1 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA (REVISITADO E REVISTO)

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Este fim de semana começaram oficialmente as comemorações do centenário da Républica. Com pompa e sem circunstância, entre o improvisado e sofrível, lá se seguiu o evento de abertura daquele que vai ser o acontecimento máximo português de 2010.
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Será que não há conselheiros de animação cultural que possam pulir, qual engraxador de sapatos daqueles que subsistem ali pelo Chiado, os momentos oficiais? A pouca criatividade e a falta de projectos, seguem! Não se gasta dinheiro, pois não se pode gastar ou não se quer gastar, com coisas ditas sérias, que ademais só viriam a enobrecer o momento. Meus Senhores, é só o primeiro centenário do estado moderno português. A bem ou a mal... a bem, para ao menos me sentir gratificado pelo país em que vivo e existo, ainda que a oferta dele seja o que é, mas sobranceira a um novo rumo e esperança que a mediocridade não acalenta, gostaria de pelo menos me rever nesses eventos, ao menos pelas festas. Era o crédito minimo que os Senhores poderiam oferecer, para continuar a fazer vénias, ainda que contrariadas, às suas vontades.
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Na antiga Roma pão, vinho e espectáculos eram a areia que os Césares atiravam pelos olhos a dentro dos romanos fleumatizando as massas impetuosas, desde o patrício ao escravo. No Portugal de hoje, os Senhores, nada fazem. Instaram-se na crise sem abrir os cordões à bolsa, recitando palavras de arte retórica bacoca em eufémicas pérolas para uma mole amordaçada, algemada e de ouvidos moucados. Não tenho memória, pois não a posso ter, mas, não eram assim os serões em família do Dr. Marcelo Caetano?
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Assim, acaso as crianças ainda são a esperança da nação? Relato actual do estado do país, diz-nos até ao dia de ontem: já têm Magalhães e até cantam os versos do Lopes Mendonça da Portuguesa abrindo as tais cerimónias. Pois se sim é ilacção daí retirada, falacioso se torna este somatório e errada esta convicção. Na verdade, na realidade e em conformidade são mentes, mãos e bocas que manipulam. Delas nada sai com paixão. A sede de vencer são o seu lema, e a manipulação a sua principal arma. Esta é a realidade. Todos os valores são considerados antiquados, e hoje fogem-se deles como se cada portador de tal fosse leproso, marginal da sociedade que caminha com uma sineta para indicar a sua passagem, em cada palavra verbalizada. Se cada Senhor em questão tivesse em casa um destes exemplares, numa relação próxima ou directa, começando pelo nosso Prime - que se atendermos às más linguas não é portador de tal vocação -, saberiam o quanto são ágeis estas palavras. As sumidades floridas das gerações à vista têm olhares mais amplos, e muito sinceramente, ainda bem que o têm. Olham directamente, quando na realidade observam com a vista periférica. Aqui vai um exemplo: recordam-se nas comemorações do 25 de Abril do ano anterior da resposta de uma certa criança a um repórter da RTP perante a animosidade das máquinas de guerra, humanas ou mecanizadas, desfilando com verdadeiro fervor, impeto de grande pompa e circusntacia, que poucos hoje têm memória. Pois bem o reporter perguntou-lhe se a parada lhe entusiasmava, e a criança, habituada seguramente ao barulho das luzes da sua espectacular Play-Station, disse: NÃO! Inquirida novamente se gostaria de perfilar os exercitos portugueses e servir a nação, uma vez mais a criança, desta senhor de si, general maior dos seus exércitos de êxito heróico em derrotar inimigos, bons ou maus, e da sua arte de estratega, uma vez mais nos botões da sua espectacular Play-Station, disse: NÃO!
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Pois bem, caros Senhores, é assim evidente que o futuro da nação não são as crianças que nela crescem, que na sua idade adulta, com mais segurança do que nós ainda amarrados às antigas convenções, histórias e estórias e fronteiras deste Portugal, entrarão com incisão pela Europa adentro assegurando-se do sucesso das suas escolhas e determinações. A nação, caros Senhores, é nossa. Nossa, dos da nossa idade e daqueles que nela ascendem etáriamente, a infalível e incontornável esperança que a cada um resta, e que ainda têm incutidos esses tais antigos valores, uma vez que no tempo em que eram crianças, ainda se faziam acreditar nesses heróis de quinhentos e outros que tantos, incendiando paixões e convicções, e que no hoje sofrem pelo estado em ela que se encontra.
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Desaparecidos os heróis e aventesmas do passado credita-se o novo herói além fronteiras. Ditando, à maneira de um velho que ainda ama o seu chão: são os novos tempos! Da medianidade, do desinteresse e abandono da arrefecida casa materna aliciantes da diáspora.
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8 comentários:

Elenáro disse...

Excelente post, meu caro!

António Rosa disse...

Muito interessante a sua visão, que partilho. Texto muito bem conduzido.

Cristiano Contreiras disse...

Parabéns pelo conceito do blog!
muito conceituado!

te sigo

JotaSP disse...

Obrigado, caro Bartolomeu! Foi bom ler as tuas palavras. Não esquecerei o teu gesto.

Um abraço especial «««

Bartolomeu disse...

Olá Elenáro,

obrigado pelo teu comment, e pela tua presença, é bom sentir que não se estaá só! : )))

Abraço

Bartolomeu disse...

Olá A. R.,

obrigado pelo seu comment. Acredito que é na partilha e na semelhança de reflexões que nos identificamos e nutrimos amizade uns pelos outros nos blogues.

Bem haja sempre pela sua presença.
Abrç

Bartolomeu disse...

Olá Cristiano,

bem-vindo, é uma honra receber-te neste nosso espaço. Obrigado!

Abraço

Bartolomeu disse...

Olá JSP,

ora não custou nada! Amanhã posso ser eu a precisar. ;)

Abraço assim _________ lol

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