29 de maio de 2009

D. GIOVANNI - LISBON 2009

Há 10 anos atrás, nos tempos das brilhantes e caras temporadas do não saudoso Dr. Paulo Ferreira de Castro (um brilhante e vaidoso musicólogo, mestre e autoridade em assuntos musicais portugueses), douravam destacadamente o firmamento São Carlino , de entre todo o restante elenco, as argentes e esplendorosas vozes de Alexandrina Pendatchanska, Barbara Fritoli, Elisabete Matos e Ana Ferraz. Cantava-se o D. Giovanni de Mozart, vulgo D. Juan ou D. João.


Hoje, depois das intempéries por quem passado o teatro de ópera português, com o calor e o bom tempo que nos acarinham nestes dias, as nuvens negras tornaram-se menos negras graças aos pozinhos de "perlimpimpim" da Maria Emilia Correia, que com a sua "morangada" deu cor e juventude ao bi-secular palco do São Carlos numa encenação ao estilo rebuçado com um Festival de proeminentes peitos desnudos que, pelo que soube, já alimentam fantasias.



Com momentos agradáveis, menos agradáveis foram as prestações de todos os cantores do elenco exceptuando o titular da ópera, o aristocrata D. Giovanni - interpretado por Nicola Ulivieri -, e a sabida e tontinha camponesa Zerlina - interpretada por Chelsey Schill -, que muitos bravos merecerão se lhes fizerem justos aplausos.



Um maestro autista; Um fraco elenco feminino - D. Anna e D. Elvira; Um fraco elenco masculino - Leporello, Commendatore, D. Ottavio, Masetto; Papéis mal sabidos; Respirações fora do lugar; Desafinações; Vozes mal colocadas; Vozes mal aquecidas; Desencontros com orquestra; Fraca presença em palco; entre tantos outras questões que roçam o diletantismo de categoria hiper-duvidosa num teatro nacional, no qual o produto final deveria ser de excepção.



Por fim tive a honra de ter ficado sentado ao lado, durante todo o espectáculo, do grande tenor Ernesto Palacio e de duas queridas amorosas que no intervalo da ópera foram à Häagen Dazs e enfastiadas sentaram-se na sala comendo os seus arrogantes gelados, que se prolongaram durante os primeiros 10 minutos do II acto (é Portugal no seu melhor, consequência da ausência de conhecimentos, cultura e princípios moderadores).


Et voilá, foi o meu terceiro D. Giovanni -
sendo que o então malogrado e mal falado primeiro
foi o melhor!



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