30 de maio de 2010

EUROVISION

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É ponto assente, caro leitor: não sou um fã do Eurovisão da Canção nem muito me sensibiliza este certame.

Hoje, enquanto tal decorria, senti-me atraído por uma canção. Por momentos o desinteresse afastou-se, e, atento, num renovado festival de luz e cor, fixei a minha atenção na continuação da exibição da canção da terra dos royais ingleses.

Bonita, graciosa, erudita e de grande bom gosto na tradição britânica, a sua qualidade transparecia ainda mais na inteligente voz de um jovem-grande-cantor-a-ver-e-a-trilhar-o-seu-caminho.

Não venceu mas ganhou a minha predilecção e quanto mais a oiço mais gosto, por me fazer sentir tão bem. Por ironia o título da canção é isso mesmo:
"That sounds goods to me".




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27 de maio de 2010

A CABALA DAS CABALAS...

O CENOTÁFIO DA BUFARDA



O Cenotáfio de Santarém


"E aqueles, que por obras valerosas,
se vão da lei da morte libertando.
"


do insígne poeta de Os Lusíadas,


Por quem vivo ou morto se perdeu ou se desconhece o paradeiro


Conta-se nos anais da história dos gloriosos heróis portugueses que em 1464, Dom Duarte de Meneses, Conde de Viana, Capitão de Alcácer-Seguer e um destemido guerreiro, deu a sua vida por Portugal na serra de Benacofu, em África. Protegendo a retirada de El-Rei, D. Afonso V, numa feroz guerrilha, vè-se acercado pelos mouros. Golpeado, ferido e enfraquecido cai da sua montada e perante a ávida sede guerreira sarracena é esquartejado até à morte.

Sem um corpo recolhido e devolvido, a sua viúva, sua segunda mulher, que lhe professava um devoto e sincero amor, decide honrar-lhe a memória mandando erigir na Capela das Almas do Convento de São Francisco de Santarém um cenotáfio, para nele, com um nobre e respeitoso ritual de exéquias e pomposo funeral, depositar a única relíquia desta famigerada existência, um dente.

Assim, e, para sempre, abnegando-se do enlevo do conforto da sua alcova onde melhor poderia venerar tal objecto, com verdadeiro sentido pátrio, encheu o vazio da pedra intemporal com esta efémera parte do que foi um ser humano, e, enquanto a vida lhe permitiu viver, a triste viúva, junto a este memorial, chorou a ausência de quem tudo siginficava para ela.



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24 de maio de 2010

SANTA QUITÉRIA - O FIM DO DIA



(c) Santos & Santinhos
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ARGOLAS E CAVACAS DE SANTA QUITÉRIA

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Para adoçar a boca, enquanto não passa o andor, ou para mais tarde em casa recordar o dia, a nobre arte da Cavaca e seus aparentados são ainda possíveis encontrar nestas festas de romarias tal como uma variada doçaria tradicional de venda livre, à antiga portuguesa.



(c) Santos & Santinhos


Em Meca são tradicionais as Argolas-de-Santa-Quitéria enlaçadas por fitas encarnadas que tal como nos pãezinhos de Santa Quitéria (que não os vi por nenhum lado), serviam para que depois de ingeridos fossem usados como amuletos - atados ao pescoço ou cozidos na roupa -, preservativos contra a raiva (revista lusitana pág.110).


(c) Santos & Santinhos


Mas nas bancas há de tudo: Cavacas, Cavaquinhas, Argolas de Santa-Quitéria, Beijinhos, Suspiros, Ferraduras, Pão doce, Queijadas, Amendoim caramelizado, etecetera e tantos que aqui ficam por lembrar, entre a pevide, o amendoim, o caju, o pistáchio e o tremoço!

Portugal que ainda sobrevive nas suas tradições populares, e enquanto houver lembrança há esperança!



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O que esconde o sorriso mais famoso da história. Colesterol?
Uma mão cheia de pistáchios para combater o colesterol
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SANTA QUITÉRIA DE MECA - A PROCISSÃO

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(c) Santos & Santinhos



(c) Santos & Santinhos



(c) Santos & Santinhos



(c) Santos & Santinhos



(c) Santos & Santinhos



(c) Santos & Santinhos


A BASÍLICA DE SANTA QUITÉRIA DE MECA



(c) Santos & Santinhos


Mateus Vicente,
Arquitecto


A SANTA QUITÉRIA DE MECA



(c) Santos & Santinhos

A imagem que se venera desde o seu encontro.


Santa Quitéria de Meca,
Ora pro nobis


23 de maio de 2010

SANTA QUITÉRIA EM MECA

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(texto revisto e aumentado)


Meca, caro leitor, não é só a cidade santa do Islão ou a Hollywood cinematográfica. Meca é também uma pequena aldeia do concelho de Alenquer, a 30 Km de Lisboa, e tal como a sua homónima islâmica é também um local de fé e de crença, desta de pendor cristão e católico.


(c) Santos & Santinhos


Por qualquer lado que se chegue a esta Meca portuguesa, o avistar da Basílica, sobranceira ás baixas casas locais, vinhas e arvoredo frondoso ou de fruto, tem o seu impacto à vista, dado a espectacularidade arquitéctonica do edifício que surpreende um olhar desprevenido, sobretudo pelo seu achamento num local tão invulgar como este. Na realidade, a Basílica, erguida numa encosta dos extensos vales e terras da Casa da Rainha, é apenas um rico ermitério que assim se manteve até 1847, ano que foi instituída como igreja matriz. Assim, este templo, a casa da nobre Santa Quitéria, na sua magnificência, não era mais que um ponto de romagem anual que abria em todo o seu esplendor apenas no mês de Maio, quando se verificava o maior afluxo de peregrinos. Hoje, em que um tal culto visivelmente esmorecido sem as afluências e folclore do passado, apesar da reafirmação anual dos festejos a esta devoção, como propriedade genética da antropologia local afirmada pelas vizinhanças, confirmado as sábias palavras de Paulo VI: "É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja" (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153), este complexo sobressai para todos nós como uma admirável peça museológica a qual necessita de um urgente olhar ante a sua acelerada degradação.


(c) Santos & Santinhos


Conta uma antiga tradição que em 1238 perto da Quinta de São Brás foi encontrada numa árvore uma imagem na qual se reconheceu a virgem e mártir Santa Quitéria. Acolhida na Igreja Várzea aí permaneceu até à criação de um templo condigno no século XVIII. Ao que parece, no local onde a imagem tinha sido encontrada fora construída uma ermida, sensivelmente no local onde hoje se encontra a Basílica, à qual chegavam muitos peregrinos e promessas de curas fazendo-se festa, procissão e bênção do gado desde tempos de perder a memória.



(c) Santos & Santinhos


A fama deste local foi crescendo e com ela as afluências de gentes e de povo agrupado em círios oriundos dos mais diversos pontos do país. Formou-se então uma Confraria que chegando a ser uma das mais ricas e abastadas do país, que na zona centro portuguesa concorria como um dos pontos de maior afluxo de peregrinos, a par dos santuários de Nossa Senhora do Cabo e de Nossa Senhora da Nazaré, ganhando notoriedade na famosa máxima popular, que nem Garret soube compreender, naqueles que a relacionam com os círios desta romaria: "correr de Seca a Meca e olivais de Santarém", que assim ser deambulavam até aqui desde esse lugar na serra algarvia.



(c) Santos & Santinhos



Santa Quitéria é a advogada da hidrofobia, ou seja a doença da raiva. Controlado este mal, graças ao avanço da ciência e medicina veterinária, nos séculos anteriores à fleuma que hoje se assiste, a raiva era um mal temido aos animais e ás pessoas que por eles fossem mordidos, nomeadamente os cães. Doença infecto-contagiosa, é ainda hoje considerada como de rápido efeito mortal e uma das mais fatais, mesmo em comparação ás mais temidas doenças do século XX. Vale a pena ler este opúsculo sobre a raiva para melhor perceber o que foi esse flagelo e a importância de Santa Quitéria de Meca para a medicina empírica seus remédios, mezinhas, tratamentos e esperanças. Dele retiro apenas a menção do processo de cauterização usado na cura contra pessoas com hidrofobia, aplicando o pároco local nos enfermos, por entre rezas contra os males, um ferro em brasa nas feridas; os célebres pãezinhos ou merendeiras de Santa Quitéria para serem dados aos animais prevenindo-os contra a moléstia; e as fitas escarlate benzidas nesta Basílica, que de norte a sul de Portugal, como amuleto, protegiam as gentes contra as mordidelas dos animais danados.


(c) Santos & Santinhos



Em 1757, a Confraria decide empreende a construção de um novo edifício para o culto dado o anterior se encontrar ainda em estado de ruína em consequência do cataclisma de 1755. À certamente modesta ermida, surge agora pelo desenho de Mateus Vicente, o arquitecto da casa real, um esplendoroso edifício de linguagem moderna. Em estilo neo-clássico, acha semelhanças como traçado da Basílica de Mafra, e outras suas congéneres lisboetas, traçadas também por este arquitecto. Porém, no reinado de D. Maria I, como as obras estavam demoradas, a Confraria, no benefício de esmola real, obtém o favor régio no patrocínio do empreedimento, quem sabe se num apelo ao divino pela cura da demência psiquiátrica da rainha, verificando-se a rápida conclusão do edifício em 1799. Inaugurada então com pompa e circunstância, foi dedicada e consagrada à Basílica de São João de Latrão.


(c) Santos & Santinhos



A riqueza desta Basílica é de tal forma tão exuberante que facilmente um seu visitante, no seu interior, perde a noção que se encontra no campo, podendo-se pasmar na saída por não se encontrar no Chiado ou qualquer outro recanto da Baixa Pombalina. De facto, o interior deste templo impressiona, sobretudo nas pinturas de Pedro Alexandrino, conhecido como o pintor dos frades, e, entre outros tantos da capital, o mesmo que foi responsável pelo tecto da Basílica dos Mártires. Vale a pena observar com calma este harmonioso firmamento de formas e cores de gente posando teatralmente envolta de medalhões, florões, motivos vegetais, simbologias e outras delicadezas, do qual hoje, desgraçadamente, se encontra ausente um grande lanço, que ameaçando cair, foi habilmente retirado para que no seu restauro e futura reposição não defraude a sequência dos episódios da vida de Quitéria. No coruchéu, estão representados em proporções colossais os quatro evangelistas, também do mesmo autor. Este conjunto de pinturas é sem dúvida uma obra ímpar na história da arte portuguesa, que não sendo uma habitual alegoria centralizada num único momento, estado ou moral, segundo a tradição, acha uma equivalência sistiniana pela descontinuidade do assunto agrupado em quadros e pelas decorações que completam os temas. Vale ainda a pena referir, como obras de grande valor, as telas que decoram os braços laterais, nomeadamente a Ceia de Cristo e A pregação de São João Baptista.

(c) Santos & Santinhos


Em súmula desta explanação: A Basílica de Santa Quitéria de Meca, que aqui tentei ilustrar por palavras e fotos, merece a nossa máxima atenção. É parte da nossa história. É parte da nossa crença que ali está depositada. É a nossa cultura. É a nossa arte. Hoje o sumptuoso templo está num visível estado de decadência mantido sabe-se lá como e com que esforços. Certo de não poder fazer mais do que isto, lanço aqui um apelo e olhar como o meu contributo para a sua consciencialização e esperança do apoio necessário para que não se desfaça até à ruína.



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SANTA QUITÉRIA - VÍRGEM E MÁRTIR



(c) Santos & Santinhos


O martírio de Quitéria
Pedro Alexandrino

Basílica de Santa Quitéria de Meca
Alenquer




O seu nascimento, a par das suas oito irmãs gémeas, em 120, na cidade de Bracara Augusta, touxe-lhe o repúdio maternal no assombro do considerado acto de terrifico macabro que a mente humana por não saber explicar assim julgou.

Cálcia Lúcia, a mulher do governador romano Lúcio Caío Atílio Severo, que administrava o convento romano da Lusitânia correspondente à actual zona norte de Portugal e da Galiza, estando de esperanças entrou em trabalho de parto. Surpreendendo a parteira e as assistentes do parto deu à luz, não uma ou duas crianças, como seria comum, mas nove, sendo todas elas perfeitas e do sexo feminino. Número que não lhe inspirou bons augúrios neste fenómeno que natureza considerou no seu ventre, e, que a seu ver, era aberrante. Cheia de temor e superstição, receando ter colocado no mundo alguma monstruosidade, pelas consequências invariáveis que esta gesta lhe pudesse vir causar, sobretudo pelo rigor do seu marido, incube a parteira que lhe assistiu de com a maior descrição matar as crianças, afogando-as num rio não muito distante. A parteira, de nome Cilía, mulher boa e cristã, com um olhar de maior simplicidade não vê nas meninas mais do que bebés desprotegidos. Comiserada e incapaz de prosseguir com a obrigação, entrega secretamente as meninas ao cuidado de Ovídio, o lendário Bispo de Braga.

As nove meninas enjeitadas, apressadamente baptizadas com a graça e nomes cristãos, passaram a ficar sob a protecção deste santo homem, que as entregando ao cuidado de diversas famílias cristãs da sua confiança, para melhor as educarem e guardarem, as vigiou sempre de perto com grande paternidade e o melhor zelo. Com a idade de 10 anos, as meninas, agora unidas e i
nspiradas na fé cristã, decidem viver num espaço patrocinado por Ovídio, onde levariam um vida dedicada à causa cristã.

Lúcio Caío Atílio Severo, desconhecedor de todo o assunto, encontrando-se
na altura do parto acompanhando o Imperador Romano, Adriano, em viagem pelas Espanhas, só anos mais tarde viria a tomar conhecimento do ocorrido quando por uma invectiva imperial contra os cristãos as meninas, agora com 15 anos, vieram à sua presença como prisioneiras. Conhecedoras da sua origem, colocando-se à mercê do destino, contam ao governador a história do seu malogrado nascimento. Perplexo, e uma vez certo da veracidade da narração, acolhe-as, dignificando-as com o seu nome e as regalias de nobres da sua condição. Porém, um único requisito para a salvação oferecida: renunciar à vida e à causa cristã, prestando doravante tributo aos Deuses romanos.

A Quitéria, Severo, propõe-lhe um imediato casamento com
um tal de Germano, um nobre e cortesão da sua casa. Quitéria, tal como as irmãs, pedem tempo para ponderarem as suas decisões. Uma vez sozinhas difundem-se, fugindo por montes e vales. Quando Severo se apercebe do engodo, ordena ás suas hostes uma perseguição em demanda das meninas. Quitéria, sem a sorte das irmãs, é capturada. De novo na presença do pai, este ainda com largo benefício, pede-lhe que pense melhor, sobretudo nas promessas de casamento, aliciando-a com o garboso e rico noivo. Ganhando tempo, foge novamente, desta em conjunto com 38 prisioneiras da invectiva imperial.


(c) Santos & Santinhos

A conversão de Sentinelas no Cárcere
Pedro Alexandrino

Basílica de Santa Quitéria de Meca
Alenquer



Refugiadas no monte Pombeiro, na zona de Felgueiras, este indiscreto grupo de cristãs foragidas em pouco tempo vêm-se novamente capturadas e prisioneiras no seu próprio refúgio. No monte, as jovens impressionam os sentinelas pelas suas convicções maiores levando alguns à conversão. Por fim, e uma vez mais interrogada, agora por emissário de Severo, Quitéria, avança dizendo, ser noiva mística de Jesus Cristo, e por essa ligação não pode aceitar um outro compromisso nupcial. Então, Severo, inclemente por esta recusa, em sinal do seu poder, dita a sua morte e para se certificar da execução ordena que seja o próprio Germano a perpetra-la.

Sem que conste na sua hagiografia que tivesse sido torturada, mais do que a pressão psicológica já narrada, em oposição aos procedimentos físicos que antecedem o martírio de tantas jovens ou virgens de convicção cristã inabalável, consta apenas que não ofereceu qualquer resistência.


Subindo ao monte de espada erguida, Germano, acompanhado por um bando de carrascos acercam as jovens desferindo-as de morte. Uma vez decepada, numa sentença que acusa a sua nobreza, e, jorrada pela cor do martírio, Quitéria, levantou-se perante o pasmo de todos. Pegando na sua cabeça, numa pantomina espectacular de maravilhoso macabro, atenta pelos olhares incrédulos e alvos de horror, encenou uma caminhada até à vila mais próxima enquanto os carrascos, perplexos, sentenciados pela injustiça cometida, caíam por terra com a vista turva e cheia de escuridão.

Chegada ás portas do tal lugar, Quitéria, desfalecendo sem vida ou qualquer outro impulso, foi acolhida e sepultada com grande dignidade e sentimento de piedade.
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22 de maio de 2010

SANTA RITA TUDO TORNA POSSÍVEL



(c) Santos & Santinhos

Santos da casa fazem milagres


Hoje é dia de Santa Rita
Advogada das causas impossíveis.


Ora pro nobis


Em dia de Santa Rita, beata italiana (filha única, mãe, viúva, religiosa e estigmatizada), o Inter de Milão vence o jogo decisivo da liga dos campeões rematando com dois golos o Bayern de Munique, empurrando-o para um lugar que não o do triunfo.

Mourinho fez saber que a todo o custo iria dar a vitória ao Inter. Ora, o Inter, desde 1965, depois de rematar o nosso Glorioso, nos tempos do temido Pantera Negra (talvez a mais gloriosa papoila saltitante), nunca mais ganhara tal distinção e 45 anos depois, esmorecida a esperança, só mesmo com a intervenção de um grande força sobrenatural, como a da beata de Cascia, ou Cassia, como por cá se diz, se valeu ao título e aos golos da vitória.


Santa de devoção universal, quem sabe hoje especialmente mais lembrada e ferozmente procurada por italianos e alemães (em preces, invocações ou promessas), Rita de Cássia, sobranceiramente, preferiu apostar na equipa da sua casa favorecendo os Lombardos e as ambições maiores de Mourinho, aquele que também tudo torna possível, tornando assim o dia de hoje duplamente festivo para todos os crentes italianos: crentes da fé, para todos aqueles que durante o dia ocorreram ás igrejas em busca da bênção da santa, na deposição, em pose solene e tridentina, de uma sua relíquia sobre a testa; e os crentes desta vitória, que incrédulos foram abençoados com os dois golos.



21 de maio de 2010

TANGO OU TANGA POLÍTICA







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19 de maio de 2010

O FALSO PROFETA - CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

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Presságio de males, mortes e mudanças, há 100 anos Halley, o cometa, varreu os céus com tal magnificência que se acreditou que por fim, o mundo, antes do alvorecer do dia 19 de Maio de 1910, iria passar à história.

Por cá, como por todo o lado, tomaram-se notáveis pastilhas anti-Halley e outros fármacos de charlatanice que asseguravam proteger as gentes contra a ameaça dos nocivos gazes libertados pela cauda do cometa, que afinal eram só vapor de água, antes de se ir bailar ou festejar o fim do mundo desde os locais mais chiques aos mais pitorescos, enquanto dos púlpitos se pregava a rápida remissão dos pecados pela confissão. Em litanias e jaculatórias, ditas de amiúde em ladaínhas contra os males da moda, rezava-se:


"Do Cometa e dos Republicanos,
Libera nos Domine
!
"




Retirado do blog: Rua dos dias que voam


Curiosa analogia e semelhança a este 2010, assustadora até. O mundo, ordeiro e harmonioso, tal como conhecemos abre falência ou está para acabar sem que expire fatalmente. Uma outra crise na qual para afastar misérias festeja-se tudo por tudo e por nada, com aglomerados grupais para lá de multidões com deslocações massivas a roçar o êxodo. Nem de propósito, no seguimento da entrevista a Passos Coelho, pela Constança Cunha e Sá, ante a descodificação fleumatizada e bem pensada do seu emocionado e frio pedido de desculpas, fui parar por acaso ao canal 2 da RTP onde assisti a um entretenimento sobre a influência do cometa na sociedade portuguesa de então. Um documentário sincero e pragmático. Uma análise histórica com a assinatura do Centenário da República, helás!... Num rosário inerente de evidências supersticiosas, diluídas numa apresentação de ritmo jocoserio, eis-nos apresentado o fenómeno que sacralizou a república laica portuguesa, perfilando-se à força o tal mistério da natureza como o mais forte dos seus jacobinos, confirmando na sua pressagiada aparição novo fenómeno messiânico, que fará aparecer numa outra Belém novos líderes e chefes políticos de uma nação.

100 anos depois, numa época de descrença promovida pela mesma República, na sua terceira forma, a mesma apresenta-nos agora, de forma escamoteada, o avistamento de Halley como um dos seus ícones máximos. Não é um capricho meu arrogar esta tese, caro leitor. De outra forma, para quê foi a Comissão do Centenário aceitar tal proposta, lembrando esta curiosidade histórica de um comportamento pluralizadamente fanático e anárquico, de vestes e expressões picarescas de garrido sensacional, portanto folclore, gastando-se um pingo de fortuna do orçamento das comemorações com uma recordação assaz tão trivial e tão pouco racional quanto é a coluna de astrologia de qualquer magazine ou jornal?(*) Quando, a título de lembrança, a Cantata Patrie, de Alfredo Keil, essa sim, um precioso monumento de arquitectura musical de verdadeiro condão histórico republicano permanece esquecida, vendo-se preterida à composta sinfonia de pout pourri cósmico pós-moderna sobre Halley, sem o brilho e a graça com que o mesmo rasgou nesse 1910 os céus da imaculada Lisboa e do ingénuo Portugal. Mal empregadas meninges, convocadas a uma comissão, que desconhecendo a sua própria história negligenciam património que a tantos inflamou e ligou no verdadeiro e puro espírito republicano. Portanto, Halley, é a deificação do ateísmo, à boa maneira Volteriana, adaptada ao desinteresse cultural português. Halley, o Redentor. Halley, o prenúncio Sebastianista. Halley, o Garibaldi português de barrete frígio. Halley, o novo astro e a nova esperança coroada de pedreiros e carvoeiros. Halley, a arma secreta. Halley, o protector da República, que incapaz de a destronar - como em Inglaterra haveria de fazer na sua passagem sucumbir o então senhor e imperador do mundo, o royal inglês, Eduardo VII - pôs-se postumamente na razão directa da sua instauração como um aliado mercenário, que, actuando pela calada, se viu servidor do intuito de uma ideologia reaccionária. Na realidade assim se acreditou: Halley, o libertador. E é a isto que estamos entregues!

Durante o tempo em que sorriu pelo espaço foi usado e abusado por todos os quadrantes pessoais, sociais, religiosos e políticos. Foi louvado, agraciado, atemorizado e zombado por todos aqueles que puxando a brasa à sua sardinha se entretiveram desde o dolce far niente à usurpação de bens alheios. Houve no temor, quem projectasse o melhor de si para com os seus e com os próximos, como quem o usasse para catequizar pervertidamente o republicanismo assente no mito milenar do presságio de mudança, como augúrios de oráculos-de-vão-de-escada, levando o influenciável, supersticioso e analfabeto Zé Povinho "Bordaleiro", "que não se governa nem se deixa governar", pela arte de bem falantes e letradas mentalidades iletradas, a apoiar-se na falsa fé e em crendices que o colectivo heterogéneo conduziu levando um regime político ao seu termo.

Se a história, seja ela qual for, nos serve de algo então é bom quanto antes aprender com ela, já que hoje em frente ao espelho não se sabe de que lado se está!



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(*) No dia de ontem, a Bertrand apresentou O Cometa da República do professor Joaquim Fernandes, o autor responsável por este documentário e o mesmo que há anos acerca a sua credibilidade, em conjunto com a distinta Fina D'Armada, na perseguição de Fátima, acusando o objecto da aparição de uma natureza que não a divina, dando ao conjunto e seu conteúdo soluções tão imaginosas quanto a criatividade de Dan Brown. E entre estes, enquanto que o romancista escreve um bom e inteligente livro, esta excêntrica parelha escreve teses do arco da velha que num serão inspirariam boas gargalhadas.

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News about:

Passos Coelho: "Se Sócrates mentiu, não tem condições para continuar"
Passos Coelho acusa Sócrates de fazer leitura irrealista do país

15 de maio de 2010

MODINHA PARA BRUNA REAL



(c) Santos&Santinhos


Eu nasci assim
Eu cresci assim
Eu sou mesmo assim
Eu vou ser sempre assim

Eu sou sempre igual, não desejo mal
Amo o natural, etecetera e tal




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DUAS QUADRAS E UM REFRÃO PARA SÃO BENTO

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Queremos Deus! homens ingratos
Ao pai Supremo, ao Redentor!
Zombam da fé os insensatos
Erguem-se em vão contra o Senhor.

Da nossa fé, ó Virgem,
O brado abençoai:
Queremos Deus, que é nosso Rei!
Queremos Deus, que é nosso Pai!

Queremos Deus, na Pátria amada
Amar-nos todos como irmãos,
E ver a igreja respeitada
São nossos votos de Cristãos.


Uma vez mais, e 100 anos depois, os cânticos religiosos contra os laicos, mações e anti-clericais usados na I Republica ressurgem com pertinência. Vale a pena recordar o mais popular de todos, sobretudo pela sua actualidade.
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EM RESUMO DA ÚLTIMA SEMANA...




Toccata e Fuga

Toccata está para o passado como Fuga está para o futuro.

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14 de maio de 2010

O ADEUS A BENEDICTUS XVI

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(c) Santos&Santinhos


Obrigado Santo Padre!
Bem-haja pelas suas sábias e confortantes palavras das quais retiro:

"Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas locais de beleza"

com estima e admiração,



Santos&Santinhos
Bartolomeu

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EM DESPEDIDA A BENEDICTUS XVI, UMAS PALAVRAS DE APREÇO


Santo Padre,

em agradecimento à sua passagem por Portugal, permita-me, uma vez que em comum temos o gosto de tocar piano, e na bela arte de passar as mãos num teclado partilhamos o mesmo grau de virtuosismo, em que errar é humano e a correcção a terapia das nossas imperfeições, sem que nunca venhamos a atingir a perfeição dessa prática ou aspirar a uma glória conhecida enquanto tal, permita-me pois, oferecer-Lhe um belíssimo trecho das célebres variações de Bach, que, tal como eu, de certo apreciará e é por isso o objecto desta preferência.

Escolhi para o executar o insigne pianista Daniel Barenboim, um dos meus preferidos, já que nada idêntico encontrei por um pianista português de envergadura, até mesmo da nossa ministra da cultura, a quem teve o prazer de cumprimentar (essa sim uma grande virtuouse du piano em acompanhar alguém, como várias vezes tive o privilégio, uma vez que por essa e outras artes frequentei as melhores classes das melhores escolas do país), já que eu, por vergonha, por ser apenas um medíocre tocador, constantemente vaiado pelo seu vizinho, nunca coloquei um vídeo meu no Youtube, em virtude de se poder ouvir a marcação de compasso que em certos dias este meu ouvinte insiste em me acompanhar vigorosamente, batendo na parede.

Quero agradecer-Lhe também por ter honrado a mãe que sentiu o avião que o transportava passar-lhe por cima, já com este baixo a não muitos minutos da aterragem. Era Sua Santidade, não era? Ela diz que sim, e creio que não vale a pena contrariar este seu dogma pessoal, uma vez que Vos identificou pela escolta aérea. Sublinho que esta é já uma habitual benesse papal que nos é concedida, uma vez que já o seu predecessor, em 1991, passou por cima da nossa casa - episódio que o pai gosta sempre de lembrar com ênfase quando à mesa se fala de Suas Santidades. Ainda a propósito de histórias familiares, gostaria de lembrar um outro episódio, este apenas protagonizado por mim. Lembrei-me dele quando vi Sua Santidade receber o belo terço oficial do Santuário. Pois bem, em 1982, com a bonita idade de 6 anos, e já um grande fanático por assuntos da religião, ganhei um terço dourado oferecido pela avó - a senhora de quem já aqui contei algumas histórias. A avó,
Santo Padre, que foi zeladora de N. Sr. da Graça, a Padroeira deste blog, incumbiu-me dias antes com mil recomendações de o estrear no dia 12 de Maio desse ano, na novena da igreja paroquial, uma vez que ausente encontrava-se nesse dia em Fátima a saudar o seu predecessor, e, de onde nos haveria de trazer uns lindos postais comemorativos da ocasião. E já que falamos dele, do saudoso Woytila, o João Paulo II de venerada memória, declaro aqui que o avô, também de venerada memória, era um seu sósia tão perfeito nesses anos 80 que impressionava. Mas, lembro-me muito bem de toda essa visita e muito particularmente do dia 12 de Maio e da novena diária das 18 horas. Como criança beata que era, fanática até, estava rejubilante com a estreia do tal terço no dia em que Papa rezava em Fátima. Aliás, era o meu primeiro terço, já que os anteriores eram relíquias de contas desfalcadas, de umas outras avós do tempo do seu predecessor Leão XIII, que serviam sempre em brincadeiras. Lembre-se, Santo Padre, que eu fui o tal menino que queria ser santo. Retomando, nesse dia sentia-me um privilegiado. Depois de me ter enrolado em espiral nos cortinados da sala, como era hábito sempre que me sentia alvoraçadamente feliz, saí de casa e dirigi-me à igreja. Rua abaixo, em comportamentos típicos de um rapaz da minha idade, dando largos passos intercalados por saltos de agilidade caprina, exclamava baixinho, dizendo, em louca ansiedade: Vou rezar com um terço de oiro! Vou rezar com um terço de oiro, vou rezar com... Santo Padre, bem sei que me estou alongar, mas lá estava eu nos meus 6 anos em louca histeria religiosa correndo ao encontro da Virgem (que sempre sorridente lá me esperava para o terço) encontrando-me de repente, no continuado comportamento, num muro desnivelado e de considerada altura que fica por de trás da igreja. De repente, em grande arrebatamento, exclamando cada vez mais alto: VOU REZAR COM UM TERÇO DE OIRO, raiando o delírio em estado de alucinação pareceu-me sentir voar. Ascendia. O chão desaparecera debaixo dos meus pés... e ao invés de Teresa d'Ávila, suspensa no éter, senti-me sugado num precipício de um metro e meio de altura tendo um arrombo contra um chão. Quando caí em mim, surpreso e incredível da perca da percepção do real, estava estatelado na calçada com a minha cabeça de 6 anos aberta a esvair-se em sangue. Por certo, sinal de reprimenda da loucura que me invadia. Levantei-me. Emudecido e a chorar, com o terço quebrado por entre as mãos ensanguentadas, voltei cambaleando para casa, tentando esconder a abençoada "coroa" que trazia na cabeça. Hoje agradeço à Senhora de Fátima por não ter sido pior, se é que ela, tal como ao seu predecessor, interveio com a sua mão de divina embaixadora, segurando o meu pescoço para que de um pequeno golpe na cabeça se tratasse o resultado de tal acidente, assim como do caso não menos grave de me ter salvo nesse Verão, pelas mãos de uma fluente nadadora, de um afogamento numa piscina. Dou graças a Deus e a Ela por esses dois casos e um outro ainda mais melindroso que me sucedeu uns anos a seguir, e já agora outros tantos, que por vezes em tempos recentes me apanham e dos quais tenho saído sempre milagrosamente ileso e sem um arranhão, ainda que com danos materiais.

Aceite então na hora de partida, como aconchego de viagem, esta minha desinteressada oferta, ainda que me desse um certo jeito receber um daqueles cálices. Sim, Santo Padre, um daqueles tão bonitos igual aos que foi retribuindo aos generosos presentes que recebeu. Sabe, Santo Padre, é que já que não vai haver amnistia e eu, pobre de mim em matéria terrena, mas rico em espírito, a desesperar cada vez mais, com lágriams no rosto, vou ficar apertado e asfixiado de contas com umas certas obrigações, coimas, ajustes e a subida dos impostos. Mas sem isso, ou o Euro-Milhões, que não quer nada comigo... corações ao alto! Não há-de ser nada e não importa estar perante sua Santidade a rogar-me de mais misérias e penas... Dou-lhe somente com o coração aberto em troca de nada, já que nestes dias retirei tanto das suas palavras para a minha vida que neste transbordar me fazem, neste gesto e nesta escolha, retribuir.

Eis então, de J. S. Bach, a ária das variações Goldberg:





News about:


Papa agradece "carinho" que recebeu em Fátima

VERGONHA...

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Hoje reuniu-se o conluio governamental.

Com o país concentrado na visita de Bento XVI e da sua mensagem de coragem e esperança, o conselho de ministros, da
oportunista e nova maioria absoluta, coligada por Sócrates-Passos Coelho, fez tábua rasa aos últimos dias imolando pelo ácido a gesta e retórica Papal, rompendo o colo de um povo fazendo por ele passar lágrimas e convicções directamente ao chão.

Que provação esta!

Somos a história de Job, e, estamos, como ele: reduzidos a nada, agredidos, vexados nas diatribes, actos e gestos escatológicos do Senhor Anti-Cristo que comanda em São Bento.

Senhores e Senhores, meninos e meninas eis o avaliador das nossas necessidades :


Um homem de genial meninge
que não sabe distinguir um Papa de um Pneu de Camião!

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13 de maio de 2010

O DIA DE HOJE



(c) Santos&Santinhos


13 de Maio de 2010
Quinta-Feira

Dia de N. Sr. de Fátima

e

Dia da Ascensão do Senhor
Quinta-Feira da Ascensão

ou

Dia da Espiga
Quinta-Feira da Espiga

e

Dia da Austeridade
Quinta-Feira de Misérias

ou

O início da crise social
Quinta-Feira (a primeira) do vale tudo pois já não vale nada!

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AVÉ MARIA





Pesam-me as lágrimas ao correr este vídeo
Pesa-me a vida ao vê-la caída.


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A todos neste dia dedico esta música.
Obrigado por aqui passarem... mesmo num momento que seja!
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O QUARTO SEGREDO DE FÁTIMA...



(c) Santos&Santinhos



A ESPERANÇA


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12 de maio de 2010

HOME...


Em Fátima reza-se o terço...
Aqui chora-se a amargura de um sentido momento de solidão.

Assim seja!
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NA COVA DA ÍRIA...



(c) Santos&Santinhos
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ESTA NOITE...



(c) Santos&Santinhos

"Todos juntos, de velas acesas na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5). Por nós, não passamos de mísero silvado, sobre o qual pousou a glória de Deus. A Ele toda a glória, a nós a humilde confissão do próprio nada e a submissa adoração dos desígnios divinos que estarão cumpridos quando "Deus for tudo em todos" (cf. 1 Cor 15, 28). Serva incomparável de tais desígnios é a Virgem cheia de graça: "Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38).

Queridos Peregrinos, imitemos Maria, fazendo ressoar em nossa vida o seu "faça-se"! A Moisés, Deus ordenara: "Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar onde te encontras é terra sagrada" (Ex 3, 5). E ele assim fez; calçará de novo as sandálias, para ir libertar o seu povo da escravidão do Egipto e conduzi-lo à terra prometida. Não se trata simplesmente da posse de um pedaço de terreno ou de um território nacional que cada povo tem o direito de ter; na luta pela libertação de Israel e no seu êxodo do Egipto, o que aparece primeiro é sobretudo o direito à liberdade de adoração, à liberdade de um culto próprio. No decorrer da história do povo eleito, a promessa da terra acabou por assumir cada vez mais este significado: a terra é dada para que haja um lugar da obediência, para que exista um espaço aberto a Deus.

No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf.
Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor nos vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)! Não tenhais medo de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus.

Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço , deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo e pelos mistérios do Rosário de Maria. A oração do terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho.

Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das "Avé Marias", contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida de modo a poder proclamar com São Paulo: "Para mim viver é Cristo" (Fil 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo.

Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro. Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho coloca-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima: Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe querida, intercedei por nós junto de vosso Filho para que todas as famílias dos povos, quer as que se designam pelo nome cristão quer as que ainda ignoram o seu Salvador, vivam em paz e concórdia até se reunirem num só povo de Deus, para glória da santíssima e indivisível Trindade. Amen."


Benedictus XVI, Papa
Fátima, 12 de Maio de 2010
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ESPERANDO PELA HORA



(c) Santos&Santinhos

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BENEDICTUS XVI AT LISBON



(c) Santos&Santinhos


Em foto exclusiva para este blog na sua visita a Portugal
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A ALEGRIA DA CONTESTAÇÃO



(c) Santos&Santinhos


Vestidas de preto, ei-las contestando!

De costas voltadas.
Cerravam os ouvidos com os dedos!

Silêncio!

Sorrisos...
(falta de convicção ou
satisfação do ego no protagonismo?)
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A PROPÓSITO DA VINDA DO PAPA

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Durante as semanas e dias que antecederam a chegada do Papa a Portugal, temeu-se por todo o lado uma onda de descrença e desvalorização do momento em que o país está neste momento imbuído. A cidade de Lisboa e todos aqueles que dos seus arredores, subúrbios e regiões próximas mais distantes - peregrinos, curiosos e passeantes - desceram à grande urbe, a capital do país, provando o contrário. Sem medo saiu-se à rua para com alegria e vivas saudar e venerar respeitosamente o Bispo de Roma, que neste momento se encontra entre nós. Afinal Portugal conserva a fé. Fé, que, ainda que embrutecida pelo sono que a envolve, de acordo com as expectativas mundanas e pessoais de cada um, vê-se nestes dias desperta e esboçada no sorriso de cada um de nós, trazendo um centelha de esperança na alegria de viver.

Na verdade, e, em verdade, vivemos num mundo centrado demasiado no eu. O Eu que se proclama. O Eu do ego e do seu egoísmo, individualismo e umbiguismo. Seguir as palavras de Jesus, uma vez que encerram os princípios de vida, existência e coabitação Ocidental é concretizar a harmonia social com valores e preceitos - pois Jesus Cristo, mais do que um ser divino, é nas suas palavras o amor fraterno entre cada um de nós unido a todos - é viver sem deixar de ser o que se é e quem se é, porém vivendo o mundo, no mundo e para o mundo. A esperança ainda é o que nos governa e move. Segui-la é acreditar no futuro sorrindo em conformação do nosso eu com afirmação. Crer é ter fé. Ter fé é acreditar em algo superior que nos move e nos conduz e nos faz partilhar para ter em abundância e reciprocidade. Afinal, em dois mil anos o Cristianismo não nos ensinou outra coisa apesar da nossa sisudez e desconfiança.

É aqui que as ameaças, grupos e afins colectivos que sentem o mal estar político que representa a visita de Ratzinger, enquanto papa Bento XVI, à cidade de Lisboa. Porém, resta-me afirmar:

Que contentamento reside nessas pessoas?

A contrição, a reflexão e a auto-crítica melhor serviço individual faria do que a habitual tendência projeccionista em culpar os outros pelos nossos medos, erros, misérias e desgraças. Assim se purga uma existência culpabilizando os outros ou aqueles mais tangíveis e susceptíveis, em função do síndroma do super-homem que cada um de nós julga encerrar e quer a todo custo abraçar. Assim, caro leitor, qual de nós, e, à imagem de Jesus Cristo, que era tão vulnerável quanto nós somos, era capaz de tomar o seu exemplo?

Quem se sacrificaria?

Um super-homem saberia suportar com persistência e coragem cada acto ou momento até o vencer, porém nenhum de nós sabe. Ninguém quer ou ousa sofrer, nem mesmo em prole de si mesmo. Assim, até saberia responder por todos, mas não ouso. Direi apenas, sublinhando e lembrando aquilo que já sabemos e nunca é demais lembrar: é neste ponto que Jesus, esse sim o verdadeiro super-homem, se elevou na sua condição humana acima de qualquer outro ser. Se era esse o propósito da sua existência, a Deus pertence o mistério e o segredo e a cada um de nós aceitar e respeitar.

Em súmula, caro leitor que me é atento, é neste oposto de desconfiança alheia que reside a nossa descrença e culpa. Culpa na falta de conhecimento e reconhecimento. Culpa na arrogância que nos move todos os dias... enfim, tanto para dizer... e neste dizer, mais do que ler estas palavras que pouco resumem, pensar e olhar interiormente. Se cada um dos 60 visitantes diários deste blogue o fizessem seria seguro, que, a angústia e tristeza que nos invade o olhar sobre diversas formas, daqui a uns dias se transformaria num tímido sorriso e com o tempo na alegria de viver em comunhão com o mundo e com o infinito, até a meninge de cada um de nós se virar para Deus e com verdadeira gratidão agradecer-lhe o que de bom ou satisfatório a vida nos vai mostrando e trazendo.

Na realidade, onde estiveram hoje as manifestações anti-papa?

Em 80.000 pessoas que se deslocaram até ao Terreiro do Paço ou a Lisboa, 2 assentaram arraiais sobre o arco da Rua Augusta vestidas de negro mostrando o seu protesto. Outras que não vi, andaram a distribuir condoms no Rossio... Porém a maioria dos habitantes da cidade mais laica de Portugal,
pioneira em experimentalismos e tendências reformistas extremistas que conduziram o mundo ao colapso no século anterior, que segundo se diz tão descrentes como toda a amplitude desse conceito, hoje, desceram até ao Terreiro do Paço cheios de esperança, não para ferir ou agredir mas para acreditar. As inflamadas e prometidas manifestações e afins, afinal não passarem disso mesmo e até agora, e também até ver, promessas! Promessas ou actos de tal forma tão pacíficos que se diluíram no meio de tantos e tantos que por lá andavam com alegria. Durante todo o dia sentia-se nas ruas de Lisboa euforia e satisfação, materializados em vivas e sorrisos, em longos e praticamente ininterruptos cordões humanos, em expressão do máximo sentimento de respeito que deve ser o tributo mínimo oferecido.

O silêncio e a indiferença são ainda as melhores armas que uma oposição pode tomar para expressar o seu descontentamento ao invés do terrorismo da provocação e da violência gratuita, desmesurada e sem convicção. Lembro pois a todos que a Igreja é ainda uma instituição aberta e só entra nela quem quer. Por isso só quem está no seu seio nela participa se pode arrogar a pedir justificações de actos e comportamentos quando algo não vai bem, a menos que tenha sofrido na pele algo de incomodo e e tenha afastado. Mas se não a denuncia directamente, porque a agride juntando-se à mole anónima? Porque não clama justiça? Se a condena então, porque a protege em conjunto com os seus indigentes com postura de esquizofrenia?...

Por fim, e terminando, é curioso notar que os protestos partem daqueles que não participam e não confiam nela, a Igreja. É caso para pensar: se reclamam é então para quê: vexar? deitar abaixo? destruir? ou simplesmente quererão apenas fazer parte e tem vergonha disso ou não são capazes, porque as "vidinhas" e convicções mesmo que erradas são demasiado boas?

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A MISSA...



(c) Santos&Santinhos


Cerimónia para o Cavalo e para o Sr. D. José...
Os fiéis só mesmo por ecrãs!

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A SAUDAÇÃO NUMA IMAGEM



(c) Santos&Santinhos
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SAUDAÇÃO AO PAPA BENTO XVI


"Santíssimo Padre.


O nosso coração rejubila, o meu e de toda a Igreja de Lisboa, com a presença de Vossa Santidade no meio de nós. É certo que vivemos sempre a nossa fé em comunhão convosco porque queremos viver, cada vez mais profundamente, a catolicidade da Igreja e porque, como certamente sabeis, o nosso Povo sempre teve um grande amor ao Papa, manifestado mesmo nas épocas mais conturbadas da nossa História. Mas a vossa presença física é uma graça muito especial: poder ver-vos, saudar-vos, porventura cruzar o vosso olhar que nos comunica a bondade do Pastor, poder rezar convosco, ouvir a vossa palavra que nos convida sempre a abrir a inteligência e o coração à profundidade e à beleza do mistério. Tenha a certeza, Santíssimo Padre, a vossa presença é um convite a aprofundar e a tornar mais radical a nossa fidelidade. Todos nós, mas sobretudo os nossos jovens precisam, além da clareza das palavras, de testemunhas vivas de fé, aquelas em que toda a vida se torna palavra.

Estamos reunidos num dos locais mais belos da nossa Cidade, em que esta se debruça sobre o Rio que a atrai para o Oceano infinito. Os habitantes de Lisboa nascem e morrem envolvidos por esta beleza e atraídos para o infinito. Habituaram-se a estar sempre dispostos a partir. E partiram à procura de novos mundos, dinamizados pela urgência missionária do anúncio. E ainda hoje continuam a partir, religiosos e religiosas, jovens e famílias inteiras, a experimentar a aventura da missão e aprenderem nela o verdadeiro ritmo da sua fé.

Ponto de partida, este Rio é também uma porta de entrada e ensinou-nos a acolher quem chega. E chegam muitos, turistas que nos visitam, emigrantes à procura de um país de acolhimento. Recebemo-los como irmãos, com aquele amor que sempre identificou os cristãos. Muitos dos que chegam não são cristãos, praticam outras religiões. Também os acolhemos com amor, aprendemos a respeitar a sua fé, a conviver no diálogo e a descobrir os valores que temos em comum. A maioria católica não tira o lugar a ninguém.

A Igreja de Lisboa tem como Padroeiro São Vicente, Diácono e Mártir. Era Santo de grande devoção das comunidades cristãs moçarabes, a Igreja que subsistiu durante o longo período de domínio muçulmano. E já então a convivência era apanágio dos habitantes de Lisboa. Com a reconquista cristã da Cidade estas comunidades, exteriormente confundidas com o resto da população, passaram um período difícil. O nosso primeiro Rei deu-lhes um sinal de apoio e compreensão: mandou vir as relíquias do Santo Mártir de Saragoça, que assim fica ligado à Igreja de Lisboa, ensinando-a a servir na diaconia do amor, infundindo-lhe coragem para sofrer quando a fidelidade o exigir.

Por isso, entrego a Vossa Santidade uma relíquia autêntica de São Vicente. Ela quer significar, Santíssimo Padre, o nosso desejo de servir, a nossa determinação de sermos fiéis, custe o que custar, a nossa alegria de estarmos em comunhão com toda a nossa Cidade, também ela protegida por São Vicente, cujos símbolos estão gravados nas suas armas.

Santo Padre, obrigado por ter vindo. Confirme-nos na fé, comunique-nos a Vossa coragem de sofrer com serenidade, partilhe connosco a paixão da verdade.

Maria Santíssima, o outro grande amor dos portugueses, porque ama a Igreja, ensina-nos a ser Igreja, porque é nossa mãe e conduz-nos à intimidade do seu Filho Jesus Cristo.
"


+ José, Cardeal Patriarca
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