9 de novembro de 2009

CONTO - UMA HISTÓRIA ANTES DE DORMIR


Para um ABC da vida, hoje lembro uma história imortal, com os bons 200 anos, com um assunto bem fresquinho à nossa época, aqui deixada antes de ir dormir simplesmente porque tive de a ler de fio a pavio, uma vez que não havia por cá ninguém que me a narrasse em voz alta embalando-me o sono. Com comentários jocosos, aqui vai:


A PRINCESA EM CIMA DE UMA ERVILHA

OS CONTOS IMORTAIS

de
Hans Christian Andersen






Era uma vez um príncipe que queria desposar uma princesa, (1) mas uma princesa verdadeira. (2) Assim deu a volta ao mundo para encontrar uma, e, na realidade, não faltavam princesas; (3) o que não se podia assegurar era que se tratasse de verdadeiras princesas; havia sempre algo nelas que lhe parecia suspeito (4). Por consequência, regressou muito deprimido, por não ter encontrado aquilo que desejava. (5)

Uma noite, fazia um tempo horrível, os raios entrecruzavam-se, o trovão ribombava, chovia a cântaros (6) - era pavoroso. (7) Alguém bateu bateu à porta do palácio e o velho rei apressou-se a mandar abrir. (8)

Era uma princesa, mas, santo Deus, em que estado a chuva e a tempestade a haviam posto! (9) A água escorria dos seus cabelos e das suas roupas, entrava-lhe pela biqueira dos sapatos e voltava a sair pelos tacões. (10) Todavia, afirmou ser uma verdadeira princesa. (11)

"Isso é o que vamos ver!", pensou a velha Rainha. (12) Depois, sem dizer nada, entrou no quarto de dormir, tirou os lençóis e os colchões e colocou no fundo da cama uma ervilha. Em seguida, pegou em vinte colchões e estendeu-os sobre a ervilha, sobre os quais empilhou ainda vinte cobertas. (13)

Era a cama destinada à princesa. (14) No dia seguinte, pela manhã, perguntou-lhe como passara ela a noite: (15)
- Muito mal! - respondeu -; mal consegui fechar os olhos toda a noite! Deus sabe o que tinha a cama; era algo de duro que me pôs a pele toda roxa. Que suplício! (16)

A esta resposta, reconheceram que e tratava de uma verdadeira princesa, pois sentira uma ervilha através de vinte colchões e vinte cobertas. Que mulher, a não ser uma princesa, poderia ter uma pele de tal modo delicada? (17)

O príncipe, completamente convencido de que esta era uma verdadeira princesa, tomou-a como esposa e a ervilha foi posta no museu, onde se deve de encontrar ainda, a não ser que um coleccionador a haja roubado. (18)

E aqui está uma história tão verdadeira como a princesa!




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1 - Ora nem mais, uma alegre redundância cheia de verdade pois os príncipes antigos não casam com qualquer uma, apesar de terem feito uma manada de filhos ás camponesas e outras desgraçadas que apanhavam pelo caminho, em noites próximas à Lua-Cheia, ou a umas quantas de outras condições mais elevadas que não podendo ser-se consideradas desgraçadas, chamar-lhe-emos Helenas de Tróia - Tróia em italiano quer dizer mulher leviana que troca o marido por amantes, logo p...;

2 -Um verdadeiro problema em qualquer época. Em todas elas sempre houve umas aldrabonas querendo fazer-se passar pelo que não são. Vestem Gucci, calçam Vuiton, cheiram a Hermes e tem a cara lavada atolada de cremes da Estee Lauder e afins, mal comparado é como o homem português actual melhorado, qual C. R. - o príncipe mediático do momento;

3 - Quem pode pode, nem que o mundo seja apenas Lisboa, Porto e Algarve... em diante;

4 - sic (ponto 2);

5 - Tivesse ele um computador e banda larga e era só visitar umas quantas redes sociais;

6 - Chover a cântaros ou chover picaretas , lá diz o povo português - havia de ser bonito, se tais pedaços de ferro caíssem em vez da chuva. Prefiro a refinada frase de sabedoria popular british: choviam cães e gatos;

7 - Estou tão apavorado com este temporal, que não mete medo a qualquer criança que seja, que já não durmo esta noite;

8 - Hoje, já não há gente como esta. Assim nos dias que correm, a pobre rapariga haveria de bater e bater até cair para o lado e apanhar um bela gripe - como a da moda inverno 2009/10. Digamos que seria uma princesa loira verdadeira, para não se lembrar de usar o telélé;

9 - Nestes reparos, deveria ser algo como um Miss tshirt molhada - este Rei é sabido;

10 - É que dá ser-se vaidosa e usar sandálias em tempos esquisitos - ainda que sejam Manolo, ou qui ça numa versão low bugget, Havaianas;

11 - Enfim, verdade ou não é sempre um direito que lhe assiste, ainda que seja uma vil mentira;

12 - Haja por fim uma pessoa com 2 palmos de testa nesta história, o terror de futura ou ex-futura-sogra;

13 - Terá feito a velha rainha esta tarefa Hercúlea, sem ajudas ninguém? Convenhamos, uma rainha já foi uma fresca princesa ociosa e caprichosa. Será que no final de velha é que lhe deu para trabalhar?;

14 - Que maldade. Ninguém merece!;

15 - Uma Cruela Deville, esta rainha;

16 - Nada exagerada esta princesa... exagerada e malcriada, agradecer a hospitalagem "tá quieto ó preto";

17 - E esta, hein?!?! Que belo teste este! Vou começar a faze-lo às minhas pretendentes;

18 - Diz-se que a tal ervilha afinal era um diamante precioso. Junto com outras jóias foi levado a uma exposição na Holanda e depois disso: Abacadabra... como por artes mágicas; 1, 2 3 nunca o mais vês... e puff, diz-se que foi roubado. Há quem diga que foi vendido para pagar os problemas de divida externa do tal país. Qui ça!


2 comentários:

António Rosa disse...

Diverti-me bastante com os seus comentários jocosos, Bartolomeu, além de ter gostado da ilustração e do equívoco do rato, que se enganou na história.

Espero que a story não lhe tenha provocado insónia. Não sei porquê, pelas horas dos posts, mais em pareceu uma 'siesta'.

Abraço.

Bartolomeu disse...

Olá António Rosa,

ainda bem que gostou dos comentários tipo cliché. Obrigado pelo cumprimento que nos faz a isso.

Quanto à siesta direi: depende do fuso horário em que o meu caro António viva. Já vi que é longe, pois depreendi que enquanto cá se dorme à noite aí se dorme uma sesta! ;)

Abrç

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