10 de junho de 2009

SE UMA GAIVOTA VIESSE...




Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.




Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.




Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.




Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.



Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.




Que perfeito coração
Morreria no meu peito morreria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.


Alexandre O'Neill


2 comentários:

António Rosa disse...

Belíssimo poema do Alexandre O'Neil, cantado pelo senhor Carlos do Carmo. Que voz e que emoção.

Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa

Bom 10 de Junho para si, Bartolomeu.

Abraço

Bartolomeu disse...

Caro António,

e é tão bom... Como raros(as) são hoje!

Abraço


Bartolomeu

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