8 de julho de 2009

TOSCA - I ACTO


Roma
Junho de 1800



I Acto

Igreja Sant'Andrea nella Valle

Cesare Angelloti, antigo cônsul da Republica Romana, preso político no Castelo de Sant'Angelo, evade-se da prisão, com a ajuda de sua irmã - a Marquesa Attavanti -, e vai refugiar-se na Igreja de Sant'Andrea, onde fica a capela da sua família. Uma vez neste espaço, seguindo as escrupulosas indicações de sua irmã, procura a chave do gradeamento da capela, afim de nela entrar e refugiar-se, até poder fugir. Na capela foram deixadas pela Marquesa roupas femininas, afim de Angellotti se disfarçar, e incógnito sair da Igreja ao escurecer.

Porém é surpreendido pelo Sacristão, e foge. O Sacristão, que vagueia pelas naves da Igreja, vem em busca do pintor Mario Cavaradossi, que está a elaborar uma enorme tela de Maria Madalena. Toca o Angellus, e enquanto se entretém nas orações, é surpreendido pela chegada do pintor que inicia de súbito o seu trabalho. O Sacristão, ao ver a tela fica apavorado, reconhecendo nela o retrato da mulher que ultimamente tem vindo rezar àquela Igreja. O pintor exclama que se deixou enternecer pela fé da tal mulher, e por isso decidiu imprimi-la dada a sua beleza.

Então, Mario olhando para um retrato-miniatura que trás consigo, apaixonado, entoa inspirado pela visão da sua amante Floria Tosca a seguinte portentosa ária, entre as advertências supersticiosas do Sacristão:



Recondita armonia
Di bellezze diverse!
É bruna Floria,
L'ardente amante mia...

E te, beltade ignota...
Cinta di chiome bionde,
Tu azzurro hai l'occhio,
Tosca ha l'occhio nero!

L'arte nel suo mistero
Le diverse bellezze insiem confonde;
Ma nel ritrar costei
Il mio solo pensiero, Tosca, sei tu!

Posto isto, o Sacristão parte, avisando o pintor que num cesto está o seu almoço. O pintor mostra-se indiferente, dizendo-lhe que não tem fome. Após a saída deste, o pintor houve um rumor na capela dos Attavanti e precipitando-se nela, encontra Angellotti. Como partilham de ideais políticos comuns, o pintor dispõe-se de imediato a ajudar o foragido político. Ouve-se então a voz de Tosca ecoando na Igreja, chamando pelo pintor:



"Mario, Mario, Mario..."

O pintor pede a Angellotti que se volte a esconder permanecendo em silêncio. Tosca é uma mulher ciumenta e poderia não compreender bem o assunto, sem uma longa e prévia explicação. Angellotti acede.



Tosca entrando de rompante, diz que ouviu um diálogo e questiona o pintor perguntando-lhe com estava a falar. Este diz que com ninguém. Ninguém está na Igreja, por determinações do Sacristão.



Tosca mais confiante, depõe as flores que trás consigo no altar de Nossa Senhora, fazendo uma breve oração. Voltando ao pintor, diz-lhe que essa noite irá cantar para a Rainha e que se espera encontrar com ele depois da gala, na casa que este tem fora de Roma a qual é o ninho de amor destes amantes, e que faz Tosca sonhar.



O pintor tenta abreviar a conversa e despachar Tosca, para melhor ajudar Angellotti. Tosca, quase de saída depara-se com a pintura e reconhece nela a Attavanti. Cheia de ciúmes, acusa o pintor. Este desculpa-se tal como tinha feito com o sacristão.



Então o pintor, evoca a beleza dos olhos de Tosca e apaixonadamente fala-lhe de amor. Tosca, apaixonada, e com grande deslumbramento, deixa-se levar dizendo-lhe que lhe pinte os olhos de negro, tal como são os dela.



Tosca parte. O pintor vai ao encontro de Angellotti, e este põe-no ao corrente de tudo. Uma vez ajudado pela sua irmã, fugiu da prisão e veio refugiar-se, ali, na capela onde ela tinha preparado tudo para a fuga. O pintor admirado, exclama pela amizade dos dois, e mais solicito informa-o da sua casa fora de Roma onde este se poderá esconder. Ouve-se então um tiro de canhão. É o canhão do Castelo anunciando que alguém fugira. O pintor ainda mais determinado, decide partir subitamente com este, já que aquele não é mais um local seguro para Angellotti. Ambos partem.


(continua)




4 comentários:

António Rosa, José disse...

Caro Bartolomeu,

Isto é serviço público. Parabéns pela ideia, pela iniciativa, pela execução. Pela beleza do post.

Abraço

António

Paulo disse...

olá Bartolomeu

a cada dia que passa ...

a.s.c.e.n.d.e.n.t.e.

este teu espaço sacrat.íssimo.

que muito gosto.

deixo-TE um abraço total.

Bartolomeu disse...

Ola António Rosa,

e assim abro primeira temporada de opera de verão, deste blogue!

O Vigário não está esquecido.

Abraço


Bartolomeu

Bartolomeu disse...

Olá Paulo,

a cada dia que passa, compreendo cada vez melhor a falta de mote e vitalidade dos gestores de blogues.

Porém, tento não vacilar!

Receber este teu comment, foi ganhar alento e grande conforto para a próxima jornada.

És-nos muito especial e um bom amigo.

Abraço,


Bartolomeu

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