30 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA VII - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE QUEM NADA SABE DE NADA EM DESFECHO


21 de Novembro de 2008...


Um antagónico momento de solidão crescente haveria de lançar no éter informático um blogue. Um blogue premeditado! Uma ideia de mural internético de aforismos curtos ou alargados no qual haveria de fazer chegar a algures ou nenhures uma pequena voz, e, em lives de megalomania obsessiva e excêntrica, quanto um doido pode alcançar, ser tão popular como antes e depois não haveria de existir outro igual, helás! Cheio de genica o arremessei, e pois bem, qual Spuntik, ei-lo no ar!


29 de Novembro de 2009...

30 é o número estatístico de visitas diárias. Ah pois, somos tão procurados nesta blogosfera que até o Pacheco Pereira se envergonha do seu tão afamado blogue. Ele e o mediático 31 da Armada, naquele famoso dia em que redundantemente embadeiraram de azul e branco o céu de Lisboa.

Apesar do extenso rascunho, que hoje ganha o seu término, este acto em cada instante parece um exercício sem fim. Sem inspiração, escravo da minha vontade ante a obrigação que me impus, desespero perante este bloco de matéria-prima, sem que o mesmo se capacite, como que por artes mágicas, de uma auto-transformação ou ainda em suaves toques de perlim-pim-pim de se fazer fluir prazenteiramente dos dedos para o teclado como nas anteriores composições. Carpindo copiosamente, tentando sensibilizar o leitor num ludibriante esquema de comiseração, já irritado até à alma, penso: que bom era estar munido de uma técnica infalível que neste momento seriam socorro a esta monótona campanha, aihmè, onde somar 1+1 ou 2+2, ou qualquer outra reflexão de resposta directa e pragmática, seriam o fármaco a esta indisposição. Lá diz a vox populis
, que é força de lei neste sítio:

"Quem de bom instrumento excretor é desprovido, não se investe em sodomita"


21 de Novembro de 2008...

Com timidez segui a minha estrada. A net, caro leitor é pois ainda um mundo sem regras nem doutrinas fixas de leis imperiosas, onde tudo é
sem norma expressão máxima de alguém. Nela misturam-se e entrecruzam-se modelos e conceitos, estilos e modas num aprumado ecletismo, sem policiamento ou comissões inspectoras, onde o único critério nesta arte de combinar é por excelência o emprego do bom-gosto. O bom-gosto, no sentido aqui empregue, na capacidade de exposição das mais diversas matérias, é o único artifício capaz de garantir a atracção e interesse ao comum visitante. Assim a graça, o humor, a espontaneidade, a audácia, a originalidade ou efeitos surpresa são características essenciais a qualquer verborreia que não têm a força de lei como os media institucionalizados - como imposições obrigatórias enquanto veículos sorrateiros de informação a quem quer estar à melhor altura de poder deslizar e competir socialmente. Mas isso são coisas do mundo real... aqui, neste horizonte sem fronteiras, convenientemente luso, já que se refere ao espaço virtual da nossa nação, em que se escreve quase exclusivamente em português, todos somos Camões ou Pessoa, ou ainda neste idioma num gosto estrangeirado de influências, todos somos literáriamente um Camões - outra vez Camões, que admiramos e desprezamos, por isso criticamos -, um Garret, um Herculano, um Eça, um Virgílio Ferreira ou qualquer outro nobre nome literário idealizado segundo esta cláusula, a seu preceito. Nutrimos de uma especial admiração por Saramago, apesar de não gostarmos da totalidade da sua obra. Simpatizamos ainda com um Lobo Antunes e os seus confusos arremessos que nos dão a volta à meninge, assim como de tantos outros que agora serão demais aqui citar. Gosto destes, dos implícitos anónimos, e acabou-se!


29 de Novembro de 2009
...

O dia caminha ainda para a hora terça, e espero finalizar este rosário antes que chegue o almoço dominical de um esperado prato no forno, que hoje se adivinha Bacalhau - pelo peixe que se deixou expiar enquanto nadava morto, ali num recipiente na cozinha. Iguarias comensais duplamente em vias de extinção, sendo uma delas o simples facto de ainda não ter dedicado tempo e atenção à sua confecção - pelas mais honrosas e caras mãos que conheço. Não há, nem nunca haverá melhor sabor do que a comida da nossa materna casa. Resquícios da ligação umbilical que nos une a esse ser extraordinário e que o torna tão singular. Uma manipulação natural, é certo, ao retorno pavloviano de um filho à asa maternal.




21 de Novembro de 2008...

Retomando!


29 de Novembro de 2009...

Não consigo adiantar-me. Tudo me distrai... O mês está mesmo mesmo a finalizar e só voltará no próximo ano! Até lá, a continuar nesta morosa lenga-lenga cansaria o leitor, levando-o a fugir destas entediantes pachochadas de trazer-por-casa sem novidade, que se sabem capazes de enfastiar o mais farrusco e menos dotado Diabo, alinhado no topo inferior da longa hierarquia demoníaca, tendo no lamechismo o Divino-lá-de-cima como coaching de cada jornada. Ele gosta destas promiscuas parolices bem meladas, já se sabe, e isso caro e apreensivo leitor-que-expressa-por-Ele-grande-afinidade - pois há leitores para tudo -, não O
descredibiliza nem O faz menos do que Ele é. É apenas O seu bom-gosto, tal como inspira ao povo leigo e aos sapientíssimos artistas seus serviçais, tão leigos quantos os anteriores, pela régia e magna influência do Espírito Santos, hoje coordenador pedagógico de certos cursos de arquitectura, como defende Pedro Abreu, deixando-nos adivinhar que pela mesma arte tal como deve ter iluminado o excelso Troufa Real na sua galharda ideia.

Eles dizem, para não variar, que nós não percebemos nada e que muito menos compreendemos, ante a vénia forçada a umas tais distinções académicas. Porém, se a casa de Deus deverá ser um local atractivo e confortável a todos os sentidos humano na sua forma mais pura ou seja a intimidade dos lares, que como foi muito bem lembrado, trataram-se dos primeiros locais de culto Cristão (discurso que em 1994 a Igreja aludia no regresso à primeira forma, como reforma interna que se estendia aos fiéis - tal como ouvi de Dom António Francisco Marques, um discípulo de São Francisco, na minha Missa Crismal), se assim é do que é que esperam? Um regresso definitivo ao rito Tridentino cheio das promiscuidades pagãs dos conceitos do édito de Constantino?


21 de Novembro de 2008...

Retomando!



29 de Novembro de 2009...

Cada um é Senhor do seu espaço gerindo-o como quer em regime de autoridade absoluta! Sem mais misérias supérfluas, em torno de conclusões já conhecidas de todos, avanço, para satisfação do leitor, como penhor de ter aqui chegado, com un peu d'histoire canonique. Porquê este blogue? Porquê a temática religiosa? Porquê tudo isto?


3 meses antes de 21 de Novembro de 2009...

Quando... No tempo bom, aquele em que ainda fazia sol... Cur... melindrado e perturbado por tantos factos, já no auge de uma galopante crise existencial, ante uma disputa interior queimando as entranhas acrescidas da gestão de temperamentos tão dispares de uma muito altercada gente... Ubi... vagueando numa dessas tantas redes sociais, conversando com um desconhecido do qual hoje não conheço o futuro... Quis... podia ter sido um anjo, uma aventesma de um meu qualquer antepassado ou quiça apenas um ventinho, estou qcerto que não... Quomodo... no prazer da conversa, numa noite de teimosa espertina já pisando a madrugada... Quid... debatendo-nos com confortantes palavras, aspectos e experiências com base no existencialismo em torno dos "ditos" bons e verdadeiros valores - se é que eles existem -, concluindo-se sem grande surpresa que estes cada vez menos se acham, não só nas transformadas novas gerações, mas sobretudo naquelas ais próximas à nossa idade.

Tendo em conta que uma boa educação à portuguesa no seio do lar passa sempre por crenças e também princípios religiosos, não é de estranhar o novo rumo da conversa. Detentor na minha experiência vitae de um curioso curriculum, conferida por um destacamento de avós beatas que remontam ao tempo das famigeradas invasões francesas, relatei somente a influência que esta herança genética teve em mim, aninhanda na minha infância, onde ela sem dúvida tinha sido mais influente. Sem dar por isso, relembrei toda a estória do menino que queria ser santo e das suas conclusões.


29 de Novembro de 2009...

Passou a sexta e a nona
hora, e esta publicação ainda a ser matizada!


2 meses antes de 21 de Novembro de 2008...

Caro leitor, se ainda me acompanha, obrigado por ter chegado até aqui. Estou a falar declaradamente de mim com toda a pujança e cagança, sem o mínimo de educação e respeito pelo universalismo anódino de assuntos . Mas há mais...


Com o reforço das festas da minha aldeia natal - sim caro leitor, uma aldeia de ilustre gente, sobre a qual não interessa dizer mais do que aqui se disse, e que nos tempos do ancien régime era muito frequentada pelo ditador em pessoa, que em visitas ao seu amigo Embaixador assistia sempre à missa dominical antes de se refastelar à mesa, bem regada com o afamado vinho da região, da frondosa quinta do seu antigo ministro. Não pretendemos com isto, caro leitor, mostrar favor a simpatias a esse tempo político mas contar algo. Mas dizia, com o reforço das festas das quais a componente religiosa é dedicada a N. Sr. da Graça, com o fervor bairrista habitual deste tempo, empreendi recuperar uma antiga ideia de publicar na Wikipédia uma informação sobre este vulto mariano local. O processo era demasiado burocrático e daí até à concretização a criação de um blogue assemelhou-se como o melhor e mais alargado meio. Foi um instante! A história da Senhora que conheceu Salazar, e, que não arredou pé diante de um verdadeiro cavalo alvoraçado, pouco oneroso de tal presença, como as histéricas raparigas de hoje entrando em debanda, por fim iria ser do conhecimento geral!




21 de Novembro de 2008...


Blogue semi-sério de inspiração católica sobre tudo e nada, inspirado num engraçado e famoso blogue, do qual não revelarei o nome. Blogue que toma a Senhora da Graça como protectora e que em vez de falar sobre seus vestidos e jóias, ou de como os franceses a violentaram, em que cada passo resolveu-se a contar egoistamente histórias do pequeno rapaz, relatar histórias alheias católicas, modas, brincar com os Papas e os seus gostos e atitudes excêntricas, etc... Porém a partir de um dado momento, imbuído de cada vez maior religiosidade e encontro com Divino, o rumo mudaria e se tornaria em cada dia algo cada vez mais sério e de reflexão interior.


29 de Novembro de 2009...

Mas agora, o resistente e curioso leitor, de certo se interrogará já bastante ávido de saber mais. E porquê esta corrente e não outra? Segundo as minhas crenças todos os portugueses são religiosos. Ser português é ser religioso, e, até o mais descrente ou apóstata ser desta nacionalidade é temente a algo de definição religiosa. O mais snob intitula-se de agnóstico para assim poder fugir às responsabilidades quotidianas. E de todos só há um ateu convicto, o neo-ateísta Saramago, que insiste em fazer vénias ao Divino. O português não gosta de admitir que é religioso. Não gosta de ir à missa, mas corre para Fátima, em tortuosa ou confortável peregrinação, chorando copiosamente na sua bipolarizada forma de fé, sempre pautada pelo joco-sério das atitudes e posturas até do mais circunspecto peregrino, civis ou religiosos. Já Júlio César dizia:

"O estranho povo que não se governa e não se deixa governar"


21 de Novembro de 2008...

SANTOS & SANTINHOS
UM SANTUÁRIO DE BEATITUDES


Assim foi a primeira denominação, um Santuário onde se procurava a libertação do eu como no tratamento psicoterapeuta de um divã que o purgaria e lhe traria a libertação e o reencontro como lemas. Bartolomeu, sofreu à vista de todos enfeitando a sua decadência num rosário de posts publicados diariamente em caminhos sobre os quais pudesse trilhar sem que fosse ridicularizado pelo facto de se expor tanto, com estórias que caídas em mãos perniciosas haveriam de alimentar muitas conversas.


29 de Novembro de 2009...

É noite!

Eis caro leitor, simpatizante ou não da nossa causa, a nossa história ainda que contada sem sábia destreza em argumentos e vocábulos, construções semânticas, erros ortográficos, taipings e tantos outros horrores gramaticais considerados de fracos fraquinhos. Com toda calma encerro este ciclo num até para o ano.


THE END



Sem comentários:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails