25 de março de 2010

CAÇADA REAL

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Arreda gente do povo
Que vae el-rei montear:
O tempo não é de caça;
O que irá el-rei caçar?
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Na côrte ninguém se atreve
Pela caça a perguntar:
O povo nota que é erro
Ir em tal mez montear.
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Só el-rei ri lá comsigo
De ver a côrte a scismar:
"Scisme embora minha côrte
Que o meu dever é calar!"
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"Pare aqui a cavalgada
Que eu não tardo de voltar!"
Disse el-rei em Odivellas
Já o convento a avistar.
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Pelas grades do convento
Viam-se uns olhos brilhar.
O convento era de freiras
Onde irá el-rei caçar?
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É real esta caçada!
Assim eu chegue a caçar
Por aquelles olhos negros
Pode-se bem montear.
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Peccado grande seria
Esse seu grande peccar.
Se os frades que tinha em Mafra
S'esquecessem de resar.
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Mas assim podia affoito
Ir nos conventos caçar,
Que os frades eram aos centos
Para por elle resar.
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Luís Augusto Palmeirim
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