21 de abril de 2009

ABERTOS 23 PROCESSOS PARA SANTOS E BEATOS PORTUGUESES

A Igreja Católica portuguesa tem abertos 23 processos de canonização ou beatificação, uma lista que inclui nomes famosos como os Pastorinhos de Fátima ou o Padre Américo, mas também ilustres desconhecidos que a história esqueceu.

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No total, Portugal tem 26 santos e 55 beatos, fiéis portugueses que viram reconhecidas pela Igreja Católica as suas "virtudes canónicas", muitas alicerçadas em curas que a Igreja considera serem milagres resultantes de intervenção divina.

Os mais conhecidos são os videntes de Fátima. Francisco e Jacinta Marto já foram beatificados e aguardam para serem elevados ao patamar de santos, enquanto o processo de beatificação da Irmã Lúcia já foi também aberto pelos serviços diocesanos de Coimbra.

A diferença entre beatos e santos limita-se apenas ao espaço de culto. Os primeiros podem ser apenas objecto de culto em comunidades definidas - os seus países de origem ou ordens específicas -, enquanto os santos podem ser venerados em todo o mundo, cabendo ao Vaticano definir uma data para a sua evocação.

No próximo Domingo, por decreto de Bento XVI, o Beato Nuno de Santa Maria - o Condestável D. Nuno Álvares Pereira - passa a santo depois de concluído com sucesso o seu processo de canonização.

Mais atrasado está o processo do padre Formigão, o apóstolo de Fátima e dos Pastorinhos, que também quer seguir o caminho traçado para os altares. Neste caso, o dossiê de beatificação está já concluído, faltando o parecer final do Vaticano.

O Padre Américo é outra figura que, antes de ter o seu nome na lista dos santos e beatos, já é objecto de devoção particular dos crentes. Em particular, daqueles que valorizam o seu trabalho na dinamização da Casa do Gaiato.

O mesmo sucede com Sãozinha, nome pelo qual ficou conhecida Maria da Conceição Ferrão de Pimentel, nascida em Coimbra em 1923. Filha de boas famílias, optou por uma vida de sacrifícios religiosos, muitos deles dolorosos para o corpo, tendo morrido com apenas 17 anos.

A irmã Alexandrina Costa, nascida em 1904 em Balasar (Póvoa de Varzim), é uma das mais recentes beatas portuguesas, um prémio da Igreja à sua vida de sacrifício e devoção à eucaristia. Exemplo disso é o facto de ter passado os últimos 13 anos de vida sem tomar alimento algum, além da comunhão diária.

O jesuíta Francisco Rodrigues da Cruz, mais conhecido como Padre Cruz morreu em 1948, com 90 anos, e o seu exemplo de apreço pelos mais pobres motivou um processo de beatificação ainda aberto, que tem como principal divulgador o boletim Graças do P. Cruz, hoje com uma tiragem de 27.000 exemplares.

O arcebispo de Évora D. Manuel Mendes Santos (1876-1955) é outro dos portugueses que espera para ser elevado ao estatuto de beato, um prémio pelo seu trabalho pastoral naquela Arquidiocese, onde fundou seminários, casas religiosas, um jornal e o instituto diocesano das Servas da Santa Igreja, para auxiliar os Párocos na evangelização e, especialmente, nas missões.

Outros dois bispos também aguardam pela sua elevação a beatos, pelo seu trabalho pastoral: D. António Barroso (Moçambique) e D. Bernardo de Vasconcelos (Porto).

Seguidora de Santa Teresinha, Maria da Conceição, de Viana do Castelo, aguarda pela beatificação e o mesmo sucede com Sílvia Cardoso, mais conhecida por Dona Sílvia, de Paços de Ferreira. Neste caso, foi o próprio Cardeal Cerejeira a fazer-lhe os elogios: "havia nela muito da loucura dos santos. Amou de todo o coração Deus, Cristo, a Igreja, as almas: e não soube jamais pôr medida ao seu amor. O caminho que ela seguiu é o caminho da santidade".

Um dos mais antigos e famosos beatos que esperam a elevação a santos é D. Fernando, filho de D. João I, que foi preso em Tânger durante um assalto falhado àquela fortaleza marroquina, vindo a falecer em Fez.

Também entre os mais antigos portugueses no caminho da santidade, contam-se os nomes do mártir quinhentista de Almeirim Gonçalo da Silveira, da irmã Maria do Lado (fundadora do Convento do Louriçal, em Pombal, no século XVII), ou Teresa da Anunciada (clarissa do século XVII ligada ao culto do Senhor Santo Cristo dos Açores).

Um dos motivos que leva muitos católicos aos altares é o seu trabalho pastoral, nomeadamente na fundação de instituições religiosas, como são os casos de Rita Amada de Jesus (Congregação de Jesus, Maria e José, em Viseu), Luísa Andaluz (Servas de Nossa Senhora de Fátima), Maria Isabel da Santíssima Trindade (Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres).

Na lista, podem-se descobrir também nomes menos famosos como Guilherme Braga da Cruz, da Arquidiocese de Braga, o padre franciscano José Aparício da Silva, de Vila de Rei, a irmã hospitaleira Maria do Monte, do Funchal, ou a irmã Maria Clara do Menino Jesus, da Amadora.


in Diário de Noticias, 2009-04-21

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