30 de junho de 2009

NA PEÚGADA DO CORAÇÃO DE JESUS... - ÚLTIMA DEMARCHE!


BASÍLICA DE SANTA LUZIA

E DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS





Construída no monte da Santa das Luzes... Lucía de Siracusa - a virgem martirizada que de entre as múltiplas torturas que sofreu, a mais célebre foi a remoção dos seus próprios olhos; Lúcia, termo italiano que deriva da palavra Luce (Luz), que conhece a corrupção do termo para Lúcia e que encontra em português a denominação traduzida para Lúcia ou Luzia; Luce, luci, luz ou luzes é ainda um termo que designa a visão, a luz que se vê aos olhos, o olhar que cerca a vista. Decaído o seu uso regular na linguagem quotidiana, é ainda muito comum encontra-lo nas formas poéticas clássicas, e anteriores a esta época.

Construída no monte da Santa das Luzes... esta Basílica viu-se inspirada na já famosa Basílica da "Cidade das Luzes" - O Sacré Coeur -, e mais do que uma inspiração de fervor foi também uma inspiração de formas e novas modas introduzidas e adaptadas a um novo Portugal, influenciado por tantos francesismos culturais e políticos.

Assim, no monte da Santa das Luzes... sobre esplendoroso miradouro natural de perder a vista num longínquo horizonte, foi construída uma Basílica dedicada a Santa Luzia e ao Coração de Jesus.

Incrementado o projecto pelo padre António Martins Carneiro, certamente lembrando-se dos Santuários e Basílicas que povoam a região de Braga e Guimarães, dotando assim Viana do Castelo de um espaço religioso que no mínimo rivalizava com os já citados, o moderno traço da Basílica foi encomendado ao então grande arquitecto Ventura Terra,
responsável por numerosas obras de intervenção e outras de grande envergadura em Portugal, e distinguido anos antes pelo Rei Dom Carlos com compasso que antes pertencera ao grande Ludovice.

As obras iniciaram então em 1903 e foram concluídas em 1943,
no contexto de todo o complexo religioso, sendo que o local já se encontrava aberto ao culto desde 1926.



A fachada da Basílica ostenta então uma preciosa estátua do Coração de Jesus, em bronze, do escultor Aleixo Queirós Ribeiro, que encontra uma réplica no interior (desta em mármore de Vila Viçosa).

Completa-se assim o segundo monumento português ao Santo Coração de Jesus, fruto de uma devoção que conhece todo o país.



* * * * * * *

Por todas as cidades, vilas, aldeias e lugares portugueses encontram-se em quase todas as Igrejas ou Capelas uma imagem desta devoção. Imagem, que vem repor a figura de Jesus Cristo num acto longe do seu martírio. Imagem de Cristo Redentor, que lembrando o martírio, não sofre nem se humilha. Pelo contrário, em posse e vestes majestáticas ornadas de ouro, sereno e de sorriso tranquilo e com meigo e discreto gesto, exibe o seu Coração convidando-nos a adora-lo.

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MONUMENTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA





Em 1917 na Serra d'Aire, numa cova no cimo da Serra, Maria, a mãe de Jesus deixa-se aparecer a três meninos. Na terceira aparição, a Senhora, sempre entristecida, mostra aos pequenos os horrores do "dito" inferno e mostra-lhes o Seu coração dilacerado pela dor dos pecadores.

Em 1932, já no crescente e desorganizado Santuário de então, é colocado bem em frente da capelinha das aparições uma estátua do Coração de Jesus, a qual encima o chafariz que oferece água aos ardentes e sequiosos peregrinos de Fátima.

Esta imagem de Bronze, de autor desconhecido, foi na altura oferecida ao Santuário por um devoto, e nela, Jesus de braços ligeiramente abertos parece abraçar todos quantos a seus pés bebem da água, que é água de fonte de renovação que brota do seu coração.



* * * * * * *

Jesus é assim lembrado, mesmo no centro do Santuário, que é o principio e o fim, e, que na sua radical mensagem nos declara que ninguém chega ao Pai se não for por Ele. É Ele a nova aliança entre Deus e os homens, e também a nova aliança religiosa portuguesa iniciada pela Rainha D. Maria de Portugal na já referida Basílica da Estrela.

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SANTUÁRIO DE CRISTO REI




Em 1934, numa visita ao Rio de Janeiro, o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira, fica impressionado com a monumental imagem de Cristo Redentor do Corcovado - o guardião espiritual da nação brasileira, em detrimento dos guardiões maçónicos e de outras confissões obscuras, que se foram impondo nas principais cidades do mundo (o Cristo Redentor, era uma ideia acalentada desde os meados do séc. XIX. O projecto ganhou forma sendo que foi lançada a primeira pedra em 1922, nas comemorações do primeiro centenário do Brasil, como marco espiritual e religioso dessa efeméride. Foi inaugurado a 12 de Outubro de 1931, no dia de Nossa Senhora Aparecida - a quem se dedica uma capela nesse santuário).

Em 1934, depois de uma visita ao morro do Corcovado, o Cardeal Patriarca trouxe aninhado no seu coração a ideia de reproduzir no seu
beato Portugal semelhante monumento. Um monumento novo. Um monumento construído de raiz. Um monumento moderno, aristocrata e grandioso que rasgasse a monotonia empoeirada a que Portugal estava votado em tradicionalismos seculares, que se renovavam em cada ano, mesmo nas novas e modernas devoções. Um monumento arrojado e inovador que Salazar não gostou!

Porém a sua iniciativa não se ficava apenas por erguer um monumento físico e circunspecto somente ao local onde fosse erguido. Em 1937, depois de reunidos os Bispos portugueses, este objecto será proclamado como monumento de consciência religiosa da nação portuguesa.

Em 1940, em Fátima, já no decorrer da II Guerra Mundial, esta ideia converte-se num piedoso voto que revigorará a mensagem passada aos fiéis nos púlpitos. Será então símbolo de paz no voto manifestado pelos Bispos:

"Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ía sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade".

O arranque das obras terão início em 1949.

Escolhido o local, o santuário erguer-se-á nas colinas de Almada, bem defronte de Lisboa, para que nesta cidade pudesse ser alcançado nos seus mais diversos pontos e localizações. Intenção que achou eco nas palavras de D. José Policarpo, por ocasião dos cinquenta anos do monumento, na seguinte exclamação:

“Os habitantes da grande Lisboa têm essa particularidade: não precisam de entrar numa Igreja para rezarem diante de uma imagem do Coração de Jesus. Toda a cidade se transformou num templo, onde só não sente o amor de Cristo quem não quer".

A estátua de Cristo-Rei, assumidamente de braços abertos e com um enorme coração, foi da autoria do Mestre Francisco Franco, e o projecto do monumento do arquitecto António Lino e Eng. D. Francisco de Mello e Castro. O enorme monumento de betão, material esse cheio de simbologia modernista, foi custeado pela esmola do povo português na subscrição contribuída nos ofertórios Dominicais.

Inaugurado em 1959, com pompa e circunstância, a cerimónia contou com a presença do Estado Português, o Cardeal-Patriarca de Lisboa,
o Núncio Apostólico, os Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques, os Bispos Portugueses, centenas de fiéis, a imagem de Nossa Senhora de Fátima e até do próprio Papa João XXIII através de uma mensagem de Rádio.




* * * * * * *

Esta última consagração renova bem a importância de Jesus Cristo no centro da sua Igreja, por vezes remetido exclusivamente para a Eucaristia.

Relembrando-nos a Sua presença quotidiana, nos passos das nossas vidas, Jesus não tem problemas em abrir os seus braços até à sua extensão máxima, pois neles, mais do que a lembrança da Cruz, reside o incondicional abraço fraterno que está disponível a todos. Neles, o convite!... O convite, a que por imitação o abracemos de coração exposto, de coração aberto!



O coração de Jesus é amor,
e o nosso assim será se assim o quisermos!


SACRÉ COEUR AUX MONTMARTE - PARIS




A idealização desta concretização partiu de um voto feito por Alexandre Legentil e Hubert Rohaut de Fleury, no tempo da Guerra Franco-Prussiana, no qual se suplicava a sobrevivência da França perante as investidas do demolidor exército alemão.

Escolhido o local, definiu-se a elevação de MontMarte - a montanha de Marte - tido como o ponto mais alto de Paris, o qual melhor compreendia a necessidade de uma evocação que chegasse a todos, ou à vista de todos, permitindo assim que qualquer espírito se imbuísse de fervor e religiosidade ao alcançar à distância a vista do carismático monumento - sim, carismático monumento! Monumento de fé e de crença religiosa, que curiosamente desde a sua concepção foi logo definido como Monumento-Igreja (não fosse a França um estado laico, onde a lei da separação já causava divergências).

Sugerindo modernidade, segundo um gosto românico e bizantino reinventado, combinado com o gosto clássico da arquitectura francesa, o projecto elaborado pelo arquitecto Paul Abadie sugere um Templo dinâmico rodeado por um jardim com o propósito de convidar à meditação,
onde se evocam uma maior pureza e ambiente místico, sinónimos de uma religião que se renova para um novo significado de "Igreja" - tão caro aos franceses.

As obras arrancaram em 1875 e foram custeadas por uma subscrição pública na qual toda França contribuiu com a sua esmola.

Concluída em 1914, a Basílica teve de aguardar pelo fim da I Guerra-Mundial para ser devidamente inaugurada.


Assim, a Basílica de MontMartre, é hoje um dos ex-libris da Cidade das Luzes, fruto da consciência religiosa de uma nação, e um dos monumentos mais visitados desta cidade conhecido em todo mundo pelo termo: Sacré-Coeur.



Bondoso Coração de Jesus,
Ora pro nobis.



29 de junho de 2009

HYMNUS VATICANUS

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BENEDICTUS XVI





TU ES PETRUS...




PETRUS... PETRUS... PETRUS...




Cumpriu-se a profecia:
Sobre o túmulo de Petrus ergue-se a Igreja de Cristo.


SANCTUS PETRUS IN VATICANUS


Sanctus Petrus in Vaticanus
Ora pro nobis
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27 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES VIII - VIGÍLIA SOTURNA JÁ COM A JANELA FECHADA E SEM TAIS PALAVRAS AINDA TER POR TODO DESFERIDO

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São 2:42 Am!

O veneno ainda me corrói...
3 lágrimas caíram pela fronte
O rosto desfigurado suplica a redenção
A carne danada, danada está!
A alma chora amarguradamente.

Só na morte te perdoarei
Por na minha mão teres colocado semelhante líquido!

São 2.46 Am...

O tempo custa a passar, o silêncio perturba esta noite
Quando desejava dos Rouxinóis ouvir chilrear...
(Porém, aqui nunca houve rouxinóis)
E pássaros gordos, não estou para aí virado!
Nada em meu redor me atrai
Nada até ao meu horizonte me seduz
Odeio-me... odeio-o tudo!

Só na morte te perdoarei
Por na minha mão teres colocado semelhante líquido!

São 2:51 Am

Desfaleço... tomado pela ira
E a raiva...

São 2:52 Am

O sono não vem... alegria não há
Batatinhas também não!

São 2:53Am

Aiiiiiiiii (em amordaçado silêncio)... até quando!
Por mais quanto tempo neste outeiro de amarguras


....


....


....



Só na morte te perdoarei
Por na minha mão teres colocado semelhante líquido!

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26 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES VII - PALAVRAS ODIADAS E SEM INTERESSE JOGADAS PELA JANELA FORA ENQUANTO ESTA AINDA ESTÁ ABERTA

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Provei anunciado veneno
Que me queima nas profundas vísceras
Corre célere o odiado
Sobe-me num instante à cabeça!
Pecado foi bebe-lo
Pecado, foi saber que o era!
Agora... - que remédio -, arrojo-me pelos cantos
Esponjando-me pelas paredes.
Praguejo e grito neste teclado,
Dobrando-me sobre a fina e lancinante dor
Que já me corrói os ossos,
Que já me esmaga os dedos!

Veneno lembrado
Veneno tomei
Veneno bebi
Veneno ardendo
Veneno desnecessário...
"Merde", estou farto! É sempre assim (não podia ser de outra maneira, hein???)!

Ler não consigo
Barulho, não posso fazer...
Desenhos, valha-me Deus!
Fotos... só indecorosas (e isso é pecar e desiludir o meu amado leitor)!
Rezar... só ao deitar!

Vou ver um filme (isso, mesmo), um filme aos gritos...
Uma comédia negra, que a estas horas... muito negra aos vizinhos será,
Já que dos visitantes, comments?!?!?... "tá quieto, ó preto!"

Pode ser que passe.
Grrrrrrrrr...

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O VIGÁRIO


O VIGÁRIO


Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II

(Continuação)


Riccardo (tenta mofar dele, acabando por gritar para não chorar): Redenção da dor! Uma conferência humanística proferida por um sádico homicida! Salve uma criança, uma só, para que se veja que o senhor é um ser humano.
Doutor (disciplinante): Com que direito os padres olham de cima para as S.S.? Nós somos os Dominicanos da era tecnológica. Não é por simples acaso que tantos colegas meus provêm das boas cepas católicas. Heydrich era judeu, está certo, Eichmann e Goering são protestantes. Mas, Hitler, Goebbels, Bormann, Kaltenbrunner... Hoess, o comandante de campo, quis ser padre. E o padrinho de Himmler é o Bispo-Coadjutor de Bamberg! (Ri). Os Aliados juraram solenemente que nos enforcariam a todos... se nos agarrarem. É lógico - no fim da guerra o uniforme das S.S. será veste dos condenados ao patíbulo. Todavia, a Igreja, que durante séculos praticou o crime no Ocidente, agora quer representar o papel de instância moral de uma parte do mundo. É um absurdo! São Tomás de Aquino, um místico intoxicado de Deus como Heinrich Himmler, que também diz uma porção de disparates bem intencionados, perseguia os inocentes tal como esses idiotas que perseguem os judeus... E, todavia, vocês não o recebem os templos católicos! Nesse caso, por que não deverão ser incluídos, nas futuras antologias alemãs, os discursos de Himmler em louvor das mães das famílias numerosas? (Está muitissimo divertido). Uma civilização que entrega as almas de seus filhos nas mãos de uma Igreja em cujo passado existem os Senhores Inquisidores, chega a seu fim lógico quando vai buscar às nossas fogueiras humanas as tochas para as suas exéquias. Concorda com isto? Não, é claro. (Cospe e toma um "schnaps"). Um de nós é honesto... o outro crente. (Malévolo): Foi a sua Igreja a primeira a provar que se podia queimar os homens como carvão. Somente na Espanha, e sem fornos crematórios, vocês queimaram trezentas e cinquenta mil pessoas. E quase todos forma queimados vivos. Para isso é preciso a ajuda de Cristo.
Riccardo (indignado, em voz alta): Sei tão bem como o senhor quantas vezes a Igreja tem sido, e é, culpada. Senão, não estaria aqui. E não direi mais nada se fizer Deus responsável pelos crimes da sua Igreja. Deus não preside à história. Ele participa doq ue é finito. N'Ele se resumem todos os sofrimentos do homem.
Doutor (cortando-lhe a palavra): Sim sim, também já me ensinaram isso. O sofrimento d'Ele na terra acorrenta o princípio do mal. Mas, de que forma? Onde... onde é que eu fui jamais accorentado? Lutero era menos presunçoso: Não é o homem, e sim Deus, quem enforca, suplicia na roda, estrangula e faz a guerra... (Dá uma pequena palmada no ombro de Riccardo, rindo. Este retrocede)
. Acho graça na sua cólera. O senhor é um bom parceiro, percebi-o desde logo, Vai auxiliar-me no Laboratório, e todas as noites debateremos sobre esse produto da fraqueza nervosa que o snehor chama provisóriamente Deus, ou sobre qualquer outra trica filosófica.


(continua)


LES A_DIEUX A JACKSON


NEVER CAN SAY GOODBYE






REQUIEM AETERNAM... MICHAEL JACKSON




29 Agosto 1958
25 Junho 2009


Tal como o recordo...

Requiem aeternam dona eis, Domine,
Et lux perpetua luceat eis.



25 de junho de 2009

OPORTO - HOJE




Em 1987 o mundo da lírica e da ópera tremeu ao tomar conhecimento que o jovem e talentoso tenor catalão, José Carreras, se encontrava doente com Leucemia.

Hoje, o mundo treme perante a vasta obra que a Fundação José Carreras tem feito em prol da doença que o contrariou e lhe vez mudar a visão do mundo, na qual investe a sua imensa fortuna conquistada nos palcos das casas de ópera e nos lendários concertos dos "3 Tenores".

Assim, ontem dia 23 de Junho, O tenor foi agraciado pela Universidade do Porto com a atribuição do grau Honoris Causa
"em reconhecimento da obra notável" e "no apoio à ciência e contributo para a Medicina".



Hoje na gala dos 50 anos do Hospital de São João do Porto, o tenor abrilhantou a noite enchendo com a sua magnifica vóz - que ainda faz sonhar e estremecer o mundo de paixão -, a sala do Coliseu do Porto perante uma assistência que foi para lá da sala, chegando até ás nossas casas pela RTP.

Portanto uma noite de luxo. Um dos melhores serões que nos últimos tempos a televisão portuguesa proporcionou. Maior luxo foi a possibilidade da transmissão em directo deste magnífico programa, que por momentos suspendeu a quem interessou no ouvir de uma lenda viva que já se tornou presença habitual no nosso país - regressa a 10 de Julho para novo concerto em Santarém.

Estimou-se que cerca de 90.000 portugueses tenham assistido a este programa. 78.000 foram o número de chamadas de valor acrescentado recebidas (0.60 € + IVA), em favor da Pediatria do referido Hospital.

Sinto-me honrado por tamanha satisfação que quebrou o marasmo novelístico desta noite, e que uniu fraternalmente, com grande atenção e com enorme interesse e expectativa, uma família num serão cultural bem mais interessante.

Bem Hajam Hospital de São João do Porto, José Carreras e RTP.


Core'ngrato
(um exemplo do último momento da noite de hoje, cantado por José Carreras)


24 de junho de 2009

23 de junho de 2009

OLH´Ó BALÃO NA NOITE DE SÃO jOÃO...





Olh'ó Balão, na noite de São João
P'ra poder dançar bastante com quem tenho à minha espera
Ó-i-ó-ái pedi licença ao meu pai e corri com o meu estudante
Que ficou como uma fera

Ó-i-ó-ái fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ái vou daqui pró bailarico

E tenho um gaiato aqui dependurado
Que é mesmo o retrato do meu namorado!

Toca o fungagá, toca o Sol e Dó,
Vamos lá, nesta marcha a um fulambó.


`*´`*´`*´`*´`*´`*´

Olh'ó Balão, na noite de São João
Para não andar maçado da pequena me livrei
Ó-i-ó-ái, não sei com quem ela vai, cá para mim estou governado
Com uma outra que eu cá sei.

Ó-i-ó-ái fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ái vou daqui pró bailarico!

Tenho uma gaiata aqui dependurada
Que tem mesmo a lata, lá da namorada.

Toca o fungagá, toca o Sol e Dó,
Vamos lá, nesta marcha a um fulambó.



TOSCA




Roma,
Junho de 1800


SE TU VIESSES VER-ME...

.
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca
[Charneca em Flor, 1930]


...

.
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti,
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora.
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti
Meu dourado objecto
Que me percorre o pensamento!
Saudades de me sentar junto a ti
E contar os meus segredos,
O que me vai na alma.
Pedir aqueles conselhos
Aqueles, sim esses mesmos que só tu sabes dar.
Sei que me vês
Que me olhas e tocas ritualmente
Sempre àquela hora!
Mas eu não!
Por isso hoje grito:
Saudades de ti!
.
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22 de junho de 2009

O VIGÁRIO


O VIGÁRIO


Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II

(Continuação)


Riccardo: O que pretende de mim, afinal?
Doutor: A minha oferta foi séria; senão sabe verdadeiramente o que o espera?

Entram em casa. O Doutor mexe numa caixa de "pronto-socorro" doméstica. Riccardo sobe as escadas e deixa-se cair na primeira cadeira que encontra.

Doutor (falando com duvidosa seriedade, enquanto lhe faz um curativo): Há pouco tempo, essas bestas tiveram a alegria de torturar durante dez dias um Padre Polaco, enfiando-o no porão da fome. Isso porque ele, tal como o senhor, também era voluntário e queria morrer no lugar de um detido que tinha família. No fim, chegaram a coroa-lo com uma coroa de arame farpado. Bem... teve o que queria, o que vocês todos querem: O martírio de Cristo. E mais tarde ou mais cedo, não nos restam dúvidas que Roma irá canoniza-lo. Foi uma morte muito peculiar - um bom martírio à moda antiga. Mas o senhor, meu caro amigo, será apenas gaseado. Pura e simplesmente gaseado, sem que nenhum outro homem, nem o Papa, nem Deus, venha jamais a saber. Na melhor das hipóteses, será dado como desaparecido, como um Cabo na frente do Volga ou um tripulante de um submarino no Atlântico. Se persistir nessa atitude, morrerá aqui... morrerá como um caracol esmagado pelo pneu de um automóvel, morrerá como os heróis de hoje, anónimos e aniquilados por forças que nem sequer conhecem, e muito menos ainda que poderiam combater. Por outras palavras, sem finalidade.
Riccardo (com desdém): Crê que Deus não assinala as vítimas senão quando são mortas com fausto e espectacularidade? As suas ideias não podem ser assim tão primitivas!
Doutor: Ah, ah! Então Deus assinala as vítimas! A sério? No fundo, todo o meu trabalho repousa nessa questão... É verdade, faço tudo o melhor que posso. Desde Julho de 1942, faz uns quinze meses, todos os dias úteis e santificados, envio homens a Deus. O senhor crê que ele já me mostrou o seu reconhecimento? Nem sequer me fulminou com um raio. Como explica isso? O senhor deve saber... Ultimamente, num só dia, foram nove mil pessoas.
Riccardo (gemendo contra a sua própria opinião): Não é verdade, não pode ser...
Doutor: Nove mil num dia. E criaturas tão encantadoras como a menina que o senhor trazia ao colo... mesmo assim, no espaço de uma hora estavam inconscientes ou mortas. Em qualquer um dos casos, prontas para o forno... As crianças mais pequenas muitas vezes vão para o forno desmaiadas, sobretudo as crianças de peito. É um fenómeno interessante. Por estranho que pareça, o gás nem sempre as mata.

Riccardo esconde a sua face nas mãos. Refeito precipita-se para a porta, mas o Doutor rindo puxa-o para trás.

Doutor: Ora, o senhor não pode viver fazendo sempre o bem! Pare de tremer assim. Palavra de honra que o manterei vivo... Que diabo de diferença pode ter para mim mandar uma peça a mais ou menos pela chaminé?
Riccardo (grita): Viver... para ser seu prisioneiro!
Doutor: Meu prisioneiro, não: meu sócio.
Riccardo: Pensa pois que abandonar um mundo onde o senhor e Auschwitz são possíveis, é mais difícil do que viver nele?
Doutor: O mártir prefere sempre morrer a raciocinar. Valéry tinha razão. Dizia ele: "O anjo - e talvez o senhor seja um anjo - (ri) "distingue-se de mim, do Diabo, somente pela reflexão, que ainda lhe é falha". Vou entrega-lo a essa faculdade que é o raciocínio da mesma forma como se lança um nadador no imenso oceano. Se a sotaina se mantiver à tona, então deixar-me-ei arrastar pelo senhor ao seio da Igreja de Cristo. (Ri alto). Quem sabe, quem sabe? Mas primeiro o senhor tem de se exercitar na celebrada tolerância dos agnósticos. Primeiro, o senhor tem de me observar aqui durante um ano, realizando a experiência mais audaciosa que o senhor jamais ousou empreender. Somente uma natureza teológica como eu... (dá um cauduço no pescoço de Riccardo)... ouve um tempo em que usei cabeção... somente uma natureza teológica como eu, se arriscaria a assumir o peso de tão grande culpa...
Riccardo (bate na fronte em desespero e grita): Mas porquê... porquê... Porquê faz isso?
Doutor: Eu queria uma resposta - uma resposta! E assim, arrisquei o que mais ninguém arriscou ainda desde que o mundo começou a girar... Jurei que havia de provocar o velho Deus tão desmedidamente, tão para além de todos os limites, que ele teria que dar uma resposta. Mesmo que fosse apenas negativa, que é a única capaz de desculpa-lo, no dizer de Sthendal: que Ele não existe.
Riccardo (sarcástico): Uma píada de consultório... que milhões de seres pagam com a vida. Então o senhor não é... sequer... um criminoso? É apenas um tolo, um idiota? Tão primitivo como Virchow, quando dizia ter dissecado dez mil cadáveres e neles não ter encontrado vestígios da alma...
Doutor (ferido): Alma! Não é isso um pouco primitivo? Não é uma leviandade monstruosa estar sempre a recorrer a tais figuras de retórica? (imita um sacerdote em oração): Credo quia absurdum est. Sempre o mesmo? (Sério): Escute a resposta: nem um suspiro veio do Céu, nem um único suspiro em quinze meses, desde que comecei a enviar turistas para essa Ascensão.
Riccardo (irónico): Tamanha selvageria... e só para conseguir o que qualquer mestre-escola inofensivo consegue com o menor preço, se este for bastante limitado para testa-lo: querer demonstrar o incompreensível...
Doutor: Então o senhor acha mais consolador que Deus em pessoa toste o homem na grelha da História? A História será a Teodicéia, acha realmente? (com uma risada de verdugo): O que é a História? Pó e altares, miséria e violações. E a glória é sempre o escárnio das suas vítimas. Na realidade, Auschwitz nega o Criador, a Criação e a Criatura. A vida como idéia está morta. Isso poderia ser o início de uma grande conversão, a redenção da dor. Depois dessa instituição, só restará um pecado: maldito seja quem cria a vida. Eu suprimo a vida, o que é a forma actual de ser humano, a única salvação para o futuro. Digo isto com inteira seriedade, mesmo no íntimo. Em bondosa piedade, eu próprio sepultei os meus filhos em preservativos.

Silêncio


(continua)


REFLEXÃO:




Olhar a Estrela é contemplar o Coração de Jesus!


LA TOSCA - LUIGI MAGNI


LA TOSCA

(1973)

LUIGI MAGNI

(a partir de Victorien Sardou)


CORO DEGLI STORPI





21 de junho de 2009

O VIGÁRIO


O VIGÁRIO

Rolf Hochhuth

5º Acto

Auschwitz ou a pergunta feita a Deus


Cena II


(Riccardo Fontana, padre Jesuíta - filho do conselheiro papal Conde Fontana -, enquanto adido do Núncio de Berlim presencia à denuncia por Gerstein - Tenente das SS Hitlerianas -, sobre as atrocidades feitas aos Judeus nos campos de concentração polacos. Regressado a Roma alerta a seu pai e a um Cardeal os factos que ouviu narrar, com ímpeto e paixão. O Cardeal aconselha prudência, e como o jovem não se retrata em obediência envia-o para Lisboa - o ostracismo. Em Outubro de 1943 os Judeus de Roma começam a ser enviados para os campo de concentração. Riccardo Fontana, regressado a Roma, encontra-se em conjunto com Gerstein, o Cardeal e o Abade Geral, onde sugerem um plano que obrigue a Pio XII, perante o seu silêncio sobre os Judeus, a denunciar os factos publicamente com o intuito de fazer recuar Hitler. Em audiência Papal, Fontana e o Cardeal informam da presença de Riccardo. Uma vez na presença do Papa, Riccardo impele a este que se apresse, mas Pio XII reitera a sua posição de silêncio e neutralidade - para si basta-lhe esconder os refugiados nos Conventos e Igrejas romanas. Riccardo, enfia-se então nos vagões das deportações e chega a Auschwitz).


Oficial: Sturmbannführer, uma informação!

Prende o cão às pernas do banco.

Fritsche: Tão de madrugada? Que houve?
Oficial: Uma grande surpresa na plataforma da estação externa, Sturmbannführer. O Papa mandou-nos pessoalmente um padre...
Fritshe: O Papa fez o quê?
Oficial: O Papa mandou um padre acompanhar os Judeus baptizados. Esses Judeus vêm de Roma, afinal! Vinha com eles como director espiritual, claro. E vai...
Fritshe: E vai o quê?
Oficial: E vai daí, algum idiota embarcou o homem em Roma como se fosse um desses porcos. Amontoado junto com eles, lá no vagão, de sotaina, claro... E não é judeu, é italiano... e além disso dizem que é amigo do Pacelli.
Fritsche: Maldito! Que merda!!



/.../




(Helga e o Doutor - médico do campo que dá ordem de execução -, são amantes apesar de esta estar noiva. Passam a vida em encontros furtivos. Cheia de ciúmes, por este ter usar de uma Judia como sua amante, protesta-lhe ameaçando não mais voltar num ciclo de amor-ódio paradoxal).

Helga: Olha! Olha lá no fundo! O Padre!
Doutor: (afastando-se /.../): Ora... Vai, vai dormir, Helga.
Helga: Não, escuta... Fritsche deu ordem para que o Padre - acho que deve ser esse - não entrasse no campo! Foi deportado por engano!
Doutor (voltando-se): Aqui é tudo igual para todos, todos são obrigados a entrar!
Helga: Parece que ele não é Judeu!
Doutor: Eu decido quem é Judeu - dizia Goering. Não te preocupes, já estou a par do assunto.


/.../



(Riccardo acompanhando uma família de Judeus)

Doutor: Tu aí! Vossa santidade! Ó de preto, vem cá um pouco. Vamos, vem cá!

/.../

Júlia: Não vá! Fique aqui, fique connosco!
Doutor (ameaçador, como se falasse a um cão): Vem cá, já disse!

Riccardo avança um pouco mais. Agora ele e o Doutor estão frente a frente /.../. Riccardo tem sangue na cabeça e no rosto. Foi espancado.


Doutor: Foste tu que fizeste esses bonitos arranhões?
Riccardo (maldoso): Os alemães mataram o pai dela com pancadas, porque acharam graça ao facto de ele usar óculos.
Doutor: Gente terrível, esses alemães. (Com pingalim, dá uma pequena pancada quase amistosa no peito de Riccardo) . Que é da tua estrela de David?
Riccardo: Tirei-a porque queria fugir...
Doutor: Ouvi dizer que não eras Judeu? E contaste ao pessoal na plataforma que o Papa te enviou para cuidar dos Judeus.
Riccardo: Disse isso apenas para escapar. Acreditaram e deixaram-me em liberdade. Mas eu sou judeu como os outros.
Doutor: Os meus respeitos! Aí está uma peça digna de um jesuíta! Mas, então... como é que voltaram a agarrar-te?
Riccardo: Ninguém me agarrou. Eu mesmo me enfiei novamente no meio dos outros.
Doutor (sarcástico): Olhem bem para isto, quanta nobreza! Estamos com falta de voluntários e padres. Pode ser que algum morra por aqui de vez em quando. O clima em Auschwitz tem dessas coisas. Mas é claro que tu não és judeu... (Riccardo cala-se. O Doutor senta-se num banco e contínua, com ironia profunda): Um mártir, será?... Mas, então, porque resolveste fugir?
Riccardo: O senhor não ficaria assustado se o trouxessem para aqui?
Doutor: Assustado? Porque razão? É um campo de internamento. E quando se está tão perto de Deus como tu!...
Riccardo (muito incisivo): Aqui queimam-se seres humanos... o cheiro de carne e cabelos queimados...
Doutor (agora trata-o por "senhor"): O senhor não sabe o que diz. O que vê são apenas fábricas de lubrificantes e crina de cavalo, medicamentos, azôto, borracha, granadas de mão... Aqui está a nascer uma nova Bacia do Ruhr. A IG Farben e a Buna têm aqui filiais, e a Krupp irá tê-las num futuros breve. Os ataques aéreos não nos alcançam e a mão-de-obra é barata.
Riccardo: Já vai para um ano que sei o que se passa aqui. Mas a minha imaginação não era superior. E hoje, de repente, não tive mais coragem... para continuar.
Doutor: A sério! O senhor já está ao corrente de tudo! Muito bem... Compreendo o seu desejo de ser crucificado, mas vou dar-me ao prazer de esvaziar a sua soberba em nome de Deus, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Tenho outros projectos para o senhor.

/.../

Riccardo (a voz rouca de horror): Seja breve.

/.../

Doutor: Vejo que o senhor está muito cansado. Sente-se...
Riccardo: O senhor é... é o Diabo!
Doutor: Diabo?... Fabuloso! Eu sou o Diabo, o senhor o capelão da minha casa. Façamos um trato: salve a minha alma. /.../



(continua)


20 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES V - UM TRECHO DE LUCREZIA BORGIA ... (PARA ACOMPANHAR)


INFELICE...

Musica:
Gaetano Donizetti

Soprano:
Joan Sutherland

Tenor:

Alfredo Kraus




Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...
Ah ah ah ah...


19 de junho de 2009

DIVAGAÇÕES IV - BEBIDA PARA ARREFECER O CALOR NUMA NOITE QUENTE!




4 Limões
4 folhas de Hortelã verdes
acabadas de colher no canteiro do seu vasto quintal;

Tanta Água quanto possa comportar o seu jarro;
Açúcar Louro a gosto;



1 Espremedeira manual
(antiga, de preferência de vidro);

1 Jarro e 1 copo de loiça de Alcobaça;
Lucrézia Borgia de Donizetti,
com a sua cantora favorita;

Muito Calor;
Muita Sede.



Corte os limões ao meio e esprema-os impiedosamente, como se a sua vida dependesse disso - afim de obter o melhor e maior sumo. Junte o sumo apurado à água num jarro de loiça de Alcobaça. Sobre a água, deite as folhas de hortelã verdes. Aproveite as cascas de limão e corte-as em pequenos pedaços pequenos, jazendo-as na água. Posto isto, ponha sem exageros açucar louro (QB) na água por cima das cascas e folhas. Mexa tudo muito bem. Use para beber os copos do mesmo serviço e coloque a música escolhida na sua aparelhagem (ou se não possuir uma preciosa gravação, procure no Youtube). Sente-se onde entender, e com muita calma beba a limonada sem a sorver, procurando nela a tranquilidade e a elevação da alma.




18 de junho de 2009

A JOSÉ CALVÁRIO


ADEUS A JOSÉ CALVÁRIO


(1951 - 2009)



E DEPOIS DO ADEUS
...

Música,
Orquestração e Direcção:
José Calvário

o resto dispensa apresentações
(letra: José Niza; intérprete: Paulo de Carvalho)




Até breve
José Calvário

Obrigado pelos sons da liberdade!

Requiem aeternam dona eis, Domini.


BASÍLICA REAL DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


A PRIMEIRA IGREJA DO MUNDO
DEDICADA AO CORAÇÃO DE JESUS


Lisboa 1789


Enquanto não chega Sanctus Johannes - com o cordeirinho e os seus caracóis louros -, sugerimos (o blogue e eu) uma nova reflexão sobre Jesus e o seu Santo Coração:

Ó generoso órgão
ardente de paixão e de amor pelos homens!

Ora pro nobis


Alto-relevo da Fachada da Basílica

Em 1760 a beatissíma princesa D. Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, no dia do seu enlace matrimonial com seu tio D. Pedro de Bragança, certamente apoiada pela lembrança dos gestos de seu avô João, fizera um voto ao SS. Coração de Jesus de erigir um convento para as Religiosas descalças da ordem do Carmelo, como penhor da sua descendência na figura de um filho varão. No ano seguinte, nasceria o seu primogénito. Um rapaz, o infante D. José.


D. Maria I e D. Pedro III

Porém o projecto só ganhará forma em 1777 quando a 13 de Maio, desse ano, a princesa Maria Francisca, ascende ao trono como a primeira rainha portuguesa de plenos poderes - ante as vozes de protesto, que ditavam que a princesa deveria renunciar em favor do seu varão.


Príncipe D. José

Em cumprimento do tão adiado voto, entre o conflito de interesses Pombalinos e pessoais, o projecto de uma nova Igreja surge como uma das primeiras medidas do seu governo. Distante da cidade iluminista de Pombal, é escolhido um terreno da Casa do Infantado no casal da Estrela. Ao arquitecto Mateus Vicente é encomendado o trajecto do Convento e da Igreja, que em tudo seguiriam o exemplo de Mafra.

A primeira pedra será lançada em Outubro de 1779, tendo então as obras começado pela parte conventual. Em 1786, na altura em que as obras estavam concluídas até à cimalha real, o arquitecto Reynaldo Manuel sucede a Mateus Vicente transformando o atarracado plano da Igreja inicial,
sobretudo nas torres e no zimbório, numa sumptuosa Basílica, ainda que condicionada pelos planos originais .


Basílica Real do SS. Coração de Jesus da Estrela
em 1859


Em 1788, pouco antes da conclusão final da obra e da efémera pompa de sagração da Basílica, morre vitimado de varíola o príncipe D. José. Constituirá este facto o golpe decisivo à ferida aberta em 1786, com a morte do seu consorte D. Pedro, ao abatimento e demência mental crónica da Rainha.


Alegoria à inauguração da Basílica

Porém, em 1789 a corte sairá de Queluz para vir a Lisboa.

Nesse dia a cidade engalanou-se para ver a Rainha passar. No seu coche, percorrerá a cidade até ao sítio da Estrela onde grande multidão de populares e curiosos, por entre salvas continuas de morteiros, foguetes e fanfarras, dão vivas à Rainha e ao príncipe real D. João.

Altiva e de olhos brilhantes de nervos, a pia e assustadiça Rainha sabe que é necessário esconder o seu demente abatimento de tudo e de todos, e até de Deus a quem urge pedir perdão pelos seus fustigados mortos que crê arderem no inferno. O principe D. João, sempre pronto, colmatando o que já de si é evidente, apressa-se a concluir as formalidades iniciadas pelo breve gesto da sua soberana mãe, aos quais o poderoso Pina Manique cobre a retaguarda de sobrolho erguido, sorrindo em aparatosos e incontestados gestos.

A sagração faz-se com cerimónia pontifical na figura de Dom José Francisco de Mendonça - o Cardeal Patriarca -, acolitado pelo Confessor da Rainha, Bispos e Arcebispos, Cónegos, demais figuras do clero, Carmelitas e Jesuítas.

Na basílica, revestida de esplendorosas luzes soa o imponente Órgão acompanhado pela brilhante orquestra da corte - a maior da Europa, no dizer de Beckford. Musica certamente de David Perez e do maestro Sousa Carvalho, que provávelmente, como compositor-da-corte, dirigia a orquestra, os castrados e o Coro de crianças e homens reunidos para a grande Cerimónia.



Imagem do Coração de Jesus
que se venera na Basílica da Estrela


Entronizados e imbuídos de espírito religioso, tomaram parte pois em imensa solenidade que deve ter durado uns bons 2 pares de horas, por sua vez rematadas com brilhante e espectacular Te Deum em louvor e acção de graças ao SS. Coração de Jesus naquela que foi a primeira Basílica do mundo consagrada a esta devoção.


17 de junho de 2009

BEATICES




"Scherza coi fanti
E lascia stare i Santi"


by Luigi Illica&Giuseppe Giacosa
in Tosca


15 de junho de 2009

O DIA DE SANTO ANTÓNIO...


Inspirado em famoso Sermão
Fui à praia pôr-me ao Sol
Soube-me tão bem dia:
Bendito sejais St. António!




Então vi peixes e peixinhos
Baleias, tubarões e carapaus
Que deitados ao sol, em coro, diziam:
Bendito sejais St. António!




Em pacata esplanada sentado
Um quente café tomei
Contemplando os passeantes, pensei:
Bendito sejais St. António!




Ainda me lambuzei
Num fresco gelado tão bom!
Em êxtase efémero, exclamei:
Bendito sejais St. António!




Já no crepúsculo da praia
Na alta noite adiantada
Uma prece lhe enviei:
- Nunca me esqueceis, bom Santo!


NOITE DE SANTO ANTÓNIO - HÁBITOS E COSTUMES




O Balão folião!


O Manjerico brejeiro!



A Sardinha (coitadinha) no pão!


As Gentes cima a baixo!



O Balão esvoaçando ao fumo das Sardinhas
exasperado do cheiro a
"xixi"!


"CHEIRA BEM, CHEIRA A LISBOAAAAAAAAA!"


13 de junho de 2009

SANCTUS ANTONIUS IN OLISSIPO




SANTO ANTÓNIO

FERNANDO DE BULHÕES


Por entre Sardinhas e Manjericos em 15 de Agosto de 1195
Onde nós sabemos em 13 de Junho de 1241


12 de junho de 2009

EM LOUVOR DE SANTO ANTÓNIO


Bendito e louvado seja
Santo António, Sol brilhante,
Que em Lisboa, França e Itália,
Deu luz a mais rutilante.

Quis a vontade divina
Que nascesse em Portugal
E fosse, da sua terra,
Um arauto sem igual.

Lisboa foi o seu berço,
E seus pais nobres Bulhões;
Desde a sua meninice
Atraiu os corações.

Logo no seu nascimento
Dos Céus foi abençoado;
Para uma vida divina
Desde logo foi talhado.

Correspondendo ao convite
E à graça do Senhor,
Para Ele encaminhou
Seus passos cheios de amor.

Na Sé menino de Coro
Dava luz tão refulgente,
Que já os seus resplendores
De assombro eram à gente.

Aqui tanto se abrasava.
No fogo do amor divino,
Que era já nestes incêndios
Gigante, sendo menino.

Querendo que só Deus visse
A sua luz permanente,
Foi de Quinze anos de idade
Recolher-se em S. Vicente.

Desprezando os bens terrenos,
Só os bens do céu buscou,
Porque dentro da clausura
Todo a Deus se consagrou.

Temendo que em S. Vicente
Alguém lhe apagasse a luz,
Daqui, para conserva-la,
Foi meter-se em Santa Cruz.

Cinco luzes Franciscanas,
Que com martírio morreram
Em Marrocos, o desejo,
Do martírio lhe acenderam.

Com este ardente desejo,
Procurou logo burel
Franciscano, pois queria
Morrer por Cristo em Argel.

Deixando uma cruz por outra,
Se alistou novo soldado
Na milícia instituída
Pelo Serafim chagado.

Trocou burel a murça,
E fez do nome mudança,
Porque de seu sangue ilustre
Não queria ter lembrança.

O Santo com esta troca
Do seu nome esclarecido,
Deu mostras de que o seu gosto
Era não ser conhecido.

Mostrou no mudar do nome
Abatimento profundo,
Como quem só procurava
O não ter nome no mundo.

Tomar o nome de António
Foi de Deus toque bendito,
Por ser nome, que fez muitos
Prodígios em todo o Egipto.

Tendo conseguido a nova
Milícia que desejava,
Somente dar sua vida
Por Jesus Cristo faltava.

Ja do seu burel vestido
Este sol resplandecente,
Foi logo por mar buscando
No martírio o seu Poente.

Assim buscou o seu Ocaso
No martírio glorioso,
Mas Deus lhe deu noutra casta
De martírio fim ditoso.

O mar vendo o Sol de António
O quis em si sepultar,
Porem foi achar em Pádua
Sepulcro mais singular.

Subiu do seu Oriente
Tao depressa ao Meio-dia,
Que com luzes mais brilhantes
Ja por Itália luzia.

Quis no burel Franciscano
A sua luz esconder
Mas neste burel sagrado
Se viu mais resplandecer.

Da sua luz portentosa
Não só homens se admiraram,
Mas também brutos e peixes
Da luz de António pasmaram.

Esta luz com tanta força
Vibrava os seus esplendores,
Que mudou em penitentes
Milhares de pecadores.

Hereges quase infinitos
Tanto desta luz tiraram
Que já com ela ilustrados.
Os seus erros detestaram.

Fez com esta luz divina
Tao repetidos portentos,
Que depois da sua morte
Obra milagres aos centos.

No muito amor que a Deus tinha
Tanto se abrasava enfim,
Que abrasado nestas chamas,
Era humano Serafim.

Morreu seu sagrado corpo;
Mas a luz não se apagou.
Pois sendo o corpo desfeito,
Inteira a língua ficou.

Era do céu esta língua;
Por isso sem corrupção
Ainda das maravilhas
De Deus nos da relação.

Língua, que das corrupções
A muita gente livrou,
Com razão ainda morta
Da corrupção triunfou.

Tendo-se empenhado tanto
Em salvar as criaturas,
Teve por prémio salvar-se
Inteira na sepultura.

Louvou a Deus altamente
Esta língua portentosa.
Era justo que ficasse
No sepulcro gloriosa.

Se viva tirou dos corpos
Enfermos a podridão,
Não devia nela morta
Ter poder a corrupção.

Língua, que tantos deu vida
Mereceu a feliz sorte,
De se ver sem horrores,
Que causa a terrível morte.

Se por ser língua tão santa
Nela habitou a pureza,
Que muito que de incorrupta
Deus lhe fizesse a fineza!

Ó língua prodigiosa,
Ficaste como imortal,
Pois incorrupto pregais
Um sermão celestial.

Julgo que a todos dizeis,
O língua sempre bendita,
Que no amor de Deus busquemos
Ter como Vos tanta dita.

Já que tiveste a glória
De morta resplandecer,
Fazei que nossas línguas
Não se deixem corromper.

E pois tanto mereceste
Por louvor ao Sumo Bem,
Alcançai que as nossas línguas
O louvem na glória. Ámen.


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