22 de novembro de 2009

IL FRATE 'NNAMORATO - MAIS UMA IDA À ÓPERA


Hoje é a noite do nosso primeiro aniversário. Há um ano atrás por esta hora aperfeiçoava o aspecto do blogue - num tom azul celeste e outros pormenores já esquecidos -, delineava e retocava o primeiro post
contemplando o inicio desta laboriosa aventura.

Esta noite, em feição de comemoração, o mais antigo seguidor deste blogue, desde a sua génese, que é também meu amigo pessoal de longa data, companheiro de muitas paródias sérias e jocosas, convidou-me para um serão diferente. Directos a Belém, lá fomos à ópera ao CCB, com bilhetes oferecidos, para ver e ouvir IL FRATE 'NNAMORATO.

Obra de Pergolesi - o célebre autor do mais impressionante
Stabat Mater que o mundo venera como obra ímpar da humanidade, mediatizado na sequência de Amens no filme Amadeus de Milos Forman -, esta ópera, em dialecto napolitano, é uma divertida comédia de boa e grande qualidade de música. Compreender Pergolesi é recuar ao período musical barroco, sendo que foi um dos mais brilhantes compositores de óperas do seu tempo ao ponto de um seu Intermezzo musical, La Serva Padrona, ter originado em Paris um guerra intelectual que dividiu facções entre os interesses da musica francesa versus musica italiana, em lutas verbais e fisicas - bem ao género das hoje conhecidas escaramuças futebolísticas entre claques - que ficou conhecida como La Querelle des Buffons.

Avançando ao dia de hoje. Pois lá estávamos no CCB, onde já cheguei à última da hora quase quase a perder a entrada para o início do espectáculo. Entrado, fiquei sentado na incomoda lateral e de lá vi principiar a ópera. Toca o ensamble barroco Os Músicos do Tejo, que é um grupo de música antiga dirigido pelo jovem maestro Marcos Magalhães, que é também coordenador do grupo e da produção. Os cantores, todos muito bem escolhidos cantavam exemplarmente e com correcção num bem medido sotaque napolitano. De entre todos distingue-se o Baixo João Fernandes, que para além da sua muito boa voz, trabalhada e matizada nas melhores escolas de Londres, mostrou dotes de grande e bom actor na arte da comédia na pele de um jovem galhardo, afectado e garboso, bem ao modo dos "Dandys" de então. Será neste âmbito, com lives de prodígio, na interpretação da dificílima ária Si stordice il Villanello - catalogada no Groove como impossível de ser cantada -, que este brilhante cantor-actor, com suprema inteligência na interpretação e na optimização de toda a extensão que a ária compreende, sem descaracterizar a sua voz - entre o registo de falsete, cabeça, peito, estrionismos vocais diversos sempre justificados nos gestos e na mimetização do papel - levando a melhor às absurdas dificuldades vence a prova com graça conquistando o público que não hesita em rir de satisfação e que no fim o brinda com espontâneo e generoso aplauso. Um belo triunfo. Um momento histórico, dado esta ária, pelas razões apontadas, ser sempre cortada ou excluída da ópera. Por fim, merecem ainda destaque de sobremaneira as duas Servas, os Sopranos Joana Seara e Sandra Medeiros; o Barítono Luís Rodrigues, em plena maturidade vocal com sóbria comicidade, sobretudo pela sua capacidade em agarrar o público; e o Tenor Carlos Guilherme, que apesar da sua veterana idade, possui uma robustez vocal lírica única e exemplar, e uma camaleonica capacidade interpretativa e estilística. O restante elenco é ainda composto pelos graciosos Sopranos Carla Caramujo e Eduarda Melo, estando a cargo desta última uma parte que naquele tempo foi escrita para um Castrati; e pelos Meio-Sopranos Inês Madeira e Sara Amorim.

Sublinhada por uma cenografia minimalista e um guarda roupa estilizado e intemporal, a cena está dirigida com inteligência dando primazia à relação palavra/gesto na construção psicológica dos personagens, em figuras exacerbado bem à maneira mediterrânica, onde foi pena a ausência de mais elementos ou estereótipos da Commedia del'Arte.

Hoje, Domingo, 22 de Novembro de 2009, é a última récita desta ópera de expressão barroca que se recomenda com extremo interesse. O local é o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e principia às 21h. A não perder!

Quanto a nós, destacamos este belo presente que nos foi oferecido e que aqui partilhamos neste comentário tentando suscitar o interesse do leitor a ir ao espectáculo. Apesar de não ser esta produção e esta voz, aqui fica um excerto musical desta ópera:




2 comentários:

Susaninha disse...

PARABÉNS:)
E grande programa:)
SUUUUUUUUUUUrrisinhos:)

Bartolomeu disse...

Olá Susaninha,

olá se foi!

AbrçUUUUs XD

Bartolomeu

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