2 de maio de 2009

HISTÓRIA DE MARIA


EVANGELHO DE TIAGO


- Natividade de Maria -


Episódio II


A tristeza e lamento de Ana

E sua mulher tinha dois motivos para se lamentar e bater com a mão no peito.

"Tenho que chorar, dizia ela, pela minha viuvez e pela minha esterilidade!".

O grande dia do Senhor chegou. Judite, sua serva, disse-lhe:

"Até quando continuarás desesperada? Hoje é o grande dia do Senhor. Não tens o direito de te entregares a lamentações. Por isso toma este diadema que me deu a patroa da oficina. Eu não me posso ornamentar, pois não sou se não serva, e ele tem uma insígnia real".

Ana disse-lhe:

"Afasta-te tu! Não farei nada disso, pois o Senhor me acumulou de humilhações. E talves este presente tenha vindo de um ladrão e tu tentes a fazer-me cúmplice da tua falta!".

E Judite, a serva, disse:

"Que mal devo ainda desejar-te, para continuares surda à minha voz? O Senhor Deus secou o teu ventre e não te dará nenhum fruto em Israel!".

Então Ana, apesar do seu desespero, despiu os hábitos de luto, lavou a cabeça e tornou a vestir o vestido de núpcias. E pela nona hora desceu para passear no seu jardim. Viu um loureiro e sentou-se à sua sombra. Depois de um momento de repouso, invocou o Mestre:

"Deus dos meus pais - disse ela -, abençoa-me, escuta a minha oração, tal como abençoaste Sara, nossa mãe, e lhe deste o seu filho Isaac".



Olhando para o céu, apercebeu-se de um ninho de pássaros no loureiro. Imediatamente tornou a gemer.

"Pobre de mim!
Quem me gerou e de que ventre saí eu?
Nasci, maldita diante dos filhos de Israel.
Insultaram-me, fui escarnecida e expulsa do Templo do Senhor meu Deus.
Pobre de mim!
A quem se compara o meu destino?
Nem mesmo as aves do céu, pois as aves do céu são fecundas diante de ti, Senhor.
Pobre de mim!
A que é que se compara o meu destino?
Às bestas selvagens da terra também não,
Pois as bestas selvagens da terra são fecundas diante de ti, Senhor.

Ai de mim!
A que é que se compara a minha sorte?
A estas águas também não, pois estas águas tão depressa são calmas e saltitantes,
E os seus peixes te bendizem, Senhor.
Ai de mim!
A quem se compara a minha sorte?
Nem mesmo a esta terra,
Pois esta terra dá frutos na estação própria e te glorifica, Senhor!"

E eis que um anjo do Senhor apareceu dizendo:



"Ana, Ana, o Senhor Deus ouviu a tua prece. Tu conceberás e gerarás, e da tua geração se falará na terra inteira".

Ana respondeu:

"Tão verdade que vi o Senhor Deus, farei doação do meu filho, rapaz ou rapariga, ao Senhor meus Deus e ele servirá todos os dias da minha vida".

E eis que dois mensageiros voltaram e lhe disseram:

"Joaquim, o teu marido chega com os rebanhos"


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