11 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA III - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI EM NOITE DE INSÓNIAS


Em Novembro as tardes já são escuras... já o disse em algures nesta lenga-lenga repetitiva de reincidências, nas quais um ano completo não é mais que isso - uma reincidência no ciclo da vida, ou seja aquilo que metafóricamente se pode designar uma pescadinha de rabo na boca; um cão procurando em círculos contínuos a sua cauda;
um moto perpetuo em redor de si mesmo; ou no rodopiar de uma roca enrolando um fio que a qualquer instante chegará ao fim... numa latente piéce de resistance em jeito de contradição da minha tirana e intrínseca vontade, citando uma lei universal que poucos gostam de lembrar - a mortalidade de que todos somos feitos!

Então, em Novembro as tardes já são escuras.... como aquela que da janela desta scriptorium divisium se alcança, perante uma (im) pertinente cortina que sombreia a verdade que corre na rua, e, que aqui chega esfumada. Prisão condicional e adorada, onde quase tudo quanto precise está a um pequeno alcance. Medida justa para me fazer esquecer que lá fora a vida existe; de que de nada vale a pena saciar a curiosidade do que deambula por debaixo desta janela; e que o mundo é coisa de aquém-e-de-além deste horizonte.

Em Novembro as tardes já são escuras... one more time, again... e na penumbra delas, escrevo sem saber onde vou parar - pobre leitor, aquele que segue este texto! Porque lê estas palavras? Porque segue ele estas frases sem caminho, sem estrada nem sentido, perdendo o seu tempo neste rosário mudo e desajeitado de flores de retórica, aqui deixado escrito em testemunho do que a língua poderia tagarelar? Responda, por favor, se audaz for! Responda, pois aqui tanto o é, como audaz é aquele que escreve e o acusa de se anafar por este desasado non-sense.

Perdoo-me pois, o caro leitor, à sua ira, se lhe fui inconveniente e mau julgador. Não o sou! Não... Não?!?! NÃO !!!! (definitivamente). Sou apenas mais um a achar tudo num acto pseudo-douto, crendo que este seja escassamente mais do que uma premissa jornaleira de moucos aqui escrita, já que não pode ser falada por não ter força para se apregoar ao mundo.

Assim Novembro passa, e as palavras surgem neste Rondeau de misérias! Sem mais comiserações perante o leitor, antes de enfada-lo de vez com esta má disposição, hoje neste diário de águas passadas, em jeito de poutpourri num bouquet sobranceiro da minha vontade, que só neste espaço tem tal vigor, venho falar-vos de viagens. As viagens de que Novembro encerra e é testemunha. Das grandes e das pequenas. Das longas e das breves. E sabe caro leitor, sabe por-ventura o que é uma viagem e o que cada uma encerra, ainda que seja à casa do vizinho? Pois bem, uma viagem que se quer digna de tal nome, que implica um percurso que se faz, encerra em si um interesse gastronómico subjacente ao preceito que acha primordial. É verdade, se nunca pensou por este prisma, estanque-se agora perante este conceito tão essencial para si como o ar que respira e que usa como seu meio condutor. Portanto caro leitor, viajar trás consigo não só um interesse por curiosidades geográficas nas mais diversas vistas que o mundo lhe pode oferecer - ainda que em representações e sonhos muito criativos (daqueles que se desenham no pensamento ou numa numa noite de sono, transportando-nos por ambientes criveis mas oníricos) - assim como um giratório interesse gastronómico, qual Fred Astaire e Ginger Rogers dançando, discorrendo
Hollywoodescamente por todos os cenários até esgota-los.




Viajar encerra deste modo,
a qualquer ser móvel com sentido Pavloviano de sobrevivência, para além do que já se disse esse tal interesse gastronómico casual ou propositado, que muita água faz correr pela boca ante o pensamento do local que se pretende visitar. Se comer é para qualquer ser animado o seu maior instinto de sobrevivência, em torno do qual se gera o sentido de defesa e economia, viajar é saborear e sair da amargura rotineira dos hábitos alimentares mais comuns. Seria inconcebível visitar um novo espaço sem que tal acontecesse. Viajar sem um intuito gastronómico obrigatório, é suicídio! Tal como é um insulto gravoso, cometido por qualquer anfitrião, pessoa ou nação, não honrar comensalmente o seu hóspede:

"Pão e água não se recusam a ninguém"

(Há quem diga que os "Bons-Dias" também, mas esse só não se atribui a quem perdeu na vida social o direito à diferença, ainda que seja a vontade da vox populis - BULLSHITS, ok!).

Máxima popular assente em gestos milenares, quase tão antigos como a existência no Éden, se é que para além do Divino e da tal Serpente, Adão e Eva recebessem mais visitas. Paradoxalmente, fruto da primitiva ingenuidade, consta que nem estes eram bons anfitriões aponto de ser a ilustre convidada a indicar-lhes a sabedoria do que outros já deveriam ter sabido fazer.




La serpente ha detto a Eva di mangiare la mela - dice le sacre scritture . Ma, non per farle sapere la distinzione fra il bene è il male, ma perchè quando subitamente é stata arrivata nel'Eden la femmina non l'ha ricevuto convenientemente. Cosí, la serpenente in furie, senza farsi capire nell bel uso del'arte di bene ricevere - dopo di tanto spigarsi inutilmente a questa scioca donna - pienna di farle il bene, ha deciso di buttarla nella loro bocca pensando che così potesse avere la sabedoria di farle andare sull'albero della literatura per prendere e leggere, di un fiatto solo, in portughese, il libro "Socialmente correcto", perche non era uscito ancora in aramaico antico.

Nada como um Welcome-Drink para fazer sorrir o mais sisudo conviva ou hóspede cansado de uma viagem. Observe-se que quem não é bem tratado a seu anfitrião generosos sorrisos não saberá esboçar. E como sabemos, a arte de bem acolher é a bela-arte da sedução antes da pernoita. Mas por agora, convenientemente em jeito de calar, na arte de bem receber por aqui ficamos.

Concluindo tal como cada casa, cidade ou região portuguesa é um universo bem diferente, o que dizer de tantos países? Depois de uma novembral e ribatejana Feira-da-Gastronomia, de que Portugal ainda tem memória, e que o Moita Flores preserva no maior e mais eclatante brio de um passado faustoso, salto imenso se dá agora até Bologna onde numa certa noite acercados por um gigantesco halo lunar, se passeava na cidade em busca de un ristorante per mangiare qualcosa...
Mas o melhor de Bologna está naqueles saudosos Arancini, Paninni, Tagli di Pizze ou Polente que se compram em qualquer quiosque e nas Piccole Paste do Zanarini - sobre o Zanarini, um único post lhe dedicarei, tão grandes são as saudades dos momento passados naquele que é o mais chic café de Bologna.

Viajar em Novembro, como viajei e viajo, é desfrutar os sabores desta época num país distante, para além do ar de Novembro que eventualmente por lá se respire e de qualquer liquido que por lá se ingira num mês de Novembro, em cada passo e avistamento de uma paisagem ou monumento gelados pelas temperaturas de Novembro.

Comer num país diferente, seja em que época do ano for, e de forma biológica, é absorver um dos mais ricos aspectos da sua cultura que só se transmitem oralmente e encerram em cada mão diferente ancestrais saberes de perder a memória. Mais rico é quem de onde venha se "envenenado" regressar. Isso será sinónimo de gozo a níveis aos quais merecidamente todos os sentidos corpóreos estiveram em plena fruição.



(continua)




4 comentários:

António Rosa disse...

Sem dúvida que viajar e não dar atenção à gastronomia, é perder o espírito da viagem. Ainda me lembro de tantas comidas, como se os aromas e sabores estivem presentes. Mas nunca regressei envenenado - :)

Bom resto de semana para si, Bartolomeu.

Abraço

Elenáro disse...

Caramba! Que testamento! XD

A comida é um factor importante mas olha que há países/lugares que se visita e nos arrependemos de ter querido provar sequer a comida local.

E respondendo à tua pergunta: sigo as tuas "frases sem sentido nem estrada" por isso mesmo. Ler divagações é sempre um exercício giro.

Abraço!

Abraço-te disse...

Parabéns!!!!

Abraço-te

Salete Cattae disse...

Minha mãe conta que na Turquia tinha pepino como opção de café da manhã...acho bastante indigesto para o horário, mas é o costume deles comer pepino logo cedo.
Em compensação eles tem o chá de maçã caramelizadas que é de beber rezando!

:D

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