5 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA II - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI EM CONTINUADA CONTINUAÇÃO


Novembro, sem que seja o meu mês preferido, pelo desconforto das primeiras grandes chuvas que se fazem sentir, como lágrimas saudosas do tempo estival que já só volta depois do frio passar, antes que o mesmo se insurja na sua derradeira tentativa de libertação lá pelos dias de São Martinho, ante o tom das águas compulsivas de Deméter, no seu mais lancinante pranto, e na dor do seu mais profundo grito, na perca da sua alegria levada para os infernos, Novembro (para o leitor que já se perdeu esquecendo da ideia que aqui se explana) é um dos meses que pelas suas intrínsecas características sempre me trouxe magia. A magia do conforto de momentos, sensações e cheiros, ainda que identificáveis, inexplicavelmente não os sei traduzir em palavras essas antigas imagens que a todos os segundos me percorrem o olhar.

De tantos Novembros passados, direi poder-se tratar de um desigual tempo bom. Memoires de uma época despreocupada e de um tempo afável. Um tempo são, como leitor pode perspicazmente deduzir, que remonta lá para os lados da infância e que findou antes que adolescência trouxesse a idade adulta. Mas foco-mo sobretudo na infância, les beaux temps, em que tudo ainda não tem explicação racional, e a resolução reside apenas no que nos mais convém. De grandes olhos, abertos a absorver tudo quanto mundo tem para oferecer, sem temer perigos e consequências, ei-lo fascinado e deslumbrado. Fascinado pelo que lhe rodeia e que ainda não é cruel, e deslumbrado correndo em brincadeiras mil nos mil espaços que bem conhece, e que é seu reino e império. Criança cruel e melancólica, que ainda não conhece a crueldade e melancolia do mundo que virá. De grandes cabelos, e de olhos penetrantes seduzidos ao brilho, à cor, aos sons de um Novembro ameaçador de um inverno já próximo, sorri no anúncio que lhe sabe dizer o quanto pouco falta para o Natal. Mas mesmo sem o colorido desses irrequietantes luzeiros, que colherá no mês que lhe é devido das janelas alheias dos vizinhos, é a magia do escuro que lhe atrai e do lusco-fusco novembral em prenuncio desta reflexão, ou a paixão das cores de Novembro - bruna e em tons de veludo salpicados de dourado envelhecido envoltas de alegria e raro sentido de felicidade. É portanto de todos os meses, aquele que mais se dispõe a encher ricamente de memórias e estados variados de espírito, folhas a constituir um livro.


Mas nestes Novembros é bom não tocar mais. É demasiado o pavor de um reencontro ante uma prisão naquelas memórias que se querem esbatidas e indefinidas. Um passado que não deve emergir, mas refogar uma vivência antes que o sorriso que daí possa advir ser tal como a Deméter, ou o seu retrato católico de Mater Dolorosa, Senhora das Dores - helás -, de dores e amarguras lancinantes que nem espadas ferindo a alma e o coração...

"1, 2, 3 macaquinho chinês..."


Basta! Irra: Stop! Alto! É bom não percorrer mais do que isto nesse tal caminho que Novembro reflexivo lembra e trás, antes que as lágrimas e o abatimento sejam daqui para a frente o reflexo desse passado que lhe sabemos bom. Há coisas, que não se podem mexer nunca, nem procurar. São para nós, como num sofá, as molas amortecedoras. Em silêncio deveremos tirar partido delas, mas nunca vê-las ou procura-las!





(continua)




2 comentários:

Susaninha disse...

:):):)
Finalizaste rm grande:):)
Á A´MINHA MACHADINHA:)
Um DOCE Novembro para ti:):)

Bartolomeu disse...

Olá Susaninha,

finalizei com esta porque foi a primeira que me ocorreu do compêndio de canções da altura.

Um bom Novembro também para ti!

Bj

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