26 de setembro de 2010

ESTA NOITE EM SÃO CARLOS...

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 (C) Santos & Santinhos


Stabat Mater dolorosa... e o público também assistindo dolorosamente ao Coro do Teatro Nacional de São Carlos executando com muito pouco nível a duas mignardises verdianas. Pior do que falência vocal evidente, misericordiosamente compreensível pelo avançado estado de desgaste de muitas das vozes sem renovação, expostas anos a fio à dureza multiplicidade de repertórios, o hedonismo e a má prestação individual na contribuição do todo e do belo imperava transformando esses minutos num largo desconcerto. Definitivamente, uma vez que já ouvi este corpo coral,com estas mesmas pessoas num registo de excelência, lamentavelmente este Coro desceu a um nível abaixo da mediocridade e do aceitável ainda que com bons profissionais empenhados na preparação do seu trabalho. Te Deum laudamus... pela chegada ao final da primeira parte do concerto sem surpresas no desempenho vocal do Coro, salvando-se a prestação da Orquestra.

Após o intervalo, Martin André, poupando o público e a Sr. Ministra ali presentes ao enfado, sem complacências, dirigindo Tchaikovsky mostrou-se agora impiedoso no seu gesto e com pulso férreo em 40 minutos bem suados cativou no público grande emoção e uma rara ovação que fez esquecer o que de menos bom nesta noite se fez ouvir.
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2 comentários:

Plácido Zacarias disse...

Mas o que achou do resultado final da sinfonia?
E onde é que estava a Ministra, que eu não a vi?

Cumps

Bartolomeu disse...

Caro Plácido Zacarias,

foi com prazer que a partilhei. Obrigado eu pela sua visita ao meu blog e pela citação que muito nos honra.

Cantaram no Salão Nobre o Barítono João Merino, que não ouvi e como não havia programa não lhe sei referir o que cantou; o Soprano Ana Franco, que com grande presença e estilo, voz bonita e expressivo fraseado entoou a ária "Se come voi piccina" de Le Viili de Puccini; o Tenor Marco Alves dos Santos e o Baixo João de Oliveira executaram o dueto do Elisir d'amore de Donizetti com grande graça e comicidade vocal, a descontracção necessária para uma execução de alguma beleza sem a evidência de excessos estriónicos e outros efeitos parasitas desnecessários, que geralmente só condicionam e não ajudam. Por fim, do que ouvi saliento a graciosidade do Soprano Ana Franco e uma notória nobreza vocal do Baixo João de Oliveira.

Quanto à sinfonia, uma vez que me pergunta a opinião, a principio pensei que não tivesse sido a melhor escolha do programa pela lugubridade musical que ela encerra. Demasiado pesada para uma gala inaugural e pouco adequada ao contexto existencial que o teatro atravessa. De facto, cri que esta escolha tenha sido dentro do âmbito do domínio absoluto de Martin André, já que usou este concerto para se afirmar como um director de orquestra de alto nível. Vejamos como decorrem os próximos concertos, já que metade serão pelo seu gesto e batuta. Melhorias dos naipes, sobretudo nas cordas que se mostraram mais seguras apesar de um ou outro desaire. Ainda assim, M. André, determinado, dirigiu pleno de segurança em nada deixar cair. Se foi complacente com o Coro, foi agora impiedoso com a orquestra. Com pulso forte e voz audível marcou e cantou os tempos sem se deixar vencer pela inércia da sinergia dolente dos músicos, ao ponto de o ouvirmos repreender o concertino com um "Wake up". O sucesso evidente na rara ovação, levando muitos a faze-lo de pé, demonstrou o quanto agradou sobretudo num espaço em que as obras sinfónicas nem sempre são bem tocadas ou/e acolhidas.

Foi esta a minha impressão: Um bom 1º e razoável/bom 2º andamento, nas dificuldades e desafinação das cordas/concertino a solo; um excelente 3º andamento e um inesquecível 4º andamento.

Finalizando, já que vai longa esta apreciação, foi notória a ausência de uma obra portuguesa sinfónica de referência neste concerto. Será sempre um ponto negativo num teatro/instituição nacional tal não acontecer quando existem obras de grande valor, sobretudo quando esta temporada se vê empenhada em brilhar com os talentos nacionais mas apenas com os vivos e viventes.

A ministra... ora a sr. ministra estava sentada num camarote da 1ª ordem, aquele que é usado para acolher entidades políticas ou convidados de honra, ou seja no camarote nº35, ou seja o primeiro do lado direito de quem olha para o palco bem encostado à tribuna(se observar bem a minha foto é o camarote que está ao nível dos meus olhos).

Bem haja

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