23 de junho de 2009

SE TU VIESSES VER-ME...

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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca
[Charneca em Flor, 1930]


2 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Quando morrer, procura-me no mar, dizia Florbela.

Belo poema. reves-te nele? procurando alguem ?

Bartolomeu disse...

Olá Daniel,

obrigado pelo seu comment!

Mais que do que uma mensagem, um poema é para mim um pensamento - fruto de um forte estado emotivo que nos gera uma memória pessoal que retemos, independentemente das figuras retóricas nele impressas.

Abraço,


Bartolomeu

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