30 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA VII - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE QUEM NADA SABE DE NADA EM DESFECHO


21 de Novembro de 2008...


Um antagónico momento de solidão crescente haveria de lançar no éter informático um blogue. Um blogue premeditado! Uma ideia de mural internético de aforismos curtos ou alargados no qual haveria de fazer chegar a algures ou nenhures uma pequena voz, e, em lives de megalomania obsessiva e excêntrica, quanto um doido pode alcançar, ser tão popular como antes e depois não haveria de existir outro igual, helás! Cheio de genica o arremessei, e pois bem, qual Spuntik, ei-lo no ar!


29 de Novembro de 2009...

30 é o número estatístico de visitas diárias. Ah pois, somos tão procurados nesta blogosfera que até o Pacheco Pereira se envergonha do seu tão afamado blogue. Ele e o mediático 31 da Armada, naquele famoso dia em que redundantemente embadeiraram de azul e branco o céu de Lisboa.

Apesar do extenso rascunho, que hoje ganha o seu término, este acto em cada instante parece um exercício sem fim. Sem inspiração, escravo da minha vontade ante a obrigação que me impus, desespero perante este bloco de matéria-prima, sem que o mesmo se capacite, como que por artes mágicas, de uma auto-transformação ou ainda em suaves toques de perlim-pim-pim de se fazer fluir prazenteiramente dos dedos para o teclado como nas anteriores composições. Carpindo copiosamente, tentando sensibilizar o leitor num ludibriante esquema de comiseração, já irritado até à alma, penso: que bom era estar munido de uma técnica infalível que neste momento seriam socorro a esta monótona campanha, aihmè, onde somar 1+1 ou 2+2, ou qualquer outra reflexão de resposta directa e pragmática, seriam o fármaco a esta indisposição. Lá diz a vox populis
, que é força de lei neste sítio:

"Quem de bom instrumento excretor é desprovido, não se investe em sodomita"


21 de Novembro de 2008...

Com timidez segui a minha estrada. A net, caro leitor é pois ainda um mundo sem regras nem doutrinas fixas de leis imperiosas, onde tudo é
sem norma expressão máxima de alguém. Nela misturam-se e entrecruzam-se modelos e conceitos, estilos e modas num aprumado ecletismo, sem policiamento ou comissões inspectoras, onde o único critério nesta arte de combinar é por excelência o emprego do bom-gosto. O bom-gosto, no sentido aqui empregue, na capacidade de exposição das mais diversas matérias, é o único artifício capaz de garantir a atracção e interesse ao comum visitante. Assim a graça, o humor, a espontaneidade, a audácia, a originalidade ou efeitos surpresa são características essenciais a qualquer verborreia que não têm a força de lei como os media institucionalizados - como imposições obrigatórias enquanto veículos sorrateiros de informação a quem quer estar à melhor altura de poder deslizar e competir socialmente. Mas isso são coisas do mundo real... aqui, neste horizonte sem fronteiras, convenientemente luso, já que se refere ao espaço virtual da nossa nação, em que se escreve quase exclusivamente em português, todos somos Camões ou Pessoa, ou ainda neste idioma num gosto estrangeirado de influências, todos somos literáriamente um Camões - outra vez Camões, que admiramos e desprezamos, por isso criticamos -, um Garret, um Herculano, um Eça, um Virgílio Ferreira ou qualquer outro nobre nome literário idealizado segundo esta cláusula, a seu preceito. Nutrimos de uma especial admiração por Saramago, apesar de não gostarmos da totalidade da sua obra. Simpatizamos ainda com um Lobo Antunes e os seus confusos arremessos que nos dão a volta à meninge, assim como de tantos outros que agora serão demais aqui citar. Gosto destes, dos implícitos anónimos, e acabou-se!


29 de Novembro de 2009
...

O dia caminha ainda para a hora terça, e espero finalizar este rosário antes que chegue o almoço dominical de um esperado prato no forno, que hoje se adivinha Bacalhau - pelo peixe que se deixou expiar enquanto nadava morto, ali num recipiente na cozinha. Iguarias comensais duplamente em vias de extinção, sendo uma delas o simples facto de ainda não ter dedicado tempo e atenção à sua confecção - pelas mais honrosas e caras mãos que conheço. Não há, nem nunca haverá melhor sabor do que a comida da nossa materna casa. Resquícios da ligação umbilical que nos une a esse ser extraordinário e que o torna tão singular. Uma manipulação natural, é certo, ao retorno pavloviano de um filho à asa maternal.




21 de Novembro de 2008...

Retomando!


29 de Novembro de 2009...

Não consigo adiantar-me. Tudo me distrai... O mês está mesmo mesmo a finalizar e só voltará no próximo ano! Até lá, a continuar nesta morosa lenga-lenga cansaria o leitor, levando-o a fugir destas entediantes pachochadas de trazer-por-casa sem novidade, que se sabem capazes de enfastiar o mais farrusco e menos dotado Diabo, alinhado no topo inferior da longa hierarquia demoníaca, tendo no lamechismo o Divino-lá-de-cima como coaching de cada jornada. Ele gosta destas promiscuas parolices bem meladas, já se sabe, e isso caro e apreensivo leitor-que-expressa-por-Ele-grande-afinidade - pois há leitores para tudo -, não O
descredibiliza nem O faz menos do que Ele é. É apenas O seu bom-gosto, tal como inspira ao povo leigo e aos sapientíssimos artistas seus serviçais, tão leigos quantos os anteriores, pela régia e magna influência do Espírito Santos, hoje coordenador pedagógico de certos cursos de arquitectura, como defende Pedro Abreu, deixando-nos adivinhar que pela mesma arte tal como deve ter iluminado o excelso Troufa Real na sua galharda ideia.

Eles dizem, para não variar, que nós não percebemos nada e que muito menos compreendemos, ante a vénia forçada a umas tais distinções académicas. Porém, se a casa de Deus deverá ser um local atractivo e confortável a todos os sentidos humano na sua forma mais pura ou seja a intimidade dos lares, que como foi muito bem lembrado, trataram-se dos primeiros locais de culto Cristão (discurso que em 1994 a Igreja aludia no regresso à primeira forma, como reforma interna que se estendia aos fiéis - tal como ouvi de Dom António Francisco Marques, um discípulo de São Francisco, na minha Missa Crismal), se assim é do que é que esperam? Um regresso definitivo ao rito Tridentino cheio das promiscuidades pagãs dos conceitos do édito de Constantino?


21 de Novembro de 2008...

Retomando!



29 de Novembro de 2009...

Cada um é Senhor do seu espaço gerindo-o como quer em regime de autoridade absoluta! Sem mais misérias supérfluas, em torno de conclusões já conhecidas de todos, avanço, para satisfação do leitor, como penhor de ter aqui chegado, com un peu d'histoire canonique. Porquê este blogue? Porquê a temática religiosa? Porquê tudo isto?


3 meses antes de 21 de Novembro de 2009...

Quando... No tempo bom, aquele em que ainda fazia sol... Cur... melindrado e perturbado por tantos factos, já no auge de uma galopante crise existencial, ante uma disputa interior queimando as entranhas acrescidas da gestão de temperamentos tão dispares de uma muito altercada gente... Ubi... vagueando numa dessas tantas redes sociais, conversando com um desconhecido do qual hoje não conheço o futuro... Quis... podia ter sido um anjo, uma aventesma de um meu qualquer antepassado ou quiça apenas um ventinho, estou qcerto que não... Quomodo... no prazer da conversa, numa noite de teimosa espertina já pisando a madrugada... Quid... debatendo-nos com confortantes palavras, aspectos e experiências com base no existencialismo em torno dos "ditos" bons e verdadeiros valores - se é que eles existem -, concluindo-se sem grande surpresa que estes cada vez menos se acham, não só nas transformadas novas gerações, mas sobretudo naquelas ais próximas à nossa idade.

Tendo em conta que uma boa educação à portuguesa no seio do lar passa sempre por crenças e também princípios religiosos, não é de estranhar o novo rumo da conversa. Detentor na minha experiência vitae de um curioso curriculum, conferida por um destacamento de avós beatas que remontam ao tempo das famigeradas invasões francesas, relatei somente a influência que esta herança genética teve em mim, aninhanda na minha infância, onde ela sem dúvida tinha sido mais influente. Sem dar por isso, relembrei toda a estória do menino que queria ser santo e das suas conclusões.


29 de Novembro de 2009...

Passou a sexta e a nona
hora, e esta publicação ainda a ser matizada!


2 meses antes de 21 de Novembro de 2008...

Caro leitor, se ainda me acompanha, obrigado por ter chegado até aqui. Estou a falar declaradamente de mim com toda a pujança e cagança, sem o mínimo de educação e respeito pelo universalismo anódino de assuntos . Mas há mais...


Com o reforço das festas da minha aldeia natal - sim caro leitor, uma aldeia de ilustre gente, sobre a qual não interessa dizer mais do que aqui se disse, e que nos tempos do ancien régime era muito frequentada pelo ditador em pessoa, que em visitas ao seu amigo Embaixador assistia sempre à missa dominical antes de se refastelar à mesa, bem regada com o afamado vinho da região, da frondosa quinta do seu antigo ministro. Não pretendemos com isto, caro leitor, mostrar favor a simpatias a esse tempo político mas contar algo. Mas dizia, com o reforço das festas das quais a componente religiosa é dedicada a N. Sr. da Graça, com o fervor bairrista habitual deste tempo, empreendi recuperar uma antiga ideia de publicar na Wikipédia uma informação sobre este vulto mariano local. O processo era demasiado burocrático e daí até à concretização a criação de um blogue assemelhou-se como o melhor e mais alargado meio. Foi um instante! A história da Senhora que conheceu Salazar, e, que não arredou pé diante de um verdadeiro cavalo alvoraçado, pouco oneroso de tal presença, como as histéricas raparigas de hoje entrando em debanda, por fim iria ser do conhecimento geral!




21 de Novembro de 2008...


Blogue semi-sério de inspiração católica sobre tudo e nada, inspirado num engraçado e famoso blogue, do qual não revelarei o nome. Blogue que toma a Senhora da Graça como protectora e que em vez de falar sobre seus vestidos e jóias, ou de como os franceses a violentaram, em que cada passo resolveu-se a contar egoistamente histórias do pequeno rapaz, relatar histórias alheias católicas, modas, brincar com os Papas e os seus gostos e atitudes excêntricas, etc... Porém a partir de um dado momento, imbuído de cada vez maior religiosidade e encontro com Divino, o rumo mudaria e se tornaria em cada dia algo cada vez mais sério e de reflexão interior.


29 de Novembro de 2009...

Mas agora, o resistente e curioso leitor, de certo se interrogará já bastante ávido de saber mais. E porquê esta corrente e não outra? Segundo as minhas crenças todos os portugueses são religiosos. Ser português é ser religioso, e, até o mais descrente ou apóstata ser desta nacionalidade é temente a algo de definição religiosa. O mais snob intitula-se de agnóstico para assim poder fugir às responsabilidades quotidianas. E de todos só há um ateu convicto, o neo-ateísta Saramago, que insiste em fazer vénias ao Divino. O português não gosta de admitir que é religioso. Não gosta de ir à missa, mas corre para Fátima, em tortuosa ou confortável peregrinação, chorando copiosamente na sua bipolarizada forma de fé, sempre pautada pelo joco-sério das atitudes e posturas até do mais circunspecto peregrino, civis ou religiosos. Já Júlio César dizia:

"O estranho povo que não se governa e não se deixa governar"


21 de Novembro de 2008...

SANTOS & SANTINHOS
UM SANTUÁRIO DE BEATITUDES


Assim foi a primeira denominação, um Santuário onde se procurava a libertação do eu como no tratamento psicoterapeuta de um divã que o purgaria e lhe traria a libertação e o reencontro como lemas. Bartolomeu, sofreu à vista de todos enfeitando a sua decadência num rosário de posts publicados diariamente em caminhos sobre os quais pudesse trilhar sem que fosse ridicularizado pelo facto de se expor tanto, com estórias que caídas em mãos perniciosas haveriam de alimentar muitas conversas.


29 de Novembro de 2009...

É noite!

Eis caro leitor, simpatizante ou não da nossa causa, a nossa história ainda que contada sem sábia destreza em argumentos e vocábulos, construções semânticas, erros ortográficos, taipings e tantos outros horrores gramaticais considerados de fracos fraquinhos. Com toda calma encerro este ciclo num até para o ano.


THE END



28 de novembro de 2009

TAKE A DRINK!





E é tão bom!


27 de novembro de 2009

DESCARTES DIXIT:


"Quando começo a descobri-las [as ideias inatas], não me parece aprender nada de novo, mas recordar o que já sabia. Quero dizer apercebo-me de coisas que já estava no meu espírito, ainda que não tivesse pensado nelas. E o que é mais notável, é que eu encontro em mim uma infinidade de ideias de certas coisas que não podem ser consideradas um puro nada. Ainda que tenham talvez existência fora do meu pensamento elas não são inventadas por mim. Embora tenha a liberdade de as pensar ou não, elas têm uma verdadeira natureza e imutável"

Méditations Métaphysiques, “Méditation cinquième”, p. 97-99.
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UM ANO DE BLOGOSFERA VI - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE QUEM NADA SABE DE SI NUMA DEMORADA INSISTÊNCIA SEM GRAVURAS


Engane-se pois quem julga que com reparos me intimida e me engana com chás de pés de Cerejeira, quando na realidade se tratavam somente de chás de pés de Cereja - a declinação diz e faz toda a diferença, n'est pas mon cher ami?


Ora com um ar de desentendido e dissimulado, certo do meu triunfo guardado nos meandros dos meu punhos de algodão, inquiri o meu sábio interlocutor até se trair em enganos e a verdade se perfilar a meu lado. Surpreendido da sua incapacidade de ter traduzido o assunto em termos correctos, sem se prostar em desculpas da práxis facilmente perdoadas pela tolerância da fiabilidade humana, injuriou-me pois, caro leitor, acusando-me de pouca amizade e de mau feitio. Caro amigo, aprenda com o já sapidus dito:

"O Bartolomeu sabe sempre tudo! Ainda que tenhamos estudado apenas um pouco mais, mas um nadinha de nada, ele sabe sempre mais!"


Não são suas estas palavras, e que seja desde já ponto assente que o Bartolomeu não sabe tudo, apesar de ser certo que no final a razão nunca esteve noutro local se não à sua direita. Tal sentença, foi proferida faz já algum tempo - anos mesmo - responsabilizando-o para sempre de tal máxima, que para seu espanto até hoje se continua a sobrepor àquilo que deveras sabe. Neste momento, qualquer julgamento sobre uma potencial e adivinhada presunção, ré da sua pessoa, cai veemente por terra. Desconhecendo a razão dessa condição à qual poderia com grande audácia chamar de dom ou uma herança inata que lhe permite sentir e viver o mundo de outra forma. É quase como distinguir um asno que caminha unidireccionalmente com palas, de outro que caminha da mesma forma mas sem elas.

Mas recuando nas palavras escritas. E porque razão o Bartolomeu, não se contentado com a tal ideia, achando que ali havia coisa, refutou avançando no apuramento cristalino da verdade? Simples e vulgar de Lineu, não sabe explicar! Sabe apenas que com base na observação e no relacionamento de ideias, revestido de algum sarcasmo joco-sério, vulgarmente denominado por sentido de humor, sendo esta derivação do pathos que o encerra condicionalmente, avançando com uma arte tão antiga quanto é na humanidade a refinada inteligência da manipulação humana, numa técnica simples e pueril. Tal como qualquer "professorinha primária" indaga o seu aluno com hábeis perguntinhas tentando rectificar o seu erro sem o envergonhar (era bom se assim fosse, mas não), levando-o a corrigir-se na verdade, com recuos e avanços, em desentendida e refinada diplomacia até que o inquirido se sinta como presa acercada e caída conscientemente na tal falta ante a sua língua desbocando a emendada verdade. É aqui que todo o tolo se arruína e o qualquer sensato se eleva. E de ambos, cada um escolhe o que mais lhe aprouver, se bem que a tendência ainda é ser tolo.


... ... ... ...


Novembro está quase a acabar e muito texto ainda por publicar, sem que neste momento saiba o que fazer a este rascunho talhado que modificado não para de crescer. Horas de longas ideias que pareciam brilhantes foram aqui decepadas e eliminadas para que fruísse apenas o sumo da mensagem, que, ao caro e interessado leitor, tento fazer chegar. Em cada dia surge pois uma nova ideia que de preambular se transforma em extenso objecto de programa, subjugando e empurrando para novos dias o assunto por publicar. Malfadada é pois esta minha escrita, por não ter ciência nem método obedecendo apenas ao "patético", vulgo sentimental, sabor do que discorre o pensamento.

Coerentemente, voltemos ao rascunho, ou ao tal "protótipo", que se quer desenrolar:

Dia de Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos - outra pertinente causa que outro alguém cá veio ditar (desta com idónea cortesia, mas sem chás para rivalizar o meu já bebido chá de Poejo trazido do Algarve), sendo que a primeira combinação é um brasileirismo entranhado nos nossos hábitos linguísticos à força do entretenimento novelista. Aceite o ensinamento, fi-lo de bom grado dado a minha perene insistência na arte de bem dizer e escrever que longe está de alcançar o mais perfeito idílio.

Mas, agora não importa mais: O dia dos Fiéis Defuntos é dia de gente morta daquela que já morreu fisicamente - essas mesmo que ou foram enterradas, colocadas numa simpática prateleirinha ou gavetinha, ou simplesmente queimadas até às cinzas -. Morrer é coisa boa nos tempos que correm. Diz por aí um famoso, e com razão:

"Hoje morre-se muito"


Pois morre-se! E morrer não é só ir para os anjinhos, como diz o eufemismo mais caro à vox populis. Hoje morrer pode ser simplesmente o acto de desistir e fechar-se herméticamente em si mesmo. Desistir, mais que em todas as épocas está hoje na moda, face a democratização da vida... É mania e a nova doença, dada a descredibilização e a indiferença de um mundo nada paternalista e sem objectivos, sendo o maior escândalo a desistência de pessoas como se se tratassem de meros objectos. Objectos defeituosos e impróprios de serem usufruídos. É grave o que por aí vai e o advento virtual o fero cavalo em que se apoia esta nova Babilónia-de-vida-fácil. Os anciãos, outrora fonte de sabedoria, são vistos como dejectos e restos de sombras de vidas. Os adultos laborais digladiam-se entre si, num mundo escravizado por um galopante e impiedoso capitalismo económico selvagem, desmoralizador da dignidade humana. Os adultos caídos na desgraça, destituídos de suas personalidades, sem expectativas e auxílio, vivem a opressão do cárcere existencial em que vegetam. Os jovens, que nada sabem, esperanças do futuro, andam ao engano colidindo uns nos outros ébriamente como sentinelas estropiadas pelos novos ditames sociais. E as crianças... essas são quem hoje detêm o poder como autocratas da nova era, subjugando tudo e todos à sua volta com apurado instinto de sobrevivência em mandar para um bem estar na vida... enfim, nada é já natural. Estamos perante, não de uma sociedade em evolução mas sim uma sociedade contaminada e decrépita sem valores que outrora dignificavam a existência humana - se é que estes valores não são uma utopia de minorias. A valorização, o particular e o pessoal desaparecem para dar lugar a esse colectivo universal que é vício e depravação em sinónimos de falência e desistência como fuga à realidade. É a morte anunciada, por apneia e afogamento!

Perdoe-me caro leitor, se estas palavras se mostram moralistas. Não sou um velho do Restelo, helás. Apenas alguém que observa e critica apesar de já se encontrar enlameado e corrompido por alguns aspectos deste novo mundo, sobretudo por viver e partilhar esse mesmo mundo, local onde vivemos. Restas-nos saber, se valerá a pena ficar com ela apenas pelos tornozelos já que o mundo vive condicionado e viciado por essa pseudo-elite inalcançalvel, novos deuses em profecias já anunciadas, e senhores das novas religiões, que contaminando reduzem e privam o mundo das vidas humanas acicatadas com mil benesses e mil-artes, armas de morte lenta, que se usufrui com sabida ignorância arrogada pela sede do consumismo.

Portanto, por agora e enquanto não morremos, prossigamos noutras variantes, na história dos Fiéis Defuntos:

O dia dos Fiéis Defuntos, é aquele dia em que a grande Igreja de Roma reza por todos quanto já partiram, esperando que assim os menos desfavorecidos alcancem o céu. É o dia em que nos forçam, com mil sentimentos de auto-comiseração, com ameaças de infernos e purgatórios, a uma penitente romagem ou a lembrarmos-nos pelo menos dos nossos familiares que já partiram, malgré tantas fotos em casa enchendo móveis e estantes, às quais passamos o ano a sorrir correspondendo às felizes expressões lá cristalizadas.

Práticos são os Protestantes, haja dois dedos de testa. Práticos e salubres que não perdem tempo em tais lúgubres sensaborias apostando numa ajuizada auto-remissão em vida, uma vez que os mortos sem-vida, que se perpetuam agora numa existência marmórea, lá, ou só têm contas a prestar ou simplesmente erram num lugar comum como cá, pois sejam um ou mais locais, de todas as verdades a mais verosímil é somente aquela que destitui esses sítios do além como providos de diferentes níveis sociais. Por cá, no mundo católico, são só cantigas ao dinheiro gasto em missas, em lápides, em flores... um enterro digno é o máximo que alguém pode desejar, agora a exploração estuprada dessa passagem o revolver do cadáver na urna, lá no escuro da cova funda...

Eu não fiz romagens nenhumas e muito menos me lembrei de gente morta nesse dia. Tenho boas memórias dos meus mortos, e deles são essas as minhas melhores recordações. Estou-me nas tintas para o pecado, se tal o é, da mesma como o Divino-a-ver se está nas tintas para aquele meu incessante pensamento, que ele sabe bem qual é, e nem mesmo com quilos de anti-depressivos já tomados se desvanece. Agora, e em bom jeito de prosseguimento eu poderia seguir para a minha errância e Ele... para onde quisesse, sem ressentimentos e as suas habituais revenges - convenhamos que são sempre resultado de um injusto braço de ferro, pois eu de omnipotência nada tenho, crendo apenas levar-lhe a melhor com a minha indiferença.

O atento leitor, que nos segue há vários meses, de certo compreenderá melhor agora alguns traços desta nossa existência, e desengane-se desde já todo aquele que julgue que me estou a inspirar em Saramago e no seu Caim (basta ir aos Registos). Na realidade posso arrogar primazia, pois a nossa questão antecipa e bem o famoso livrinho. É certo que agora deixo desvelar um pouco deste assunto, mas não mais que isto, ante a vontade regateira, tão cara à raça humana, de algum leitor voyeur! De um poeta, pintor, artista e outros que tantos apenas interessa a sua arte, pois é nela que está o grande contributo à sociedade... nada mais interessa. Usufruir é um grande dom para aqueles que sabem viver e cheio de honras é aquele que viveu in tempus equalis, já que tudo na existência é efémero. Vil será sempre quem agiu em contrário e vem bater em mortos, com pouco respeito à sua memória e arte, pois demonstra com isso que para além de não saber viver, nada sabe ou soube aproveitar. Chorar, gritar, gemer, ganir, escabelar-se só no segredo do quarto, onde ninguém nos escuta e vê. Faze-lo em publico, serve de alguma coisa? É algum orgulho? É bom lembrar que as carpideiras são mercenárias, artistas que choram pelos outros num teatro fingido, e quem da sua vida faz um pranto por tudo e nada, que nem uma carpideira, bons sentimentos não deve ter e nada de favorável pode oferecer ao mundo. Muito ouvi em horas de partida, como aforismos e derramadas lágrimas de crocodilo. Jamais se lamenta o fim de algo bom, de uma existência feliz que de adequado só soube oferecer. O aplauso e o sorriso são a melhor retribuição e as lembranças, memórias e inscrições o melhor conforto.




Pavane pour une Infante Defunte,
em consolo pela desgraça do mundo morto-vivo em que vivemos resignadamente


(continua)


26 de novembro de 2009

BOHEMIAN RHAPSODY


Foi no já passado dia 24 que se assinalou da seguinte forma a imortalidade de Freddie Mercury:



Thanks Muppet Show!


25 de novembro de 2009

A POUCO E A POUCO...





... com Favas com Chouriço ao jantar, constrói-se na cama um amor com cheiro a refogado e de beijos jactados a alho e outros condimentos, já para não falar das flatulências. Ahimè!

É o sonho de infância de qualquer de qualquer um,
está-se mesmo a ver!

24 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA V - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI EM DEMORADA INSISTÊNCIA


Et voilá
, quem diria que seria em Novembro que Bartolomeu criaria um blogue... e sobre esse blogue o que dizer? O que se lhes reserva? De nada serve conjecturar ou mesmo delinear pois a imprevisibilidade e a inconstância, filhas do tempo e do temperamento, muitas vezes ditam coisas de imutabilidade tão inesperada como surpreendente. É mesmo assim caro leitor: qual de vós nunca foi vítima destas duas irmãs siamesas gémeas siamesas, aberrações da natureza, tão antigas quanto Cronos e que nos cornos deste viajam pelos tempos fora como parasitas indesejados. Cornos, caro leitor, cornos - palavra altaneira a um nado-ribatejano que se arroje das suas origens e zele pela sua na arte de bem dizer como um quase estrangeirismo soando a pérolas,
num real ou hipotético polido palaciano salão de um meio urbano ou cosmopolita, a menos que tal singularidade na realidade conste aos delicados auditores como de um consentido aforismo dissonante e desbragado, tolerado somente pela arte de bem estar ou mesmo pela satisfação dos que encaram como brejeirice, admirando tal audácia por um gosto decrépito de viver no fio-da-navalha ou no gosto decadente. Engane-se o leitor se tal assim pensa. Cornos, tal como ser ribatejano, é uma palavra salubre que dá vigor e estimulo a qualquer assunto, e por agora por aqui ficamos.

Cronos, essa criatura que a mitologia assim definiu, está viva e de boa saúde. Atleta voraz não descansa nunca, malhando no mundo de todas as épocas os seus minotauricos cascos levando desenfreadamente tudo à frente, qual touro embravecido. Impiedoso senhor. Impiedosa essência que envolve herméticamente o mundo e a nós, regulando-nos pela lei expressa por esses instrumentos que definem momentos e que do alto dos campanários soam melindrando as gentes.
Cronos não é matéria; Cronos é a reincidência aqui já debatida; Cronos é aquilo que em cada ano impiedosamente nos faz redundar em torno de nós sempre com uma nova e mais gasta aparência. Cronos é a antítese do género humano, retraçando-o e envelhecendo-o; Cronos é a anti-criação de um Divino que o isolou fora do Éden, e que por vingança lhe entregou o homem; Cronos é a mais crua e dura verdade; Cronos é a sabedoria; Cronos é o cansaço; Cronos é demolidor; Cronos é o Diabo; Cronos é o pranto, a desgraça, a refinada mentira, a bruta inveja, a destruição e a pandemia infecto-contagiosa de maleitas que atrai a si o mundo e o condena... Cronos é o pai dos males do mundo, a caixa de Pandora de todas essas dicotómicas irmãs bi-polares, que assaltam e se propagam no mundo. Helás!



Cronos é nesta forma de ser ribatejana a "moca" de Rio Maior, que caída em cima da sua vítima a chama à verdade dotando-a, não de um par-de-cornos na têmporas, mas de galos latejantes cantando seráficamente horas a fio, ditando à escrita tais patranhas...

À nossa contrariada vontade, por tal soberano senhor, Doris Day com vestes de grande general romano, admoestou-o com graça e enfraquecendo as imperiosas leis afirmou com maior sapiência, aquilo que a vox populis há muito ensinava:




Assim fala a verdade,
o tempo e arbitrariedade, e nunca a vontade,
tudo determinarão!



(continua)



22 de novembro de 2009

...UMA SALVA DE PALMAS





E antes que o Domingo de Aniversário termine, naquele que foi o primeiro dia após a noite da criação, parto em talhadas o bolo já exibido que agora ofereço a todos o seguidores e visitantes a quem sou tão grato pela companhia que me fizeram neste ano, lembrando, o que nunca é demais, que é a todos vós a quem dedico este espaço e todo o seu conteúdo. Pois é meus caros amigos, segundo as minhas determinações e vontade, este blogue é vosso e feito para vós.

Bem hajam a todos.
Até para o ano!


(entretanto seguem-se até ao fim do mês os preciosos raciocínios existenciais que ainda não saíram e que assinalam este aniversário).


PRÉMIO: OLHA QUE BLOG MANEIRO!


Recebi este prémio há algum tempo atrás. O primeiro de toda a história deste blogue, o que me fez sentir muito honrado pela distinção.

Foi-me atribuído por um jovem rapaz, e seguidor, do blogue ADOLESCENTE GAY, do qual não sabemos o nome. Sabemos que gosta de dançar e tem um enorme fascínio em escrever no seu engraçado blogue onde conta as suas picarescas histórias estudantis e juvenis, num estilo literário jocoso, com engraçadas incongruências gramaticais (tal como todos nós) e outros apanágios da idade, sempre com graça e sentido de humor bem ao género de uma farsa rocambolesca. Quiça um novo e mais bem disposto Saramago!

Obrigado rapaz! Obrigado por gostares do nosso blogue e por o distinguires como um dos que mais gostas, pelo que nos responsabilizas a não descurar nunca o que somos e já achámos.

(Nós por aqui achamos o teu blogue muito divertido).

Ei-lo!



Agora, segundo as regras do prémio, deverei:

- Publicar o selo;
- Exibir o selo na barra lateral;
- Publicar o link da pessoa que nos distinguiu;
- Nomear outros blogues;
- Notificar esses mesmos blogues.


Seguindo uma outra regra, atribuo agora este prémio a blogues de entre os que sigo diariamente ou pelos quais tenho grande admiração, apreço e uma maior afinidade ou afecto especial. Em resumo todos aqueles que têm um significado relevante para mim, nas mais diversas e variadas vertentes - culturais, politicas, sociais, mundanas, religiosas, etc... Distingo então os seguintes blogues:

7 pecados [quase] mortais


A Pipoca mais doce

A Torre Mágica

Abraço-te

BlogoMóvel

Combustões

Cova do Urso

Estado Sentido

Intemporal

Khôra

Luís Marques da Silva, Arquitectura

Makyarim

Muitas Palavras

Padres Inquietos

Piano

Praia

Rabiscos e Safanões

Sair das Palavras

Scala Regia

Sítio Peludo


IL FRATE 'NNAMORATO - MAIS UMA IDA À ÓPERA


Hoje é a noite do nosso primeiro aniversário. Há um ano atrás por esta hora aperfeiçoava o aspecto do blogue - num tom azul celeste e outros pormenores já esquecidos -, delineava e retocava o primeiro post
contemplando o inicio desta laboriosa aventura.

Esta noite, em feição de comemoração, o mais antigo seguidor deste blogue, desde a sua génese, que é também meu amigo pessoal de longa data, companheiro de muitas paródias sérias e jocosas, convidou-me para um serão diferente. Directos a Belém, lá fomos à ópera ao CCB, com bilhetes oferecidos, para ver e ouvir IL FRATE 'NNAMORATO.

Obra de Pergolesi - o célebre autor do mais impressionante
Stabat Mater que o mundo venera como obra ímpar da humanidade, mediatizado na sequência de Amens no filme Amadeus de Milos Forman -, esta ópera, em dialecto napolitano, é uma divertida comédia de boa e grande qualidade de música. Compreender Pergolesi é recuar ao período musical barroco, sendo que foi um dos mais brilhantes compositores de óperas do seu tempo ao ponto de um seu Intermezzo musical, La Serva Padrona, ter originado em Paris um guerra intelectual que dividiu facções entre os interesses da musica francesa versus musica italiana, em lutas verbais e fisicas - bem ao género das hoje conhecidas escaramuças futebolísticas entre claques - que ficou conhecida como La Querelle des Buffons.

Avançando ao dia de hoje. Pois lá estávamos no CCB, onde já cheguei à última da hora quase quase a perder a entrada para o início do espectáculo. Entrado, fiquei sentado na incomoda lateral e de lá vi principiar a ópera. Toca o ensamble barroco Os Músicos do Tejo, que é um grupo de música antiga dirigido pelo jovem maestro Marcos Magalhães, que é também coordenador do grupo e da produção. Os cantores, todos muito bem escolhidos cantavam exemplarmente e com correcção num bem medido sotaque napolitano. De entre todos distingue-se o Baixo João Fernandes, que para além da sua muito boa voz, trabalhada e matizada nas melhores escolas de Londres, mostrou dotes de grande e bom actor na arte da comédia na pele de um jovem galhardo, afectado e garboso, bem ao modo dos "Dandys" de então. Será neste âmbito, com lives de prodígio, na interpretação da dificílima ária Si stordice il Villanello - catalogada no Groove como impossível de ser cantada -, que este brilhante cantor-actor, com suprema inteligência na interpretação e na optimização de toda a extensão que a ária compreende, sem descaracterizar a sua voz - entre o registo de falsete, cabeça, peito, estrionismos vocais diversos sempre justificados nos gestos e na mimetização do papel - levando a melhor às absurdas dificuldades vence a prova com graça conquistando o público que não hesita em rir de satisfação e que no fim o brinda com espontâneo e generoso aplauso. Um belo triunfo. Um momento histórico, dado esta ária, pelas razões apontadas, ser sempre cortada ou excluída da ópera. Por fim, merecem ainda destaque de sobremaneira as duas Servas, os Sopranos Joana Seara e Sandra Medeiros; o Barítono Luís Rodrigues, em plena maturidade vocal com sóbria comicidade, sobretudo pela sua capacidade em agarrar o público; e o Tenor Carlos Guilherme, que apesar da sua veterana idade, possui uma robustez vocal lírica única e exemplar, e uma camaleonica capacidade interpretativa e estilística. O restante elenco é ainda composto pelos graciosos Sopranos Carla Caramujo e Eduarda Melo, estando a cargo desta última uma parte que naquele tempo foi escrita para um Castrati; e pelos Meio-Sopranos Inês Madeira e Sara Amorim.

Sublinhada por uma cenografia minimalista e um guarda roupa estilizado e intemporal, a cena está dirigida com inteligência dando primazia à relação palavra/gesto na construção psicológica dos personagens, em figuras exacerbado bem à maneira mediterrânica, onde foi pena a ausência de mais elementos ou estereótipos da Commedia del'Arte.

Hoje, Domingo, 22 de Novembro de 2009, é a última récita desta ópera de expressão barroca que se recomenda com extremo interesse. O local é o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e principia às 21h. A não perder!

Quanto a nós, destacamos este belo presente que nos foi oferecido e que aqui partilhamos neste comentário tentando suscitar o interesse do leitor a ir ao espectáculo. Apesar de não ser esta produção e esta voz, aqui fica um excerto musical desta ópera:




IL FRATE 'NNAMORATO




CCB
(Centro Cultural de Belém)

...

LO FRATE 'NNAMORATO
(O Irmão apaixonado)

Comédia Musical em 3 actos


...

Música:
Giovanni Battista Pergolesi


....

Direcção Musical:
Marcos Magalhães

Encenação:
Luca Aprea


...

Ascaneo:
Eduarda Melo

Dom Pietro:
João Fernandes

Marcaniello:
Luís Rodrigues

Carlo:
Carlos Guilherme

Vanella:
Joana Seara

Cardella:
Sandra Medeiros

Nina:
Sara Amorim

Nena:
Carla Caramujo

Luggrezia:
Inês Madeira

...

Orquestra Os Músicos do Tejo


21 de novembro de 2009

HAPPY BIRTHDAY - A SONG





Happy Birthday Dear Santos & Santinhos
Happy Birthday Dear Bartolomeu



HAPPY BIRTHDAY - 1º ANIVERSÁRIO





Foi há 1 ano atrás que tudo começou... e como se nada fosse 1 ano passou!

20 de novembro de 2009

UNE CHANSON POUR QUELQ'UN


PRÓLOGO E ADVERTÊNCIAS


Nunca aqui dediquei abertamente um post a ninguém, embora muitos já tenham sido aqui publicados com esse intuito. Não por não existir quem não mereça, mas por respeito a todos, pois todos são partes integrantes e distintas desta nossa existência virtual e é a todos a quem dedico cada post em cada momento. Por isso o que é de um é todos, e o que é de todos é de um.

Não querendo causar impacto negativo ou mau-estar em alguém, hoje vou suspender a minha imparcialidade e ao jeito de muito má pessoa, bem mal-disposta, faço a todos saber que distingo uma pessoa de entre todas à qual este post se dedica exclusivamente, pessoa essa que não vou desvelar afim de atenuar a circunstância, certo de que este meu "caro" consagrado saberá reconhecer esta "piquena" inscrição.

Adverte-se então o seguinte: indiscreto será aquele que não souber apreciar este gesto desinteressado, sem se por a indagar com imprudentes e desnecessários requintes de serviços secretos; indigno de confiança aquele que sentir sentimentos pouco nobres sobre este gesto; desprezível todo aquele que invejar; vil todo aquele que com maior inveja se sente aqui mais que outros; e facínora todo aquele que achar que inveja daquele a quem se dedica este post; entre outros impropérios classificantes de tudo quanto de mau um ser humano pode guardar em si em detrimento do seu próximo. Menos espirituais estamos, mas não perdemos a razão de ser do bem e de uma boa existência. Vade retro alma desgraçada e impura, aqui quem manda sou e quem está mal ponha-se e repense-se!

... ... ... ... ... ...

DEDICATÓRIA

A um simpático seguidor de lá longe, do outro lado do oceano:

Porque me encanta a sua maneira de ser, presença e amizade
fica aqui uma canção da minha infância que muito gosto
e com a qual me vou embalar esta noite.

Daqui, o meu abraço!






Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração de eterno flert, adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do rio
Eu canto para Deus proteger-te

Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flert, adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do rio
Eu canto para Deus proteger-te

O Havaí, seja aqui, o que tu sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares



19 de novembro de 2009

A BELA ADORMECIDA NO SÃO CARLOS




TNSC

A BELA ADORMECIDA
(La Bella Addormentata al bosco)

Musica:
Ottorino Respighi


Versão portuguesa:
Alexandre Delgado


...

Direcção musical:
João Paulo Santos

Encenação:
André Heller-Lopes


...

A Princesa:
Ana Franco

A Fada Azul:
Raquel Alão

A Fada Verde/A Velha/A Duquesa:
Luisa Francesconi

O Bobo/O Príncipe:
Marco Alves dos Santos

A Rainha:
Ana Serôdio

O Rei:
João de Oliveira

O Embaixador/ O Lenhador:
João Merino

O Cuco/A Rã/O Gato/O Fuso:
Ana Cosme

Mr. Dollar:
Tiago Cruz

...

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos


18 de novembro de 2009

UM ANO DE BLOGOSFERA IV - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO CONTINUADO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI


"São quentes e boaaaaaaaas!!!!



É o pregão certo de um vendedor de castanhas, gritando no meio da mole anónima, de entre tantos mil sons de uma feira das "ricas" feiras de Novembro - onde surgem as esperadas castanhas assadas pela primeira vez no novo ano, acompanhadas por pesadas chuvas ditando que o Outono já chegou.



É o pregão certo... o bradado apelo o marketing, e, a sonoridade esganiçada o multi-colorido que atrai ante o espesso fumo que suspenso, ou passando por entre as gentes, é trilho que nos leva até este pregador. É coisa de feira - dos Santos ou da Golegã; é coisa que se vê nas vilas e nas cidades - como ali no Chiado, na esquina da Custódio Cardoso que agora é a Vista-Alegre. L'ambiance e o leitmotiv são sempre os mesmos onde quer que um vendedor se encontre. Mas num tempo em que a arte da frase slogan apregoada ao ventos já se recolheu, perante a vergonha de fazer notado, como que se escondendo de misérias desconhecidas, o mudo vendedor lá está. Cabisbaixo, e de mãos rudes enegrecidas pelo carvão, apressa-se solicito a atender sem demoras, ou quando não, com o seu olhar farrusco e comiserado atrair os mais sensíveis passeantes. Cada um sabe da sua arte, e triste será aquele que dela não saberá tirar o melhor e maior partido.



Engane-se pois o estimado leitor se esse som não é apetecível. Tão apetecível é, como luxuriante é o prazer de senti-las na mão, tal como indica o pregão. Maior gozo é porém leva-las quentes à boca e no mordiscar procurar o consolo desse vigor prazenteiro que só nesta época sai à rua e que só nesta época faz sentido de existir. Quentes e boas, portanto! Quentes, boas e envoltas pelo sabor do de sal e da fuligem do quente braseiro que metamorfoseou o fruto cru numa arroubada delícia.



Atraído por este pensamento neste som que aqui não chega, ainda que de janela aberta neste dia chuvoso, resigno-me afundando as minhas mãos frias no pesado teclado do meu piano. A ausência desse calor procura conforto nos patéticos acordes arrancados ao teclado, enchendo-me de uma semelhante robustez à medida que esses sons sobem, se delineiam e se vão reconhecendo as melódicas frases de cada andamento de uma qualquer Sonata. São de Beethoven, Mozart ou Dussek os sons que estes dedos percutem, procurando em cada nota, num gradus at parnassus sem fim, o virtuosismo que nunca será comparável ao mais famigerado pianista-de-vão-de-escada.

Sim caro leitor, toco piano! Toco piano em concertos sem público neste auditório confinado a quatro paredes brancas em que a janela faz as vezes da ribalta e as cortinas de sipário, de onde quando não toco escrevo estas frases mudas e sem som; toco piano de janela aberta, fazendo-me escutar aos passeantes naquilo que no momento me apetece tocar; toco com prazer para o meu
empedernido vizinho, certo que o estou a incomodar e a irritar, ante a sua recusa em compreender o que com alguma sensibilidade se ouve do outro lado da parede; toco... imaginando ser um Baremboim, ou algo que me valha, perante a ignorância de quem por aqui me escuta tocar, ludibriando-os e sem humildade enganando-me a mim mesmo, em cada avanço sem retorno sobre uma nota, acorde ou passagem errada. Que concertos estes!

Por isso caro leitor: eu toco piano e nele faço barulho! Pianistas são os Deuses ou Divos que ao piano se sentam e neles fazem magia em cada execução musical. Eu, estimado leitor, como já argumentei, musica de sonho não poderei oferecer a ninguém e nesta arte de tocar piano, sou o terror do meu vizinho mesmo quando toco a peça que este vídeo vai mostrar.




(continua)




16 de novembro de 2009

GOLEGÃ - THE END




E assim foi Les-Adieux à Feira da Golegã, no Coparias, vendo bailar quatro ditas Sevilhanas quiça ao jeito de Alcochete, refeitos de abafados a mais depois de degustado ao jantar um simpático maialino acompanhado de batatas fritas mal confeccionadas por um cozinheiro bêbado que fazia birra ao jeito de rapazinho mimado, ante intermináveis brados e Nessun's Dorma de meter dó, saciados por copos de água bebidos pedidos com vergonha numa casa elegante decorada com 50 pratos iguais com galos pintados, acompanhados por dois bêbados que nunca ninguém soube quem eram.

Cenas da vida.
Até para o ano!


14 de novembro de 2009

PENSAMENTO INSTANTANEO


Vou vestir uma roupa catita
e lá vou eu p'ra Golegã



13 de novembro de 2009

UM ROSTO DA GOLEGÃ





MAIS GOLEGÃ





ASSIM VAI NA GOLEGÃ

.






(fotos do dia de hoje)


DISSE NIEZTSCHE:




O homem procura um princípio em nome do qual possa desprezar o homem. Inventa outro mundo para poder caluniar e sujar este; de facto só capta o nada e faz desse nada um Deus, uma verdade,chamados a julgar e condenar uma existência.


12 de novembro de 2009

UM MOTO PERPETUO EXISTÊNCIAL "A PROPOS" DE CAIM



"Como podes acreditar nas pessoas, se elas estão sempre a falhar, tem que haver algo Divino"

"Como podes acreditar no Divino, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo presente"

"Como podes acreditar no dito presente, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo concreto"

"Como podes acreditar no concreto, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo racional"

"Como podes acreditar em algo racional, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo humano"

"Como podes acreditar no humano, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo das pessoas"

"Como podes acreditar nas pessoas, se elas estão sempre a falhar, tem que haver algo Divino"

"Como podes acreditar no Divino, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo presente"

"Como podes acreditar no dito presente, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo concreto"

"Como podes acreditar no concreto, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo racional"

"Como podes acreditar em algo racional, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo humano"

"Como podes acreditar no humano, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo das pessoas"

"Como podes acreditar nas pessoas, se elas estão sempre a falhar, tem que haver algo Divino"

"Como podes acreditar no Divino, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo presente"

"Como podes acreditar no dito presente, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo concreto"

"Como podes acreditar no concreto, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo racional"

"Como podes acreditar em algo racional, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo humano"

"Como podes acreditar no humano, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo das pessoas"

"Como podes acreditar nas pessoas, se elas estão sempre a falhar, tem que haver algo Divino"

"Como podes acreditar no Divino, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo presente"

"Como podes acreditar no dito presente, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo concreto"

"Como podes acreditar no concreto, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo racional"

"Como podes acreditar em algo racional, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo humano"

"Como podes acreditar no humano, se ele está sempre a falhar, tem de haver algo das pessoas"

etc, etc, etc...


TO LISTEN




(depois de ouvir este trecho, procure ouvir a primeira parte deste andamento em conjunto com o que já ouviu, e por fim porque não é pedir muito para tão boa musica, procure ouvir todo o concerto)


11 de novembro de 2009

IN OUR 1º ANIVERSARY, BRING US A GIFT!






IF YOU GO ANYWHERE, TAKE A BAG!





UM ANO DE BLOGOSFERA III - UMA CONFISSÃO - UM ENSAIO SOBRE A PARVOÍCE EXISTÊNCIAL DE UM RAPAZ QUE JÁ NADA SABE DE SI EM NOITE DE INSÓNIAS


Em Novembro as tardes já são escuras... já o disse em algures nesta lenga-lenga repetitiva de reincidências, nas quais um ano completo não é mais que isso - uma reincidência no ciclo da vida, ou seja aquilo que metafóricamente se pode designar uma pescadinha de rabo na boca; um cão procurando em círculos contínuos a sua cauda;
um moto perpetuo em redor de si mesmo; ou no rodopiar de uma roca enrolando um fio que a qualquer instante chegará ao fim... numa latente piéce de resistance em jeito de contradição da minha tirana e intrínseca vontade, citando uma lei universal que poucos gostam de lembrar - a mortalidade de que todos somos feitos!

Então, em Novembro as tardes já são escuras.... como aquela que da janela desta scriptorium divisium se alcança, perante uma (im) pertinente cortina que sombreia a verdade que corre na rua, e, que aqui chega esfumada. Prisão condicional e adorada, onde quase tudo quanto precise está a um pequeno alcance. Medida justa para me fazer esquecer que lá fora a vida existe; de que de nada vale a pena saciar a curiosidade do que deambula por debaixo desta janela; e que o mundo é coisa de aquém-e-de-além deste horizonte.

Em Novembro as tardes já são escuras... one more time, again... e na penumbra delas, escrevo sem saber onde vou parar - pobre leitor, aquele que segue este texto! Porque lê estas palavras? Porque segue ele estas frases sem caminho, sem estrada nem sentido, perdendo o seu tempo neste rosário mudo e desajeitado de flores de retórica, aqui deixado escrito em testemunho do que a língua poderia tagarelar? Responda, por favor, se audaz for! Responda, pois aqui tanto o é, como audaz é aquele que escreve e o acusa de se anafar por este desasado non-sense.

Perdoo-me pois, o caro leitor, à sua ira, se lhe fui inconveniente e mau julgador. Não o sou! Não... Não?!?! NÃO !!!! (definitivamente). Sou apenas mais um a achar tudo num acto pseudo-douto, crendo que este seja escassamente mais do que uma premissa jornaleira de moucos aqui escrita, já que não pode ser falada por não ter força para se apregoar ao mundo.

Assim Novembro passa, e as palavras surgem neste Rondeau de misérias! Sem mais comiserações perante o leitor, antes de enfada-lo de vez com esta má disposição, hoje neste diário de águas passadas, em jeito de poutpourri num bouquet sobranceiro da minha vontade, que só neste espaço tem tal vigor, venho falar-vos de viagens. As viagens de que Novembro encerra e é testemunha. Das grandes e das pequenas. Das longas e das breves. E sabe caro leitor, sabe por-ventura o que é uma viagem e o que cada uma encerra, ainda que seja à casa do vizinho? Pois bem, uma viagem que se quer digna de tal nome, que implica um percurso que se faz, encerra em si um interesse gastronómico subjacente ao preceito que acha primordial. É verdade, se nunca pensou por este prisma, estanque-se agora perante este conceito tão essencial para si como o ar que respira e que usa como seu meio condutor. Portanto caro leitor, viajar trás consigo não só um interesse por curiosidades geográficas nas mais diversas vistas que o mundo lhe pode oferecer - ainda que em representações e sonhos muito criativos (daqueles que se desenham no pensamento ou numa numa noite de sono, transportando-nos por ambientes criveis mas oníricos) - assim como um giratório interesse gastronómico, qual Fred Astaire e Ginger Rogers dançando, discorrendo
Hollywoodescamente por todos os cenários até esgota-los.




Viajar encerra deste modo,
a qualquer ser móvel com sentido Pavloviano de sobrevivência, para além do que já se disse esse tal interesse gastronómico casual ou propositado, que muita água faz correr pela boca ante o pensamento do local que se pretende visitar. Se comer é para qualquer ser animado o seu maior instinto de sobrevivência, em torno do qual se gera o sentido de defesa e economia, viajar é saborear e sair da amargura rotineira dos hábitos alimentares mais comuns. Seria inconcebível visitar um novo espaço sem que tal acontecesse. Viajar sem um intuito gastronómico obrigatório, é suicídio! Tal como é um insulto gravoso, cometido por qualquer anfitrião, pessoa ou nação, não honrar comensalmente o seu hóspede:

"Pão e água não se recusam a ninguém"

(Há quem diga que os "Bons-Dias" também, mas esse só não se atribui a quem perdeu na vida social o direito à diferença, ainda que seja a vontade da vox populis - BULLSHITS, ok!).

Máxima popular assente em gestos milenares, quase tão antigos como a existência no Éden, se é que para além do Divino e da tal Serpente, Adão e Eva recebessem mais visitas. Paradoxalmente, fruto da primitiva ingenuidade, consta que nem estes eram bons anfitriões aponto de ser a ilustre convidada a indicar-lhes a sabedoria do que outros já deveriam ter sabido fazer.




La serpente ha detto a Eva di mangiare la mela - dice le sacre scritture . Ma, non per farle sapere la distinzione fra il bene è il male, ma perchè quando subitamente é stata arrivata nel'Eden la femmina non l'ha ricevuto convenientemente. Cosí, la serpenente in furie, senza farsi capire nell bel uso del'arte di bene ricevere - dopo di tanto spigarsi inutilmente a questa scioca donna - pienna di farle il bene, ha deciso di buttarla nella loro bocca pensando che così potesse avere la sabedoria di farle andare sull'albero della literatura per prendere e leggere, di un fiatto solo, in portughese, il libro "Socialmente correcto", perche non era uscito ancora in aramaico antico.

Nada como um Welcome-Drink para fazer sorrir o mais sisudo conviva ou hóspede cansado de uma viagem. Observe-se que quem não é bem tratado a seu anfitrião generosos sorrisos não saberá esboçar. E como sabemos, a arte de bem acolher é a bela-arte da sedução antes da pernoita. Mas por agora, convenientemente em jeito de calar, na arte de bem receber por aqui ficamos.

Concluindo tal como cada casa, cidade ou região portuguesa é um universo bem diferente, o que dizer de tantos países? Depois de uma novembral e ribatejana Feira-da-Gastronomia, de que Portugal ainda tem memória, e que o Moita Flores preserva no maior e mais eclatante brio de um passado faustoso, salto imenso se dá agora até Bologna onde numa certa noite acercados por um gigantesco halo lunar, se passeava na cidade em busca de un ristorante per mangiare qualcosa...
Mas o melhor de Bologna está naqueles saudosos Arancini, Paninni, Tagli di Pizze ou Polente que se compram em qualquer quiosque e nas Piccole Paste do Zanarini - sobre o Zanarini, um único post lhe dedicarei, tão grandes são as saudades dos momento passados naquele que é o mais chic café de Bologna.

Viajar em Novembro, como viajei e viajo, é desfrutar os sabores desta época num país distante, para além do ar de Novembro que eventualmente por lá se respire e de qualquer liquido que por lá se ingira num mês de Novembro, em cada passo e avistamento de uma paisagem ou monumento gelados pelas temperaturas de Novembro.

Comer num país diferente, seja em que época do ano for, e de forma biológica, é absorver um dos mais ricos aspectos da sua cultura que só se transmitem oralmente e encerram em cada mão diferente ancestrais saberes de perder a memória. Mais rico é quem de onde venha se "envenenado" regressar. Isso será sinónimo de gozo a níveis aos quais merecidamente todos os sentidos corpóreos estiveram em plena fruição.



(continua)




9 de novembro de 2009

MAIS GOLEGÃ...





ONTEM NA GOLEGÃ





CONTO - UMA HISTÓRIA ANTES DE DORMIR


Para um ABC da vida, hoje lembro uma história imortal, com os bons 200 anos, com um assunto bem fresquinho à nossa época, aqui deixada antes de ir dormir simplesmente porque tive de a ler de fio a pavio, uma vez que não havia por cá ninguém que me a narrasse em voz alta embalando-me o sono. Com comentários jocosos, aqui vai:


A PRINCESA EM CIMA DE UMA ERVILHA

OS CONTOS IMORTAIS

de
Hans Christian Andersen






Era uma vez um príncipe que queria desposar uma princesa, (1) mas uma princesa verdadeira. (2) Assim deu a volta ao mundo para encontrar uma, e, na realidade, não faltavam princesas; (3) o que não se podia assegurar era que se tratasse de verdadeiras princesas; havia sempre algo nelas que lhe parecia suspeito (4). Por consequência, regressou muito deprimido, por não ter encontrado aquilo que desejava. (5)

Uma noite, fazia um tempo horrível, os raios entrecruzavam-se, o trovão ribombava, chovia a cântaros (6) - era pavoroso. (7) Alguém bateu bateu à porta do palácio e o velho rei apressou-se a mandar abrir. (8)

Era uma princesa, mas, santo Deus, em que estado a chuva e a tempestade a haviam posto! (9) A água escorria dos seus cabelos e das suas roupas, entrava-lhe pela biqueira dos sapatos e voltava a sair pelos tacões. (10) Todavia, afirmou ser uma verdadeira princesa. (11)

"Isso é o que vamos ver!", pensou a velha Rainha. (12) Depois, sem dizer nada, entrou no quarto de dormir, tirou os lençóis e os colchões e colocou no fundo da cama uma ervilha. Em seguida, pegou em vinte colchões e estendeu-os sobre a ervilha, sobre os quais empilhou ainda vinte cobertas. (13)

Era a cama destinada à princesa. (14) No dia seguinte, pela manhã, perguntou-lhe como passara ela a noite: (15)
- Muito mal! - respondeu -; mal consegui fechar os olhos toda a noite! Deus sabe o que tinha a cama; era algo de duro que me pôs a pele toda roxa. Que suplício! (16)

A esta resposta, reconheceram que e tratava de uma verdadeira princesa, pois sentira uma ervilha através de vinte colchões e vinte cobertas. Que mulher, a não ser uma princesa, poderia ter uma pele de tal modo delicada? (17)

O príncipe, completamente convencido de que esta era uma verdadeira princesa, tomou-a como esposa e a ervilha foi posta no museu, onde se deve de encontrar ainda, a não ser que um coleccionador a haja roubado. (18)

E aqui está uma história tão verdadeira como a princesa!




.* .-. * .-. * .-. * .-. * .-. * .-. * .-. * .-. * .-. *.



1 - Ora nem mais, uma alegre redundância cheia de verdade pois os príncipes antigos não casam com qualquer uma, apesar de terem feito uma manada de filhos ás camponesas e outras desgraçadas que apanhavam pelo caminho, em noites próximas à Lua-Cheia, ou a umas quantas de outras condições mais elevadas que não podendo ser-se consideradas desgraçadas, chamar-lhe-emos Helenas de Tróia - Tróia em italiano quer dizer mulher leviana que troca o marido por amantes, logo p...;

2 -Um verdadeiro problema em qualquer época. Em todas elas sempre houve umas aldrabonas querendo fazer-se passar pelo que não são. Vestem Gucci, calçam Vuiton, cheiram a Hermes e tem a cara lavada atolada de cremes da Estee Lauder e afins, mal comparado é como o homem português actual melhorado, qual C. R. - o príncipe mediático do momento;

3 - Quem pode pode, nem que o mundo seja apenas Lisboa, Porto e Algarve... em diante;

4 - sic (ponto 2);

5 - Tivesse ele um computador e banda larga e era só visitar umas quantas redes sociais;

6 - Chover a cântaros ou chover picaretas , lá diz o povo português - havia de ser bonito, se tais pedaços de ferro caíssem em vez da chuva. Prefiro a refinada frase de sabedoria popular british: choviam cães e gatos;

7 - Estou tão apavorado com este temporal, que não mete medo a qualquer criança que seja, que já não durmo esta noite;

8 - Hoje, já não há gente como esta. Assim nos dias que correm, a pobre rapariga haveria de bater e bater até cair para o lado e apanhar um bela gripe - como a da moda inverno 2009/10. Digamos que seria uma princesa loira verdadeira, para não se lembrar de usar o telélé;

9 - Nestes reparos, deveria ser algo como um Miss tshirt molhada - este Rei é sabido;

10 - É que dá ser-se vaidosa e usar sandálias em tempos esquisitos - ainda que sejam Manolo, ou qui ça numa versão low bugget, Havaianas;

11 - Enfim, verdade ou não é sempre um direito que lhe assiste, ainda que seja uma vil mentira;

12 - Haja por fim uma pessoa com 2 palmos de testa nesta história, o terror de futura ou ex-futura-sogra;

13 - Terá feito a velha rainha esta tarefa Hercúlea, sem ajudas ninguém? Convenhamos, uma rainha já foi uma fresca princesa ociosa e caprichosa. Será que no final de velha é que lhe deu para trabalhar?;

14 - Que maldade. Ninguém merece!;

15 - Uma Cruela Deville, esta rainha;

16 - Nada exagerada esta princesa... exagerada e malcriada, agradecer a hospitalagem "tá quieto ó preto";

17 - E esta, hein?!?! Que belo teste este! Vou começar a faze-lo às minhas pretendentes;

18 - Diz-se que a tal ervilha afinal era um diamante precioso. Junto com outras jóias foi levado a uma exposição na Holanda e depois disso: Abacadabra... como por artes mágicas; 1, 2 3 nunca o mais vês... e puff, diz-se que foi roubado. Há quem diga que foi vendido para pagar os problemas de divida externa do tal país. Qui ça!


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