24 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA V - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI EM DEMORADA INSISTÊNCIA


Et voilá
, quem diria que seria em Novembro que Bartolomeu criaria um blogue... e sobre esse blogue o que dizer? O que se lhes reserva? De nada serve conjecturar ou mesmo delinear pois a imprevisibilidade e a inconstância, filhas do tempo e do temperamento, muitas vezes ditam coisas de imutabilidade tão inesperada como surpreendente. É mesmo assim caro leitor: qual de vós nunca foi vítima destas duas irmãs siamesas gémeas siamesas, aberrações da natureza, tão antigas quanto Cronos e que nos cornos deste viajam pelos tempos fora como parasitas indesejados. Cornos, caro leitor, cornos - palavra altaneira a um nado-ribatejano que se arroje das suas origens e zele pela sua na arte de bem dizer como um quase estrangeirismo soando a pérolas,
num real ou hipotético polido palaciano salão de um meio urbano ou cosmopolita, a menos que tal singularidade na realidade conste aos delicados auditores como de um consentido aforismo dissonante e desbragado, tolerado somente pela arte de bem estar ou mesmo pela satisfação dos que encaram como brejeirice, admirando tal audácia por um gosto decrépito de viver no fio-da-navalha ou no gosto decadente. Engane-se o leitor se tal assim pensa. Cornos, tal como ser ribatejano, é uma palavra salubre que dá vigor e estimulo a qualquer assunto, e por agora por aqui ficamos.

Cronos, essa criatura que a mitologia assim definiu, está viva e de boa saúde. Atleta voraz não descansa nunca, malhando no mundo de todas as épocas os seus minotauricos cascos levando desenfreadamente tudo à frente, qual touro embravecido. Impiedoso senhor. Impiedosa essência que envolve herméticamente o mundo e a nós, regulando-nos pela lei expressa por esses instrumentos que definem momentos e que do alto dos campanários soam melindrando as gentes.
Cronos não é matéria; Cronos é a reincidência aqui já debatida; Cronos é aquilo que em cada ano impiedosamente nos faz redundar em torno de nós sempre com uma nova e mais gasta aparência. Cronos é a antítese do género humano, retraçando-o e envelhecendo-o; Cronos é a anti-criação de um Divino que o isolou fora do Éden, e que por vingança lhe entregou o homem; Cronos é a mais crua e dura verdade; Cronos é a sabedoria; Cronos é o cansaço; Cronos é demolidor; Cronos é o Diabo; Cronos é o pranto, a desgraça, a refinada mentira, a bruta inveja, a destruição e a pandemia infecto-contagiosa de maleitas que atrai a si o mundo e o condena... Cronos é o pai dos males do mundo, a caixa de Pandora de todas essas dicotómicas irmãs bi-polares, que assaltam e se propagam no mundo. Helás!



Cronos é nesta forma de ser ribatejana a "moca" de Rio Maior, que caída em cima da sua vítima a chama à verdade dotando-a, não de um par-de-cornos na têmporas, mas de galos latejantes cantando seráficamente horas a fio, ditando à escrita tais patranhas...

À nossa contrariada vontade, por tal soberano senhor, Doris Day com vestes de grande general romano, admoestou-o com graça e enfraquecendo as imperiosas leis afirmou com maior sapiência, aquilo que a vox populis há muito ensinava:




Assim fala a verdade,
o tempo e arbitrariedade, e nunca a vontade,
tudo determinarão!



(continua)



2 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

No aniversário do teu blog, ofereço-te o prémio que institui no meu, o "Premio Sair das Salavras" e que se encontra na barra lateral direita do meu canto.

vai buscá-lo. É teu com a regras do costume.

abraço ;)

Bartolomeu disse...

Olá Daniel,

obrigado pela simpatia e pelo prémio oferecido. Farei em breve o respectivo post.

Bem haja

Abrç

Bartolomeu

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails