13 de março de 2010

OCASO

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De frente de uma enorme janela, sentado na solidão de paredes envidraçadas entre mesas vazias e despojadas de gente vejo lá fora o sol ainda brilhar neste fim-de-tarde, transformando-se no seu ocaso num reconfortante e tímido
Abendrot. Não possuímos na nossa concepção de ver o mundo a poética deste encantamento que é tão caro ao povo tedesco. Poetas e musicos entalteceram já este momento de grande magia em terras de se perder o horizonte, da mesma forma que na terra dos lusos se elegeu a saudade como a maior expressão de se ser e estar num local rodeado de imenso e de mar sem esperança.
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Vejo árvores frondosas imóveis. Oiço vida. Oiço a ruídosa expressão da vivència do mundo. Sinto o frenesim e o palpitar que move quem ainda acredita e crê que a seguir a este pôr-do-sol o dia volta a nascer radiante...
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É noite!...
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Sem mais, sem mote e sem musa que abala com o sol onde ele vai, fecho as pálpebras e sem sonhos e ilusões, que por agora não são desejados, abrigo-me no cárcere existencial e no aconchego da escura noite.

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3 comentários:

adolescente gay disse...

De facto, ouvir a musica e ler o texto (ao mesmo tempo)... é maravilhoso!
Continua!! xD

Beijinhos e porta-te mal!! ;)

Bartolomeu disse...

Caro A. G.,

denoto que é já uma presença assídua deste sítio. Obrigado por isso, e pela estima que nos dá acompanhando os posts que aqui se vão colocando.

Vejo também que já descobriu um dos mistérios destes posts. De fato, a musica que escolho, na sua forma ideal, seria para isso mesmo ler e ouvir em simultaneo.

Abraço, e bom fim-de-semana

Tagarela disse...

Texto maravilhoso...é reconfortante saber que após a noite o sol voltará a brilhar.
Eu particularmente prefiro as manhãs...sinto como se fosse dada a mim mais uma chance para eu fazer, sentir, ver, ouvir ou aprender o que ainda me falta!

*Ler seus textos ajuda acalmar o turbilhão que é minha mente, me sinto em paz!

Beijinhos

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