21 de julho de 2009

EPÍLOGO


Desisto...




Para o mundo da consequência
Onde não há crença nem fé
Apenas a razão
E o nada
Parto!


O fim!



Até breve!


NOVOS PADRES...




Dolce&Gabbana

à crise de vocações ou à crise dos tempos?

Um destes dias somos trucidados qual:

Sodoma&Gomorra



18 de julho de 2009

HARRY POTTER - REVISTO E AUMENTADO






Era um rapaz que foi ao cinema com dois amigos:

Cafés, Gelados, Jantar, Cigarros e Cinema
(eu não fumo, mas ontem foram só três - PECADO... Bué mesmo!!!).

Era então... uma tarde de Sol, aquela que pautou a parte diurna deste dia, e os três rapazes, por combinação prévia, encontram-se numa esplanada onde tomam Cafés e Gelados. Em conversa, dizem:
- Vamos ver The Young Victoria? - disse.
- Sim, sim...
- responderam os outros!

- El Corte Inglês?

- Sim, sim...
Lá foram. Encontrando um terceiro amigo, que de tabuleiro na mão, também por lá fazia um Snack - no El Corte Inglês jantar é como quem diz... um Snack (só mesmo Snack, Snack, Snack). Então, fizeram:

Jantar, Gelados, Cafés, Cigarros e Cinema
(eu não fumo, mas ontem foram só três - PECADO... Bué mesmo!!!).

Depois um passeio pelo piso superior por entre aromas, pós e sons. Desceram para adquirir aquelas tiras de papel - vulgo bilhetes de cinema, para quem não sabe - que dão acesso à zona das salas. Porém, a missiva Real falharia:

- Ice Age, vamos ver? - disse o quarto elemento.
- Sim, sim... - o coro.
- NÃO! - disse logo, em tom apressado defendendo a minha determinação.

Após ter explicado, porque jamais em tempo algum iria ver Ice Age. Diz um:

- Harry Potter, então!

Consenso geral! Ninguém se tinha lembrado que a sequela, que se tornaria para estes quatro amigos quase famigerada, já estava em exibição. (Até é um filme de Sexta-feira à noite, convenhamos. Mas The Young Victoria era mesmo mesmo de Sexta-feira, enquanto o "Harry" podia ser visto ao Domingo. Já o contrário, enfim.).

- Sala 12, à direita - disse o empregado magricela, enfiado numa farda larga sem elegância naquele azul de meter medo.

Ficou tudo em haxen, é verdade! Mas agora a "poor Vikky" vai para o dia das sobras - Segunda-Feira!


00h10m...

Entraram na sala.

Lugares à escolha.

3ª fila, a contar da tela.

- "Ai, ai, ai... que me vão doer os olhos durante uma semana inteira"- exclamou um dos rapazes, aquele chamado de Bartolomeu!

00h15m...

Anúncios.

Publicidade.

Traillers.

00h25m...

Pato embatendo no soglan do UCI.

Filme começa:
Então...

Era uma vez um menino chamado Harry Potter, que de filme para filme, cresceu e ganhou pêlos no corpo. Harry Potter, de cara imberbe, e de olho nas meninas, que não apareceu com o seu Cavalo.

Neste filme o "Love" e as feremonas pairam no ar - paixonetas juvenis e marmelada entre os meninos e as meninas de Hoggart, que já frequentam Pub's, bebem cerveja de Manteiga e trocam osculos de amor, vulgo beijos, entre lábios alheios e línguas perversas de se enrolarem, não temendo a possibilidade de contraírem Gripe A,
provando que tal não se apanha nas reais ou imagéticas terras de Sua Majestade Britânica, apesar do Sr. Blair já a ter contraído, e que os bruxos e bruxas também têm outros interesses para além das hereges "simpatias" que aprendem nas aulas - a actividade lúdica experimental de fazer bebés (esse feitiço, até os muggles sabem fazer!)

Tudo na maior castidade e pureza, comme il faut, - bem ao género de Sense and Sensibity e Pride and Prejudice -, porém em cândidos jogos do amor - Vanity Fair (não fossem o seus actores reciclados de lá. Ai, estes ingleses! Siiiiiiiiiir!!!!!!!).

Se querem saber mais.... vão lá ver o filme... Bah!... Contar, não tem graça (não é, Princesa?).

Segunda-feira é mais barato!

A propósito... recomenda-se que neste filme, excepcionalmente, escolham uma sala de cinemas que faça intervalo! Não é por nada, mas a cadeira pode tornar-se rija e desconfortável.

Depois venham contar por aqui as vossas impressões.


HARRY POTTER




Mais um Harry Potter... visto


15 de julho de 2009

O VIGÁRIO


O VIGÁRIO


Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II

(Continuação)

Riccardo: Não tenho a menor intenção de ser o seu bobo de corte, para alegrar as horas em que estiver entregue a si mesmo. Jamais vi um homem num sofrimento tão profundo; porque o senhor sabe o que faz...
Doutor (desagradavelmente tocado): Vou ter de o decepcionar uma vez mais: toda a sua fé, como a esperança de que eu esteja entregue ao sofrimento, constitui uma desesperada ilusão com que o senhor se conforta. É certo que me aborreço com facilidade. É só por isso que me distrai o nosso debate, única razão pela qual o senhor continuará vivo. Mas, sentir-me em tormento? Não. Estou a estudar a fundo o homo sapiens. Ainda ontem observava um trabalhador dos fornos crematórios: à medida que ele ia retalhando os cadáveres para que caibam pela porta fornos, deu de caras com o cadáver da esposa. Qual seria a reacção dele?
Riccardo: Não me parece que esse estudo o alegre particularmente... O senhor mesmo não é mais feliz do que o tal trabalhador.
Doutor: Não? Eu também tenho lido os meus livros. Agora estou mesmo ocupado em averiguar quanto tempo foi necessário, após a morte desse patife chamado Napoleão - que certa vez disse a Metternich "estar-se nas tintas para a morte de um milhão de homens" -, quanto tempo foi necessário para se converter no ídolo da posterioridade. É uma questão muito interessante no que respeita a Hitler... É claro que este enjoativo vegetariano não seduziu todas as irmãs, como o fez Napoleão. Esses rasgos tão bonitos faltam-lhe por completo. Mas, de todas as formas, é mais simpático (pega num livro intitulado "Hegel") que os filósofos, que fazem passar por circunvalações cerebrais todos os horrores da História Universal, até que se possam encarar como aceitáveis. Não faz muito, relia eu Nietzsche, o eterno caloiro de escola primária, pois um colega tinha de levar a Mussolini, como presente de Hitler no seu sexagésimo aniversário, as suas obras completas impressas em papel bíblia!... (Ri sem graça).
Riccardo: Que culpa tem Nietzsche se os fanáticos, as bestas e os assassinos entraram no seu jardim? Só os loucos o tomariam à letra...
Doutor: Exacto, só mesmo os loucos, os homens de acção. A estes agrada-lhes que Nietzsche tivesse medido as virtudes do homem pela escala das feras. Provavelmente, porque sentia em si tão pouco de animalesco que nem conseguia encantar uma rapariga. Grotesco: a Besta Loura ou a Consequência da Timidez Vitalícia. Resultado: o massacre de milhões de seres. (Ri como se lhe fizessem cócegas). Não, a crítica mais refinada da Europa não foi o que fascinou Hitler. O que o excitou foi a besta-fera, o belo animal feroz, porque o inventor desse monstro escrevia num alemão tão sonoro, tão principesco e arrogante que parecia molhar a pena em Champanhe e mulheres. Hoje ao meio-dia, enquanto essa família que veio consigo desaparecer no crematório, eu também desaparecerei, mas por entre as pernas de uma qualquer rapariga de dezanove anos. É um consolo melhor do que a sua fé, porque realmente o "temos" com o coração, a boca e as mãos. E o temos na terra, quando faz falta. Mas o senhor conhece tudo isso...
Riccardo (em tom distraído): Claro, é um belo consolo - mas que não dura muito...
Doutor (calçando as luvas, quase triunfante): Entendemos-nos maravilhosamente. Terá no laboratório duas belas rapariguinhas, mas o senhor achará mais interessantes os últimos livros... Habent sua fata divini... os santos caem de nariz. A luz da razão cai sobre os Evangelhos. No ano passado fiz uma peregrinação a Marburg, para ouvir Bultmann. É algo muito audaz para um teólogo a sua forma de dissecar o Novo Testamento. Já nem sequer a Anunciação requer que o homem tome por verdadeira a imagem mítica do mundo...

Durante as últimas frases voltou a soar lá fora o zumbido do misturador de concreto. Não se vêem ainda deportados, mas ao fundo, à extrema direita, o reflexo do resplendor de um fogo imenso brilha de novo, poderoso e ameaçador. Ouve-se o ruído de dois camiões. Apitos estridentes. Riccardo levanta-se de um salto, escancara a porta, aponta para a luz do mundo subterrâneo e grita com desprezo, enquanto o Doutor se aproxima lentamente dele:

Riccardo: Lá... lá em baixo... eu estou lá, eu estou no meio deles! Que necessidade tenho eu agora de crer no Céu ou no Inferno? (Fleumático, mais próximo ao Doutor): O senhor sabe, já sabe por São João, que o Juízo Final não será nenhum acontecimento cósmico. (Forte, destacando as palavras): O seus esgares instintivos, imundos e idiotas, põem de lado todas as dúvidas... todas! Se o Diabo existe, é porque Deus também existe - se não, há muito que o senhor o teria vencido!
Doutor (toma-o pelo braço, rindo às gargalhadas): Aí está como gosto de o ver, na fanática dança de São Vito.

Retém Riccardo por ambos os braços, pois Riccardo quer precipitar-se para o fundo, onde aparece um novo grupo de deportados, esperando em silêncio. /.../ Riccardo, sem oferecer resistência, é impelido pelo Doutor a sentar-se forçadamente. Uma vez sentado, oculta o rosto nas mãos, apoiando os braços nos joelhos.

Doutor (apoiado com um pé no banco, em tom de camaradagem): Esgotamento total. O senhor está a tremer, não é? Tem tanto medo que nem consegue manter-se em pé.
Riccardo (retrocede porque o Doutor aproximou demais o seu rosto, e diz com tranquilidade): Nunca disse que não tinha. A coragem, no fundo, não passa de uma questão de vaidade.
Doutor (Riccardo comtempa as vítimas que esperam, mal o escuta a princípio): Dei-lhe a minha palavra de que nada lhe acontecerá. Tenho outros projectos para o senhor... A guerra está perdida, os Aliados vão enforcar-me. Arranje um esconderijo em Roma, num convento. O comandante também ficará agradecido por tirar do campo o enviado do Santo Padre, que não está aqui precisamente a convite. Certo?



/.../


Riccardo: Não... jamais! Tudo o que o senhor quer é que eu fuja outra vez. Mas não andaria cem metros. Seria abatido por tentar fugir...
Doutor (tira uma carteira e mostra-lhe um passaporte): Compreendo perfeitamente que duvide da minha oferta. Mas, veja aqui: não é um passaporte da Santa Sé? Só lhe faltam as datas... Ponho-as quando for necessário... Agora, vamos ao nosso acordo: o senhor descobre-me um esconderijo em Roma, até que eu possa fugir para a América do Sul.
Riccardo: Como imagina poder desertar? Roma está ocupada de alemães!
Doutor: Por isso me seria tão fácil ir lá em peregrinação. Com uma ordem de viagem perfeitamente legal. Dentro de uma semana estou lá. Depois desapareço... com a sua ajuda. Certo?

Riccardo mantém silêncio.

Doutor (impaciente, insistente, aliciante): Sim... pense apenas na sua pessoa, então... e na sua alma ou seja lá o que o senhor chame. Chega a Roma e pendura a sua mensagem nos sinos de São Pedro...
Riccardo (hesitante): Que diria ao Papa que ele ainda não saiba? Pormenores, claro. Mas que na Polónia os Judeus são mortos em câmaras de gás... já se sabe há mais de um ano.
Doutor: Sim... mas o Vigário de Cristo deve falar! Porque se cala?
Riccardo: Já pedi ao Papa para fazer um protesto, mas ele só faz politica.
Doutor (com uma gargalhada infernal): Política!... Claro, se não serve para outra coisa, esse prega sermões!
Riccardo: Não o julguemos.

Durante a última frase o misturador de concreto silencia. Ouvem-se toques de apitos, vindo do lado das fogueiras. O "kapo" empurra as vítimas expectantes. O Doutor chama o "kapo" com um toque de apito. Os deportados desaparecem, descendo a rampa. O fogo alcança extraordinário resplendor.


- Fim -


14 de julho de 2009

VELVETIIN


A um amiguinho!




Verso

Siis kui valguskiir varjudeks muutub
eemale teistest sa jääd
ja ütled et keegi ei muutu

Kuid nii segaseid tundeid ei peida
ja rahu sa nendest ei saa
võid sõpru ja vaenlasi leida
kui tagasi ei vaata

Refrão

Mustal sametisel ööl sa läed
linna tulesid veel kaugel näed
usud maailm muutub nüüd ja siin
sinuga koos velvetiin

Murtud südamete puiesteel
läbi vihmasaju seikled veel
usud maailm muutub nüüd ja siin
sinuga koos velvetiin

Verso

Nii teeb huulepulk peeglile jälgi
kirjutad et minema pead
et palun ärge käige mu järgi
sest olen eksinud ma

See mürgina halvab kõik meeled
kõik tundub liigagi hea
nii lähed veelkordki teele
ja tagasi ei vaata


TOSCA - II ACTO


II Acto


Apartamento de Scarpia no andar superior do Palácio Farnese


Na sala está uma mesa preparada.
Uma grande janela para o pátio do Palácio. Várias portas.
É noite.


Envolto ainda em pensamentos, que lhe interrompem o jantar, Scarpia, em traje de grande gala olha inquieto para o relógio, vendo as horas passar - ansioso pois por saber novas da demanda pois não vê hora de punir os dois Volterianos, o indesejado pintor e o fugitivo Angelotti. Chamando Sciarrone, pergunta-lhe sobre Tosca e dado o avançado da hora pede-lhe que abra a janela - por esta chegam até àqueles apartamentos os sons das Gavottas e Minuetos, tocados pela orquestra que abrilhanta a festa. Festa de gala, como se disse, oferecida pela Rainha Maria Carolina de Nápoles em honra do General Melas. Porém, a cantora, a Diva, ainda não está no Palácio e todos aguardam a sua presença para o início da cantata. Scarpia escreve um bilhete destinando-o a esta. Entregando-o a Sciarrone, ordena-lhe a entrega imediata logo que esta entre no Palácio.



Scarpia, certo da infalibilidade do seu gesto exclama que ela virá por amor do pintor, e por amor a este se renderá aos seus perversos caprichos.



"O galantumo come andò la caccia?"

Spoletta chega ao Palácio. Com temor, relata que fez tudo quanto lhe mandara. Porém nada encontrara na Villa a não ser o pintor, que com ironia troçava dele. Irado, Scarpia ameaça Spoletta. Este acrescenta que lhe trouxera preso o pintor, pelo seu suspeito comportamento.



"Ah canne! Ah traditore!..."

Perante Scarpia, Mario Cavaradossi nega qualquer acusação. Ouve-se a voz de Tosca, executando a cantata. O pintor desconcentra-se, e, Scarpia insiste no inquérito ao qual o pintor com grande ironia e revolta responde em constantes negações. Enraivecido, Scarpia fecha abruptamente a janela, insistindo na verdade.



"Nego! Nego!"

Tosca, em resposta à missiva contida no bilhete, vem até ao apartamento de Scarpia. Sem nada saber, surpreende-se com o que encontra. O pintor adverte-lhe todo o silêncio pelo que viu. Sem continuar a obter respostas, Scarpia manda torturar o pintor. Tosca, dissimulando, não consegue esconder a sua indignação e incómodo.

Uma vez a sós, Scarpia, estimulando-lhe os nervos, pergunta-lhe sobre o que viu e se realmente lá estava a Marquesa. Esta nega, dizendo que nada encontrou a não ser o pintor, declarando-lhe que sendo uma mulher ciumenta é normal a sua inquietação. Como nada obtém, manipula-a com a ameaça de tortura do pintor.



"Quanto foco! Par che abbiate paura di tradirvi"

Tosca não se contém, e começa a ficar ansiosa e descontrolada. Scarpia incita-a a falar, enervando-a e coagindo-a a tal com as tais ameaças que agora se vêem concretizadas nos gritos do pintor.



Tosca enfraquece e vacila. Dirigindo-se ao pintor, pedindo ajuda, este recomenda-lhe coragem. Scarpia volta ao ataque, e Tosca não resiste e entrega-lhe a confissão:

"Nel pozzo del giardino"

Scarpia realizado, ordena o fim da tortura. A pedido de Tosca trazem o pintor para a sala. Aconchegando-o e reconfortando-o, esta nega que tenha entrege a verdade. Porém, Scarpia com malícia brada impiodosamente:

"Nel pozzo... del giardino. Va, Spoletta"

Irado, o pintor amaldiçoa-a, acusando-a de traição. Subitamente entra Sciarrone portador de novas notícias, sobre vitórias de Napoleão. Exultante o pintor, eleva-se na sua fraqueza, clamando Vitórias ao General. Irritado, Scarpia envia-o para o cárcere, dando com este gesto a ordem de execução do pintor.



Tosca fica atónita. Perdida, e, no auge da sua demência, pede o preço do resgate do pintor. Scarpia, com falsa admiração, diz-lhe que a uma mulher bela não se deixa comprar por dinheiro, mas sim por favores sexuais. Rejubilante de vir a possuir Tosca, obtém ainda mais o desprezo desta. Sentido-lhe o cheiro do ódio, Scarpia enlouquece na sua determinante vontade. Coagindo-a a maior ódio diz-lhe que caso não aceite, apenas conseguirá dele ou da Rainha o perdão para um cadáver. Tosca, desesperada dirige-se a Deus, dizendo-lhe: porquê isto Senhor, se sempre fui tão dedicada aos altares. É assim que me pagas?



Sem compaixão, Scarpia abraça-a declarando-a prémio seu. Tosca enojada, tenta desembaraçar-se. Surpreendidos por Spoletta, este diz a Scarpia que à chegada ao esconderijo Angellotti se suicidara. Revoltado, ordena que o cadáver seja exposto na forca. Sobre o pintor, Spoletta diz-lhe que está tudo pronto para a execução. Tosca, em apnenante coragem, com um gesto de cabeça, acede ao negócio. Ordena então que o pintor seja libertado de imediato e que seja passado um salvo-conduto para dali fugirem. Scarpia acede, dizendo-lhe porém que não pode fazer graça aberta ao perdão, tendo que dissimular a execução. Um fuzilamento simulado, diz, ordenando-o a Spoletta, lembrando-lhe o caso de um tal de Palmieri... que nunca existiu. Tosca acede. Scarpia, cumprindo a sua parte elabora um salvo-conduto enquanto Tosca bebe um cálice de vinho, que lhe tinha sido anteriormente oferecido. Sem raciovinar, depara-se com uma faca que se apressa a esconder. Scarpia, vindo ao seu encontro, abraçando-a, exclama:

"Tosca, finalmente mia!"

Ao abraço, Tosca espeta-lhe a faca transformando o tom voluptuoso num exasperante grito. Tosca grita-lhe:

"Questo è il bacio di Tosca!"

Scarpia agonizante, amaldiçoa-a. Caindo, grita por ajuda. Tosca amaldiçoando-o, vocifera. Por fim, vendo o corpo imóvel, exclama:



"E avanti a lui tremava tutta Roma"

Sem deixar de olhar o cadáver aproxima-se da mesa, limpa-se do sangue e retoca o cabelo. Depois procura o salvo-conduto na secretária, não o encontrando encontra-o na mão do morto. Com estremecimento arranca-o dos seus dedos e esconde-o no seu seio. Apaga o candelabro e dirige-se à saída. Vendo ainda um castiçal aceso, acende um outro. Com gestos teatrais colaca um à direita e outro à esquerda da cabeça do morto. Descobrindo um crucifixo tira-o da parede e colaca-o sobre o peito do defunto. Um rufo de tambores, indicativo do aproximar da execução, faz-se ouvir. Fechando atrás de si a porta, Tosca, abandona a sala.


FIM DO II ACTO


(em cena)

Tito Gobbi
Renato Cioni
Maria Callas


LE JOUR DE LA BASTILLE


1789 - 2009

"La liberté chérie"

(pelo que somos hoje)




LA MARSEILLAISE


Musica:
Arr. Hector Berlioz

Tenor:

Roberto Alagna





13 de julho de 2009

TURISMO PARA TODOS




Uma: Que tal aqui?
Outra: Uhm... não me inspira!

.
.

11 de julho de 2009

URBAN BEACH AT LISBON

.














Junto ao rio por de trás do Kais, abriu esta noite o mais recente local sensação para o verão nocturno lisboeta - K URBAN BEACH - pertencente ao grupo K. Aqui fica a minha impressão, em noite de inauguração:

Local medíocre e sem classe, feito com materiais de pouca qualidade - fibras e alumínios -, com ar barato e improvisado com decoração reciclada do antecessor engraçado e sofisticado Kubo. Este novo espaço assemelha-se a algo entre um armazém de mercadorias, ali para os lados da Azambuja, e um stand de 3ª categoria de uma feira de província (não obstante vai ser o local mais badalado de Lisboa, mas eu não volto lá); No Wc não há nem papel, toalhas ou secadores para as mãos; Pias entupidas a inundarem o espaço e Mulheres a invadirem o WC dos homens, à laia de Expo98 - para quem se lembra; Festa animada e pouco engraçada; Musica comercial cansativa; Pouca gente gira; Pouco glamour com muitos broncos e broncas (entenda-se gente mal-educada, pouco cívica e sem cortesia dando encontrões, pisadelas e entornando bebidas para cima dos outros ainda que acidentalmente).

Eu não gostei, como aqui transpareci, pois o local não me agradou nem nele me senti confortável ou me diverti. É certo que não lá voltarei. As fotos podem soar engraçadas mas não transparecem a realidade do local. Esta, é apenas a minha opinião. Não digo, não vão pois não tenho esse direito. Porém, lembro apenas que um local aparentemente deslumbrante não é sinónimo de qualidade e de chic, como aqui se pretende. Lisboa tem destas coisas - já o Eça as narrava -, e cada um sente-se bem onde entende!


TOSCA - I ACTO (CONTINUAÇÃO)



I Acto

Igreja Sant'Andrea nella Valle

(Continuação)


Portador de boas-novas, entra o Sacristão alvoraçado pela Igreja desejoso de informar o pintor. Porém já não o encontra. Mario Cavaradossi, acompanhando Cesare Angellotti, saíra no mesmo instante da Igreja pela porta dos fundos da capela. Admirado, o Sacristão convoca de imediato o Coro da Igreja. Por entre jovens e rapazes pequenos, fleumando assim a sua ansiedade, o Sacristão conta o que sabe. Portanto: Festa de gala, no Palazzo Farnese, uma nova Cantata com a celebérrima cantora Floria Tosca - ao nome da qual todos suspiram embevecidos. Á ordem para se irem vestir para o Te-Deum, que dentro de momentos se irá executar naquela Igreja, em celebração da vitória sobre Napoleão, presidido pela Sua santidade, demasiado episcopado e clero, ao qual se vem juntar a população de Roma, inebriados e com contangiante espírito - puro e infantil - todos exultam e rejubilam em estridente histeria dando vivas e glórias, em torno do ingénuo e caricato Sacristão.



No auge do momento, acompnahdo por Spoletta e seus esbirros, entra impulsivamente na Igreja o Barão Scarpia:

"Un tal Baccano in Chiesa, bel rispeto!"

Aflito e apavorado, o Sacristão diz-lhe com nervosos salamaleques e copiosas vénias, que estão apenas a ensaiar para o Te-Deum.

Scarpia, o chefe da polícia romana, servo da Igreja e dos Papas, é um homem temido por todos. Por meio do seu poder, e sobre alçada da Igreja age em seu próprio proveito. É cruel, dissimulado e implacável nas suas determinações e decisões. Nunca erra, e o seu olhar e ouvidos chegam a todo o lado. Todos tem terror da sua presença, pois a todos Scarpia parece ler a mente. Na realidade, Scarpia é só um hábil estratega de ágil perspicácia e de grande astúcia, que a todos domina pelo terror.


Todos, saem cheios de pavor. Scarpia, ordena ao Sacristão que fique, enquanto isso dá ordens a Spoletta - o seu braço direito, espião e pau-mandado -, que com precaução procure em todos os recantos da Igreja o fugitivo. O Barão Scarpia, começa então a interrogar o Sacristão que parece nada saber... e nada sabe. Porém, a capela dos Attavanti encontra-se aberta sem que nenhum destes aristocratas lá se encontre. À ordem de entrada e revista da capela, aparece um leque perdido com o Brasão dos Attavanti, deixado para trás por Angellotti. Scarpia, junta os indícios mas quando se depara com o retrato de Maria Madalena, reconhecendo nela o rosto da Marquesa, percebe tudo... - fora ela quem engrenara tudo. O Sacristão novamente interrogado, diz-lhe ter sido o pintor Mario Cavaradossi a fazer a pintura. Scarpia, exclama o seu mal-estar com o pintor por este ter ideias revolucinárias. Entretando na capela é achado o cesto do almoço do pintor. O Sacristão aflito, diz que o pintor não tinha fome nem tinha a chave da capela. A Scarpia, tudo fica claro - o pintor encobrira a fuga da Igreja.

Tosca, chega novamente à Igreja. Ao saber que o pintor não está lá, fica insegura de qualquer presságio e enche-se d ciúmes. Scarpia, que entretanto se escondera, e conhecendo o feitio de Tosca, exclama que lhe fará com o leque o mesmo sentimento que Iago desfiára em Otello com um lenço. Tosca, sempre confusa, crê então que o pintor fugira dali com a Marquesa, e amaldiçoa-os naquele instante. Cambaleando, e aturdida naqueles pensamento sai da Igreja.






Scarpia, agora só ordena a Spoletta que a siga e que mais tarde venha ter com ele ao Palazzo Farnese onde vai decorrer a gala.

"Tre sbirri, una carroza... Presto, seguila /.../"

Na Igreja começam a juntar-se o povo para o Te-Deum, assim como a organizar-se o cortejo. Scarpia envolto ainda no que fizera sentir em Tosca, deleita-se agora na sua figura feminina e revela o seu sentimento lascivo e fetiche, enquanto a celebração atinge o seu auge com a benção do Corpus-Christi e o Coro entoando o Te-Deum:

"Tosca, mi fai dimenticar Iddio!..."

Caindo por terra, benze-se e reza com a multidão.



FIM DO I ACTO


(em cena)

Plácido Domingo
Maria Callas
Renato Cioni
Angela Gheorghiu
Roberto Alagna
Ruggero Raimondi
Cornel MacNeil



10 de julho de 2009

QUIZZ SHOW!!!!





Quem está sobre a cabeça de Bernardo:


Será uma magnífica visão do Espírito Santo,
na sua metamorfose predilecta,

querendo veicular alguma informação Divina?

ou

Será uma trivial Pomba, muito "pigghy",
armada em estratega

pensando no próximo dejecto?


ALCOBAÇA


ALCOBAÇA


Musica:
Belo Marques

Cantora:

Maria de Lurdes Resende




Por isso lá volto Domingo!
Eh eh eh...


LOIÇA





Eis, para quem não conhece ou não sabe distinguir... ou whatever:

A LOIÇA DE ALCOBAÇA

(Loiça de Alcobaça. Alcobaça...)

Prometem-se em breve mais exemplares e qui ça uma amostra de Barral!


HOJE!






FLOR COLHIDA E QUE AINDA VIVE




Era belo o seu sorriso
Resplandecente a sua alvura
Fleuma de turbulências
Pasmo de maravilhas!

Não lhe toquei por medo
De perder doce visão
Esta foto fiz e guardei.
Que bela recordação!


8 de julho de 2009

TOSCA - I ACTO


Roma
Junho de 1800



I Acto

Igreja Sant'Andrea nella Valle

Cesare Angelloti, antigo cônsul da Republica Romana, preso político no Castelo de Sant'Angelo, evade-se da prisão, com a ajuda de sua irmã - a Marquesa Attavanti -, e vai refugiar-se na Igreja de Sant'Andrea, onde fica a capela da sua família. Uma vez neste espaço, seguindo as escrupulosas indicações de sua irmã, procura a chave do gradeamento da capela, afim de nela entrar e refugiar-se, até poder fugir. Na capela foram deixadas pela Marquesa roupas femininas, afim de Angellotti se disfarçar, e incógnito sair da Igreja ao escurecer.

Porém é surpreendido pelo Sacristão, e foge. O Sacristão, que vagueia pelas naves da Igreja, vem em busca do pintor Mario Cavaradossi, que está a elaborar uma enorme tela de Maria Madalena. Toca o Angellus, e enquanto se entretém nas orações, é surpreendido pela chegada do pintor que inicia de súbito o seu trabalho. O Sacristão, ao ver a tela fica apavorado, reconhecendo nela o retrato da mulher que ultimamente tem vindo rezar àquela Igreja. O pintor exclama que se deixou enternecer pela fé da tal mulher, e por isso decidiu imprimi-la dada a sua beleza.

Então, Mario olhando para um retrato-miniatura que trás consigo, apaixonado, entoa inspirado pela visão da sua amante Floria Tosca a seguinte portentosa ária, entre as advertências supersticiosas do Sacristão:



Recondita armonia
Di bellezze diverse!
É bruna Floria,
L'ardente amante mia...

E te, beltade ignota...
Cinta di chiome bionde,
Tu azzurro hai l'occhio,
Tosca ha l'occhio nero!

L'arte nel suo mistero
Le diverse bellezze insiem confonde;
Ma nel ritrar costei
Il mio solo pensiero, Tosca, sei tu!

Posto isto, o Sacristão parte, avisando o pintor que num cesto está o seu almoço. O pintor mostra-se indiferente, dizendo-lhe que não tem fome. Após a saída deste, o pintor houve um rumor na capela dos Attavanti e precipitando-se nela, encontra Angellotti. Como partilham de ideais políticos comuns, o pintor dispõe-se de imediato a ajudar o foragido político. Ouve-se então a voz de Tosca ecoando na Igreja, chamando pelo pintor:



"Mario, Mario, Mario..."

O pintor pede a Angellotti que se volte a esconder permanecendo em silêncio. Tosca é uma mulher ciumenta e poderia não compreender bem o assunto, sem uma longa e prévia explicação. Angellotti acede.



Tosca entrando de rompante, diz que ouviu um diálogo e questiona o pintor perguntando-lhe com estava a falar. Este diz que com ninguém. Ninguém está na Igreja, por determinações do Sacristão.



Tosca mais confiante, depõe as flores que trás consigo no altar de Nossa Senhora, fazendo uma breve oração. Voltando ao pintor, diz-lhe que essa noite irá cantar para a Rainha e que se espera encontrar com ele depois da gala, na casa que este tem fora de Roma a qual é o ninho de amor destes amantes, e que faz Tosca sonhar.



O pintor tenta abreviar a conversa e despachar Tosca, para melhor ajudar Angellotti. Tosca, quase de saída depara-se com a pintura e reconhece nela a Attavanti. Cheia de ciúmes, acusa o pintor. Este desculpa-se tal como tinha feito com o sacristão.



Então o pintor, evoca a beleza dos olhos de Tosca e apaixonadamente fala-lhe de amor. Tosca, apaixonada, e com grande deslumbramento, deixa-se levar dizendo-lhe que lhe pinte os olhos de negro, tal como são os dela.



Tosca parte. O pintor vai ao encontro de Angellotti, e este põe-no ao corrente de tudo. Uma vez ajudado pela sua irmã, fugiu da prisão e veio refugiar-se, ali, na capela onde ela tinha preparado tudo para a fuga. O pintor admirado, exclama pela amizade dos dois, e mais solicito informa-o da sua casa fora de Roma onde este se poderá esconder. Ouve-se então um tiro de canhão. É o canhão do Castelo anunciando que alguém fugira. O pintor ainda mais determinado, decide partir subitamente com este, já que aquele não é mais um local seguro para Angellotti. Ambos partem.


(continua)




TOSCA - OPERA




Com a famosa ópera de Puccini sobre a comédia de Sardou, inauguramos a primeira temporada de ópera de Verão deste blogue. Será um percurso pelo resumo sinopsial das histórias, ornadas de fotos de emblemáticos cantores e encenações, exemplificadas com vídeos com os trechos das principais árias e momentos musicais.
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7 de julho de 2009

6 de julho de 2009

LEMBRANDO A PADROEIRA





Nossa Senhora da Graça


(Imagem de roca representando Maria amamentando Jesus recém-nascido).

É este o retrato do seu estado de graça protegendo a sua graça,
que pela graça que do conjunto se acha se lhe dá o nome de
Nossa Senhora da Graça.



(foto ao tempo de Leão XIII ou Pio X)


4 de julho de 2009

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