9 de novembro de 2010

ASSIM VAI NO MEU CADERNO LEMBRANDO A GOLEGÃ

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No ciclo do ano há dois ou três eventos que um ribatejano de gema e que se preze vive com o maior júbilo como se a sua vida dependesse disso. Nesta relação, caro leitor que ignora estas relações idiossincráticas e afectivas, um ribatejano vai à procissão anual da sua aldeia seguindo atrás do andor de uma Virgem Nossa Senhora de tantos nomes que venera com mais amor do que a sua dama de carne-e-osso-receptáculo-do-seu-vigor; vai a uma ou duas touradas (e não vai a mais porque não são baratas e não tem quem lhe ofereça os bilhetes, por isso corre o risco de acabar em forcado num desses tantos graciosos grupos que por lá há); vai, exclusivamente na companhia desses que são os seus amigos de sempre, à festa do vinho ou das tasquinhas da sua vila concelhia emborrachar-se baquicamente urlando no fim da noite cantilenas que não lembra aos mortos mais antigos; e vai à feira da Golegã marialvar-se com ares de gingão, a pé ou a cavalo, com uma catita samarra no lombo protegendo uma camisa aberta (expondo a sua penugem de macho ornada por uma corrente de um metal supostamente precioso)  bem entalada nuns justos e elegantes jeans de tornear as nádegas com as bainhas subidas pelo tornozelo como quem atravessa a cheia ali do Tejo, exibindo a sua aloirada dama que a reboque lá vai arrastada pelo braço quando não é deixada no poleiro da paliçada da manga da feira enquanto monta a cavalo...

A feira da Golegã, além dos seus hábitos e costumes, é por assim dizer o evento de feições populares mais in que Portugal conhece. É o desfilar de vaidades masculinas e femininas, de equinos, de trajos a rigor de lindeza e exuberância. É o último reduto de expressão monárquica ou seu bastião mais avançado de propaganda a que "poucos" vão. Mais do que um local de tradições é um espaço que conheço desde menino e que me apraz muito visitar nestes dias e a que infelizmente não me vou poder deslocar este ano lembrando com nostalgia as farras por lá vividas no ano anterior numa das quais se mastigava pedaços de leitão ao som do Condeixa cantarolando árias de ópera por ele ali servidas à mesa do restaurante (haja garganta!).
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Sem fotos do evento que já decorre, fica aqui este cavalinho que fiz a lápis imaginando que um de entre tantos de lá estaria a retratar.

(c) Santos & Santinhos


Ó Pistola: foste lá não foste?! Picaste o ponto, está bem! Também fazes desenhos assim?
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4 comentários:

polittikus disse...

Cavalos, gajas, e bebedeiras... um ribatejano que não apanhe uma na Golegã é roto.... lololol
Ps-Não tenho nada contra os rotos.

Bartolomeu disse...

polittikus:

pois, e ser apanhado pela polícia e ficar sem carta é o que está a dar!

polittikus disse...

Apanhado pela policia, então os amigos abestémicos servem para quê?

Bartolomeu disse...

@polittikus,

pois pois...

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