25 de janeiro de 2010

CONDICIONAMENTOS

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Caro leitor, é dificil viver!

Pior, é díficil viver e pensar em simultâneo! É dificil viver, pensar e actuar quando os tempos não se avizinham como os melhores, e as nossas decisões são tomadas por terceiros mesmo que esse terceiro seja um espectro. Um espectro de um futuro condicionado, incerto e amarrado aos grilhões do presente.
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Decisões tomadas. Esforços titânicos e falta de coragem ante uma vontade suprema de vencer, na qual subsiste uma força indomável que não sei de onde vem, e ,apesar de tão fustigada não esmorece nem quebra.
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Tudo anda, olá se anda! Que remédio, n'est pas?
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Os gurus e falsos profetas, senhores da nova religião, reforçada pela dependência do GPS, diríam já imperiosamente: é um trânsito! Vulgar de Lineu, caros senhores descendentes da arte de quem já ardeu em fogueiras! Pois, pois, pois sempre a mesma conversa. Identificar que é um trânsito também sei eu, e chamar-lhe-ía convenientemente de fase. Fase ou trânsito sobretudo quando o mesmo suspende uma vida nesse éter estelar... qualquer minha antepassada também o diria pensando, pois nesses tempos os homens não olhavam para isso, a menos que fossem ociosos ou temessem um dia de chuva, adivinhando entre dois pontos de costura ou rendilhar de bordados entre um olhar amiúde pelas janelas, entre novenas e rezas ao mau-olhado, sem o conhecimento da brincadeira dos astros perante a pequenez robertiana da vida humana, manipulados por dois dedos, ante o riso que os faz brilhar no bréu troçando da raça humana, já que os designios superiores para elas, eram conduzidos por ser que só podia ser católico, que dele tudo vem e que não temos em nós senão a vontade dele. Ainda no outro dia a mãe disse, perante a ameaça de um ventinho danado para a brincadeira, outra vontade dos astros, quiça, o que tiver de ser será e quando acontecer acontecerá!

Pois bem, identificado o caso onde está a resolução? E esta pergunta atiro-a a quem sabe responder, se souber!
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Vistas tapadas. Olhares incertos. Doutos conhecimentos a sumirem-se pelo cano. Ninguém sabe! Fé e esperar, esperar, esperar... Tenha coragem - disseram-mo já! São só uns anos. É pois aqui que a insignificancia e o pouco dominio se revelam. As antigas senhoras diríam: reza filho, reza ao pai-do-céu! Fé! Pois. Crença? Eu e 6,99999 biliões a lutar pelo mesmo, a atenção e o milagre pelo dedo Daquele que do pó fez uma civilização! Eu em criança também brincava fazendo castelos e cidades com a areia da praia ou das construções, quando lá em casa se faziam obras, e delas ou veio uma onda que as levou - é a vida! -, ou a pá do cruel pedreiro - é a vontade! E para quê, caro leitor? Para trazer inconformação que vai pautando as minhas horas, ante uma vontade que se assemelha cada vez mais de vã, já que os castelinhos formados com tanto apreço e cuidado, ainda me são subjugados por uma destas duas condições.

Relembro que na minha infância, havia uma grande sede crescer. De triunfar. De reconhecimento. Durante anos desejei que os anos passassem depressa para poder chegar á idade adulta e privar no convívio de gente de saber, que a uma criança não dirigia senão um afavel sorriso, duas três palavras simpáticas inquirindo do que quereria ser quando fosse grande ou a grangear com um rebuçado ou doce, ainda que o mesmo significasse uma idéia obscura ou secundária - calar meninos. Inquietação e desconforto

Hoje, com esta estupida idade a que chamam de perfeita - bah! - em vésperas de evoluir ao próximo estádio etário, deparo-me com a utupia desta reflexão. Inquietação e desconforto, uma vez mais, como aliás nunca deixara de sentir, e um preço elevado e sofrido por querer ser ainda mais diferente do que já sou diferente. Caro leitor, da minha geração, mais nenhum ser do local onde nasci chegou tão longe quanto eu cheguei. E para que serviu isso, para nada. Apenas alimentar um ego insatisfeito.

A vésperas de entrar numa nova idade, preparo-me para ser engulido por aquilo que sempre lutei contra. O desejo de ser uma pessoa simples, até agora, não era mais do que uma simplificação das formulas. Jamais abdicar do espólio de mim mesmo, do que sou e do que construí. Esperei muito e da mesma forma lutei, tal como alcancei, créditos rebentado e ainda por estoirar, helás! Mas ser simples, antítese desta forma de escrever teimosa e rebuscada, reflexo do reflexo deturpado, do mundo por de trás do espelho, do olhar míope e desfocado, enfim...
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2 comentários:

Nina disse...

Caro Bartolomeu, bem gostaria de te ler, mas a letra está tão pequenina que fere.:) Não te importas que te peça para a aumentares? Gosto tanto de te ler!:)
beijinhos

Bartolomeu disse...

Olá querida Nina,

então a letra é piquena????

Fico feliz por saber que aprecias a leitura das minahs coisa. Porém, este é o meu formato, creio que tens uma opção de aumentar o ecrã no teu Pc carregando nas teclas CRL e +, para voltar ao normal carregar em CTRL e tecla -.

Abrç

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