-se tal como são, em todo o desalinho, desordem e confusão. E considerando-me uma obra de arte e perante as críticas apenas lhe digo: nada está mais longe de tocar numa obra de arte do que palavras criticas: delas resultam apenas mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas não são apreensíveis nem tão dizíveis como nos querem fazer crer, quase todos os eventos são inefáveis, desenrolam-se num espaço onde as palavras nunca entram, e os mais inefáveis entre eles são as obras de arte.


Peter Shuy
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2 comentários:

António Rosa disse...

Lindo!

Feliz 2011, Bartolomeu. Continuemos.

Clayton Ferreira disse...

Maravilhoso post. Simplesmente lindo!

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