12 de maio de 2010

ESTA NOITE...



(c) Santos&Santinhos

"Todos juntos, de velas acesas na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5). Por nós, não passamos de mísero silvado, sobre o qual pousou a glória de Deus. A Ele toda a glória, a nós a humilde confissão do próprio nada e a submissa adoração dos desígnios divinos que estarão cumpridos quando "Deus for tudo em todos" (cf. 1 Cor 15, 28). Serva incomparável de tais desígnios é a Virgem cheia de graça: "Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38).

Queridos Peregrinos, imitemos Maria, fazendo ressoar em nossa vida o seu "faça-se"! A Moisés, Deus ordenara: "Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar onde te encontras é terra sagrada" (Ex 3, 5). E ele assim fez; calçará de novo as sandálias, para ir libertar o seu povo da escravidão do Egipto e conduzi-lo à terra prometida. Não se trata simplesmente da posse de um pedaço de terreno ou de um território nacional que cada povo tem o direito de ter; na luta pela libertação de Israel e no seu êxodo do Egipto, o que aparece primeiro é sobretudo o direito à liberdade de adoração, à liberdade de um culto próprio. No decorrer da história do povo eleito, a promessa da terra acabou por assumir cada vez mais este significado: a terra é dada para que haja um lugar da obediência, para que exista um espaço aberto a Deus.

No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf.
Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor nos vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)! Não tenhais medo de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus.

Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço , deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo e pelos mistérios do Rosário de Maria. A oração do terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho.

Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das "Avé Marias", contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida de modo a poder proclamar com São Paulo: "Para mim viver é Cristo" (Fil 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo.

Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro. Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho coloca-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima: Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe querida, intercedei por nós junto de vosso Filho para que todas as famílias dos povos, quer as que se designam pelo nome cristão quer as que ainda ignoram o seu Salvador, vivam em paz e concórdia até se reunirem num só povo de Deus, para glória da santíssima e indivisível Trindade. Amen."


Benedictus XVI, Papa
Fátima, 12 de Maio de 2010
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2 comentários:

Leca disse...

Fui à Fátima...quando estive em Portugal...confesso não ser católica...muito menos fervorosa...mas gosto muito da história de Nossa Senhora de Fátima...
beijos gentis
Leca

Bartolomeu disse...

Olá Leca,

obrigado por partilhar conosco o seu apreço por um episódio da nossa história e vida colectiva. Também é sua, pois é universal.

Em reciprocidade, deixo-lhe um gentil abraço.

Bem-haja.

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