12 de junho de 2009

EM LOUVOR DE SANTO ANTÓNIO


Bendito e louvado seja
Santo António, Sol brilhante,
Que em Lisboa, França e Itália,
Deu luz a mais rutilante.

Quis a vontade divina
Que nascesse em Portugal
E fosse, da sua terra,
Um arauto sem igual.

Lisboa foi o seu berço,
E seus pais nobres Bulhões;
Desde a sua meninice
Atraiu os corações.

Logo no seu nascimento
Dos Céus foi abençoado;
Para uma vida divina
Desde logo foi talhado.

Correspondendo ao convite
E à graça do Senhor,
Para Ele encaminhou
Seus passos cheios de amor.

Na Sé menino de Coro
Dava luz tão refulgente,
Que já os seus resplendores
De assombro eram à gente.

Aqui tanto se abrasava.
No fogo do amor divino,
Que era já nestes incêndios
Gigante, sendo menino.

Querendo que só Deus visse
A sua luz permanente,
Foi de Quinze anos de idade
Recolher-se em S. Vicente.

Desprezando os bens terrenos,
Só os bens do céu buscou,
Porque dentro da clausura
Todo a Deus se consagrou.

Temendo que em S. Vicente
Alguém lhe apagasse a luz,
Daqui, para conserva-la,
Foi meter-se em Santa Cruz.

Cinco luzes Franciscanas,
Que com martírio morreram
Em Marrocos, o desejo,
Do martírio lhe acenderam.

Com este ardente desejo,
Procurou logo burel
Franciscano, pois queria
Morrer por Cristo em Argel.

Deixando uma cruz por outra,
Se alistou novo soldado
Na milícia instituída
Pelo Serafim chagado.

Trocou burel a murça,
E fez do nome mudança,
Porque de seu sangue ilustre
Não queria ter lembrança.

O Santo com esta troca
Do seu nome esclarecido,
Deu mostras de que o seu gosto
Era não ser conhecido.

Mostrou no mudar do nome
Abatimento profundo,
Como quem só procurava
O não ter nome no mundo.

Tomar o nome de António
Foi de Deus toque bendito,
Por ser nome, que fez muitos
Prodígios em todo o Egipto.

Tendo conseguido a nova
Milícia que desejava,
Somente dar sua vida
Por Jesus Cristo faltava.

Ja do seu burel vestido
Este sol resplandecente,
Foi logo por mar buscando
No martírio o seu Poente.

Assim buscou o seu Ocaso
No martírio glorioso,
Mas Deus lhe deu noutra casta
De martírio fim ditoso.

O mar vendo o Sol de António
O quis em si sepultar,
Porem foi achar em Pádua
Sepulcro mais singular.

Subiu do seu Oriente
Tao depressa ao Meio-dia,
Que com luzes mais brilhantes
Ja por Itália luzia.

Quis no burel Franciscano
A sua luz esconder
Mas neste burel sagrado
Se viu mais resplandecer.

Da sua luz portentosa
Não só homens se admiraram,
Mas também brutos e peixes
Da luz de António pasmaram.

Esta luz com tanta força
Vibrava os seus esplendores,
Que mudou em penitentes
Milhares de pecadores.

Hereges quase infinitos
Tanto desta luz tiraram
Que já com ela ilustrados.
Os seus erros detestaram.

Fez com esta luz divina
Tao repetidos portentos,
Que depois da sua morte
Obra milagres aos centos.

No muito amor que a Deus tinha
Tanto se abrasava enfim,
Que abrasado nestas chamas,
Era humano Serafim.

Morreu seu sagrado corpo;
Mas a luz não se apagou.
Pois sendo o corpo desfeito,
Inteira a língua ficou.

Era do céu esta língua;
Por isso sem corrupção
Ainda das maravilhas
De Deus nos da relação.

Língua, que das corrupções
A muita gente livrou,
Com razão ainda morta
Da corrupção triunfou.

Tendo-se empenhado tanto
Em salvar as criaturas,
Teve por prémio salvar-se
Inteira na sepultura.

Louvou a Deus altamente
Esta língua portentosa.
Era justo que ficasse
No sepulcro gloriosa.

Se viva tirou dos corpos
Enfermos a podridão,
Não devia nela morta
Ter poder a corrupção.

Língua, que tantos deu vida
Mereceu a feliz sorte,
De se ver sem horrores,
Que causa a terrível morte.

Se por ser língua tão santa
Nela habitou a pureza,
Que muito que de incorrupta
Deus lhe fizesse a fineza!

Ó língua prodigiosa,
Ficaste como imortal,
Pois incorrupto pregais
Um sermão celestial.

Julgo que a todos dizeis,
O língua sempre bendita,
Que no amor de Deus busquemos
Ter como Vos tanta dita.

Já que tiveste a glória
De morta resplandecer,
Fazei que nossas línguas
Não se deixem corromper.

E pois tanto mereceste
Por louvor ao Sumo Bem,
Alcançai que as nossas línguas
O louvem na glória. Ámen.


4 comentários:

Paulo - Intemporal disse...

imens.íssimo dia de Santo António.

em essência aqui.

imenso, o abraço, com amizade.

um bom fim de semana, Bartolomeu.

JotaSP disse...

Caro Bartolomeu,

Então ontem foste à Igreja de Santo António?

Recebe este meu abraço amigo «««

Bartolomeu disse...

Tenero Paulo,

obrigado pelo teu abraço imenso e pela amizade nele contido.

Reitero o teu abraço, retribuindo-to com o desejo de boa semana.

Bem hajas, bem-aventurado ser!


Bartolomeu

Bartolomeu disse...

Caro JotaSP

Obrigado pelo teu abraço amigo, que luz e muito conforto me trouxe hoje.

Bem hajas sempre.

Abraço "con tenerezza"


Bartolomeu

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