23 de março de 2010

AO SOTERO, O LIBERTINO VIOLADOR DE TELHEIRAS!

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Henrique Sotero tornou-se o homem do momento.
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Qual Casanova coleccionou, num tempo sem predisposição e inclinação feminina a um tal ente desejado, num catálogo elaborado pela força da lei, uma plêiade de jovens fêmeas agraciadas pelo apetite voraz de um predador pronto a satisfazer a sua volúpia junto ao belo sexo, ou seja um tímido mas respeitoso séquito de donzelas abençoadas e aspergidas pelo seu precioso vigor.
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Fosse um nobre ou aristocrata de um século anterior ou remoto, e tais castas donzelas encheriam as ruas disputando lugares esperando a sorte de uma tal aparição. Os Numes já não participam nem protegem a antiga e briosa arte dos actos cavalheirescos de licenciosos arremessos, que no aliviar de penas esvaziavam pesadas bolsas oferecendo esmola de ponderada soma levantando sorridentes Igrejas e Conventos. Era bom, não era caro Nume-que-estás-sozinho-lá-em cima?
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Aditamos, caro leitor, que este sedutor foi apenas ele mesmo, igual a si de tal modo que com extrema exactidão nele se adivinhou Henrique Sotero. Vestido sem configurações, metamorfoses, máscaras, adereços, leis, pergaminhos ou argentes palavras de encantamento douradas de um conveniente "boa noite, cinderela", de alegada isenção de culpa, fez-se ritualmente passar de si próprio assumindo com a natureza do seu rosto o seu devaneio, o que ademais envergonharia um D. Juan, o mavioso burlão, que para as suas conquistas realizar, disfarçando-se de seus amantes dissimuladamente se fazia passar.
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Entre D. Juan, Casanova, Marialva, Mulherengo, Putanheiro, outro qualquer aforismo ou destacado cidadão anónimo de tal porte e fama, Sotero junta-se à lista dos devassos de uma velha guarda que na sua montada percorreram este mundo arrebatando moças ditas puras, na inocência dos seus desinteressantes passos dando por um momento graça e luz às suas pacatas existências.
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Lá diz uma máxima antiga, sentença de grande valor moral às castas virgens que se querem ver guardadas:
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se apanhou, foi porque se pôs a jeito.
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Sentenciado pelo harmonizado tempo de hoje, envergando o hábito da contrição, satisfazendo o prémio da sua caução, joga-se agora em entrega total em dura auto-comiseração à pena sacrificial, à humilhação e à indignidade da sua condição.
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Assim, e, lembrando que hoje adulamos com estima estas silhuetas do passado, que a uns fazem sorrir e outros sonhar ou inspirar pelo que não podem celebrar nem alcançar, com um certo excerto musical que reverencia o mítico e lendário D. Juan, neste exemplo imortalizado por Mozart, sem poder patrocinar outros admiráveis trechos de outros meritórios e habilidosos compositores de nomeada, recordando e advertindo por agora que o horror que a perversão que este assunto hoje nos causa no futuro elevará este audacioso homem à condição de herói.
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Lá daremos as mãos
E lá me dirás que sim!

Anda, não é longe,
Partamos já daqui
!

NEWS 

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1 comentário:

NR disse...

Verdade, verdadinha.Sotero, o benfiquista, Sotero, o trabalhador, Sotero, um-de-nós-que-pode-fazer-uma-coisa-daquelas. A Comunicação Social é o Processo, a Cura, e a Canonização. Da Culpa à Catarse. E surge o Mito.

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