O Cenotáfio de Santarém
"E aqueles, que por obras valerosas,
se vão da lei da morte libertando."
do insígne poeta de Os Lusíadas,
Por quem vivo ou morto se perdeu ou se desconhece o paradeiro
Conta-se nos anais da história dos gloriosos heróis portugueses que em 1464, Dom Duarte de Meneses, Conde de Viana, Capitão de Alcácer-Seguer e um destemido guerreiro, deu a sua vida por Portugal na serra de Benacofu, em África. Protegendo a retirada de El-Rei, D. Afonso V, numa feroz guerrilha, vè-se acercado pelos mouros. Golpeado, ferido e enfraquecido cai da sua montada e perante a ávida sede guerreira sarracena é esquartejado até à morte.
Sem um corpo recolhido e devolvido, a sua viúva, sua segunda mulher, que lhe professava um devoto e sincero amor, decide honrar-lhe a memória mandando erigir na Capela das Almas do Convento de São Francisco de Santarém um cenotáfio, para nele, com um nobre e respeitoso ritual de exéquias e pomposo funeral, depositar a única relíquia desta famigerada existência, um dente.
Assim, e, para sempre, abnegando-se do enlevo do conforto da sua alcova onde melhor poderia venerar tal objecto, com verdadeiro sentido pátrio, encheu o vazio da pedra intemporal com esta efémera parte do que foi um ser humano, e, enquanto a vida lhe permitiu viver, a triste viúva, junto a este memorial, chorou a ausência de quem tudo siginficava para ela.
News about:
Assim, e, para sempre, abnegando-se do enlevo do conforto da sua alcova onde melhor poderia venerar tal objecto, com verdadeiro sentido pátrio, encheu o vazio da pedra intemporal com esta efémera parte do que foi um ser humano, e, enquanto a vida lhe permitiu viver, a triste viúva, junto a este memorial, chorou a ausência de quem tudo siginficava para ela.
News about:


2 comentários:
Li recentemente, uma tese de sociologia de Moita Flores, sobrte a morte e as suas interpetrações em Portugal. Genial.
Apesar de não adiantar nada. A presença de um cadáver reconforta a "alma" psicológica...
polittikus,
acho o assunto deveras melindroso, e sobre ele, dado a imprevisibilidade de reacções, não me pronuncio mais do que o relato da história que aqui contei, já que o mínimo que esta pode fazer é educar a novos comportamentos.
Mas, sobre este assunto levanto uma questão de moral:de que serve venerar um cadáver quando em vida não se o soube estimar?
Abraço
Enviar um comentário